Go-Cycle, bicicleta com inovação

Sábado, 4 Julho, 2009
Gocycle

Gocycle - http://www.gocycle.com

Sempre que pressionado, o ser humano arruma um jeito de melhorar as coisas que já existem, inventando novas formas evolucionárias ou revolucionárias de fazer as mesmas coisas de forma diferente e mais agradável. E quem pensava que a bicicleta ia ser só aquela magrela em duas rodas, com apenas uma coroa e uma catraca de 18 ou 21 dentes, com o selim de couro  e muito desconfortável, enganou-se completamente. Alías, enganou-se há muito tempo e não percebeu, pois os novos materiais, sistemas sofisticados de catracas, coroas  e de troca de marchas, freios, rodas de liga leve, pneus especiais, etc., hoje fazem as antigas magrelas parecerem coisa de museu. E as novas versões literalmente voam…

Na minha ronda semanal de blogs, topei com a noticia no EcoGeek, sobre a GoCycle, uma maravilha tecnológica, que está ai na foto. Materiais leves, dobrável, tem um motor elétrico e uma bateria que se recarrega com o próprio movimento dos pedais, com durabilidade de uns 30Km (20 milhas). E funciona muito bem sem o motor, como uma bicicleta normal, e a bateria pode ficar em casa na recarga (três horas). O preço não é lá essas maravilhas, 1200 libras, uns 2000 dólares, preço de moto pequena ou até de um Tata Nano. Ainda é uma atração de luxo, mas se cair no gosto popular, o volume de vendas e a melhora da tecnologia certamente vão fazer esse preço cair a níveis suportáveis. E podem anotar ai, está próximo o dia da volta triunfal das bicicletas nas grandes cidades, falta pouco tempo…

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Inovação: nações inovadoras

Domingo, 28 Junho, 2009
Estocolmo

Estocolmo

Um tema que considero um desafio e que particularmente me atrai muito, é o da inovação e seus desdobramentos. Não é a toa que uma das categorias mais “gordas”  aqui no blog é Carreira, seguida de perto pela Empreendedorismo.  Leituras e mais leituras, artigos, livros, disciplina de Empreendorismo na graduação, as idéias vão levando sempre para o mesmo rumo: o ambiente ou contexto têm que ser receptivos e favorecedores da inovação. É o que acontece com Estocolmo, capital da Suécia, considerada a comunidade mais inteligente e mais inovadora do mundo, e que foi a fonte de inspiração para esta postagem.

O artigo Building an Innovation Nation trouxe mais luz sobre a questão, de forma objetiva e técnica.  Uma pesquisa conduzida pela McKinsey, em parceria com o Fórum Econômico Mundial (WEF-World Economic Forum), teve como resultado o interessantissimo  Innovation Heat Map,  construido com base em fatores e variáveis comuns aos pólos de inovação. Setecentas variáveis (isso mesmo, 700) foram analisadas em centenas de pólos de inovação pelo mundo afora, dentre elas: ambiente de negócios, governo e legislação, capital humano, infraestrutura (transportes, TI, redes, banda…) e demanda local, associadas com as facilidades para divulgação e garantia de propriedade intelectual. Padrões que sugerem os elementos críticos necessários para o crescimento, fomento e sustentabilidade dos pólos de inovação foram identificados.

O fator forte, comum entre todos os pólos, que cataliza  (ou bloqueia, se olhado pelo lado negativo), é a disponibilidade de um estoque de talentos bem formados e especializados. Embora um pólo de inovação possa ser iniciado com poucos talentos locais, para dar partida no primeiro nível de maturidade, esses pólos são sustentáveis se tiverem uma política estratégica permanente e duradoura de atração, formação e desenvolvimento de uma base de recursos humanos sólida e crescente. Criando um ciclo virtuoso de crescimento e inovação.

Aqui no blog há algumas postagens que merecem ser relidas (ou lidas), que tocam exatamente nesses pontos: Vannevar Bush, Empresas juniores: base para inovação, e outras. Comum a todas elas, a necessidade de uma visão estratégica sustentável, a preparação da mão de obra qualificada, que passa pela variável mais forte de todo o desenvolvimento social em todo o mundo, capaz de sozinha provocar uma revolução: a educação, em todos os  níveis. Essa é a variável que, no médio prazo, provoca as mudanças que todos queremos ver.

