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Aula da saudade, janeiro de 2012: Vãos, abismos e becos sem saída

Publicado por: Jose Luis Braga em: terça-feira, 24 janeiro, 2012

Em janeiro não tem jeito, é diploma na mão e saudade no peito

As redes sociais tendem a se tornar cada vez mais presentes, aglomerando mais pessoas e se expandindo além das fronteiras físicas tradicionais. Aqui, estou me referindo a redes sociais de fato, independentes dos meios como serão habilitadas (Facebook, Twitter, Linkedin, redes de telefonia celular, etc. são habilitadores).  Redes sociais devem ser entendidas com  organização plana, democráticas, que crescem sem controle e não admitem linha de comando e de mando, favorecendo a colaboração, a inovação e a criatividade. Em oposição às hierarquias a que nos acostumamos no nosso mundo, presentes nas grandes organizações tanto públicas quanto privadas, em particular na estrutura das escolas que são responsáveis pela formação de todos nós. Sim, vivemos em um mundo de hierarquias, em que cada um tem um papel definido pela sua posição na hierarquia, e deve se comportar e até pensar de acordo com o que preconiza a hierarquia e seus níveis mais altos, o que tende a impedir ou dificultar as atitudes e pensamentos inovadores, disseminação de novas ideias, colaboração entre grupos.

Neste mundo futuro próximo que já se configura e no qual vocês vão estar fortemente inseridos, as atitudes devem ser de independência: auto-aprendizado substituindo o aprendizado tradicional em que o professor passa o conhecimento para o aluno (conceito que se estende a todas as hierarquias que conhecemos); empreendedorismo, espirito empreendedor, proatividade acima de tudo; inovação sempre que possível; saber desistir na hora certa; saber insistir no que vale a pena insistir; saber enxergar abismos e becos sem saida e desistir na hora certa; saber insistir no aprendizado sem desistir por qualquer motivo.

Seth Godin, em seu livro O melhor do mundo(The Dip), usa três curvas para expor atitudes e situações comuns no nosso dia, vejam na figura ao lado. Por exemplo, O  ABISMO é representado por uma curva em que algum momento, entra-se no buraco sem fundo e sem volta. Situações típicas citadas no livro são as relativas a vícios ou

Vão, beco sem saida, abismo

excessos de modo geral: bebida, cigarro, drogas, etc. Mas, para a vida real, há muitos outros vícios que podem nos empurrar para abismos, como por exemplo opções anti-sociais que tendem a levar a pessoa a um isolamento total, o que em algum momento vai significar abismo.  Já o BECO SEM SAIDA representa a situação em que insistimos em continuar com atitudes ou ações que não nos levam a lugar nenhum, e não conseguimos enxergar que estamos num beco sem saida, “trabalha, trabalha e nada muda”. Ambas as curvas representam situações do nosso cotidiano, que temos que saber enxergar e, mais que isso, saber tomar a decisão de desistir no momento adequado. Há uma grande dificuldade ai, pois nossa cultura ocidental que gosta de dualidades como certo-errado, bom-mau, bem-mal, é contra o fracasso, normalmente associado com a desistência que automaticamente nos joga para o lado negro da força. E nossa tendência é insistir mais e mais no erro por uma questão cultural, para não ter que assumir publicamente que desistimos de alguma coisa. Não sabemos lidar com o fracasso, infelizmente, mas temos que aprender a fazer isso.

O VÃO é a curva que todos vocês conhecem de sobra, que usamos nas aulas principalmente de Engenharia de Software e que denominamos “curva de aprendizagem”. Ela representa  a situação que vivemos ao longo de toda a vida, que é a de aprendizado continuo, de melhoria permanente, como exige a própria vida. Saimos de um nível de conhecimento ou experiência confortável e partimos para um aprendizado ou experiência nova. Num primeiro momento, quando entramos na parte baixa da curva que costumamos chamar de vale do desespero, ficamos com a sensação de incompetência, porque não conseguimos fazer mais nada do jeito antigo, e ainda não temos  habilidade com as novas técnicas ou conhecimentos. Esse é o momento do maior risco, pois o ser humano tende a desistir no meio do vale do desespero, quando normalmente não é o momento de desistir, ao contrário, seria momento de continuar insistindo. A menos, é claro, que se perceba estar entrando em um beco sem saida ou então num abismo, e ai sim, o passo correto é desistir. Por exemplo, aprender a tocar violão do jeito certo pois normalmente a gente toca um violão de buteco, aprendido com amigos, usando cifras e com um tipo de batida com poucas variações, umas três ou quatro batidas no máximo. E quando a gente começa a aprender mais formalmente, bate o  desespero total: aquelas músicas que a gente sabia tocar estavam todas “erradas”, a batida que sabiamos está uma porcaria, mas ainda não temos habilidade com o jeito certo, e caimos numa região em que momentaneamente a gente perde a competência. O mesmo acontece nos esportes, do tênis eu posso falar por experiência própria, seu aprendizado tem vários vales do desespero.

