zeluisbraga

Estou de volta à ativa, depois de longa ausência. Mais uma viagem longa, proveitosa, descanso e sossegando a mente. Vou contando as estórias aqui, aos poucos para não encher a paciência de vocês. Vou deixar aqui algumas dicas, que vão se confirmando a cada viagem, podem ser valiosas. Viagens de avião, principalmente, são sempre cansativas, tomam muito tempo, e são cheias de oportunidades de algo dar errado. Rotina de aeroporto não é lá essas coisas, todo mundo tenso, com pressa, querendo chegar ou sair do aeroporto.

Nossas saidas de viagem sempre acontecem pelo aeroporto de Confins. Depois da reforma da Copa, que só foi terminada bem depois da Copa, é a primeira vez que voltamos lá para viajar. Muita mudança, todas cosméticas e externas. luggage-1Acesso aos estacionamentos, novos estacionamentos sendo construídos, área externa ampliada, mais locais para alimentação, essa parte melhorou um pouco. Mas, o que afeta mesmo o viajante, que é a área de checkin e esteira de bagagens, continuam sendo uma decepção. O checkin continua sendo aquela beleza de sempre, embolado no saguão, sem muita informação de orientação, nem todos os viajantes são experientes, uma boa parte é de primeira viagem. Isso não mudou nada, e considero um descaso com o que deveria ser o principal foco do serviço dos aeroportos, que são os viajantes ou passageiros, deveriam receber prioridade máxima. E tem jeito de melhorar e muito, os bons exemplos estão pelo mundo afora em bons aeroportos. Ficamos bem impressionados com a mudança que vimos, por exemplo, no aeroporto internacional JFK, em New York, no checkin da American Airlines.

Próximo passo, passar pela Polícia Federal, checagem de passaportes, e passar para o salão de espera para o embarque. Outra decepção, o salão internacional continua também a mesma coisa, pequeno, apertado, pouco conforto para quem vai ficar ali umas duas horas esperando a chamada de embarque para o vôo. Na volta, acontece o pior: o espaço onde ficam as esteiras de bagagem dos vôos internacionais é uma vergonha, continua a mesma coisa desde que Confins foi construído. Pequeno, lotado de gente que desce de cada vôo, a esteira é estreita e curta, e uma só para atender a todos os vôos internacionais. Um ou mais funcionários da Infraero tem que ficar tirando malas da esteira, deixando acumular em uma pequena área, para dar vazão ao monte de bagagens que circulam por ali. Maior parte dos viajantes está estressado, depois de várias horas dentro de avião, mudando de aeroporto e de vôo, o que todo mundo quer é sair logo dali e ir embora para casa, tomar um banho, e recuperar as forças. Próximo passo, passar pela fiscalização alfandegária que também tem pouco espaço em Confins, alguns passageiros são escolhidos (aleatoriamente?) para inspeção mais rigorosa. Mas não há estrutura para uma checagem mais bem feita, a maioria casca fora sem problema algum com a fiscalização.

Uma dica interessante é deixar para fazer conexões em aeroportos fora do Brasil. Por exemplo, quando vamos para os EUA, saimos de Confins direto para Miami, e lá fazemos imigração, pegamos a bagagem, passamos no controle alfandegário, fazemos o reenvio das mesmas, e embarcamos novamente em conexão para o destino final dentro dos EUA. Funciona muito bem, o aeroporto de Miami é muito bom, espaçoso, as coisas funcionam, as esteiras são enormes e tem um monte delas, muita eficiência, muita fiscalização e funcionários para ajudarem pelo menos em ingês e espanhol. Também a fila para passar na imigração anda rápido, não agarra. E as informações para direcionar os passageiros estão bem visíveis e em grande quantidade, não tem como errar, basta seguir o fluxo.  Depois  disto, ficar lá no aeroporto esperando  a conexão é até agradável, dentro do possivel. Muito conforto, muita coisa para ver, cafés, restaurantes, wifi, o tempo passa rápido.

