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2311A leitura do artigo Termite-inspired robots build with bricks, publicado recentemente na ScienceMagazine, sobre protótipos de robôs construtores inspirados em cupins, leva a mente a pensar em impactos sociais que os robôs podem ter na sociedade em que forem inseridos. O que não é nada novo, Isaac Asimov e Arthur Clarke, para citar apenas dois autores de ficção científica séria que eu mais li na vida (outros são Jules Verne e H. G. Wells), tratam destes aspectos nos seus excelentes livros. No filme O homem bicentenário, que eu já vi pelo menos umas cinco vezes e que imagino que vocês leitores devem ter visto outras tantas, baseado no conto de mesmo nome do Isaac Asimov, são citadas as Três Leis da Robótica criadas pelo Asimov para pelo menos iniciar a discussão da relação entre robôs e o contexto social onde vão se inserir. Essas leis aparecem novamente no filme Eu, robô, baseado no livro de mesmo nome do Asimov, tendo Will Smith como protagonista.

Recentemente, um artigo publicado na CACM (Communications of the ACM), Legal issues with Robots (Keith Kirkpatrick, CACM November 2013, página 17-19), traz de volta o assunto para debate dentro da comunidade de computação. A pergunta lançada é: quem vai ser responsabilizado se algum dispositivo automatizado provocar  danos materiais ou ferimentos em seres humanos?  A resposta não é trivial, e o entendimento da questão está apenas começando, ainda sem posicionamento jurídico definitivo pois o tema é novo e ainda não há um número de casos suficientes para formar jurisprudência que possa, depois de algum tempo, ser transformada em lei geral. Imaginem, por exemplo, que um carro autoguiado (estão começando a aparecer em contextos limitados nos EUA e na Europa) esteja trafegando dentro de um estacionamento de um supermercado e, de repente, um carrinho de compra vazio aparece no meio do estacionamento e quando o carro vai desviar dele, dá de cara com um carrinho de bebê com um bebê dentro, e o carro tem que decidir o que fazer! Se a decisão for atropelar o carrinho de compras vazio, menos mal, danos materiais mas sem danos a vida humana. Mas, e se o software de decisão do carro decidir internamente pela colisão com o carrinho de bebê e, como consequência, o bebê e quem estiver empurrando o carrinho morrem? O caso vai para os tribunais na forma de processo, e as perguntas são: quem vai ser responsabilizado pelo acidente com vítimas? o carro autoguiado? o projetista do carro? a empresa que forneceu o software de decisão que está embarcado nos dispositivos de controle do carro? a empresa que fornece os dispositivos físicos de interação com o ambiente, como os sensores?

Como podem perceber, as respostas não são triviais. E estamos cada vez mais cercados por dispositivos com alguma autonomia, que estamos chamando genericamente de robôs que podem assumir diversas formas: o robô-vassoura-aspirador  que já se encontra no mercado, o dispositivo inteligente de controle para detecção de fumaça e regulação de  temperatura da empresa Nest (recentemente comprada pelo Google), o software que vem embutido em máquinas fotográficas e que permite obter imagens nítidas mesmo em situação de desequilíbrio, câmeras de ré que já são rotina nos carros de passeio, assistentes de estacionamento em carros, sensores de aproximação que acionam os freios dos carros quando há obstáculos adiante, auxiliares em cirurgias remotas que estão ficando mais comuns, etc. Se pensarmos friamente, todos esses citados e mais um monte de outros, são alguma forma de prótese para os seres humanos, pois assumem funções nossas, e supostamente as executam melhor do que nós, usando algum tipo de controle interno equipado com software que lhe confere capacidade de decisão.  

Outra questão importante, é qual deve ser o padrão de confiabilidade do dispositivo? Deve ser sempre falha zero para todo e qualquer dispositivo? Ou apenas melhor que o desempenho humano já seria suficiente? No caso dos carros autoguiados, por exemplo, um desempenho melhor que o de um ser humano consciente, sóbrio e ético seria aceitável? E em uma cirurgia, o desempenho esperado seria o de um especialista, o melhor disponivel no momento, teríamos uma réplica do conhecimento do especialista,  dentro do possivel? O que significam esses padrões de comportamento em termos de projeto dos dispositivos, principalmente pensando nos requisitos não-funcionais que vão explodir em quantidade e qualidade? E ainda estamos falando apenas de dispositivos eletro-mecânicos que têm função externa ao corpo humano. E quando estivermos falando de próteses reais, a serem implantadas no corpo humano, como já existem várias como os marca-passo? E em breve ainda vamos ter as próteses biológicas, que vão se incorporar ao corpo humano de tal forma que não será mais possivel distingui-la depois de um certo tempo.  Segundo alguns autores, estamos caminhando para um ponto de singularidade!

