Publicado por: Jose Luis Braga em: segunda-feira, 2 janeiro, 2012
Minha última leitura de 2011, terminada no dia 31 de dezembro, foi esse livro ai. Escrito pelo Tim Brown, designer criador da famosa IDEO, empresa de design e inovação conhecida no mundo todo por seus métodos e seus cases de design. De onde veio a dica do livro? Isabela, que cursa o último ano de Design Gráfico na FUMEC-BH, me passa as dicas de bons livros e artigos na área de design. A primeira vez que tive contato com a IDEO e seus métodos de design, foi quando li sobre o design das bicicletas “coasting bikes” trabalho feito para a Shimano, que está registrado nesta postagem aqui no blog.
O livro é escrito em um estilo mais informal, mais narrativo e sem muita preocupação em apresentar um processo formatado para criação, o que seria um disparate, já que o processo criativo não segue métodos rígidos. Mas, existem alguns padrões que se repetem no processo criativo, já estudados e desvendados por vários autores, e nesse aspecto o livro satisfaz e até ultrapassa as expectativas, tornando-se uma leitura agradável e cheia de informações novas e interessantes. Por exemplo, os três pilares da criação: Inspiração, Idealização e Implementação são apresentados e exemplificados com vários exemplos, e ai pude ver relações estreitas com nossos processos em Engenharia de Software. Esses pontos de relação ou ligação eu procuro enxergar sempre, as melhores ideias e oportunidades sempre aparecem das interseções entre áreas. Só que para enxergar essas interseções e suas oportunidades de inovação, tem que estar preparado: a sorte só favorece a mente preparada (Louis Pasteur, 1854).
O ponto fundamental do design thinking é a mudança de foco: pensar em problemas reais com foco no usuário e na experiência do usuário, que é onde estão as oportunidades de inovação. Produtos e soluções têm que ser gerados colocando o usuário em primeiro lugar, e os cases apresentados no livro apontam nesse sentido, incluindo as coasting bikes que citei antes. E na Engenharia de Software não temos costume disseminado de fazer isso, a maioria dos softwares que usamos têm interfaces projetadas para os próprios projetistas usarem, a usabilidade ainda não é disciplina praticada pela massa de projetistas.
Gostei da leitura, e recomendo o livro sem medo de errar. Não gostei da tradução, comprei o livro por aqui mesmo porque estava com curiosidade de ler logo. Muita coisa traduzida ao pé da letra, dá impressão de ser uma tradução feita por software com apenas alguns retoques humanos, com revisão fraca talvez pela pressa de colocar o livro no mercado, o famoso time-to-market.
Tim Brown. Design Thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro, RJ: Ed. Elsevier, 2010.
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Publicado por: Jose Luis Braga em: sexta-feira, 30 dezembro, 2011
Até que o ano de 2011 foi muito bom, a impressão é de que o ano passou muito rápido, o que significa que foi muito intenso. E foi mesmo, sem dúvida alguma. No plano pessoal e familiar foi fantástico, muita coisa boa aconteceu incluindo o nascimento da nossa netinha, uma benção nas nossas familias. Profissionalmente, consegui avançar muito nas orientações de meus alunos de mestrado e graduação, amadurecimento de linhas de investigação, publicações começando a ter impacto (demora muito para publicar alguma coisa relevante quando só temos alunos de mestrado), mpsBR ganhando espaço aqui na região com mais duas empresas em processo de implementação de nivel G, e muito mais.
As implementações mpsBR em empresas do Arranjo Produtivo Local em TI (APL-Ti) estão em andamento, Cientec aprovada no nivel G em 2010 e Oriontec e DTI/UFV (antes era CPD/UFV) em andamento para avaliação final nível G a partir de maio de 2012, e já temos empresas locais interessadas em participar do próximo grupo, o G9, em formação. Essa foi uma iniciativa que deu certo e não vai parar, vamos avançando devagar e criando competência local nas empresas, melhorando competitividade e formação, com impacto direto na formação de nossos alunos na UFV e nos demais cursos da cidade e região. Já podemos considerar que temos um ciclo virtuoso de realimentação de interesse das empresas locais. Particularmente, o trabalho de implementação na DTI/UFV tem sido um grande desafio, por se tratar de um órgão dentro de uma universidade pública, em que todos os referenciais mudam fortemente exigindo muito dos implementadores.