Mas, porque essa dica maluca? As conexões nos aeroportos brasileiros, pelo menos os que conhecemos, Guarulhos, Galeão e Confins, são muito desconfortáveis. Falta informação, a gente fica perdido e tem que ficar perguntando a um ou outro, mesmo assim para não receber a informação adequada. E tem muita improvisação, por exemplo a fila para embarque em vôo internacional no Galeão era no meio do saguão de checkin internacional, uma muvuca total. E na volta é o caos, desembarcar do vôo internacional num desses aeroportos, passar na PF, pegar as malas, passar no controle de alfândega e reembarcar é infernal. A informação para reembarque não existe, tem que ficar perguntando, de repente aparece uma fila enorme com um ou dois atendentes, leva um tempão para esvaziar a fila, e todo mundo cansado, preocupado com o tempo para reembarcar que vai se esgotando,  e puto da vida com a demora e aparente descaso de quem está do lado de dentro do balcão. Aliás, isso é uma constante por aqui: quem está do lado de dentro do balcão das companhias é o rei do pedaço, e dane-se quem está na fila. Conversam, riem, tranquilos, e você está lá querendo ser atendido logo, reembarcar ou embarcar o mais rápido possivel, sumir com as malas e ir para a sala de espera. Essa empatia entre o funcionário e o passageiro não existe, nunca vi acontecer.

Terminando a dica, na volta ao Brasil, pegamos o vôo internacional no JFK em New York, por exemplo, embarcamos as malas e entramos no vôo internacional, fazendo mudança de vôo em Miami mas sem pegar as malas, só com a bagagem de mão e sem necessidade, portanto, de reembarcar. O destino final é Confins, e só lá é que vamos pegar as malas e cascar fora do aeroporto. A dica final: procure sempre embarcar direto para um destino fora do Brasil, e faça suas conexões por lá, na ida e na volta.  Como disse, viagens são cansativas, caras, a maioria dos passageiros faz algum sacrifício para pagar as passagens e juntar uma graninha para comprar uns dólares ou euros e poder dar uma volta lá fora. Será que não merecemos respeito? Sempre que viajamos, voltamos com a impressão de que, nos nossos  aeroportos, o passageiro é a peça menos importante. O aeroporto e seu funcionamento ficam mais importantes que seu objetivo, que são os passageiros.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG)

Caros leitores do blog, estou em férias, sem condições de escrever seja lá o que for. Apenas com tablet de 8.3 polegadas, escrever uma postagem decente nele é um sacrifício. E sim, aposentado precisa de férias para sair do ambiente, da rotina, ler mais livros, pensar em assuntos novos, traçar novos rumos. É isso que estou fazendo no momento. Volto logo, em dezembro, boas dicas de livros e viagens. Aguardem!
(Escrito por zeluisbraga, Boston, Massachussets)

Recebi mensagem do WordPress no dia 8 de outubro, aniversário do blog. E eu que me lembro todos os anos, acabei me esquecendo desta vez, deve ter sido por causa das eleições presidenciais que estão me preocupando demais, SQN! Inaugurei este blog em outubro de 2006, já estamos com oito anos no trecho e na vida de blogueiro. Os números: 332 postagens, 2 páginas, 279.992 page views, 1469 comentários. As postagens campeãs de acessos: Cálculo renal de novo; Engenheiros de software: carreira e salários em altaEmprestar e seus usos errados. No aplicativo WordPress que uso no tablet Android, consigo ver uma estatística de visitantes por países de origem: Brasil, EUA, Cabo Verde, Moçambique, Espanha, Canadá, Inglaterra, França são os países de onde recebo acessos. Imagino que a disponibilidade de ferramentas como o Google Tradutor, o tradutor do Bing e outros, ajudou demais nessa internacionalização do blog. Mas, como não sei quem são os leitores, é muito possivel que sejam ex-alunos meus, ou alunos que estejam fora do país no Ciência sem Fronteiras. E leitores de Cabo Verde e Moçambique não precisam tradução, evidentemente. O blog é eclético, os temas são muito variados e as escolhas de artigos pelos leitores são surpreendentes. Por exemplo a postagem sobre cálculos renais, que são meus companheiros inseparáveis, recebe muitos acessos todos os dias, parece que se transformou em um artigo de apoio com informações interessantes para quem é da turma dos sofredores com cálculos renais. Mais de 200 comentários, pessoas aflitas que acabam achando algum conforto e informação, e links para informação de boa qualidade.