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Federer: o retorno do artista

Domingo, 21 Junho, 2009

Final de semestre, tudo acontecendo, e acabei me esquecendo de comentar aqui sobre o retorno de Roger Federer ao topo do tênis mundial. Para dizer a verdade, consegui ver poucos jogos de Roland Garros, devido principalmente ao fuso horário, os melhores jogos de cada dia começavam sempre depois do meio-dia. Só deu para acompanhar via internet, e veja lá.

King Federer

King Federer

Aconteceu em Roland Garros, um torneio que faz parte do circuito de grand slam do tênis mundial: Australian Open, French Open (Roland Garros), Wimbledon e US Open. Para alegria de todos os fans no mundo todo (só no sitio dele na internet, tem mais de 250000 fans inscritos), vimos nas quadras um Federer concentrado, seguro, batendo bolas agressivas e até um pouco fora do seu estilo tradicional de gentleman do tênis. A final, jogada contra o sueco Soderling, deu o esperado: vitória do Federer por 3 x 0, só não seria um placar desses por um tremendo azar. Sem desprezar o adversário, já velho do circuito mundial de tênis, que tirou o Nadal da competição.

O Federer vinha caindo de produção a cada torneio. Embora pareça muito fácil levar uma vida de tenista topo do ranking, na verdade não é nada disso. A rotina de treinamentos diários, que inclui muita preparação fisica em academias especializadas com seu preparador pessoal, várias horas de quadra com o treinador, controle de alimentação, viagens seguidas, torneios, pressão psicológica, jogos todos os dias (e os treinamentos continuam nos intervalos), análises de vídeos de jogos anteriores dos adversários, enfim, o glamour não existe. Existe sim, muito trabalho e muita dedicação, o que de resto não é nenhuma novidade, pois sem isso ninguém consegue se projetar em nenhuma área de conhecimento ou especialização. Os melhores são sempre os que se dedicam mais, treinam mais, levam mais a sério.

Esperamos que a sua volta seja duradoura. Como aconteceu com Andre Agassi, ficou fora um bom tempo por problemas pessoais, todo mundo achou que ele estava acabado, e lá vem ele, ressurgiu das cinzas como um Fênix, e voltou ao topo do ranking em pouco tempo. Um exemplo fantástico.

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Tendências em conhecimento de TI para 2009

Sábado, 13 Junho, 2009

Acabei me esquecendo deste assunto, que está na lista de drafts aqui tem um bom tempo, afinal já estamos no meio de 2009, o assunto vai perdendo importância. Mas, ainda é atual, e vamos lá.

Tecnologia

Tecnologia

Segundo pesquisa publicada na Computerworld, e apesar da grave crise econômica mundial causada pela irresponsabilidade de parte da economia estadunidense, as habilidades e conhecimentos em TI continuam em alta. Esse mercado foi muito pouco afetado pela crise, já que o mundo não vive mais sem a TI, a tecnologia continua sendo a nossa salvação. Programação e desenvolvimento de aplicações (cada vez mais sofisticadas) continuam em alta, embora a previsão seja de que programação tende a ser automatizada no médio prazo, elevando as exigências para o nivel de cima, de projetista. Conhecimento e treino em SAP-R3 continuam com alta demanda, as empresas continuam implantando sistemas de gestão integrados para permitir sua atuação em mercados mundiais, saindo do escopo local. O setor de serviços, com os indispensáveis help-desk (reclamamos deles mas o uso da tecnologia não dispensa mais os help-desks por pior que sejam), é considerado o segundo setor mais importante, vital para o desenvolvimento das empresas globais.

Gerência de projetos está se firmando como área estratégica para as empresas,  fundamental para que elas atinjam niveis de maturidade mais altos nas avaliações CMMImpsBR. Esta é uma área de investimento em conhecimento e treinamento que vai continuar em alta nos próximos anos, podem apostar, visitem o sitio brasileiro do PMI-Project Management Institute. Também a área de inteligência organizacional (business intelligence) está em ascensão, empurrada pela concorrência global entre as empresas. Os dados históricos das transações passaram finalmente a valer ouro, permitindo a extração de relações novas entre grupos de dados pela utilização das técnicas de mineração de dados.