Agora, 2012 já vai começar me esquentando a cabeça com uma decisão importante: aposentadoria. Passei o ano de 2011 todo pensando nela, principalmente pensando em que o que eu vou fazer depois de aposentado. A gente começa muito otimista, muitas conversas e muitas possibilidades, numa fase inicial de divergência em que se colhe um monte de ideias, opiniões e possibilidades. Nesse final de ano de 2011, entrei na fase de convergência, analisando tudo, eliminando algumas ideias que não interessam, agrupando outras similares, e finalmente estou conseguindo enxergar alguns caminhos, compatíveis com meu principal desejo de ter mais tempo livre para me dedicar a atividades que ficaram jogadas no canto: violão, jogo de tênis, viagens, academia de ginástica, voltar para as corridas de rua, blog, enfim, prorrogar a validade da certidão de nascimento o máximo que eu conseguir. Certamente, vou continuar ligado ao DPI por mais uns poucos anos, até terminar meus compromissos assumidos com meus orientados e com o nosso programa de Mestrado. Mas, isso vai acontecer como Professor Voluntário, uma categoria (um remendão) que o nosso governo criou para que o aposentado vá se desligando aos poucos, como se fosse um buffer de desaceleração para o docente ativo não endoidar de vez com a aposentadoria. Uma opinião pessoal sobre isso: o governo federal perde grandes talentos no momento em que a maturidade nos permite enxergar tudo com outros olhos, e joga nas mãos da iniciativa privada um monte de mentes ativas e experientes que poderiam continuar contribuindo positivamente para o crescimento institucional.
Eu já estou achando que 2012 vai passar tão ou mais rápido que 2011… Feliz Ano Novo a todos vocês que me deram alegrias com as visitas constantes ao blog, comentários, e principalmente aos sofredores com cálculos renais, que transformaram a postagem Cálculo renal, de novo em um verdadeiro fórum de troca de experiências e opiniões (117 comentários neste instante), parece que tem ajudado muita gente a se sentir mais confortável com os danados dos cálculos renais. Os leitores, as visitas e os comentários é que me animam a continuar com o blog sempre ativo. Preparem-se, as postagens vão aparecer com mais frequência e com assuntos mais variados um pouco.
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Publicado por: Jose Luis Braga em: domingo, 18 dezembro, 2011
Essa postagem está na fila desde o final de 2010. Mas, como é sobre a peça O Fantasma da Ópera, que é atemporal e histórica, ela poderia ficar na fila até por bem mais tempo. Em dezembro de 2010, passamos uns dias na fantástica cidade de Londres (em breve postagem homenageando Londres) e, claro, não poderiamos nunca deixar de assistir a essa peça que já completa um quarto de século em cartaz, vejam aqui. Isso mesmo, a peça tem 25 anos de encenação, por grupos diferentes, e em todo canto do mundo.
Assistimos no histórico Her Majesty´s Theatre, uma fantástica casa de espetáculos inaugurada em 1705, onde a peça está em cartaz desde Outubro de 1986! Como podem perceber, tudo com tempo longo, peso histórico em tudo, desde a rua onde está situado o teatro até o interior do mesmo, as poltronas, a organização, tudo tem cheiro e jeito de antiguidade. Poltronas e locais onde, certamente, já se sentaram figuras históricas e que influenciaram a história do mundo. Com um detalhe: funcionários do teatro todos vestidos a caráter, roupas da época, muito chique.
Essa montagem da peça é da The Really Useful Theatre Company Ltd., estrelada por John Owen-Jones, Sofia Escobar, Will Barrat, e vários outros. A música é nossa conhecida e já popularizada, autoria de Andrew Lloyd Weber, ouçam aqui uma execução no YouTube, certamente vocês vão se lembrar. O tema da peça é uma estória de amor e traição, muito emocionante e completamente dificil de ser descrita em palavras. Cada um tem que sentir com suas próprias emoções, mas posso garantir que é fantástico.