Tem sido um desafio muito interessante esse tempo todo, e que espero manter por muito tempo ainda. Desenvolver habilidade de escrever para um público anônimo e desconhecido em sua maior parte é um enorme desafio. A princípio o fato de ser professor e de estar acostumado a escrever textos técnicos e científicos não ajuda muito, ou não ajuda nada. Aqui no blog tenho que produzir uma postagem sobre um tema de interesse, que não pode ser longa demais para não cansar o leitor, tem que ter informação de qualidade, bons links que ajudem o leitor interessado na trilha do assunto em outras páginas e sítios, e com uma linguagem apropriada e acessível a todos. Procuro usar frases curtas como na escrita científica, tentando não produzir textos intragáveis como os de cunho científico. Minha meta sempre é atingir o máximo de leitores, agradando a pelo menos 70% de quem vem visitar o blog. Eu me preocupo tanto com a qualidade do que escrevo, que já estudei um pouco de estilos e gêneros de escrita adequados para o blog, e a crônica parece que é bem adequado para algumas postagens. Também procuro ler livros sobre autores e suas motivações para escrever, recomendo o excelente Ofício da Palavra, uma coletânea organizada por José Eduardo Gonçalves, publicado pelo Grupo Autêntica. E faço parte de alguns grupos de escritores amadores no GooglePlus, há vários muito bons. Não espalhem, mas de certa forma estou me preparando para escrever algum livro em breve, talvez até uma coletânea de artigos daqui do blog para começar a carreira de escritor.

Como é que escolho os assuntos para abordar aqui? Não tenho uma receita, é muito aleatório. Vai um pouco da minha disposição de escrever sobre determinados assuntos, e da minha percepção diária do que leio, vejo ou escuto. Indispensável, sempre, é minha caderneta inseparável (não é um caríssimo Moleskine, mas é parecido e resolve do mesmo jeito), onde vou anotando tudo o que me interessa, principalmente em viagens. Referências de livros, observações sobre lugares, e qualquer tipo de anotação pode se transformar em uma postagem no blog. O passo seguinte é vir aqui no WordPress e abrir uma postagem rascunho (draft), que vai sendo montada aos poucos, links vão sendo adicionados, até que tenha material suficiente para postar. Aí é só questão de colocar o texto em ordem, acertar a linguagem, arrumar uma imagem ilustrativa que possa ser usada, e temos uma postagem. Calculo umas 10 horas em média por postagem, desde o momento em que tenho a ideia até o instante em que clico no botão Publish aqui do lado. E não deixo somente um rascunho aqui, deixo vários, por exemplo nesse momento, tenho 20 drafts na fila, nem todos vão ser publicados, vou selecionando e publicando, e alguns eu simplesmente apago.

O blog tem uma linha editorial  que procuro seguir sempre. Por exemplo, postagens sobre assuntos políticos, nem pensar, não faço por nada. Esses temas são complicados demais, subjetivos,  tem que ter conhecimento em fundamentos de Ciência Política, e isso eu não tenho (ainda, estou me preparando). Os temas que seriam mais fáceis para mim, Engenharia de Software e seus desdobramentos, eu evito porque isso está nos bons livros disponíveis. Para escrever sobre eles aqui, só mesmo se for para expor uma outra visão do assunto, ou para contar experiências próprias, ou para explorar relações entre assuntos diferentes. Eu considero que os melhores assuntos estão nas relações entre temas e áreas diferentes. Mas tem que saber enxergar essas oportunidades e, mais ainda, tem que ter conhecimento para escrever sobre elas.

Um ponto negativo dos blogs, é que as postagens são sempre organizadas sequencialmente. Depois de algum tempo, como no meu caso com 332 postagens, como é que um leitor novo vai acompanhar alguma trilha de seu interesse aqui no blog? Fácil, o WordPress fornece a nuvem de tags, que aparece do lado direito da página inicial. Basta clicar numa das tags de interesse, e as postagens relacionadas vão aparecer (sequencialmente). Dai a importância enorme de classificar cada postagem adequadamente, facilitando seu acesso.  Obrigado a todos pelas visitas ao blog, e principalmente por terem conseguido ler até esse ponto!