Na sociedade em rede, o aprendizado contínuo via a própria rede e independente dos meios tradicionais em bancos de escolas de qualquer nivel, vai nos colocar permanentemente lidando com o vão. E não será nunca algo como “saí de um vão, agora posso entrar em outro vão”, os caminhos do aprendizado em rede não são em cascata, sequenciais, um depois do outro. O aprendizado também ocorre em rede, a gente vai pulando de um lado para outro seguindo as indicações dos links que nos levam pelos caminhos que nós mesmos vamos escolher. Ou seja, estaremos sempre multi-aprendendo, pelas interligações.

Essa é minha mensagem para vocês. Agradeço demais o convite para proferir essa Aula da Saudade que é sempre uma distinção que recebo com muita alegria. Ainda mais desta turma, que também me honra como Professor Homenageado, recebo duas homenagens com enorme satisfação e gratidão. Um detalhe: talvez seja minha última aula da saudade pois, como vocês sabem, minha aposentadoria vai acontecer em breve.

Referências

-Linked, O mundo é planoEconomia da colaboração: Wikinomics,

-Esta aula da saudade foi parcialmente inspirada no livro comentado na postagem Vale do desespero ou beco sem saida?  e no livro FLUZZ, do Augusto de Franco, que pode ser baixado free no site da Escola de Redes.

-Não produzi transparências para essa aula da saudade.

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Memes sociais

Publicado por: Jose Luis Braga em: domingo, 22 janeiro, 2012

No final de 2010, fiz uma postagem aqui no blog, Memes e a memética, falando sobre a origem da palavra meme e sobre o livro do Richard Dawkins de onde o termo saiu, particularmente o seu capitulo 11, dedicado aos memes. Semana passada, a web no Brasil ficou lotada de referências a “Luiza que está no Canadá”, que inexplicavelmente se espalhou como um contágio generalizado no Twitter, Facebook e muitas outras redes, atingindo até a imprensa tradicional.

images Esse contágio ocorrido pode ser em parte explicado usando a ideia dos memes. Transcrevo uma parte da minha postagem citada acima: “Na concepção original do autor, para ter uma teoria completa da evolução, não é suficiente focar apenas na evolução biológica. A evolução de idéias no meio social também deve ser considerada com o mesmo nível de importância. A metáfora escolhida por Dawkins foi a dos genes, a partir da qual ele criou o conceito de meme, que é a unidade básica de evolução cultural e das idéias. Idéias convivem no que ele denominou de meme pool (similar a gene pool), e estão sujeitas à propagação total ou parcial, adaptação, destruição ou substituição por idéias mais fortes. Imitação ou cópia é o mecanismo básico de propagação, e as idéias têm associadas um valor de sobrevivência e precisam de uma máquina de sobrevivência ou hospedeiro para que possam se propagar. A competição também é muito forte entre os memes, que têm as propriedades: longevidade (medida do tempo em que um meme permanece ativo no meme pool); fecundidade (medida da velocidade de replicação do meme); fidelidade de cópia (que é uma medida da aderência do meme transmitido com relação ao meme original do qual ele foi copiado).”

Vivemos cada vez mais em redes sociais, impulsionadas pelas tecnologias disponiveis na internet, que é o nosso principal agente facilitador ou habilitador de mudança. Twitter, Facebook, SMS nos celulares, sitios de bate-papo, blogs… A propagação de qualquer ideia que caia no gosto dos participantes das redes é muito rápida e ao mesmo tempo, efêmera, tende a durar pouco tempo. O meme “Luiza que está no Canadá” teve: longevidade baixa pois as referências diminuiram sensivelmente, todo mundo já está esperando o próximo meme; fecundidade muito alta catalisada pelo alto nivel de conexão do mundo atual. Quanto à fidelidade de cópia, que é uma propriedade importante, eu tenho minhas dúvidas se de fato ela ocorreu, pois ela exige não apenas fidelidade sintática, mas também fidelidade semântica, de contexto.

Um outro exemplo recente de propagação foi a resistência mundial contra a tentativa de cercear o uso livre da web via a proposta de lei feita por um deputado republicano estadunidense, denominada SOPA. A reação na rede planetária foi tão forte que vários deputados e senadores republicanos abandonaram o apoio à tramitação da lei, de olho nas eleições do próximo ano, inviabilizando sua aprovação pelo menos por enquanto.