Para terminar, um trecho extraído do próprio artigo: “…liability and insurance structures are going to move very slowly in addressing the new wave of autonomous technologies, simple because there is little legal precedent for these systems.”

Atualização, artigo da ComputerWorld, 4 de fevereiro de 2014. 

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (Viçosa, MG)

download Sempre que pude, incentivei meus alunos a saírem do Brasil por uns tempos, em algum programa de intercâmbio, quando esses programas ainda eram raros. Na sala de aula, nas aulas de empreendedorismo, nas conversas, e até nos botecos. Todos, sem exceção, voltaram pessoas melhores, melhor visão de mundo, de problemas, de oportunidades, de inovação, e seguiram adiante tendo sucesso na vida profissional. Tenho visto algumas pessoas criticarem o CSF – Ciência sem Fronteiras, programa criado pelo governo federal para levar alunos de cursos superiores lá fora, para ficarem um ano sendo expostos a outras culturas, línguas, universidades, salas de aula, etc., esperando que esses sejam agentes de mudança quando voltarem para cá.

Claro, há distorções, o programa é novo, precisa aperfeiçoamentos, tem aluno morcegão que não aproveita a oportunidade e fica lá fora somente na coceba e no turismo, ajudando a manchar a boa ideia do CSF. Mas, da minha experiência de educador (37 anos na universidade pública, não é desprezível), se 30% (sendo otimista, talvez seja bem menos) dos alunos que foram premiados com o CSF aproveitarem a oportunidade, aprenderem tudo o que aparecer, amadurecerem com a estadia lá fora (não tem problema viajar, o contato com outras culturas faz parte do amadurecimento), voltarem para cá e ajudarem a mudar alguma coisa por aqui, considero que o programa terá sido um grande êxito.

O que alguns não conseguem enxergar, é que a qualidade é um atributo emergente (que emerge) e não pode ser conseguido por decreto. A qualidade emerge da quantidade, não há dúvida alguma. Temos que parar com essa nossa mania nacional de querer meter a ripa em tudo, por qualquer motivo, e não enxergar os benefícios e o lado positivo das iniciativas, seja lá de que governo for. O país é beneficiado, é o que importa.

Atualização 23/02/2014 – Um artigo de opinião, publicado no jornal Estado de São Paulo, mostrando alguns problemas do programa CSF, que complementa esta postagem.

Copy-paste de uma postagem no Facebook, que fiz no dia 14/02/2014

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (Viçosa, MG)

O ser humano não é bom em previsões, por várias razões. Uma delas é a parcialidade da visão de cada um, polarizada pelo modelo de mundo que cada um tem. O que pode ser tendência para um especialista, pode não ser tanta tendência assim para outro, e por ai vamos. Mesmo que seja alguma previsão baseada em coleta de dados e análise estatística, séries históricas, etc., sabemos que tem a tal da probabilidade associada. Mas, em alguns pontos é possível ter alguma concordância pelo menos nos rumos.

As nuvens estão cada vez mais firmes no mercado. Cresceram as opções de provedores de serviços de cloud computing, aplicações estão migrando parte de seus dados para as nuvens, abrindo inúmeras novas possibilidades. Com dados hospedados em algum provedor,  basta um tablet ou até um smartphone mais parrudo nas mãos para visitar clientes, fazer apresentações, rodar aplicações. O projeto de aplicações ou sistemas de informação que tenham as bases de dados hospedadas em nuvens passa a ser um novo desafio, agravado pelas questões de segurança e privacidade.

imagesDesenvolvimento web continua em alta, cada vez mais. Tecnologias ligadas a esse segmento da carreira, como por exemplo desenvolvimento em Java, .Net, Python e Ruby continuam também em alta. Também o desenvolvimento de aplicações para dispositivos móveis empurram para o alto a importância  de desenvolvimento para iOS-Apple, Google Android e Microsoft Windows Phone (em menor escala). Estamos falando de um mundo de possibilidades de novas aplicações, novas facilidades para os usuários finais cada vez mais dependentes de um smartphone ou tablet para sobrevivermos no mundo atual.  Talvez surja alguma alternativa ao uso de aplicações via “apps”, que acabam sobrecarregando os aparelhos. Por enquanto, são a alternativa melhor que navegar em browsers em telas pequenas.