(postagem sugerida pelo Gabriel Gazolla. Obrigado!)

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG)

Na tentativa de melhorar o andamento das disciplinas de Engenharia de Software, tanto na graduação quanto na pós-graduação, testei em sala de aula algumas técnicas já conhecidas, como já relatei aqui. Uma foi o PBL – Problem Based Learning, que é uma forma de aprendizado ativo,  já consagrada em outras áreas, e que sabidamente dá bom resultados. Implementei o que consegui sozinho, apliquei na sala de aula, e embora eu não tenha medido estatisticamente, senti uma melhora no interesse e no desempenho dos alunos, até de alguns daqueles que gostam de ficar no fundo da sala conversando e mexendo no smarthphone o tempo todo.

network-connected

Image from langwitches.org

Seguindo na linha, resolvi testar também outras técnicas de aprendizado ativo, usando mídias sociais e colaboração na sala de aula. A ideia é a de que as redes, depois de formadas, passam a ter vida própria, e os próprios alunos resolvem os problemas entre eles, colaborativamente, sem necessidade de recorrer ao instrutor ou professor, que muda de função. Nas redes não existem hierarquias, elas são planas, estruturas adequadas para colaboração. Um aluno orientado de mestrado, o Leonardo Fonseca de Carvalho, estava desenvolvendo a dissertação dele neste tema, na área de pesquisa em Educação, com o título Redes sociais no suporte ao ensino de Engenharia de Software. Vínhamos trabalhando no tema há mais tempo, começamos o projeto com a rede Ning, que já conheciamos e tem os recursos necessários para esse tipo de trabalho. O ambiente para teste estava quase pronto para uso, quando o Ning deixou de ser rede de uso gratuito, e passou a ser cobrado, e caro. A menos que eu colocasse o meu suado e escasso salário na reta, não tivemos outra alternativa senão mudar a plataforma, e passamos para o Elgg, pouco conhecida na época, deu um mais trabalho customizar, significou um pequeno atraso no projeto.

Isso resolvido, servidor LES – Laboratório de Engenharia de Software setado e funcionando em rede (não existe mais, com minha aposentadoria, aposentei também o LES e doei o servidor para outro colega novato no DPI), Elgg no ar e funcionando, escolhemos uma disciplina da pós-graduação lato-sensu do DPI, lecionada por mim e pelo Bruno Satler na primeira turma, e mais a Liziane S. Soares na segunda turma,   para testar o ambiente em sala de aula. A característica interessante das turmas selecionadas, é a de que todos trabalhavam o dia todo, só tinham tempo à noite e em finais de semana para desenvolver os projetos de disciplinas, e todos estavam geograficamente espalhados em cidades próximas a Viçosa, alguns na mesma cidade. Era exatamente uma turma-amostra ideal para testar, pois se todos morassem na mesma cidade, talvez diminuisse a necessidade de usarem o ambiente com o Elgg, seria mais fácil se reunirem pessoalmente.

Deixamos disponiveis ferramentas de blog para os trabalhos  da disciplina que exigissem desenvolvimento de temas, cada aluno tinha um blog, que deveria estar com os temas prontos nas datas estabelecidas, e os demais deveriam comentar nos blogs dos outros, construtivamente. Isso ajudou a criar um ambiente de confiança e a estabelecer a colaboração entre os grupos. Deixamos também disponivel uma ferramenta de Wiki, com controle de versões, para desenvolvimento colaborativo dos projetos, e desenvolvemos recursos para exibir a participação dos alunos nos trabalhos dos grupos, permitindo acompanhamento remoto. Outros dois orientados de mestrado, o Jailton Coelho e  a Simone D. Costa, que ajudaram na customização do ambiente Elgg, implementaram um sistema de reputação que permitisse avaliar as participações de cada um, baseada nas opiniões e notas dos próprios colegas, semelhante ao que é usado na Wikipedia e no sitio Digg.  Sem o sistema de reputação, fica muito dificil avaliar a participação de cada um, passa a ser apenas quantitativa, e no caso, tem que ser qualitativa, não adianta nada ficar dando opinião vazia no trabalho dos colegas.

