Fluzão!

Quinta-feira, 3 Julho, 2008

FluminensePois é, moçada, sou torcedor do Fluminense sim, desde meus não sei quantos anos de idade, deve ter sido lá pelos 5 anos ou pouco mais. Desde a  idade em que todo menino quer saber de chutar bola e nada mais. Meus times de botão (sabem o que é isso?), montados com botões de casacos da minha avó (já tomei muita ferrada por causa disso), eram todos formados por “jogadores” do Fluminense. Tenho um desses “times” guardado até hoje, os outros sumiram. A emoção era ouvir FlaFlu no rádio, nas tardes de domingo, quando ainda não tinha TV aqui em Viçosa e a Jovem Guarda, Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Vanderléa  ainda não tinham tomado conta das tardes de domingo.

Essa postagem curta e rápida é para homenagear o Fluzão, time do coração, pela belissima campanha na Libertadores. Jogadores novos, desconhecidos, combativos, fizeram um tremendo de um bonito e resgataram o prazer de assistir aos jogos na TV. Espero ter mais alegrias, nós torcedores do Fluzão estamos num tremendo jejum de bons jogos e de vitórias.


Formação complementar em administração: uma exigência do mercado

Domingo, 29 Junho, 2008

A dinâmica do mercado de trabalho para profissionais de tecnologia, particularmente TI, tem provocado mudanças nas exigências de formação dos novos profissionais. Essas mudanças no perfil não acontecem de uma hora para outra, elas vêm lentamente e temos que ficar de olho para perceber as variações de mercado e ir adaptando os curriculos às novas exigências. Por exemplo, topei com a reportagem Computer science departments must reinvent themselves to avoid a business school takeover, na revista ComputerWeekly. Em bom e claro português: abram os olhos porque os curriculos dos cursos de ciência da computação não estão fornecendo a formação esperada pelo mercado na área de administração e negócios, e estamos perdendo terreno para as escolas de administração e negócios de modo geral. Essa reportagem deveria ser levada a sério, certamente ela é um indicador de mudança lá fora, e ela vai acontecer aqui também, mais cedo do que se espera.

Historicamente, a área de TI das organizações sempre ocupou posição hierárquica nos níveis mais baixos, atuando como prestador de serviços de suporte para os departamentos ou setores que estivessem informatizados. Isso, claro, antes do advento da administração baseada em processos, no final da década de 80. O setor de TI era o culpado por tudo  o que acontecesse de errado na empresa, sujeito a todo tipo de pressão, horários de trabalho malucos ou até mesmo sem horário, um desgaste tremendo. Até surgiu, na época, uma corrente de idéias baseadas no revolucionário artigo do economista Robert Solow, o Paradoxo da Produtividade. Nesse artigo, ele argumentava que os gastos com TI eram crescentes e enormes, e que não era possível enxergar o correpondente ganho em produtividade e melhorias nas organizações que investiam na área. A área de TI foi colocada na berlinda mais uma vez, até que a curva de aprendizagem entrou em cena, e a questão foi entendida de maneira sistêmica, pois leva mesmo muito tempo para uma mudança cultural nas empresas.

Bom, as coisas mudaram muito. Hoje, com as organizações focadas em processos, melhoria de processos, competição em mercados globais (modelo das cinco forças de Michael Porter), tomada de decisão em janelas de tempo estreitas, necessidade de acesso a toda e qualquer informação interna das organizações, e necessidade de enxergar o mundo exterior e as variáveis econômicas que fazem parte dele, a realidade é bem outra. Organizações de qualquer porte, mas principalmente as de médio e grande portes, não podem  mais prescindir dos Sistemas de Gestão Integrados, que integram todos os setores das empresas em sistemas de informações eficientes para apoio a processos decisórios eficazes, permitindo a gestão centralizada e o acesso a informação de qualidade, e na janela de tempo em que ela ainda é útil para apoiar decisões. Essa mudança teve impacto muito grande na importância do setor de TI nas empresas, que saiu da posição de departamento localizado nos porões das empresas, para ocuparem posição mais alta na hierarquia administrativa, passando a ter assento nos conselhos das empresas, e participando das principais decisões de médio e longo prazos. O CIO-Chief Information Officer surgiu no cenário, e com o seu perfil veio a demanda por conhecimentos em administração por parte do pessoal de sistemas. Os Sistemas de Informação e a TI passam a ser parte integrante estratégica  e indispensável do próprio negócio.