E vai continuar sendo assim, não se trata de ficar repetindo besteira e nós não somos menos inteligentes, como disse um comentarista de TV. O mundo hoje funciona assim, ao mesmo tempo que uma frase inocente se transforma em meme rapidamente, também um problema sério como o SOPA segue a mesma trilha, e a pressão do mundo consegue reverter situações complicadas.  Hierarquias não funcionam mais no mundo atual, que se transformou em mundo plano pela ação das redes.

(a imagem acima foi extraida do artigo Tag Cloud da wikipedia)

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Design Thinking

Publicado por: Jose Luis Braga em: segunda-feira, 2 janeiro, 2012

Minha última leitura de 2011, terminada no dia 31 de dezembro, foi esse livro ai. Escrito pelo Tim Brown, designer criador da famosa IDEO, empresa de design e inovação conhecida no mundo todo por seus métodos e seus cases de design. De onde veio a dica do livro? Isabela, que cursa o último ano de Design Gráfico na FUMEC-BH, me passa as dicas de bons livros e artigos na área de design. A primeira vez que tive contato com a IDEO e seus métodos de design, foi quando li sobre o design das bicicletas “coasting bikes” trabalho feito para a Shimano, que está registrado nesta postagem aqui no blog.

22162505 O livro é escrito em um estilo mais informal, mais narrativo e sem muita preocupação em apresentar um processo formatado para criação, o que seria um disparate, já que o processo criativo não segue métodos rígidos. Mas, existem alguns padrões que se repetem no processo criativo, já estudados e desvendados por vários autores, e nesse aspecto o livro satisfaz e até ultrapassa as expectativas, tornando-se uma leitura agradável e cheia de informações novas e interessantes. Por exemplo, os três pilares da criação: Inspiração, Idealização e Implementação são apresentados e exemplificados com vários exemplos, e ai pude ver relações estreitas com nossos processos em Engenharia de Software. Esses pontos de relação ou ligação eu procuro enxergar sempre, as melhores ideias e oportunidades sempre aparecem das interseções entre áreas. Só que para enxergar essas interseções e suas oportunidades de inovação, tem que estar preparado: a sorte só favorece a mente preparada (Louis Pasteur, 1854).

O ponto fundamental do design thinking é a mudança de foco: pensar em problemas reais com foco no usuário e na experiência do usuário, que é onde estão as oportunidades de inovação. Produtos e soluções têm que ser gerados colocando o usuário em primeiro lugar, e os cases apresentados no livro apontam nesse sentido, incluindo as coasting bikes que citei antes. E na Engenharia de Software não temos costume  disseminado de fazer isso,  a maioria dos softwares que usamos têm interfaces projetadas para os próprios projetistas usarem, a usabilidade ainda não é disciplina praticada pela massa de projetistas.

Gostei da leitura, e recomendo o livro sem medo de errar. Não gostei da tradução, comprei o livro por aqui mesmo porque estava com curiosidade de ler logo. Muita coisa traduzida ao pé da letra, dá impressão de ser uma tradução feita por software com apenas alguns retoques humanos, com revisão fraca talvez pela pressa de colocar o livro no mercado, o famoso time-to-market.

Tim Brown. Design Thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro, RJ: Ed. Elsevier, 2010.

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2011 indo, 2012 vindo…

Publicado por: Jose Luis Braga em: sexta-feira, 30 dezembro, 2011

feliz2012 Até que o ano de 2011 foi muito bom, a impressão é de que o ano passou muito rápido, o que significa que foi muito intenso. E foi mesmo, sem dúvida alguma. No plano pessoal e familiar foi fantástico, muita coisa boa aconteceu incluindo o nascimento da nossa netinha, uma benção nas nossas familias. Profissionalmente, consegui avançar muito nas orientações de meus alunos de mestrado e graduação, amadurecimento de linhas de investigação, publicações começando a ter impacto (demora muito para publicar alguma coisa relevante quando só temos alunos de mestrado), mpsBR ganhando espaço aqui na região com mais duas empresas em processo de implementação de nivel G, e muito mais.

As implementações mpsBR em empresas do Arranjo Produtivo Local em TI (APL-Ti) estão em andamento, Cientec aprovada no nivel G em 2010 e Oriontec e DTI/UFV (antes era CPD/UFV) em andamento para avaliação final nível G a partir de maio de 2012, e já temos empresas locais interessadas em participar do próximo grupo, o G9, em formação. Essa foi uma iniciativa que deu certo e não vai parar, vamos avançando devagar e criando competência local nas empresas, melhorando competitividade e formação, com impacto direto na formação de nossos alunos na UFV e nos demais cursos da cidade e região. Já podemos considerar que temos um ciclo virtuoso de realimentação de interesse das empresas locais. Particularmente, o trabalho de implementação na DTI/UFV tem sido um grande desafio, por se tratar de um órgão dentro de uma universidade pública, em que todos os referenciais mudam fortemente exigindo muito dos implementadores.

