1808

1808
Terminei de ler o livro 1808, escrito pelo jornalista Laurentino Gomes. Uma viagem com a família real, desde a escapada de Portugal em 1807 e a volta para lá em 1821. O contexto histórico recuperado com muito cuidado, muita pesquisa histórica, um monte de leituras para conseguir passar ao leitor um modelo da época o mais próximo possivel da realidade.
Interessante é que a imagem que fica na nossa cabeça desde criança, quando a gente estuda História do Brasil pela primeira vez e toma conhecimento da vinda da família real Portuguesa, é a do brilho das cortes, o glamour, bailes, festas, conversas de alcova, pessoas bonitas e bem vestidas. Logo de inicio essa imagem é destruida, pelo relato da viagem com um nivel riquissimo de detalhes. A vida a bordo dos navios da frota real é narrada com muito realismo, foi um enorme sofrimento para todos, principalmente para as mulheres. Banho? nem pensar, comida de vez em quando, água para beber racionada, dormindo ao relento, sol escaldante, roupas completamente inadequadas para o clima tropical, doenças de pele, escorbuto.
Leitura fácil, capitulos curtos, muito interessante, prende o interesse em todos os capítulos. Apesar de o livro ter luz própria e dispensar mais recomendações, recomendo fortemente aos leitores do blog. Muda nossa visão de Brasil, da nossa origem como povo, da mistura de culturas, a gente passa a entender tudo um pouco melhor. E dá vontade de ler muito mais sobre tudo isso.
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Dia do professor

Professor
Mais um Dia do Professor se passa, e mais uma vez sinto a sensação de que nós, professores, temos um baixo reconhecimento de nosso trabalho pela sociedade. Nas universidades federais, pior ainda porque o feriado do 15 de outubro nem existe mais, foi transferido para o dia 28 de outubro, o Dia do Funcionário Público, que por sua vez, também sumiu do mapa. Uma ou outra mensagem de parabéns pelo dia do professor aparece nos emails ou impressas, a maioria delas chavões repetidos a cada ano, mais por obrigação do que propriamente por valorização da profissão que abraçamos.
Claro, os feriados não importam em nada, são apenas datas comemorativas, e nós estamos lotados delas. Estou me referindo aqui ao reconhecimento da importância do papel social desempenhado pelo professor de modo geral. Acho mesmo que é muito fraco o reconhecimento do papel fundamental da educação para a sociedade, logo a educação que é a única variável que trabalhada isoladamente, consegue em médio tempo promover inclusão social, melhoria de renda, melhoria de percepção, consciência, etc. Mas, até nosso presidente da república faz muita questão de ser enfático em afirmar que nunca precisou estudar para chegar à presidência, o que é tomado como bom exemplo a ser seguido.
Já me senti muito valorizado por ser professor. Mas não foi aqui, foi no ano que passei nos EUA na University of Florida, em estágio de pós-doutoramento. A percepção da importância do papel desempenhado pelo professor por lá é fantástica. Na lista das profissões mais respeitadas naquela época, Professor só era superada pela carreira de Policial. As carreiras mais tradicionais vão lá para o final da fila, uma surpresa. Procurei uma atualização daquela lista, não consegui mais achar. Mas, na busca, achei uma entrevista da Michelle Obama sobre a importância do papel do professor na formação das novas gerações de estadunidenses, que merece ser lida aqui.
Uma parte do artigo eu faço questão de transcrever, desculpem, vai em inglês mesmo, usem os tradutores da internet: We all remember the impact a special teacher had on us—a teacher who refused to let us fall through the cracks; who pushed us and believed in us when we doubted ourselves; who sparked in us a lifelong curiosity and passion for learning. Decades later, we remember the way they made us feel and the things they inspired us to do—how they challenged us and changed our lives. So it’s not surprising that studies show that the single most important factor affecting students’ achievement is the caliber of their teachers. And when we think about the qualities that make an outstanding teacher—boundless energy and endless patience; vision and a sense of purpose; the creativity to help us see the world in a different way; commitment to helping us discover and fulfill our potential—we realize: These are also the qualities of a great leader.
Claro, há enorme diferenças de cultura entre nós, nem de longe está passando pela minha cabeça elogiar a sociedade de lá, e achar que ela é modelo para nós. Nada disso, temos nossa própria cultura muito mais rica e que, aos poucos, vai sendo respeitada e admirada pelo resto do mundo. Meu ponto aqui é somente com relação ao reconhecimento da importância do papel do professor na nossa sociedade e cultura, e essa postagem vai mais como um desabafo muito forte. Ia me esquecendo, na sala de aula onde ensino engenharia de software esse semestre, a sala 358 do Pavilhão de Aulas A, está escrito a canivete no tampo da mesa: Todo professor é filho da puta! É mole?
Deixo aqui minha homenagem ao querido amigo, colega e parceiro de pesquisas Marcelo José Vilela, professor do Departamento de Biologia Animal da UFV, pesquisador incansável da Patologia do Câncer. Falecido na sexta, dia 16 de outubro de 2009, ironicamente vitima de um câncer devastador no pâncreas.
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Netflix Prize, o desafio