Big data, claro, continua em alta, e vai continuar por muito tempo. Especializações e habilidades associadas, como por exemplo desenvolvedor de bancos de dados (projetista e desenvolvedor de aplicações), engenheiros de dados que ficam responsáveis pelo desenvolvimento de aplicações com dados distribuídos em clusters de máquinas utilizando  Hadoop que, por várias razões, se transformou em preferido dos engenheiros de dados, e cientistas de dados que ficam responsáveis pela interpretação dos dados extraídos (o artigo diferencia data engineer de data scientist, prestem atenção nisto). Conhecimentos em estatística e matemática continuam sendo fundamentais para quem quer entrar para valer nesta área promissora, e que tem vagas abertas no mundo todo (vejam aqui uma postagem anterior sobre Analista e Cientista de Dados).

Obviamente, temos um requisito não funcional que nunca vai desaparecer, e que cada vez mais vai exigir mais gente bem preparada: segurança e privacidade. Quanto mais distribuídas as aplicações, quanto mais cloud computing, quanto mais aplicações para rodar em tablets ou smartphones, mais a segurança vai ser um requisito forte. Vez por outra a gente fica sabendo de ocorrências graves na área de segurança (quer dizer, falta de segurança), como o recente caso de vazamento (roubo) de informações de cartões de crédito da varejista estadunidense Target, atingindo estimados 110 milhões de clientes.

A boa notícia final, é que a taxa de desemprego para o setor de TI nos EUA está por volta de 3 a 3.5%, enquanto a taxa de desemprego geral está em torno de 6.7%, dados de dezembro de 2013. É possível que também por aqui a gente tenha números parecidos. E, com o reaquecimento da economia estadunidense e de outros países, as carreiras de Gerente de Projetos e Analista de Negócios voltam a ficar em evidência. Então, mãos a obra, direcionem suas carreiras, algumas dicas estão ai.

Nota: esta postagem foi baseada neste artigo da ComputerWorld. 

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Tablets, smartphones, telas flexíveis, holografia e mais um monte de novos avanços tecnológicos e de miniaturização, vão nos obrigando a deixar de lado velhos hábitos e dispositivos. Como por exemplo o bom e velho mouse, indispensável quando usamos máquinas desktop como esta que estou usando agora (para produção de textos por exemplo, não consegui ainda abandonar o tecladão, o mouse e o monitor maior e mais confortável, que podem estar conectados a um desktop ou notebook), mais ou menos dispensáveis quando usamos os notebooks mais modernos, e inexistentes nas máquinas tecnologicamente mais avançadas. Já pensaram que esquisitice seria usar mouse externo em um tablet ou, pior ainda, em um smartphone? Seria um choque tecnológico sem tamanho, concordam? Mesmo porque, o mouse está lá, só que representado de outras formas, nas telas de toque, nos mousepad que aceitam gestos como os da Apple, etc.

controller-7171dc02e3c347708bd9c66c89f0049cMas a teconologia não para, e um avanço interessante que certamente vai pegar, são os dispositivos que permitem a captura de gestos e movimentação do olhar (gaze). Como o criado pela Leap Motion de San Francisco-CA, um controlador de movimentos que fica conectado numa entrada USB do computador, e usa uma cortina de infravermelho associada com duas microcâmeras para capturar e localizar espacialmente os movimentos da mão. A foto do dispositivo foi tirada diretamente do site da LeapMotion que indiquei acima. Usar infravermelho para capturar movimentos já não é novidade, já temos disponíveis há um bom tempo os quadros de aula com esse tipo de recurso, permitindo capturar tudo o que foi escrito ou desenhado no quadro, armazenando em um computador conectado a ele. E ainda tem mais: dispositivos que capturam para onde as pupilas de um usuário estão dirigidas em uma tela de dispositivo, utilizando câmeras especiais, já são realidade em jogos. Vejam o que a empresa sueca Tobii Technology está colocando no mercado.