Agora, 2012 já vai começar me esquentando a cabeça com uma decisão importante: aposentadoria. Passei o ano de 2011 todo pensando nela, principalmente pensando em que o que eu vou fazer depois de aposentado. A gente começa muito otimista, muitas conversas e muitas possibilidades, numa fase inicial de divergência em que se colhe um monte de ideias, opiniões e possibilidades. Nesse final de ano de 2011, entrei na fase de convergência, analisando tudo, eliminando algumas ideias que não interessam, agrupando outras similares, e finalmente estou conseguindo enxergar alguns caminhos, compatíveis com meu principal desejo de ter mais tempo livre para me dedicar a atividades que ficaram jogadas no canto: violão, jogo de tênis, viagens, academia de ginástica, voltar para as corridas de rua, blog, enfim, prorrogar a validade da certidão de nascimento o máximo que eu conseguir. Certamente, vou continuar ligado ao DPI por mais uns poucos anos, até terminar meus compromissos assumidos com meus orientados e com o nosso programa de Mestrado. Mas, isso vai acontecer como Professor Voluntário, uma categoria (um remendão) que o nosso governo criou para que o aposentado vá se desligando aos poucos, como se fosse um buffer de desaceleração para o docente ativo não endoidar de vez com a aposentadoria. Uma opinião pessoal sobre isso: o governo federal perde grandes talentos no momento em que a maturidade nos permite enxergar tudo com outros olhos, e joga nas mãos da iniciativa privada um monte de mentes ativas e experientes que poderiam continuar contribuindo positivamente para o crescimento institucional.  

Eu já estou achando que 2012 vai passar tão ou mais rápido que 2011… Feliz Ano Novo a todos vocês que me deram alegrias com as visitas constantes ao blog, comentários, e principalmente aos sofredores com cálculos renais, que transformaram a postagem Cálculo renal, de novo  em um verdadeiro fórum de troca de experiências e opiniões (117 comentários neste instante), parece que tem ajudado muita gente a se sentir mais confortável com os danados dos cálculos renais. Os leitores, as visitas e os comentários é que me animam a continuar com o blog sempre ativo. Preparem-se, as postagens vão aparecer com mais frequência e com assuntos mais variados um pouco.  

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Happy Christmas ! (War is Over)

Publicado por: Jose Luis Braga em: quinta-feira, 22 dezembro, 2011

Foto0153O imortal John Lennon nos deixou mais esse legado eterno, Happy Xmas, uma letra que mistura espírito de Natal com uma profunda mensagem de paz no mundo. E a mensagem continua atual, nesse nosso mundo cada vez mais confuso, cada vez mais apertado num planeta cada vez mais consumido pelo próprio ser humano. Feliz Natal, curtam o momento mágico. E um Feliz 2012, que promete passar mais rápido que o 2011 que se encerra.

Então É Natal (versão Simone)

Então é Natal, e o que você fez?
O ano termina, e nasce outra vez
Então é Natal, a festa Cristã
Do velho e do novo, do amor como um todo
Então bom Natal, e um ano novo também
Que seja feliz quem, souber o que é o bem

Então é Natal, pro enfermo e pro são
Pro rico e pro pobre, num só coração
Então bom Natal, pro branco e pro negro
Amarelo e vermelho, pra paz afinal
Então bom Natal, e um ano novo também
Que seja feliz quem, souber o que é o bem

Então é Natal, o que a gente fez?
O ano termina, e começa outra vez
Então é Natal, a festa Cristã
Do velho e do novo, o amor como um todo
Então bom Natal, e um ano novo também
Que seja feliz quem, souber o que é o bem

Harehama, há quem ama
Harehama, ha…
Então é Natal, e o que você fez?
O ano termina, e nasce outra vez
Hiroshima, Nagasaki, Mururoa, ha…

É Natal, é Natal, é Natal

Ouçam:

Gravação da Simone

Gravação (com clip) original John Lennon

Let it snow, Dean Martin

Merry Christmas Everybody, Slade

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Fantasma da Ópera

Publicado por: Jose Luis Braga em: domingo, 18 dezembro, 2011

boys Essa postagem está na fila desde o final de 2010. Mas, como é sobre a peça O Fantasma da Ópera, que é atemporal e histórica, ela poderia ficar na fila até por bem mais tempo. Em dezembro de 2010, passamos uns dias na fantástica cidade de Londres (em breve postagem homenageando Londres) e, claro, não poderiamos nunca deixar de assistir a essa peça que já completa um quarto de século em cartaz, vejam aqui. Isso mesmo, a peça tem 25 anos de encenação, por grupos diferentes, e em todo canto do mundo.