E é ai onde está hoje o maior desafio para os curriculos dos cursos de computação, de qualquer natureza. É indispensável, para quem vai para o mercado de trabalho, uma bagagem mínima de conhecimentos em Administração fornecida na graduação. Como é que os curriculos tentam resolver o problema? Incluindo na grade curricular disciplinas optativas da área de administração, sendo as mais comuns: Teoria Geral da Administração; Organização, Sistemas e Métodos; Marketing e até algumas da área de Economia, como Microeconomia. E ai, como são optativas, fica por conta do interesse do aluno e do seu orientador ou coordenador de curso incluir essas disciplinas no plano de curso do aluno. E ai vai um palpite, baseado na minha própria experiência que não é pouca: raros são os alunos que conseguem enxergar a necessidade dessas disciplinas, a grande maioria prefere pegar optativas dentro da própria Computação, desprezando essa oportunidade de formação complementar que ajuda a abrir horizontes.

A SBC-Sociedade Brasileira de Computação mantém sempre atualizado (?) um curriculo de referência para os cursos de Ciência de Computação e Sistemas de Informação. Da leitura desse documento fica bem claro o perfil desejado dos egressos de cada tipo de curso. A crença generalizada (eu não compartilho dessa opinião) é a de o curriculo sugerido para Ciência da Computação é mais pesado em matemáticas e físicas, para dar ao aluno mais fundamentos para encarar um mestrado e um doutorado posteriormente, e o curriculo sugerido para Sistemas de Informação forma melhor o aluno cujo destino é o mercado de trabalho, com a sua carga maior em disciplinas de Administração e Economia. Também a ACM-Association for Computing Machinery mantém um grupo permanente de evolução de currículos, o último documento disponivel, uma revisão de 2005, pode ser baixado aqui, sendo uma referência mundial.

Vai uma opinião, naturalmente baseada na minha experiência, sobre a questão das exigências de mercado e o que as universidades conseguem oferecer. As universidades, principalmente as públicas no Brasil, sofrem com todo tipo de descaso e falta de recursos que todos já conhecem. Não temos agilidade administrativa e nem poder de decisão para implantar uma mudança curricular, incluir disciplinas de conteúdo variável ou contratar pessoal suficiente para acompanhar as necessidades de mercado, e nem sei se deveriamos ter tanta agilidade assim. Temos conseguido, com muito esforço, formar alunos com uma sólida base em fundamentos, capazes de enfrentar os desafios com pouco tempo de adaptação e treinamento em tecnologias específicas. Não vejo, infelizmente, as empresas fazerem a parte delas. Na minha opinião, as empresas deveriam participar do esforço de formação, fornecendo o conhecimento e o treinamento complementares necessários, ao invés de pressionar exageradamente as universidades, que trabalham no limite de sua capacidade de formação. Será que a responsabilidade é somente das universidades?


Vannevar Bush

Domingo, 22 Junho, 2008

Para entender melhor o presente, um pouco de história ajuda muito. Particularmente quando se fala em desenvolvimento científico e tecnológico de um pais, que leva muitas gerações para começar a mostrar resultados, os modelos e exemplos de outros países devem ser tomados como ponto de partida. Vannevar Bush é considerado o primeiro cientista levado a sério como conselheiro de presidentes estadunidenses, com uma atuação muito forte na Segunda Guerra Mundial, e mais ainda depois que ela acabou em 1945 (não tem relação nenhuma com o Bush atual presidente dos EUA).

Em 1941, o presidente Roosevelt criou o famoso Office of Scientific Research and Development (OSRD) e nomeou Bush seu diretor. A missão do OSRD era desenvolver e coordenar as pesquisas que levassem os EUA (e aliados) a ficar em vantagem na guerra, cooperando com os pesquisadores civis das universidades estadunidenses. Por exemplo, o famoso Manhattan Project que levou à construção da bomba atômica foi gerido pelo OSRD até 1943, quando passou para o controle do Exército. A constatação de que a Segunda Grande Guerra seria um enorme desafio tecnológico, foi a força que movia o investimento em pesquisas de todo tipo, focadas no esforço de guerra.

Ao final da guerra, esperava-se que o grupo de cientistas chefiados por Bush, e que faziam parte do OSRD, continuassem seu trabalho em uma agência equivalente, voltada para o desenvolvimento tecnológico nos tempos de paz. Em julho de 1945, Bush encaminhou ao presidente Truman (Franklin Roosevelt morreu em abril de 1945) o seu famoso relatório Science, the endless frontier, em que deixava claro que um país que quisesse se desenvolver econômicamente e ficar na dianteira tecnológica no planeta teria que investir pesadamente no desenvolvimento da ciência, da pesquisa, da educação, pois a tecnologia somente se desenvolveria sobre sólidas bases científicas. Sugeria, nesse relatório, a criação de uma agência de fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico, o que somente veio a acontecer em 1950, com a criação da conhecida e poderosa National Science Foundation (NSF).