A gente sai do teatro com aquela sensação de que ficou faltando alguma coisa, que precisava ver mais e talvez voltar mais vezes. Aliás, esse é um ponto: tem que voltar para ver de novo, pois a primeira vez é muita surpresa e emoção juntas, a gente não consegue prestar atenção a todos os detalhes. Sem contar que o inglês é o clássico, mais carregado, muita coisa escapa dos ouvidos. Para quem já mora por lá há mais tempo, é mais fácil. Mas, para turistas como nós e a esmagadora maioria dos espectadores, recém-chegados e ainda tontos com o choque cultural, muita coisa deixa de ser entendida.
Fica a dica, tendo oportunidade, vale muito a pena assistir. Pena é que é lá em Londres, mas a peça já foi transformada em filme, e está disponivel em locadoras.
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Publicado por: Jose Luis Braga em: sábado, 3 dezembro, 2011
Essa semana, ouvi num canal de TV uma entrevista rápida, daquelas de telejornal, com uma psicóloga falando sobre os prováveis efeitos negativos do uso excessivo da tecnologia no desenvolvimento mental das crianças e jovens. E ela foi enfática ao afirmar que o prejuizo vai ocorrer sim, e que o uso da tecnologia deve ser muito bem fiscalizado e dosado pelos pais, para não prejudicar o desenvolvimento das crianças.
Aí me lembrei de uma discussão similar de que participei há uns 30 anos, sobre os usos da máquina de calcular de bolso pelos alunos nos mais diversos níveis de ensino. Várias reuniões com pedagogos aqui na UFV, todos também enfaticamente contra o uso das inofensivas calculadoras pelos alunos, os argumentos muito parecidos: vai prejudicar o desenvolvimento mental, vai dar preguiça de pensar, os alunos não vão aprender a resolver problemas e nem a pensar adequadamente. Era uma discussão meio sem base técnica e muito mais no sentimento e paixões de cada um, muito na base do “eu acho”, pois não era possível fazer uma projeção correta da situação para o futuro, dado o enorme número de variáveis envolvidas num possível modelo, maioria delas sociais e da psicologia experimental. E nem havia dados disponíveis que apontassem seguramente em alguma direção futura.
Trinta anos depois, nada das catástrofes previstas aconteceu. O mundo continua andando para a frente (ou para trás dependendo do ponto de vista), a geração calculadora está ai sem prejuizo aparente nenhum, todo mundo sobreviveu, hoje a calculadora de bolso é coisa do passado, usada cada vez menos como um dispositivo separado, integrada que é nos celulares e smartphones. Elas evoluiram para máquinas poderosas e especializadas, melhores que qualquer computador da minha época de jovem, com destinação específica para uso em administração, em engenharia, etc., e são indispensáveis aos engenheiros, administradores, economistas e técnicos. As fórmulas e principais planilhas de decisão já vêm embutidas, utilizáveis via uma única tecla.
E a discussão não terminou, vão passando de tecnologia para tecnologia, a turma dos tecnófobos cada vez pior, idem a turma dos tecnófilos, cada vez mais fissurada em avanços tecnológicos. O fato inegável é que é impossível hoje barrar o uso da tecnologia pelos jovens, ela está ai nas ruas e nas mãos de todos. Se não tiver acesso em casa, o jovem acessa em lanhouse, ou na casa de amigo, ou na escola. Os smartphones são hoje a ponta da famosa convergência tecnológica, são usados para tudo, e são muito práticos. Telefone fixo? as novas gerações já nem sabem muito bem o que é isso, como também não sabem o que é um LP, uma fita cassete, uma fita de video VHS e nem mesmo o que é uma locadora de vídeo.