Assistimos no histórico Her Majesty´s Theatre, uma fantástica casa de espetáculos inaugurada em 1705,  onde a peça está em cartaz desde Outubro de 1986! Como podem perceber, tudo com tempo longo, peso histórico em tudo, desde a rua onde está situado o teatro até o interior do mesmo, as poltronas, a organização, tudo tem cheiro e jeito de antiguidade. Poltronas e locais onde, certamente, já se sentaram figuras históricas e que influenciaram a história do mundo. Com um detalhe: funcionários do teatro todos vestidos a caráter, roupas da época, muito chique.

Essa montagem da peça é da The Really Useful Theatre Company Ltd., estrelada por John Owen-Jones, Sofia Escobar, Will Barrat, e vários outros. A música é nossa conhecida e já popularizada, autoria de Andrew Lloyd Weber, ouçam aqui uma execução no YouTube, certamente vocês vão se lembrar. O tema da peça é uma estória de amor e traição, muito emocionante e completamente dificil de ser descrita em palavras. Cada um tem que sentir com suas próprias emoções, mas posso garantir que é fantástico.

A gente sai do teatro com aquela sensação de que ficou faltando alguma coisa, que precisava ver mais e talvez voltar mais vezes. Aliás, esse é um ponto: tem que voltar para ver de novo, pois a primeira vez é muita surpresa e emoção juntas, a gente não consegue prestar atenção a todos os detalhes. Sem contar que o inglês é o clássico, mais carregado, muita coisa escapa dos ouvidos. Para quem já mora por lá há mais tempo, é mais fácil. Mas, para turistas como nós e  a esmagadora maioria dos espectadores, recém-chegados e ainda tontos com o choque cultural, muita coisa deixa de ser entendida.

Fica a dica, tendo oportunidade, vale muito a pena assistir. Pena é que é lá em Londres, mas a peça já foi transformada em filme, e está disponivel em locadoras.

 

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Tecnologia e desenvolvimento mental

Publicado por: Jose Luis Braga em: sábado, 3 dezembro, 2011

Essa semana, ouvi num canal de TV uma entrevista rápida, daquelas de telejornal, com uma psicóloga falando sobre os prováveis efeitos negativos do uso excessivo da tecnologia no desenvolvimento mental das crianças e jovens. E ela foi enfática ao afirmar que o prejuizo vai ocorrer sim, e que o uso da tecnologia deve ser muito bem fiscalizado e dosado pelos pais, para não prejudicar o desenvolvimento das crianças.

images Aí me lembrei de uma discussão similar de que participei há uns 30 anos, sobre os usos da máquina de calcular de bolso pelos alunos nos mais diversos níveis de ensino. Várias reuniões com pedagogos aqui na UFV, todos também enfaticamente contra o uso das inofensivas calculadoras pelos alunos, os argumentos muito parecidos: vai prejudicar o desenvolvimento mental, vai dar preguiça de pensar, os alunos não vão aprender a resolver problemas e nem a pensar adequadamente. Era uma discussão meio sem base técnica e muito mais no sentimento e paixões de cada um, muito na base do  “eu acho”, pois não era possível fazer uma projeção correta da situação para o futuro, dado o enorme número de variáveis envolvidas num possível modelo, maioria delas sociais e da psicologia experimental. E nem havia dados disponíveis que apontassem seguramente em alguma direção futura.

Trinta anos depois, nada das catástrofes previstas aconteceu. O mundo continua andando para a frente (ou para trás dependendo do ponto de vista), a geração calculadora está ai sem prejuizo aparente nenhum, todo mundo sobreviveu, hoje a calculadora de bolso é coisa do passado, usada cada vez menos como um dispositivo separado, integrada que é nos celulares e smartphones. Elas evoluiram para máquinas poderosas e especializadas, melhores que qualquer computador da minha época de jovem, com destinação específica para uso em administração, em engenharia, etc., e são indispensáveis aos engenheiros, administradores, economistas  e técnicos.  As fórmulas e principais planilhas de decisão já vêm embutidas, utilizáveis via uma única tecla.