Finalmente, conhecimento em segurança e privacidade continuam em alta, dado o avanço tecnológico, a convergência digital para aparelhos portáteis (há tantas opções no mercado que é dificil até acompanhar essa evolução), e a evolução dos serviços oferecidos aos usuários. Por exemplo, celular (nem sei mais se deveria ser chamado assim) com recursos para GPS-Global Positioning System e acesso aos mapas do GoogleMaps está ficando comum, o preço tecnológico está caindo, e com isso os problemas vão se espalhando, em paralelo com as possibilidades de novas aplicações.

E finalmente o conhecimento em aplicações empresariais utilizando recursos da chamada Web2.0 continuam em alta. O uso de wikis, blogs, a explosão do Twitter e outras tecnologias pelas empresas continuam em alta, e isso não vai parar. O conhecimento, nesse caso, nem é bem em programação e projeto de software, vai mais para o lado da administração e sistemas de informação, pois são ferramentas a serem usadas na melhoria interna dos processos administrativos.

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Pesquisa em ciência da computação

Sábado, 6 Junho, 2009
Metodologia

Metodologia

Ofereço no primeiro semestre de cada ano, uma disciplina obrigatória no Mestrado em Ciência da Computação do DPI, voltada para técnicas de pesquisa em ciência da computação. Como não havia um livro especifico para a área, quebro o galho com capítulos de livros clássicos, com alguns artigos técnicos, com a biblioteca digital sobre Filosofia da Stanford University, e muito trabalho para os alunos terem oportunidade de amadurecerem as idéias em um semestre. O trabalho final da disciplina é um pré-projeto de dissertação, fechado com uma reunião final de apresentação dos mesmos, na presença dos orientadores.

Bom, na semana passada, circulou na lista da SBC o anúncio do livro Metodologia de Pesquisa para Ciência da Computação, do prof. Raul S. Wazlawick (o mesmo autor do livro Análise e projeto de sistemas de informação orientados a objetos).  Encomendei logo um exemplar na livraria Nóbel aqui em Viçosa, e ontem (sexta, 5/06/2009) dediquei minha tarde de trabalho à leitura e avaliação deste livro. Uma agradável surpresa, um livro prático, cheio de bons exemplos e discussões interessantes, voltado para resultados, bem escrito, que vai finalmente suprir a deficiência de um livro específico para a área de computação, que tem as suas particularidades (e muitas).

Os titulos dos capítulos: Introdução, Estilos de Pesquisa Correntes em Computação, Preparação de um Trabalho de Pesquisa, Análise Crítica de Propostas de Monografias (excelentes exemplos), Escrita de Monografia, Escrita de Artigo Científico, Plágio, Níveis de Exigência do Trabalho de Conclusão. Todos seguindo o mesmo estilo, leitura fácil e agradável. Um esclarecimento: o termo monografia é usado no livro para se referir a qualquer trabalho escrito de conclusão, seja de graduação, de mestrado ou de doutorado, evitando as ambiguidades que surgem quando se usam os termos dissertação e tese.

Não é minha pretensão aqui fazer uma resenha do livro, recomendo que os interessados leitores do blog adquiram um exemplar e leiam mais de uma vez. As dúvidas vão desaparecer, e certamente vocês vão estar mais bem preparados para esse desafio da vida acadêmica. Boa leitura!

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Lake Mead, Hoover Dam

Sábado, 30 Maio, 2009
HooverDam

HooverDam

A foto do lado é da Hoover Dam (represa Hoover), construida para gerar eletricidade, irrigar plantações e suprir de água a população de  parte da região oeste estadunidense (Nevada e California) e do México. O lago por trás da represa é o Lake Mead, no estado de Nevada, que é alimentado pelas águas do rio Colorado, tem capacidade para armazenar 9,3 trilhões de galões de água (1 galão tem aproximadamente 3,5 litros), equivalente ao fluxo de água de dois anos do rio Colorado. Suas águas são bombeadas através da Sierra Nevada para suprir parte da região sudoeste da Califórnia. Somente por esses números ai, dá para imaginarmos o gigante de obra de engenharia que ela representa, terminada em 1936.