O mundo mudou, e mudou demais. As redes sociais fazem parte do mundo, têm força de mobilização para derrubar governos e provocar movimentos pelo mundo afora, como o recente “occupy Wall Street” que se espalhou rapidamente. O virtual está tomando o lugar do físico, levando vantagens porque os deslocamentos ficaram mais dificeis, mais caros, mais perigosos. Infelizmente, o que não evoluiu na mesma velocidade da tecnologia, foram as técnicas de ensino. Ainda vamos para a sala de aula usar quadro e giz, algumas transparências velhas, alguma coisa usando datashow, mas o método de ensino mesmo, a sincronia exigida pela sala de aula, isso não mudou, e os jovens não se adaptam mais a horários rígidos e não se sentem motivados. Nós, professores, estamos fora do tempo e tomando surra da tecnologia. Tenho uma postagem recente sobre esse assunto: Sincronismo, sala de aula e as novas gerações…, recomendo a leitura.
Sinceramente, não acho que as novas gerações foram prejudicadas por nada. Todo avanço tecnológico foi acompanhado de discussões similares, desde o surgimento do livro impresso, da passagem do cinema mudo para o cinema falado, o surgimento do transistor, enfim, basta dar uma olhada rápida na história da ciência e das revoluções científicas. O que falta é a gente aprender a usar as tecnologias a nosso favor e a favor dos jovens.
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Publicado por: Jose Luis Braga em: domingo, 6 novembro, 2011
Esse livro estava na pilha desde janeiro de 2011, comprei meu exemplar na livraria Waterstone´s, no Jervis Center em Dublin. Estava lá de bobeira, gastando tempo, e livrarias sempre foram um ponto fraco, principalmente quando tenho tempo disponível para folhear os livros com calma. Como já conheço o autor Steven Johnson desde a leitura do livro Emergência, apenas olhei o sumário do livro, me agradou de cara, e comprei logo, certo de que seria mais uma leitura desafiante e que me ajudaria a melhorar minha visão de mundo. O livro foi traduzido para o português, título De onde vêm as boas ideias?, editora Jorge Zahar, 2011 (edição original é de 2010).
Minha previsão se confirmou. É um livraço, merece ser lido por quem se interessa pelo tema apaixonante da inovação e criatividade. O livro é uma viagem pela história da inovação desde tempos remotos, deixando claros alguns padrões que se repetem no contexto das inovações. Um ponto comum é a existência das redes de conexões que aguçam a criatividade e habilitam sentidos permitindo à mente preparada enxergar o que denominamos acaso, a perceber o momento do flash da criação. É um processo que pode ser lento, durar boa parte da vida, uma ideia inicial vai se aperfeiçoando aos poucos, até que em um belo momento, ela explode no momento da criação. É antecedido por acumulação de conhecimento, aperfeiçoamento da ideia, melhoria de visão, que exigem perseverança e mente aguçada.
Dois capítulos particularmente me chamaram mais atenção: Serendipity (cap. IV) e Platforms (cap. VII). Serendipidade é o nome em português dado ao acaso na ciência, aplicado por exemplo à descoberta da penicilina por Fleming e vários outros casos fartamente ilustrados na filosofia da ciência. O termo é originado de um conto de fadas Persa, “The three princes of Serendip” that “were always making discoveries, by accident and sagacity, of things they were not in quest of” (os três principes de Serendip, que estavam sempre fazendo descobertas acidentais e usando sua sagacidade, de coisas que eles não estavam procurando). Para incentivar a criatividade e inovação, são necessárias as plataformas de criação, e nesse capítulo o autor esbanja, deixando a gente com aquela sensação de ignorância em um assunto tão fundamental. Não dá para discutir tudo aqui, mesmo porque, esses dois capítulos vão ter que ser relidos, certamente vão para alguma aula minha em futuro muito próximo. Muito conhecimento em poucas páginas, exigindo uma navegação por outras leituras para complementação.
Transcrevo uma última parte do último capitulo do livro: “The patterns are simple, but followed together, they make for a whole that is wiser than the sum of its parts. Go for a walk; cultivate hunches; write everything down but keep your folders messy; embrace serendipity; make generative mistakes; take on multiple hobbies; frequent coffeehouses and other liquid networks; follow the links; let others build on your ideas; borrow, recycle, reinvent. Build a tangled bank.”
Atualização 07/11/2011: palestra do Steven Johnson no TEDTalks sobre o tema do livro (obrigado Cristina Murta)
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