E a discussão não terminou, vão passando de tecnologia para tecnologia, a turma dos tecnófobos cada vez pior, idem a turma dos tecnófilos, cada vez mais fissurada em avanços tecnológicos. O fato inegável é que é impossível hoje barrar o uso da tecnologia pelos jovens, ela está ai nas ruas e nas mãos de todos. Se não tiver acesso em casa, o jovem acessa em lanhouse, ou na casa de amigo, ou na escola. Os smartphones são hoje a ponta da famosa convergência tecnológica, são usados para tudo, e são muito práticos. Telefone fixo? as novas gerações já nem sabem muito bem o que é isso, como também não sabem o que é um LP, uma fita cassete, uma fita de video VHS e nem mesmo o que é uma locadora de vídeo.

O mundo mudou, e mudou demais. As redes sociais fazem parte do mundo, têm força de mobilização para derrubar governos e provocar movimentos pelo mundo afora, como o recente “occupy Wall Street” que se espalhou rapidamente. O virtual está tomando o lugar do físico, levando vantagens porque os deslocamentos ficaram mais dificeis, mais caros, mais perigosos. Infelizmente, o que não evoluiu na mesma velocidade da tecnologia, foram as técnicas de ensino. Ainda vamos para a sala de aula usar quadro e giz, algumas transparências velhas, alguma coisa usando datashow, mas o método de ensino mesmo, a sincronia exigida pela sala de aula, isso não mudou, e os jovens não se adaptam mais a horários rígidos e não se sentem motivados. Nós, professores, estamos fora do tempo e tomando surra da tecnologia. Tenho uma postagem recente sobre esse assunto: Sincronismo, sala de aula e as novas gerações…, recomendo a leitura. 

Sinceramente, não acho que as novas gerações foram prejudicadas por nada. Todo avanço tecnológico foi acompanhado de discussões similares, desde o surgimento do livro impresso, da passagem do cinema mudo para o cinema falado, o surgimento do transistor, enfim, basta dar uma olhada rápida na história da ciência e das revoluções científicas. O que falta é a gente aprender a usar as tecnologias a nosso favor e a favor dos jovens.

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TINNITUS

Publicado por: Jose Luis Braga em: sábado, 19 novembro, 2011

O título da postagem está com letras maiúsculas, para deixar bem claro o enorme respeito que tenho por essa palavra e pelo que ela significa. Sabem aquele zumbido “fininho”, agudo, que a gente “ouve” principalmente a noite, quando tudo se acalma e o silêncio possível toma conta? parecendo um zumbido de cigarra, longe, bem baixinho? então, isso é o tinnitus, e é ele que vai merecer esta postagem.

http://health.ny.gov

Com o tempo, devido principalmente ao nível de ruído a que a gente é submetido nas atividades diárias, esse zumbido tende a aumentar, a ponto de ficar dominante (pode também ser causado por um monte de outros agentes). E é desse mal que eu estou sofrendo de uns tempos para cá, me juntando a estimados 17% da população do planeta: TINNITUS. Barulho irritante, o dia todo zumbindo, de vez em quando some, de vez em quando aumenta, se esfria o tempo o barulho diminui mas pode aumentar, e por ai vai, sem controle e sem solução. E a percepção dele piora à noite, quando o silêncio ganha a batalha contra o barulho do dia. De madrugada, nem comento, parece que a cabeça está dentro de um vespeiro, para conseguir dormir novamente, tem que ligar a TV, ou então um bom rádio de ondas curtas sintonizado em uma estação qualquer.

Já li de tudo, já consultei especialistas, a conclusão é fatal: não tem cura. Estudos mais recentes, teorias não testadas, apontam para outras causas possiveis, vejam aqui. Pode acontecer de, dependendo da causa, o zumbido ser amenizado. Se, por exemplo, for causado pelos maxilares deslocados com o tempo pela mastigação errada, ou também por bruxismo, uma placa  acrílica moldada especialmente para a sua arcada superior por um dentista, utilizada quando for dormir, dá algum alívio vez por outra. No meu caso, funciona de vez em quando. Acupuntura também deu certo por uns tempos, tenho que voltar a fazer com foco específico no tinnitus, pode dar certo novamente.

A melhor defesa que a gente tem é a informação. E na internet, temos informação de todo tipo e qualidade sobre qualquer coisa, basta procurar. Parece que uma das causas do mundo moderno é o excesso de barulho por um longo período. E o mundo moderno nas cidades está lotado de barulhos, tanto que as pessoas passaram a usar fones de ouvido para ouvir música tocada em celulares ou aparelhos específicos, o dia todo e em qualquer lugar. Dependendo da altura do som, essa pode ser uma das causas do tinnitus para as gerações futuras.