Uma contribuição interessante desse misto de cientista, empreendedor e homem de visão de futuro, foi o pouco conhecido Memex, descrito originalmente no artigo As we may think. Esse artigo foi publicado na prestigiosa revista estadunidense The Atlantic Monthly, e as idéias contidas nele são consideradas as precursoras dos modernos sistemas de hipertexto que foram a base da linguagem HTML e da www-world wide web. Bush considerava de extrema valia para auxiliar os cientistas a pensar e a se organizar um mecanismo, que ele denominou de Memex, que permitisse estabelecer links entre diferentes artigos, partes de texto e de material, da mesma maneira como se faz hoje com a navegação em páginas web. Não deixem de ler os dois artigos, são muito interessantes, principalmente se levarmos em consideração a época em que foram escritos, e mostram a criatividade e o poder de inovação de Vannevar Bush.

A visão de desenvolvimento cientifico e tecnológico deixada por Bush influenciou todo o mundo ocidental desde então. Criação de organismos de fomento, política de financiamento de pesquisa, formação de massa crítica para apoio e desenvolvimento da pesquisa científica e tecnológica, tomaram seu modelo como padrão e exemplo. Sua valiosissima lição foi a de que o desenvolvimento cientifico e tecnológico têm obrigatoriamente que ser um objetivo de longo prazo, que envolve formação de mão de obra, criação de massa critica, financiamento, criação de infra-estrutura, mudança de cultura, etc. Para ter continuidade, esse esforço tem que fazer parte de uma política nacional de desenvolvimento científico e tecnológico, acima dos governos e dos governantes, um empreendimento estratégico de um pais.

Para quem quiser ler mais sobre esse tipo de assunto, recomendo o livro abaixo, que tem uma parte histórica muito interessante sobre ciência, tecnologia e a relação entre as duas que não é linear, como é o modelo secular: em um extremo a ciência básica, no outro extremo a ciência aplicaca, criando uma espécie de maniqueismo nocivo, que põe cientistas e suas equipes em eterna competição uns com os outros, atrasando o desenvolvimento. A discussão é muito enriquecedora, e um dos grandes exemplos do livro é o do cientista francês Louis Pasteur, que escapou completamente ao modelo linear vigente, pois suas pesquisas se iniciavam por algum interesse tecnológico, nas aplicações, que levavam a grandes avanços na ciência básica. A constatação de que a ciência básica se desenvolve muito mais quando pressionada por demandas do desenvolvimento tecnológico foi uma ruptura do modelo linear de pensamento, levando o autor a propor um modelo baseado em duas dimensões, mais adequado ao mundo atual. E de quebra, o livro ainda discute a questão de politicas (nos EUA) de C&T, financiamento, etc.

O QUADRANTE DE PASTEUR
A CIENCIA BASICA E A INOVAÇAO TECNOLOGICAO quadrante de Pasteur
Coleção: CLASSICOS DA INOVAÇAO
Autor: DONALD STOKES
Editora: UNICAMP, 2005


Mercado para super-especializados

Sábado, 14 Junho, 2008

O mercado de trabalho estadunidense está revelando uma tendência interessante nos últimos anos. Os super-especializados, profissionais com mestrado, doutorado ou pós-doutorado, estão com a bola toda e muito requisitados. Segundo dados da NSF (National Science Foundation), o número de pessoas trabalhando em setores de ciência e engenharia aumentou 4,2% em 2006, e o nível de desemprego é baixissimo, na casa de 2,5% também em 2006, o menor nível de desemprego do setor desde a década de 90. A tabela abaixo, extraída dos dados da pesquisa, mostra parte dos dados, comparando os anos de 2003 e 2006.

2003 and 2006.

Antes de mais nada, é preciso reparar bem no tamanho dos números, que refletem o tamanho do mercado do lado de lá, resultado de uma política de desenvolvimento científico, tecnológico e industrial muito forte que ganhou seus principais contornos ao final da Segunda Guerra Mundial. Reconheceu-se na época que o esforço de guerra seria muito mais científico e tecnológico do que de músculos e força, completamente diferente do ocorrido na Primeira Grande Guerra. A Guerra Fria que se seguiu, e a corrida armamentista entre EUA e URSS, tiveram o efeito de forçar a organização do desenvolvimento da ciência e da tecnologia, com muita verba para financiamentos e formação de mão de obra. O que se observa na tabela mostrada, é certamente fruto desse desenvolvimento ao longo dos últimos 50 anos pelo menos. A própria NSF foi criada por volta  de 1950, como resultado desse esforço de desenvolvimento.

Os dados são coletados pela NSF em universidades, levando em conta os graduados e os que recebem o título de doutor, seguindo sua trilha pelo mercado de trabalho. Esse esforço de coleta e registro de dados recebe o nome de Scientists and Engineers Statistical Data System, atualizado continuamente. Mais alguns dados da pesquisa: em 2006, havia 1,9 milhão de graduados em áreas de ciência, engenharia e saúde que se formaram entre 2003 e 2005, que entraram diretamente no mercado de trabalho ou continuaram seus estudos para obter graus mais altos de especialização (mestrado ou doutorado). Um outro resultado interessante é que 45% dos que tiraram o grau de doutor em alguma universidade estadunidense, continuaram sua especialização com pelo menos um estágio de pós-doutoramento.