No rastro destes avanços, a Apple ganhou a patente (na verdade são várias patentes) de um sistema para reconhecimento de gestos feitos próximos de uma tela de toque do dispositivo. Baseado nas propriedades do hardware das telas capacitivas, tecnologia mais usada para telas de toques. Anteriormente, a Apple já tinha avançado em outras patentes na mesma linha, que aos poucos vão permitindo levar as novas tecnologias para as mãos dos usuários. O cenário das telas de toque de Minority Report, criado pela Oblong Software (vejam o video demonstrando a sala de reuniões que eles desenvolveram), já está mais próximo da realidade do que a gente imagina.

Base para esta postagem: More than a  mouse, por Neil Savage, CACM de Novembro de 2013, pags. 15-16.

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Em cada viagem mais longa que fazemos, procuro sempre ler um livro inteiro, aproveitando o tempo disponível, a tranquilidade, o sossego e a mente limpa que as viagens costumam proporcionar. Na última viagem longa, resolvi ler Rework, um livro já famoso e traduzido para o português. Lá pelos meios do livro, o autor entra com o assunto de “aceitação das diferenças”, que me aguçou a curiosidade, pois é um tema que sempre foi muito atual e em que o ser humano é péssimo, principalmente nos nossos dias. Peguei a trilha das referências para o assunto, alguns sites, Amazon.com e cheguei ao livro WabiSabi, vejam a capa ai do lado. Para uma primeira introdução ao assunto, recomendo a leitura na Wikipédia.

41Q+SQq3XAL._SL160_PIsitb-sticker-arrow-dp,TopRight,12,-18_SH30_OU01_AA160_Já com o livro físico nas mãos, fiz um pequeno desvio da leitura do Rework e me concentrei no WabiSabi, que é um livro curto, depois voltei ao Rework. Como diz o próprio verbete da Wikipédia, “Wabi-sabi (?) representa uma abrangente visão do mundo japonesa ou a estética centrada na aceitação da transitoriedade e imperfeição.” E, complementando, “As características estéticas do wabi-sabi incluem assimetria, aspereza (rugosidade ou irregularidade), a simplicidade, a economia, a austeridade, a modéstia, a intimidade e a valorização da integridade ingênua de objetos e processos naturais.”  Wabi e Sabi são duas palavras com significados muito diferentes. Sabi se refere a chill = Gear, gelar, esfriar, abstrato, friagem, insensí­vel, abatimento, calafrio; ou  lean = Desviar, reclinar, apoiar-se, recurvar-se, recurvar, amparar, abaixar, apoiar, magro, inclinar-se, firmar, inclinar; ou whithered = seco. Lean é uma palavra muito conhecida, quem nunca ouviu falar do método Toyota de produção, de onde o termo se propagou? Wabi por sua vez significa a miséria de viver sozinho na natureza, longe da sociedade, sugerindo um estado de espírito desarmado, imparcial, equilibrado. Mais uma vez, nos deparamos com a junção dos opostos, já conhecido de outras épocas via o Yin-yang, lembram-se? Wabi se refere a estilo de vida, caminho espiritual, introspecção, subjetividade, eventos espaciais,  e Sabi se refere a objetos materiais, arte, literatura, objetividade, ideal estético, eventos temporais.

A base do WabiSabi é a cerimônia do chá, tradição milenar da cultura japonesa, e que tem um profundo significado em termos de filosofia de vida. A cerimônia do chá tem suas origens no Taoismo e no ZenBudismo chineses, assimilado pela cultura japonesa. É considerada a arte de combinar, dentre outras coisas, habilidades em arquitetura, projeto de interiores e de jardins, arranjos florais, pintura, preparação de alimentos e performance pessoal. O cerimonialista do chá deve ter todas essas habilidades, e conseguir integrar todas elas  em uma cerimônia que é mais um acontecimento artístico. Quem participa da cerimônia (original, talvez não a apresentada a turistas) é levado para um ambiente de despojamento, de igualdade com os presentes, de desprendimento de coisas materiais, de igualdade, ausência de tecnologias, etc. O foco é na essência do ser, e não na sua capa imposta pela sociedade e seus vícios.