Netflix
Em outubro de 2006 a Netflix, enorme locadora de vídeo que funciona via internet, lançou o Prêmio Netflix, que agitou a comunidade de computação do mundo todo. Concurso aberto a partir de outubro de 2006 indo até no máximo outubro de 2011, ou até algum grupo ganhar a parada, dirigido a todo e qualquer participante ou grupos, com restrições a alguns paises. O prêmio de US$1.000.000,00, isso mesmo, um milhão de dólares, destinava-se ao grupo que construisse um sistema de indicação de preferências de videos aos clientes da Netflix, que tivesse um desempenho pelo menos 10% melhor que o sistema deles, o Cinematech. No meio do caminho, os grupos poderiam se qualificar para ganhar um prêmio de US$50.000,00 para apoio ao desenvolvimento da pesquisa (Progress Prize).
Naturalmente, a Netflix disponibilizou aos participantes a sua enorme base de dados de clientes e o histórico de locação ao longo do tempo, um acervo inestimável de informações. O resultado final foi surpreendente: uma chacoalhada geral na comunidade das diversas áreas de conhecimento, que trabalham com técnicas da área de inteligência computacional (computational intelligence), uma das denominações para o grupo de técnicas, métodos e modelos que inclui redes neurais artificiais, algoritmos genéticos, lógica e regras fuzzy, redes bayesianas e outras que estão tendo enorme aplicabilidade em problemas reais. Novos grupos se formaram ao redor do planeta, grupos existentes se animaram e se prepararam, inscreveram-se no concurso e mandaram bala nas pesquisas usando a base de dados da Netflix. Rebu geral na área de computação.
Em setembro de 2009, o grande prêmio de um milhão de dólares foi destinado à equipe BellKor´s Pragmatic Chaos, vejam a noticia na revista Wired aqui. O algoritmo que eles propuseram e que ganhou o prêmio e outras noticias técnicas, podem ser obtidas no link algoritmo. E o melhor: já está em andamento a chamada para o Netflix Prize 2, fiquem de olho. O que se espera é que outras empresas tomem o mesmo tipo de iniciativa, esse é um jogo ganha-ganha, que promove a inovação a partir da pesquisa e desenvolvimento.
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Nike Plus