Por aqui, o esforço para melhorar a formação com mestrados e doutorados é também muito grande, dentro das possibilidades da nossa economia e dos enormes desafios e problemas que o país tem que enfrentar, resultado de falta de políticas governamentais que direcionassem esse esforço de maneira contínua. Mas o número de cursos de mestrado e doutorado ainda é muito pequeno, e a formação dessa mão de obra especializada ainda é incipiente, o que condena o pais ao eterno atraso científico e tecnológico, ficando sempre a reboque das tecnologias importadas. As dificuldades são muitas, e vão desde a dificuldade enorme para a criação de um curso de mestrado, até as dificuldades muito maiores para levar esse curso adiante, subir de nível e chegar a ter um doutorado. Nada que se consiga com menos de 10 anos de muito esforço e trabalho continuo de todo o corpo de orientadores e pesquisadores de cada programa. Posso falar disso horas a fio, pois sou coordenador do nosso Mestrado em Ciência da Computação do DPI-UFV já há uns sete anos, e boa parte dos meus cabelos brancos (e a falta de cabelos também) são consequência direta dessa atividade.


Equilibrio no jogo de tênis

Domingo, 8 Junho, 2008

Hoje pela manhã, fiquei em casa para assistir à tão esperada final do torneio de tênis de Roland Garros, um dos quatro torneios de Grand Slam, que é uma sequência de quatro grandes torneios mundias: Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e USOpen, jogados nessa ordem. Mais uma vez a disputa foi entre Roger Federer e Rafael Nadal, com enorme vantagem para Rafael Nadal que venceu 8 das últimas 9 disputas de final de torneios contra o Federer. Pelo nível das semifinais, jogadas entre Rafael Nadal e Novak Djokovic (3 x 0) e entre Roger Federer e Gael Monfils (3 x 1), eu (e o resto do mundo apreciador do tênis) esperava um jogaço na final entre os dois maiores. As semifinais foram simplesmente espetaculares, jogos longos onde as melhores estratégias, as melhores jogadas, as melhores pancadas e também as mais vergonhosas erradas e mancadas puderam ser vistas e acompanhadas, verdadeiras aulas de tênis.

Nem é preciso comentar sobre o enorme peso psicológico que acompanha uma final de um torneio dessa categoria. Um estádio imenso, a quadrinha lá no meio, dois jogadores tendo que se concentrar no jogo dificil, sob os olhares atentos de uma platéia presente e torcendo ruidosamente nos momentos em que é permitido torcer no jogo de tênis (quando a bolinha não estiver em movimento, e na preparação para o saque). Isso sem contar nos inúmeros fotógrafos e cinegrafistas, equipes de transmissão, etc., transmitindo o jogo para o mundo todo. Muito diferente de uma final de campeonato de futebol, em que cada jogador tem outros 21 dentro de campo para ajudar a carregar uma parte da pressão da torcida. Ali na quadra de tênis, é um de cada lado e cada um por si.

Dois estilos de jogo muito diferentes. O tênis inteligente, cabeça, representado pelo impassivel Roger Federer, o jogador eficiente, observador, que constrói cada vitória na medida em que o jogo evolui, observando o adversário, antecipando jogadas, e que tem um equilibrio psicológico invejável (herdou muitas das características do Bjorn Borg). Para mim, um enorme exemplo de espirito esportivo, aquele que provoca reversão em decisão de juizes de linha e de cadeira quando percebe que uma bola boa foi cantada fora. Contra o tênis força do Rafael Nadal, que tem um tremendo vigor fisico, chega em todas as bolas, enfia a pancada em todas elas, e tem paciência e resistência para ficar naquele joguinho de fundo de quadra, correndo de um lado para outro sem se arriscar na rede, esperando o adversário errar. Um tremendo jogador preciso, que não perde bolas facilmente, tem uma força física incrivel e bota a bolinha para correr, dando sempre a impressão de que a coisa é fácil.

Mas o que se viu nas quadras foi um desastre. A impressão que deu é que o Federer desistiu de jogar, não conseguiu encaixar as bolas que ele acerta regularmente, jogou a estratégia para o espaço e tomou uma ferrada de 3 x 0, num jogo rápido e de certa forma decepcionante, pois todo mundo esperava ver um jogaço, bem disputado e cheio das jogadas brilhantes, no mesmo estilo ou melhores do que aquelas das semifinais. O que mostra claramente que o jogo de tênis tem a particularidade de mexer diretamente com a cabeça dos jogadores, o psicológico é fundamental e anda colado no físico de cada jogador. E o Nadal não deu trégua, entrou em quadra com o mesmo jogo de sempre, fundo de quadra, batendo todas as bolas, com saque demolidor, foi se aproveitando da apatia inexplicável do Federer que, quando resolveu reagir e mostrar seu belo jogo, a vaca já tinha ido pro brejo, não dava mais tempo de recuperar nada (leiam mais em uma postagem anterior, O jogo de tênis).