Bom, mas o que isso tem a ver com esse blog? Sustentabilidade, claro. Procuro aqui nas minhas postagens, chamar sempre que possivel a atenção dos leitores para análise sistêmica, capacidade de enxergar além dos fatos isolados e se possível, enxergar todo o sistema. Dia desses topei com uma noticia sobre a represa: Lake Mead is drying up. Ou seja: Lake Mead está secando, a uma velocidade alarmante! O nivel de água caiu 14 pés em 2008 (aprox. 4,20 metros) e a projeção é a de que vai cair outros 14 pés esse ano, chegando próximo dos 1075 pés de altura mínima, ponto em que o governo federal estadunidense vai intervir e declarar estado de seca, forçando a diminuição de vazão a um nível que causará o fechamento das torneiras de água em 800.000 casas em Las Vegas. A briga pela água no estado de Nevada está ficando complicada, pois a turma dos cassinos e hotéis de Las Vegas se acha no direito de tirar águas de outros cantos do estado, para continuar jogando água fora nos empreendimentos da cidade.

Essa noticia me chamou a atenção, porque me fez  lembrar de outra notícia que tinha lido há um bom tempo, na revista IEEE Spectrum, sobre os efeitos devastadores no eco-sistema das margens do rio Colorado, observados 60 anos depois do seu represamento no Lake Mead.  Não tenho mais o artigo com a notícia, mas achei outra referência sobre o impacto ambiental causado pela Hoover Dam e pelo represamento do rio Colorado, Hoover Dam Environment, de onde transcrevo:  Mais uma vez, a tentativa de modificar a natureza adaptando-a aos seus desejos termina com consequências desastrosas. Sem entender completamente  as conexões sutis existentes no seu frágil eco-sistema, o homem provocou mudanças muito drásticas  nas propriedades fundamentais do rio. Espécies foram perdidas como resultado do fraco planejamento ou ausência de capacidade de visão de futuro. Outras espécies foram perdidas para que visitantes em férias pudessem pescar trutas no lago..

E temos algo semelhante acontecendo por aqui? claro que temos, a transposição do Rio São Francisco, vejam artigo sobre este assunto escrito por um especialista em águas, prof. Alberto Daker, aqui! Nossos dirigentes estão incorrendo nos mesmos erros de planejamento e falta de visão que acometeram os idealizadores e realizadores da Hoover Dam, e as consequências vão aparecer talvez daqui a meio século ou menos, quando os responsáveis pelas decisões não estiverem mais por aqui. Esta é uma das falácias apontadas pelo pensamento sistêmico: a de que os dirigentes vão aprender com as decisões que tomam.  Pelo menos com decisões que têm impactos sistêmicos, de longo prazo, isto é mesmo uma tremenda falácia.

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Nano: preço de moto, cara de carro

Sábado, 23 Maio, 2009

Tata Nano

Tata Nano

A foto ai do lado é do Nano, o novo lançamento da indiana Tata Motors, mais um carro para as multidões, que vai custar seus 2000 dólares na India. É um carrinho pouco maior que uma moto encorpada, tem motor de moto, arranque de moto, consome pouco combustivel, baixo nível de poluição, e muita inovação para fazer tudo isso caber nesse preço de 2000 dólares. O mais interessante da biografia do Nano é a criatividade e inovação da engenharia da Tata Motors, para conseguir esse resultado.

A ficha do carro, bem resumida: motor de arranque de motocicleta, motor Bosch de 2 cilindros e 35CV a gasolina (tipico motor de motocicleta), aceleração de 0 a 100km/h em 17 segundos (comparável a de um Celta básico), velocidade máxima de 105km/h, consumo médio na cidade de 23,6km por litro de gasolina (é mole?), peso de 600 quilos. Os principais pontos onde os engenheiros da Tata espremeram para conseguir baratear o carro foram: bateria debaixo do banco trazeiro (solução já conhecida do Fusca antigo e outros), tanque de gasolina dentro do capô dianteiro eliminando aquela tampa externa do tanque (também já usada no Fusca e outros), o estepe é um pneu mais fino que serve apenas para chegar até ao borracheiro mais próximo, pintura leva apenas uma passada no forno de secagem (ao invés das duas tradicionais), painel espartano, apenas três parafusos prendem as rodas aos cubos, e mais de 30 patentes relativas a inovações utilizadas no seu projeto foram  registradas.