NY Marathon
A noticia de que a Nike associou-se à Apple para lançar produtos destinados a esportistas, utilizando o iPod, já não é tanta novidade assim. Mas, agora, o negócio está nas ruas, com implicações interessantissimas. O primeiro passo foi um kit de corrida, com um sensor que fica debaixo da palmilha do tênis projetado especificamente para esse fim. Esse sensor coleta dados tais como distância percorrida, velocidade e calorias queimadas. Esses dados são transmitidos para um captador de dados também da Apple, que fica conectado a um iPod, onde os dados de cada treino ou corrida são armazenados. A tecnologia já evoluiu substituindo o iPod por um bracelete da Nike que coleta os dados, ao invés do iPod (aposto que em breve vai estar nos relógios da Nike, ou talvez até nos óculos).
Terminado o treino ou corrida, os dados são transmitidos do iPod, via internet, para o sitio Nike Plus. O corredor se inscreve antes nesse site, adquire uma identificação, e seus dados são transmitidos para a sua área específica, e ficam armazenados lá. O sitio oferece ferramentas para análise dos dados acumulados, gráficos de desempenho, comparativos, categoria, etc. O negócio tem se expandido tanto, que a Nike organiza corridas individuais (estão sendo chamadas de virtuais, mas acho esse nome inadequado), cada um corre no seu canto, e depois lança os dados no sistema, que são comparados com os dados de outros corredores que correram a mesma corrida virtual, como a Human Race realizada em São Paulo e que agora tem uma etapa virtual.
Acho isso tudo fantástico, sob vários aspectos. Não apenas por causa da tecnologia empregada, que é relativamente simples. Mas a idéia, a inovação envolvida em todos os passos, é muito interessante. Prá começar, o segmento de mercado é bem definido, de médio para alto poder aquisitivo, supõe-se que o corredor que vai aderir ao Nike Plus tem grana suficiente para comprar o par de tênis especifico (uns 500 reais, por baixo), mais o chip da palmilha e o receptor da Apple (uns 100 reais), mais o iPod (aí o bicho pegou, mais uns 500 reais se for o iPod Nano). Além disso, o corredor certamente tem computador em casa, acesso a internet, e conhecimento suficiente para fazer tudo funcionar adequadamente, acessar os dados, analisar as planilhas de desempenho, e mais que isso, viajar de vez em quando para participar das corridas presenciais (que ainda vão ser realizadas não sei por quanto tempo) que podem acontecer em qualquer canto do mundo.
Agora, vamos ver pelo lado da Nike/Apple, o que é que eles ganham com isso? Antes de mais nada, um monte de comprador de tênis e da tecnologia necessária para começar (ou continuar) a suar a camisa. Mas, o mais importante: ganham uma massa de dados enorme, de onde informações valiosissimas podem ser extraidas e usadas para lançamento de novos produtos, novas promoções, novas músicas preferidas pelos corredores (Eye of the tiger, do filme Rocky III, é a preferida atual), distância média percorrida por cada corredor, idade média do grupo, poder aquisitivo, enfim, uma lista infindável de possibilidades e cruzamentos. Que vão levar a novos corredores, novas corridas de rua, novas promoções, levando a um ciclo virtuoso de negócios, onde todo mundo aparentemente ganha.
E vejo ai uma lição importantissima: arranjaram um jeito criativo e fácil de fazer o usuário querer, e muito, fornecer dados corretos para o sitio de coleta e armazenamento de dados. Que, de longe, é um dos maiores desafios do relacionamento das empresas com os clientes… (tem um artigo da revista Exame sobre esse assunto, vale a pena ler, aqui)
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Inimigos públicos

Public Enemies
Na sexta dia 24 de julho, fui para o Pátio Savassi querendo ver algum filme, qualquer um. Escolhi o que ia ver na frente da bilheteria, mais baseado no horário do que no filme propriamente dito. E lá me aparece Inimigos públicos (Public enemies), com o Johnny Depp. A sessão ia começar em 10 minutos, nem pensei mais, já conheço o Johnny Depp e gosto demais da atuação dele, o último filme que vi com ele foi Sweeney Todd, muito bom e também recomendo.
O filme é ambientado na Chicago dos anos 30, grande depressão, gangsters, jazz, aumento explosivo da criminalidade nos EUA e, não por acaso, também época em que o FBI finalmente se firmou como agência federal de combate ao crime por lá. Conta uma parte da vida de John Dillinger (Johnny Depp), sua amante Billie Frechette (Marion Cotillard, que fez Piaf recentemente), e o agente do FBI Melvin Purvis (Christian Bale, fez o último Batman).
Nem preciso dizer que gostei demais do filme, o estilo gangster e os filmes ambientados nessa época me agradam muito. Ponto alto para a trilha sonora, escutem uma das músicas aqui, com a banda do Otis Taylor. Ia me esquecendo, a Diana Krall faz um papel rápido de cantora de bar, cantando a música que é de fato o tema principal da relação do Dillinger com a Billie Frechette. Recomendo demais, vejam mais informações no IMDB e no Metacritic. Bom proveito…
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As leituras agora em julho foram poucas, mas selecionadissimas. O cansaço do semestre passado, somado ao monte de artigos que julguei para congressos, simpósios e revistas, mpsBR, bancas de dissertação, me tiraram um pouco da disposição para outras leituras. Mas, claro, estou sempre lendo, e achei uma pérola numa livraria em BH: A música desperta o tempo, do conhecido e famoso maestro Daniel Barenboim.