Segmentação no mercado de trabalho

Sábado, 7 Junho, 2008

Interessante observar a movimentação do mercado de trabalho, em função da especialização de regiões em tipos de serviços ou de sistemas. Nos EUA, onde as estatísticas fazem parte do cotidiano e onde elas são imensamente valorizadas, pois são indispensáveis a um planejamento de médio prazo, essa especialização já pode ser observada, como mostra um artigo da revista eWeek. Como exemplo, mais de 58% das vagas disponíveis em Austin, Texas são para desenvolvimento de software; 52% das vagas disponíveis em Chicago são para gerência de projetos. Austin se destaca pela existência de grande número de empresas iniciantes (startups), o que explica em parte o perfil das vagas disponíveis. Em Chicago, ocorreu um grande número de fusões de empresas em TI nos últimos anos, valorizando profissionais mais experientes e em condições de gerenciar projetos.

Nas cidades de Tampa e Fort Lauderdale (Florida), na área metropolitana de Washington D.C. e em Sacramento (California), o maior número de vagas é para desenvolvimento de software. Já para a região de Los Angeles (California), um terço das vagas disponíveis são para suporte em desktops e para help-desk. O perfil de desenvolvimento das empresas da região de Los Angeles é tão acelerado, que a necessidade de atendimento imediato aos problemas que surjam com os seus clientes é imediata, daí a necessidade de help-desks especializados e com alta disponibilidade de atendimento.

Já comentei antes aqui no blog sobre a força do setor de serviços, vejam a postagem Oportunidades no setor de serviços. O setor de help-desk, por exemplo, exige muita habilidade e competências para lidar com usuários e muito conhecimento de aplicações específicas e suas nuances. O perfil do profissional de atendimento em help-desk para as empresas da região de Los Angeles deve ser exatamente esse. O setor de help-desk tende a crescer muito, se a economia do mundo continuar crescendo em ritmo forte, pois a tendência é de aumento de consumo de produtos mais sofisticados, o que inclui diretamente a TI.

Infelizmente, não temos conhecimento de estatisticas semelhantes no Brasil. Nosso mercado é certamente muito menor que o estadunidense, consegue-se visualizar algumas regiões com alta concentração de oferta de empregos em TI, normalmente em grandes cidades ou capitais dos estados. Mas não se conhece, por exemplo, o perfil de cidades menores no interior dos estados, um mercado emergente que tende a ganhar força, desde que a economia continue crescendo, exigindo mais serviços.


Um sistema sobre o nosso mundo

Sábado, 31 Maio, 2008

No segundo semestre de 2004, resolvi arrumar novos desafios na disciplina Sistemas de Informação, da graduação em Ciência da Computação do DPI-UFV, e inclui algumas aulas sobre o tema Modelagem sistêmica com diagramas de influência. É uma ferramenta indispensável para quem quer entender situações reais de forma sistêmica, enxergando as variáveis principais, suas interações e seus impactos mútuos, o que normalmente é muito complexo quando o número de variáveis consideradas é grande. Na prova dada sobre esse assunto, utilizei o texto em itálico que segue abaixo, uma tradução que fiz da primeira página e meia do capítulo de introdução do livro World Dynamics, do Jay W. Forrester, que vai citado no fim da postagem. A questão da prova era produzir um modelo com diagramas de influência sobre a descrição do problema, e enunciar algumas hipóteses que fossem cenários de soluções possiveis, a partir do modelo.

Jay Forrester era, na época em que o livro foi publicado, professor do MIT (Massachussets Institute of Technology) Sloan School of Management, e foi o maior responsável pela introdução do uso de dinâmica de sistemas para construir modelos para problemas dinâmicos, possibilitando o uso desses modelos para simulações e análise de cenários. Tenho me dedicado atualmente ao uso da dinâmica de sistemas em problemas de decisão na Engenharia de Software, uma linha de investigação motivante e desafiadora.

Se vocês tiverem paciência de ler até o final, vão perceber que apesar de o livro ser de 1971, já com 27 anos de idade, o modelo desenvolvido e discutido em suas páginas por Jay Forrester é perfeitamente atual e serve para simular os problemas do nosso mundo como é hoje. Os problemas não mudaram, pelo contrário, continuam ai e muito agravados pela incapacidade e incompetência do ser humano em lidar com eles. Reflitam….