Essa iniciativa da Tata Motors, de produzir um carro para atingir os consumidores da base da pirâmide, representa na verdade um primeiro passo de mudança para as montadoras tradicionais. A cidade de Detroit, nos EUA, vive um forte ocaso, com a quebra das maiores montadoras estadunidenses, e as grandes e tradicionais montadoras européias estão definhando e mudando de donos, passando para as mãos de fabricantes chineses e indianos. Os carros grandes, consumidores de combustivel e que não cabem mais nas ruas, estradas e estacionamentos, estão em franca decadência e até nos EUA, que é o dominio deles, os carros pequenos e econômicos estão entrando firme. A recente aliança da Chrysler com a Fiat, para produzir nos EUA o modelo Cinquecento que é pouco menor que um Fiat Uno, é a prova viva da mudança.

O Nano é apenas o começo da inauguração da era dos compactos: mais eficientes, mais verdes, mais leves, menores, mais econômicos, menos poluentes. Esses carros vão competir diretamente com as motocicletas,  possibilitando a muita gente vender a moto e comprar um carro, que sem sombra de dúvidas, vai ser mais seguro que andar de moto pelas nossas ruas. Que vão, certamente, ficar mais entupidas de carros, mas isso já é a realidade, já convivemos com ela.

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Cloud computing

Domingo, 17 Maio, 2009
Nuvens

Nuvens

Cloud computing, ou computação em nuvens, é a promessa de virada tecnológica para o início deste século, e que começa a se materializar. O conceito de localidade muda completamente: dados, programas, sitios web, blogs, textos, Orkut, Facebook, Twitter, etc., tudo fica espalhado na nuvem, nunca saberemos onde eles vão estar fisicamente. E interessa saber? Acho que não interessa, quem é usuário de serviços do Gmail, por exemplo, já vive essa realidade há um bom tempo. Onde ficam nossas mensagens? Em qualquer canto de algum servidor de dados do Google, que por sua vez pode estar em qualquer lugar do mundo onde haja datacenters da empresa. Os conceitos que passam a ser mais importantes são os de acessibilidade,  disponibilidade, privacidade e segurança, que passam a ser garantidos pelo provedor do serviço e saem da nossa esfera de controle.

A mudança cultural também é muito grande. Com acesso à internet, que está cada vez mais fácil e barato (exceto no Brasil que tem os serviços mais caros do mundo), teremos acesso a todos os nossos dados a qualquer instante e em qualquer lugar. Acaba aquela idéia de que meus dados estão no computador lá de casa, tenho que ir lá com o pendrive e pegar o que for necessário. Ainda é possível ver focos de resistência, como por exemplo pessoas  que ainda usam clientes locais de correio eletrônico, baixam todas as mensagens para o computador local, ao invés de usar o serviço de correio pela web. Mas, a mudança é cultural, a curva de aprendizagem é funda, leva tempo.

Essa mudança já está tendo impacto nas empresas que fornecem serviços e sistemas organizacionais e administrativos pela internet. O novo conceito é o cliente pagar pelo uso como já fazemos com a energia elétrica, água e telefone, ao invés de ter que instalar um sistema completo em servidores locais, ter técnicos especializados locais para cuidar da manutenção, instalar firewall de proteção, fazer backup dos dados e programas, e por ai vamos. A empresa Salesforce, por exemplo, é uma das pioneiras no oferecimento desse tipo de serviço pela web.  A tendência está sendo seguida por outras empresas que atuam na área comercial, já que o avanço da tecnologia disponivel vai empurrar todo mundo para esse tipo de solução.

Em uma postagem de janeiro de 2008, Amazon.com e a inovação, eu já havia comentado sobre o avanço dessas tecnologias associadas à computação nas nuvens. Nesse tempo que se passou desde aquela postagem, a Amazon.com avançou no conceito e no oferecimento de serviços de computação nas nuvens, vejam esta postagem no blog do Vinicius Carvalho sobre o assunto, com detalhes técnicos. Por uma ninharia e com muito mais conforto, qualquer empresa teria acesso aos serviços de Elastic Computing oferecidos atualmente pelos servidores da Amazon.com. Ou melhor, oferecidos no espaço de discos e de tempo que sobram do uso próprio da Amazon.