Infelizmente, nem dentro do meu local de trabalho na universidade, que deveria proporcionar um mínimo de sossego para trabalhar, o silêncio existe. Obras intermináveis, carros com som ligado, cachorro latindo, buzina de carro, motos voando baixo sem escapamento, estacionamento de supermercado que funciona dentro do campus logo debaixo da janela da sala que ocupo, alunos conversando na sala de aula e obrigando o professor a falar cada vez mais alto chegando a níveis inaceitáveis de esforço das cordas vocais, e por ai vamos.

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Where good ideas come from?

Publicado por: Jose Luis Braga em: domingo, 6 novembro, 2011

Esse livro estava na pilha desde janeiro de 2011, comprei meu exemplar na livraria Waterstone´s, no Jervis Center em Dublin. Estava lá de bobeira, gastando tempo, e livrarias sempre foram um ponto fraco, principalmente quando tenho tempo disponível para folhear os livros com calma. Como já conheço o autor Steven Johnson desde a leitura do livro Emergência, apenas olhei o sumário do livro, me agradou de cara, e comprei logo, certo de que seria mais uma leitura desafiante e que me ajudaria a melhorar minha visão de mundo. O livro foi traduzido para o português, título De onde vêm as boas ideias?, editora Jorge Zahar, 2011 (edição original é de 2010).

22198195 Minha previsão se confirmou. É um livraço, merece ser lido por quem se interessa pelo tema apaixonante da inovação e criatividade. O livro é uma viagem pela história da inovação desde tempos remotos, deixando claros alguns padrões que se repetem no contexto das inovações. Um ponto comum é a existência das redes de conexões que aguçam a criatividade e habilitam sentidos permitindo à mente preparada enxergar o que denominamos acaso, a perceber o momento do flash da criação.  É um processo que pode ser lento, durar boa parte da vida, uma ideia inicial vai se aperfeiçoando aos poucos, até que em um belo momento, ela explode no momento da criação. É antecedido por acumulação de conhecimento, aperfeiçoamento da ideia, melhoria de visão, que exigem perseverança e mente aguçada.

Dois capítulos particularmente me chamaram mais atenção: Serendipity (cap. IV) e Platforms (cap. VII). Serendipidade é o nome em português dado ao acaso na ciência, aplicado por exemplo à descoberta da penicilina por Fleming e vários outros casos fartamente ilustrados na filosofia da ciência. O termo é originado de um conto de fadas Persa, “The three princes of Serendip” that  “were always making discoveries, by accident and sagacity, of things they were not in quest of” (os três principes de Serendip, que estavam sempre fazendo descobertas acidentais e usando sua sagacidade, de coisas que eles não estavam procurando). Para incentivar a criatividade e inovação, são necessárias as plataformas de criação, e nesse capítulo o autor esbanja, deixando a gente com aquela sensação de ignorância em um assunto tão  fundamental. Não dá para discutir tudo aqui, mesmo porque, esses dois capítulos vão ter que ser relidos, certamente vão para alguma aula minha em futuro muito próximo. Muito conhecimento em poucas páginas, exigindo uma navegação por outras leituras para complementação.

Transcrevo uma última parte do último capitulo do livro: “The patterns are simple, but followed together, they make for a whole that is wiser than the sum of its parts. Go for a walk; cultivate hunches; write everything down but keep your folders messy; embrace serendipity; make generative mistakes; take on multiple hobbies; frequent coffeehouses and other liquid networks; follow the links; let others build on your ideas; borrow, recycle, reinvent. Build a tangled bank.”

 Atualização 07/11/2011: palestra do Steven Johnson no TEDTalks sobre  o tema do livro (obrigado Cristina Murta)

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Outubro

Publicado por: Jose Luis Braga em: domingo, 16 outubro, 2011

Breast cancer ribbon

Desde os tempos do ginasial, me lembro do que dizia o prof. Sebastião Lopes de Carvalho, nosso saudoso professor de português e amigo de todo mundo: o mês de outubro é o que mais demora para passar em todo o ano. Desta época em diante, essa ideia nunca me saiu da cabeça, e para dizer a verdade, algumas vezes me parece mesmo que o mês de outubro se arrasta mais que os outros. Explicações existem aos montes, mas sempre baseadas no senso de cada um, na experiência própria. Nova estação do ano, Primavera aqui para nós e Outono no hemisfério norte, mudança para o infernal horário de verão que eu detesto, concentração de provas e exercicios práticos do semestre letivo já nos preparando para o final do ano que chega voando, defesas de dissertações que começam a se acumular para antes do Natal, preparação de artigos para submissão nas chamadas para o próximo ano que já estão começando a pipocar. Estação de chuvas misturando alta umidade do ar com calor, que é uma mistura que deixa todo mundo de miolo mole, corpo ruim porque nossa pressão sanguínea tende a ficar mais baixa. E mais um monte de outras explicações que não fazem muito sentido para uma boa parte das pessoas, claro.