Na disciplina do lato-sensu que citei acima, o resultado foi muito bom. Conseguimos a proeza de, terminada a disciplina, todos os trabalhos estarem prontos no LES, praticamente já avaliadas e com as notas finais lançadas. Houve um ou outro pequeno atraso, resolvido na semana seguinte. Só isso já foi um ganho muito grande, pois é um dos problemas desse tipo de curso, os alunos não têm tempo para se dedicar demais, acaba uma disciplina e começa outra na semana seguinte, e as pendências de trabalhos permanecem até o final do curso, dá uma trabalheira acertar tudo, prejudicando a avaliação. Pedimos aos alunos para avaliarem a condução da disciplina, e também foi muito positivo, facilitou demais o trabalho deles, e os mais colaborativos e com melhor bagagem de conhecimento se sobressairam logo, com casos de membros de um grupo ajudarem em outros grupos, o que não tem problema algum, essa é a ideia, colaboração sem restrição.

Testamos o ambiente também em uma disciplina do mestrado, mas os resultados não foram tão bons. Motivo principal foi estarem todos os alunos disponiveis localmente, o que incentiva as reuniões físicas dos grupos de trabalho. Tivemos que mudar um pouco a condução da disciplina, e o LES foi usado apenas para registro e documentação, com mais ênfase no uso dos blogs para desenvolvimento de temas de leituras e resenhas. A dissertação do Leonardo Carvalho está disponível publicamente, via a página da Pós-Graduação do DPI. Basta entrar em Dissertações e Teses, ela é a dissertação 64 do PPGCC, defendida em 2012. Espero que a experiência, mesmo sendo contada aqui com poucos detalhes, sirva para os professores mais curiosos em práticas de ensino. Vale a pena testar novas práticas e técnicas, levar para a sala de aula, só trazem benefício. O que não dá mais é ficar com transparências velhas, usando retroprojetor em aulas de cuspe-e-giz, calor na sala, todo mundo meio sonolento, ninguém aguenta!

Comentário do ZéRaivoso: para alguns colegas, tanto da Educação quanto da Engenharia de Software, essas experiências não valem nada ou valem muito pouco. Porque eu não medi nada, não posso generalizar nada, e isso serve apenas como evidência fraca, um “causo curioso” não publicável em congressos e journals sérios da área. Acho uma pena, porque é das experiências isoladas que o conhecimento abstrato vai se formando bottom-up, caso a caso. Por causa disto, muita coisa boa se perde mundo afora. Uma pena!

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG)

Fui aplicar minha solução caseira para salvar mais um par de tênis da destruição precoce, e me lembrei de que poderia colocar a dica aqui no blog. Afinal, pelo que converso com as pessoas, quase todo mundo tem o mesmo problema com calçados esportivos. Já repararam que os tênis costumam ter um desgaste muito grande no contraforte, parte interna, que apóia o calcanhar e nas laterais próximas dele? os tênis acabam ficando inúteis e impossíveis de usar depois de pouco tempo, machucam muito, e têm que ser substituídos ainda sem desgaste, com amortecimento e sola quase intactos.

IMG_20140914_113759Inicialmente eu achava que era apenas questão de qualidade do material, afinal como professor universitário brasileiro, eu não tinha tanta grana assim para comprar os tênis top de linha, que possivelmente não iam desgastar tanto. Mas era engano meu, acontece com tênis de qualquer nível de preço, até com meus Asics Nimbus que eu achava imunes. Botei a cabeça prá funcionar, e achei uma primeira solução simples. Usava couro sintético, cortava um círculo pequeno, e colava no local de desgaste ao primeiro sinal de que a coisa ia piorar. Colava usando cola de sapateiro mesmo, destas em bisnagas, e a coisa funcionava. A cola não tem lá essas qualidades, com pouco tempo e suor, o remendo soltava e precisava de manutenção.