Claro que não é apenas isso, o livro é uma viagem enriquecedora, mas a base são esses princípios. Que me parece são escassos no mundo de hoje, infelizmente nossa sociedade ocidental não sabe conviver muito bem com diferenças, somos discriminatórios talvez por natureza, sem sermos cordiais e inclusivos. Não conseguimos ver beleza em tudo aquilo que se afasta de padrões impostos pela nossa sociedade. Temos muito que aprender com a cultura oriental, embora não seja possível assimilá-la em toda a sua essência. Mas, pelo menos um pouquinho já ajudava muito.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (Viçosa, MG)

Resumo das atividades do blog em 2013, enviada pelo próprio WordPress. Ano novo, vida nova, vamos  bombar esse blog em 2014. Feliz Ano Novo, e obrigado aos meus (cinco!) leitores assíduos, espero continuar a merecer a atenção suas. Até amanhã!

 

The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2013 annual report for this blog.

Here’s an excerpt:

The concert hall at the Sydney Opera House holds 2,700 people. This blog was viewed about 33,000 times in 2013. If it were a concert at Sydney Opera House, it would take about 12 sold-out performances for that many people to see it.

Click here to see the complete report.

O que parece ser um sentimento generalizado, pelo menos entre os adultos da minha geração: 2013 voou baixo, passou  numa piscada de olhos, e cá estamos na beira de 2014. Certamente outro ano que vai passar rápido, temos eventos enormes acontecendo por aqui, Copa do Mundo, eleições para Presidente da República e mais outros eventos de “menor importância”. E nessa época do ano, entre o Natal e o Ano Novo, começam a pipocar avaliações do ano que passou, previsões para 2014, as carreiras que vão bombar, os lançamentos de moda, as tendências em TI e seus tentáculos em número crescente e sua influência nas empresas, pessoas, artefatos, veiculos, etc.

IMG_20131224_124433 E ainda fica me parecendo que o ser humano não aprendeu a tirar proveito do enorme volume de informação e dados que temos disponíveis na web, a poucos cliques de mouse de distância. Poucos se dão ao trabalho de ler alguma coisa completamente, a esmagadora maioria lê apenas o título e talvez as primeiras linhas de qualquer coisa, e vão logo dando compartilhamento no Twitter, no Facebook e outras redes. Talvez para terem seu segundo de fama nos grupos e redes de que participa, o ser humano tem ânsia de mandar qualquer coisa adiante. E, nessa ânsia, reputações são destruídas, mitos são criados, e o besteirol circula livre e solto na web. Na mesma velocidade em que qualquer coisa é transformada em meme, elas são reduzidas a nada alguns momentos adiante.

Mas, algumas qualidades e posicionamentos são universais e não mudam, mesmo nesse mar de dados e informações proporcionados pela web. Por exemplo, ter um sentimento de respeito e solidariedade com nossos semelhantes é base de qualquer boa educação familiar. Outro fundamento é a honestidade em qualquer situação, mesmo que todo mundo esteja fazendo o que a gente acha que é errado, o importante é podermos dormir em paz com a nossa consciência. Esses dois atributos são suficientes para transformar o mundo, se fossem seguidos por todos nós (exemplos contrários não faltam), pois seus desdobramentos são fantásticos na formação do caráter do cidadão.

Voltando às previsões para o Ano Novo, o fato incontestável é que o ser humano é péssimo em fazer previsões. A menos que sejam para o momento seguinte, ou para um futuro muito próximo e totalmente sob nosso controle. Somos péssimos em enxergar e saber gerenciar riscos da nossa própria vida, e as previsões são sempre otimistas, deixam a maioria dos riscos de fora para que o mundo pareça mais colorido e mais simpático. E a vida é de fato um processo decisório contínuo, riscos em cada passo,  tomamos decisões o tempo todo e vamos tentando mudar o rumo dos acontecimentos. Algumas vezes com possibilidade de poder voltar atrás e de corrigir algum erro de percurso, começando de novo. Outras vezes, só conseguimos andar adiante, sem possibilidade de recomeçar. Lembrem-se sempre, a vida de cada um é uma trajetória que começa no dia em que nascemos, e termina no dia em que saimos de cena aqui na terra (recomendo assistirem O curioso caso de Benjamin Button, cheio de lições de vida).

Feliz Natal a todos os meus valentes leitores, que me deram a alegria da visita ao blog, que se deram ao trabalho de comentar minhas postagens, que me incentivaram a continuar escrevendo. Afinal, eu escrevo em parte para me satisfazer, mas sempre pensando em quem está do outro lado, lendo o que escrevo. E um 2014 que seja muito melhor que 2013, e consequentemente seja pior que 2015!

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Belo Horizonte, MG)

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