Esse mês de outubro está sendo particularmente intenso para mim. Por exemplo, este blog completou agora em outubro 5 anos de existência, mantendo heroicamente a média de 120 acessos diários, que não cai (ainda bem) mas também não sobe, fica estacionado. Já pensei em largar o blog de lado, mas é antes de tudo uma diversão e um escape que me obriga a vir aqui para a máquina e escrever alguma coisa caprichada que alguém vai ler e vai aproveitar, já tenho alguns leitores fiéis. Claro, sempre ouvindo boa música como nesse momento, ouvindo uma estação de rádio web, puro blues, relaxante. Mantenho a mania antiga de sempre ter um receptor de rádio de muitas faixas, para ouvir principalmente rádios nas ondas curtas, do mundo todo. Também a decisão aposenta ou não está martelando na minha cabeça já tem um tempo, e agora em outubro aumentou a intensidade das marteladas. A aposentadoria vai acontecer em breve, o que está pegando é arrumar alguma atividade produtiva que me interesse e que me consuma parte do enorme tempo disponivel que vai aparecer assim que me aposentar (sugestões ou propostas? fiquem a vontade…). Recebi recentemente de um colega já aposentado, uma estatística curta feita por planos de saúde estadunidenses: quanto mais tarde você se aposenta, mais encurta sua sobrevida após a aposentadoria. Indicando que o desgaste de se manter na ativa aumenta muito quando a idade aumenta, provocando mais problemas de saúde e encurtando a sobrevida. O recado é claro, supondo que a estatística tenha sentido: rapa fora logo.

Ainda outubro é o mês em que ocorre o Dia do Professor, e ai eu me lembro mais uma vez de que sou professor e educador por opção pessoal, e tenho muito orgulho de ter ajudado a formar um monte de gente boa que hoje está no mercado de trabalho. Não apenas meus orientados, mas com muito mais intensidade o grande número de alunos que passam pela minha sala pedindo ajuda, seja em problemas pessoais ou em decisões para o futuro, carreira, casamento,  mestrado, mercado, concursos, etc. Tenho prazer em ajudar, e na verdade não aponto decisão nenhuma, apenas ajudo a pensar no problema, como tem que ser.  Mas, mesmo sabendo que sou valorizado como professor pelo menos por aqueles que passaram pelas minhas aulas, não deixo de sentir também que nosso país não valoriza o professor, infelizmente. Os mais sacrificados são exatamente os que deveriam ser muito valorizados, aqueles que atuam na educação básica e que têm influência enorme na formação do caráter de todos nós. Ganham mal, são desassistidos, lutam como podem e ainda acabam gastando parte do que ganham para fazer a sala de aula funcionar, verdadeiros heróis. Felizmente, temos a proteção de fé da Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, com sua data comemorativa em 12 de outubro, bem do lado do 15 de outubro, dia do Professor.

Também o mês de Outubro é o escolhido como o da luta contra o câncer de mama, que somente pode ser vencido pela conscientização da importância dos exames e da detecção precoce. Já perdemos várias amigas e amigos (homem também pode ter câncer de mama, sabiam?) para o câncer de mama, infelizmente alguns casos são muito fortes e escapam dos recursos da medicina, embora tenham sido detectados precocemente. Mas também temos inúmeros casos de mulheres  que venceram e se recuperaram maravilhosamente bem, os casos de recuperação estão felizmente superando os de perda. Colocando a gente para pensar na fragilidade e no curtissimo tempo nosso aqui na terra. Querendo ou não, a cada dia damos mais um passo adiante e é mais um dia que fica para trás, deixando claro que a vida tem que ser vivida intensamente, dia após dia, e lembrando que sempre é melhor a gente se arrepender de ter feito alguma coisa, do que se arrepender de não ter feito. E eu continuo firme no meu programa que resolvi chamar de PPCN: Programa de Prorrogação da Certidão de Nascimento. Academia, musculação, largar o carro na garagem e andar a pé como eu faço há muitos anos, mudanças na dieta, um jogo de tênis com os amigos quando não há nenhum problema fisico impedindo, boa música, boas leituras, um ou outro capítulo de novela, alguma viagem quando o tempo $$$ permite, e vamos indo.

Mas até que pensando bem, Outubro é mesmo um mês muito intenso. Só de ler o que escrevi, já me deu canseira, e certamente eu me esqueci de alguma coisa importante. Nosso professor Lopes tinha razão…

Nota: figura acima veio do sitio http://www.knowcancer.com/blog/breast-cancer-awareness-month/

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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