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O “sistema mundo”, englobando o homem, seu sistema social, sua tecnologia e seu ambiente natural, que interagem para produzir crescimento, mudança e tensões, está enfrentando novas pressões. Não é novidade a geração de grandes forças originadas dos sistemas sócio-técnico-naturais. Mas só mais recentemente é que a humanidade tomou consciência de novos problemas, que não podem ser resolvidos pelas soluções históricas de migração, expansão, crescimento econômico e tecnologia.

As manifestações de novas tensões no sistema mundo são população excessiva, poluição crescente, e grandes disparidades nos padrões de vida das pessoas e populações. Mas, será que população crescente, poluição e desigualdades econômicas são causas fundamentais, ou apenas sintomas? Será que podem ser melhoradas diretamente, ou será que as causas das novas tensões estão em alguma outra parte do sistema mundo?

Há uma crescente consciência de que esforços passados para aliviar as tensões nos nossos sistemas sociais sempre foram dirigidos a suprimir sintomas sem contudo alterar as causas principais. Cada vez mais, o sistema mundo está se tornando mais interrelacionado em suas variáveis. Uma ação qualquer em um setor do sistema, pode produzir consequências inesperadas em outro setor. De modo geral, essas consequências são não-intencionais e inesperadas. Precisamos entender as formas pelas quais os principais fatores estão se influenciando mutuamente em escala mundial, para que tenhamos segurança e confiança de que nossas ações nos levarão a melhorias reais, ao invés de tornarem as coisas piores.

Nossos conhecimentos e premissas sobre os componentes de um sistema, mesmo que sejam tão complexos quanto nosso sistema social, podem ser agora entendidos e examinados utilizando métodos que foram desenvolvidos nas últimas décadas. Isso pode ser conseguido pela organização dos conceitos principais em “modelos” que revelam as consequências e inconsistências internas de nossas premissas e conhecimento. Das análises que podem ser derivadas desse modelo, será possivel um entendimento muito mais perfeito e preciso do nosso sistema mundo, no qual estamos imersos.

Este livro estabelece um modelo dinâmico com escopo mundial, um modelo que inter-relaciona população, investimentos, espaço geográfico, recursos naturais, poluição e produção de alimentos. A partir desses aspectos ou setores principais e suas interações, parece se originar a dinâmica de mudança no sistema mundo. População crescente cria pressão para aumentar a industrialização, produzir mais alimentos, e ocupar mais terras. Mas mais alimento, bens materiais e uso de mais terra tendem a encorajar e permitir o crescimento populacional. O crescimento da população, com o respectivo crescimento industrial e poluição, são originados de processos circulares em que cada setor tanto melhora parcialmente a situação, quanto realimenta outros setores. Com o passar do tempo, o crescimento encontra barreiras impostas pela própria natureza. Terra e recursos naturais são exauridos, e a capacidade do próprio planeta Terra de dissipar poluição fica sobrecarregada no nível de não conseguir mais a desejada dissipação.

A batalha entre as forças do crescimento e as restrições da natureza podem ser resolvidas de várias maneiras. O ser humano, se entender suficientemente bem o problema e agir com sabedoria, pode escolher um caminho que o leve para fora da zona de conflito entre as pressões citadas, que seja mais favorável do que as ações, atitudes e políticas adotadas atualmente. Esse caminho deve ser no rumo de uma situação de não-crescimento e equilíbrio do sistema mundo. O grande desafio consiste em saber escolher a melhor transição disponível do cenário passado de crescimento para uma condição futura de equilibrio.

Jay W. Forrester, World Dynamics. Cambridge, Massachussets: Wright-Allen Press, 1971


E o usuário final, como é que fica no processo?

Domingo, 25 Maio, 2008

Venho acompanhando o desenrolar do problema com o rebatimento do banco traseiro do Fox, carro da Volkswagen de lançamento recente,  totalmente desenhado na filial brasileira e exportado daqui para o resto do mundo. As notícias de dedos decepados ou prensados no momento de voltar com o banco para a posição normal são várias, e até o momento, o problema foi resolvido apenas de maneira paliativa. O problema já é de conhecimento público, e estima-se que as vendas do Fox cairam de terceiro para quinto lugar entre o primeiro trimestre de 2007 e o primeiro trimestre de 2008, em parte devido ao impacto negativo do problema na confiança do consumidor.

Lendo uma reportagem na revista Exame de 7 de Maio de 2008, “O grande erro da Volks”, que recomendo aos leitores, é que um outro problema me saltou aos olhos: Desde o primeiro acidente registrado em 2004, a direção da Volkswagen sempre insistiu que o problema é das vítimas, que não haviam acionado o sistema corretamente. Posição esta confirmada pelo presidente da empresa em entrevista em cadeia nacional, em que ele afirma que basta seguir as instruções contidas no manual do proprietário para fazer a operação correta. Ainda segundo a reportagem, uma solução definitiva envolveria um grande esforço de reprojeto e retrabalho e seria inviável tanto do ponto de vista técnico quanto do ponto de vista econômico, pois afetaria a estrutura do carro.