Como se isso não bastasse, ainda tem mais uma revolução tecnológica vindo por ai. Em breve, os computadores virão sem sistema operacional, ou seja, sem Windows, Linux ou outros.  Terão apenas o navegador web (browser), que será ativado quando o computador for ligado. E tudo será feito via o navegador, que terá embutido nele o núcleo de um sistema operacional para a web, abrindo a navegação na internet, a execução de programas, etc. Ou seja, o navegador vai ser o novo sistema operacional. O Google já avançou muito nesse aspecto, com o navegador Chrome e a plataforma Android. A Microsoft não está parada, e está levando adiante o projeto do Gazelle, um navegador que tem a mesma finalidade. Tudo isso está logo ali adiante, muito em breve vamos ter essas novidades disponiveis. E haja banda de internet para aguentar o tráfego…

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Sociedade do carro

Domingo, 10 Maio, 2009
Ford T

Ford T

Estou com este artigo no forno há um bom tempo, esperando a idéia melhorar ou o tempo livre aparecer. Tudo começou com essa beleza ai do lado, o famoso Ford T. Criado por Henry Ford, foi o primeiro carro da história da humanidade  produzido em série em linha de montagem. Nas palavras do próprio Henry Ford: vou construir um carro para as multidões. Será grande o suficiente para a família, e pequeno o suficiente para ser utilizado e mantido individualmente. Será construido utilizando os melhores materiais existentes, pelos melhores operários disponíveis, e baseado nos melhores projetos que a engenharia moderna puder oferecer. Mas terá um preço baixo, de tal forma que qualquer um que ganhe um salário razoável poderá ter um para aproveitar com a sua família as horas de prazer nesses enormes espaços abertos criados por Deus. Para a época, eram principios e idéias extremamente nobres, que deixavam escondidos a idéia do lucro, de construir uma grande empresa que fosse capaz de abrir um mercado ainda inexistente e por desbravar. Impossivel prever, nessa época, o que seria o mundo lotado de carros apenas um século depois.

São inquestionáveis os enormes benefícios que o carro, ou melhor dizendo os veículos automotivos, trouxeram para a humanidade e seu progresso. Escoamento de safras, transporte escolar, viagens de ônibus tornando os acessos mais rápidos, transporte de bens de consumo, uso individual proporcionando liberdade de locomoção, flexibilidade de horários e de localização geográfica. Enfim, chegamos ao estágio de desenvolvimento atual devido, em grande parte, ao uso do carro em suas mais diversas instâncias. Mas… sempre tem um mas na história: quem poderia prever essa explosão no uso do carro e na sua transformação, de fato, em objeto de desejo e símbolo de ascensão social e de liberdade individual? Henry Ford lançou a semente na sua famosa declaração.

Alguns países foram capazes de enxergar e de investir na época certa, em outros modos (ou modais) de transporte, como o ferroviário, o hidroviário e o aéreo, tirando o foco único nos transportes terrestres. Reparem que o transporte por trens ou metrôs, por exemplo, é muito presente na maioria das grandes nações e cidades do mundo. Infelizmente, nesse particular parece que por aqui comemos mosca, e por falta de visão de longo prazo de governos e mais governos (federal, estadual e municipal), de falta de políticas estratégicas bem definidas e duradouras, o país depende hoje fortemente do transporte terrestre, por caminhões em estradas de rodagem e pelas ruas castigadas e esburacadas de todas as cidades. Numa situação dificílima de reverter em médio ou longo prazo (sendo otimista).

Os municípios, que dependem de coleta de impostos ou das cotas do Fundo de Participação dos Municipios para terem recursos para melhorar a estrutura das cidades, têm tantos problemas acumulados para resolver (saúde, educação, redes de água e esgoto, tratamento de água, tratamento de esgotos, crescimento econômico, violência urbana, segurança, policiamento, manutenção da estrutura viária pública, …) que certamente o problema dos carros vai ficar sempre em segundo (ou mais)  plano, e cada vez mais vai ser assim. Os recursos coletados nunca vão ser suficientes para resolver todos os problemas, e certamente seria uma inversão de valores colocar o carro particular em posição mais alta na escala de prioridades municipais.

Bom, mas pelo menos o problema do transporte coletivo poderia ser equacionado, não poderia? Disponibilidade em termos de horários e quantidade de veículos, número de linhas, de tal forma que fosse possivel ao cidadão comum deixar o carro na garagem e usar o transporte coletivo com segurança e tranquilidade. O exemplo sempre citado é o de Curitiba, cidade modelo no mundo todo, resultado em parte das idéias do urbanista Jaime Lerner. Que conseguiu enxergar com a antecedência necessária as prioridades em termos de organização e serviços, implantou um sistema de transporte urbano modelar, que satisfaz a maioria esmagadora de seus usuários, valorizando o ser humano acima de tudo.