Para a Volkswagen, reconhecer a falha significa reconhecer limitações no projeto do carro, já que o desenho do sistema de rebatimento do banco traseiro foi responsabilidade do setor de engenharia da Volks, e esse reconhecimento de falha seria um tranco na cultura da empresa. A área de engenharia ainda hoje não admite que o carro tem problemas. Para um engenheiro acostumado a desenhar e fabricar carros, o Fox realmente não tem problemas, o sistema funciona e o manual é claro a respeito da forma como operá-lo. O problema é que o consumidor não acha isso, e é ele quem compra e usa o carro.

Bom, mas e daí? que lições podemos tirar dessa questão? que relação ele tem com a Engenharia de Software? Não está parecendo que esse filme é exibido regularmente na nossa área? Requisitos, sempre os requisitos. Requisitos implementados errados, requisitos extraidos errados, requisitos especificados errados, requisitos não testados e não aferidos pelo controle de qualidade, requisitos não validados no mundo real… tudo remete ao usuário final, que segundo os métodos mais modernos e as tendências atuais, deve de alguma forma sempre fazer parte do processo desde o seu início. Desde que o ciclo de desenvolvimento em cascata caiu em desgraça (na minha opinião injustamente), e o desenvolvimento iterativo passou a ser a palavra de ordem no desenvolvimento de software, o usuário final passou a ocupar lugar de destaque. Hoje, tanto um processo RUP-like quanto um método ágil recomendam que o usuário faça parte permanente da equipe, com alta disponibilidade para o projeto.

A reportagem da revista Exame deve ser lida, representa uma lição muito interessante que não se encontra nos livros, daria até para transformar em um caso para usar em disciplinas de engenharia de software e engenharia de produção. A reportagem serve também para deixar claro que nas áreas tradicionais de engenharia, onde os processos são formalizados e seguidos à risca, falhas ocorrem e fogem ao controle dos gerentes de projeto, e o usuário final às vezes fica de fora do processo.


Pessoas ou processos?

Quinta-feira, 15 Maio, 2008

O artigo citado no final da postagem me chamou a atenção, principalmente por ter sido escrito por Robert L. Glass, autor do livro Facts and fallacies of software engineering, de que gosto muito e uso em minhas disciplinas de engenharia de software. Há um tema que já se arrasta há algum tempo e que parece ainda estar longe de uma conclusão, sobre se a questão principal na gerência de projetos (de software) são os processos utilizados como modelo de desenvolvimento, são as pessoas envolvidas e que tocam os processos adiante, ou ambos? E o Robert Glass foi achar em um livro do Watts Humphrey, que é o grande mentor do SEI-Software Engineering Institute, uma discussão exatamente sobre esse tema. O livro, Managing for innovation, foi publicado pela primeira vez em 1987, e ficou meio esquecido talvez porque o tema não chamava tanta atenção assim na comunidade de engenharia de software da época, que estava mais preocupada com outros problemas. O livro foi republicado em 1997, com o título Managing technical people, e também parece que não teve muito impacto na comunidade.

A idéia de ambos os livros é a de que pessoas fazem a diferença no desenvolvimento de software e sistemas, e o autor explora a questão do ponto de vista da importância da criatividade e inovação e sua relação no desenvolvimento de projetos. Criatividade é a nossa capacidade de pensar em coisas novas, e inovação é nossa capacidade de realizar coisas novas. Nas palavras do próprio Humphrey, “While innovation requires creativity, it also involves a great deal of hard work” (inovação pressupõe criatividade, mas inovação envolve muito trabalho duro).

Uma relação interessante, já discutida em outros livros de administração, é a de que quando os gerentes controlam muito fortemente as atividades das pessoas nos projetos, o poder criativo da equipe cai muito, ao passo que um estilo gerencial mais livre e mais baseado na responsabilidade e compromisso das pessoas envolvidas, habilitam o aumento da criatividade. Uma outra relação interessante foi estabelecida com o grau de experiência administrativa, habilidade em gerenciar pessoas e conhecimento tecnológico do administrador de projetos e seu grau de envolvimento nos projetos. Nos projetos mais inovadores, os gerentes se envolveram pessoalmente no desenvolvimento do projeto e mantiveram contato permanente com o pessoal de desenvolvimento.

Uma primeira conclusão é que o maior nível de inovação em projetos acontece quando (a) o gerente tem muito conhecimento técnico e se envolve pessoalmente no desenvolvimento e (b) quando se aumenta a liberdade do pessoal técnico. Também não resta dúvida de que a base da inovação nos projetos está mais relacionada com os usuários finais e seu conhecimento sobre o que está sendo desenvolvido, do que com o pessoal de computação que se dedica mais à tecnologia e desenvolvimento: 75% de toda a inovação é impulsionada por forças de mercado. Ou seja, as necessidades do usuário é que determinam se uma inovação vai ter sucesso ou não, e não a tecnologia aplicada no seu desenvolvimento. Portanto, temos ai um conclusão muito interessante: as pessoas são tão importantes quanto os processos e as tecnologias, e as técnicas de gerenciamento de projetos devem levar esse fato em consideração para terem sucesso.