Na maioria das cidades, estamos chegando a uma situação de impossibilidade total, e que só vai piorar. Ruas, acessos, estradas vão continuar entupidos e em péssimo estado de conservação, pois os municipios não conseguem acompanhar o aumento da demanda, e não há espaço disponivel nas ruas e estradas para que alguma melhora de curto prazo possa ocorrer. Um aumento da capacidade das vias teria perna curta, em pouquissimo tempo também essa solução paliativa estaria comprometida da mesma forma, entupida com os carros que já circulavam, e com os outros que vão passar a circular porque o trânsito melhorou. E ai teriamos dois problemas: o antigo que já existia, e o novo criado pela solução paliativa.

O resultado todo mundo conhece de sobra: motoristas raivosos, estresse constante, brigas e mortes no trânsito, motocicletas em número cada vez maior surgindo como uma alternativa individual e barata à falta de estrutura de serviços de transporte coletivo. E o cidadão continua na dependência do carro individual: sai para trabalhar, deixa menino na escola (escolas poderiam ter horários estendidos como acontece em vários paises), alguém tem que pegar as crianças na escola e levar de volta para casa, volta no fim da tarde ou inicio da noite e pega um trânsito descomunal, leva o triplo do tempo (se não chover) para chegar em casa estressado, puto da vida, mais querendo banho e cama do que qualquer outra coisa, para começar tudo de novo no dia seguinte.

Para piorar, os combustíveis fósseis estão em extinção e o ser humano continua procurando alternativas ao petróleo, para que os carros continuem a circular do mesmo jeito: álcool carburante que ganhou o nome chique de etanol, hidrogênio, carro elétrico, lixo, óleo de lanchonete, etc. A meu ver, uma tremenda perda de tempo e de recursos, pois o modelo atual baseado em carros de passeio individuais está agonizante há muito tempo, não tem a menor possibilidade de continuar existindo. O modelo tem que mudar, a visão sistêmica dos problemas tem que ser adotada, o ser humano tem que ser valorizado acima de tudo. Felizmente, os bons exemplos de soluções corajosas continuam a pipocar, a cidade de Nova Iorque volta a dar um ótimo exemplo,  vejam aqui, e deixem a imaginação funcionar…

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Privilégios

Domingo, 3 Maio, 2009

Evito tocar em temas políticos aqui no blog, principalmente porque não me atraem nem um pouco, são muito baseados em opiniões e na base do “eu acho”,  nunca temos acesso à informação suficiente para ter uma opinião bem fundamentada em fatos reais. Mas, a questão dos privilégios nas semanas passadas foi demais, com a divulgação na imprensa sobre o mau uso da cota de passagens aéreas pelos nossos senadores e deputados federais, e por terceiros agindo em nome deles. Que ultrapassou o limite do aceitável e expõe, mais uma vez, um problema grave no mundo todo, que é o acesso fácil e privilegiado aos recursos públicos sem a devida exigência de transparência e de responsabilidade.

Até poderia haver alguma justificativa fraca para o governo federal, na época da “inauguração” de Brasilia, criar algumas facilidades para que a transferência de uma equipe técnica competente para Brasilia, vindo de outros  grandes centros, fosse viável e a nossa capital pudesse funcionar adequadamente.  O que se viu desde então foi o aumento nesses privilégios, que se perpetuaram e até se agravaram com o passar do tempo. Deveriam ter passado por revisões periódicas, com muita fiscalização e transparência, sendo limitados pouco a pouco até que se extinguissem completamente. Mas, temos ai, no meu entendimento, mais um caso de raposa tomando conta de galinheiro: quem faz as regras, quem gerencia esses recursos, quem determina o próprio salário, são eles mesmos…

É  a velha estória: privilégios, uma vez concedidos, se perpetuam. E causa mais espanto e indignacão ver as entrevistas de nossos representantes na câmara e no senado, justificando veementemente a necessidade de manutenção dos privilégios. O padrão é conhecido em teoria de sistemas: uma solução paliativa leva sempre a outras soluções paliativas, e o problema principal continua sem solução, cada vez mais agravado.

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