Managing for innovation, autor Rober L. Glass, coluna Practical Programmer, CACM March 2008, páginas 17-18


Software como serviço

Quarta-feira, 7 Maio, 2008

Os modelos de negócio na área de TI evoluem na medida em que a tecnologia avança. O surgimento da internet e sua disseminação pela sociedade e pelo mundo dos negócios abriram novas perspectivas e novos modelos, antes apenas imaginados. A adoção do modelo de aluguel de software, que vem sendo discutido há algum tempo, está sendo possivel graças à internet e sua disponibilidade atual, no nosso mundo conectado, embora ainda tenhamos conectividade restrita e o avanço da banda larga venha acontecendo a passos lentos. No nosso mundo capitalista, tudo é movido pela economia, nada aparece do nada e de graça, o motor são os negócios e o que eles vão poder gerar de retorno aos investimentos feitos.

Mas, o que é aluguel de software ou software como serviço, quando comparado com o modelo tradicional vigente? No modelo tradicional, o software é comprado na base de uma licença para cada terminal ou máquina usuária; os dados ficam armazenados nos servidores da empresa e o acesso a eles somente pode ser feito via máquinas conectadas ao servidor; e a atualização de versões tem que ser feita diretamente pelo departamento de TI, máquina por máquina. Já no modelo de negócio baseado em aluguel de software, não há aquisição de software, que é alugado e pago por mês com base no número de usuários; o sistema roda no servidor do prestador de serviço e pode ser acessado pela internet; a atualização do software é feita apenas no sitio do prestador de serviço, passando a valer para todos os usuários cadastrados. A empresa Salesforce, que tem uma representação aqui no Brasil, é uma das pioneiras nesse novo modelo de negócios. A empresa tem mais de 40000 clientes cadastrados, com mais de 1 milhão de usuários, e ainda foi mais longe: em seu portal, outros desenvolvedores podem colocar seus sistemas utilizando o mesmo modelo de aluguel. Do lado de cá, a brasileira Datasul também adota o modelo, nas suas soluções de outsourcing.

Esse modelo de negócios, ainda em início de disseminação e rodeado de dúvidas e preconceitos naturais, pode aos poucos se transformar em mais uma solução de eficiência e produtividade administrativas, comparável à organização baseada em processos que começou a ser adotado na década de 1990, provocando uma verdadeira revolução nas empresas, sendo hoje quase obrigatório para que as empresas atinjam níveis de competitividade global. Todos os modelos inovadores têm uma curva de aprendizagem, ou de aculturamento, que exige tempo e dedicação. Em uma análise preliminar, a principal vantagem da adoção deste modelo seria a possibilidade de qualquer empresa, independente do tamanho, poder utilizar os mesmos sistemas utilizados pelas grandes empresas, nivelando as questões administrativas e de processos de negócio internos, permitindo a elas melhores condições de competitividade com as empresas maiores. Atualmente, os investimentos para ter, por exemplo, um sistema de gestão integrado em qualquer empresa são muito altos, o que é uma barreira para sua utilização por empresas médias, pequenas ou micro.

Mas, como ficará a questão da segurança e privacidade dos dados, que a principio ficam armazenados nos servidores da empresa prestadora do serviço? Essa é uma questão cultural complicada de superar, tem que haver muita confiança no modelo e no prestador de serviço para embarcar nele e deixar os dados estratégicos da sua empresa armazenados em outro canto que não sejam seus próprios servidores, administrados pelo seu pessoal de TI. Uma outra questão mais simples é como ficaria a customização do software alugado às necessidades da empresa? As empresas têm suas particularidades, e o software tem que ser aderente a elas, pelo menos em princípio. Espero contribuições dos leitores para a questão, é preciso entender muito bem os prós e contras, para ter uma visão sistêmica que permita tomar decisões.

Esse modelo de negócios é novo na área de TI, mas existem iniciativas semelhantes em outros setores da economia. Por exemplo, o servico Exporta Fácil do correio brasileiro oferece a empresas de qualquer tamanho o serviço de exportação de produtos, viabilizando a existência de um grande número de empresas produtoras de bens que, sem essa alternativa, teriam um custo de exportação proibitivo dada a sua escala de produção. Outro exemplo ainda do próprio correio brasileiro é o Correio Net Shopping, um portal de lojas que vendem seus produtos utilizando os serviços dos correios para pagamento e entrega.

(Revista Exame, 9 de abril de 2008, seção de Tecnologia: software, artigo Drible no departamento de TI)