Mais adiante, refinei a solução, e passei a usar a famosa Silver Tape (ou Duct Tape), lançadas originalmente pela 3M e que são usadas no mundo todo para consertar qualquer coisa, desde prancha de surf  até mangueiras de refrigeração de motor de carro. Existem várias marcas no mercado, algumas não aguentaram essa minha solução, passei a usar somente as da 3M, custam mais caro mas resolvem muito bem, e elas têm um reforço de fios de nylon na própria fita, muito mais resistentes. Vejam na foto que ilustra a postagem, um exemplo de solução que acabei de aplicar no meu tênis seminovo. Corto um círculo de tamanho adequado, e colo em cima da parte onde o desgaste está começando. E funciona redondo, não descola, apenas recomento cuidado quando forem calçar o tênis, para evitar que o remendo agarre na meia e comece a desgastar.

Simples, barato, funciona, eu mais que comprovei a solução, usada em  todos os meus pares de tênis. Com raros eu não tive que fazer isso, mas na verdade só me lembro de um Reebok que eu usava para jogar tênis, que nunca apresentou esse problema. Será que essa postagem vai desagradar aos fabricantes de tênis? Talvez o problema seja conhecido e intencional, para provocar novas compras em pouco tempo. Será?

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG)

Em lógica proposicional, uma sentença com o formato (p ^ ~p), leia-se “(p e (não p)), representa uma contradição: uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo. Ou seja, a sentença do português “(eu estou vivo) e (eu não estou vivo)”  é contraditória, será sempre falsa. Sistemas que têm contradições embutidas são inconsistentes, e sistemas inconsistentes não são confiáveis a princípio, são capazes de gerar besteiras a qualquer momento. Claro que lógica matemática é uma coisa, e mundo real é outra coisa bem diferente. Não dá simplesmente para trazer a lógica para o mundo real e achar que este último vai ser governado pela lógica, sempre. A ambiguidade da nossa linguagem favorece o aparecimento de inconsistências, e estamos preparados para lidar com elas.  Mas, algumas propriedades lógicas são desejáveis no mundo real, e consistência é a principal. 

Um presidente vem e privatiza um monte de estatal, dizem que vendeu o Brasil. Depois vem o governo seguinte, privatiza aeroportos e estradas, mas isso segundo eles não é privatização, isso é outra coisa. Nossa maior empresa estatal tem dívidas, quedas na bolsa, decisões desastradas e inexplicadas, embora produza muito. Mas, segundo o governo, não é nada disso, é a nossa mania de olhar sempre o lado negativo das coisas. Dizem que aumentaram o tamanho da classe média brasileira, mas eles mesmos definem o que é classe média e a faixa de salário da mesma, aí é muito fácil. Transposição do rio São Francisco vai continuar, para levar água a regiões secas do nordeste.  Mas ignoram os efeitos sistêmicos que qualquer mudança em vazão possa trazer ao ecosistema natural do rio, exemplos não faltam, o rio Colorado nos EUA é o mais visível. Nosso PIB abaixo de 1% perdendo feio para os países menos desenvolvidos do mundo, mas dizem que não é bem assim, que está tudo muito bem e sob controle. Só que o desemprego está aumentando, a indústria parou de investir no país, 2015 vai ser um ano duro. Seguraram o aumento da energia elétrica para não ter impacto na inflação, fizeram intervenção em um setor que era altamente regulado pelas regras da economia, os investimentos privados foram paralisados, por falta de confiança nas regras do setor. Um candidato construiu aeroporto na fazenda do titio, mas diz que não foi bem assim, que foi para melhorar a região, mas não explica porque escolheu exatamente aquela região sendo que o estado tem várias outras melhores e mais merecedoras de um aeroporto regional. Um candidato diz na TV que se for eleito, vai re-estatizar tudo o que foi privatizado, e vai usar os recursos gerados para financiar o crescimento do país. Mas não falou de onde vai sair o dinheiro para re-estatizar tudo. Dizem que a inflação está sob controle, mas de fato não está tanto assim, basta ir ao supermercado mensalmente para constatar que ela está batendo no bolso de todo mundo, ou então acompanhar pela variação de preços de barbeador descartável, passou de barato a carissimo em muito pouco tempo. Roubos e assaltos nas ruas de todas as nossas cidades se transformaram em rotina, já fazem parte do cotidiano e ninguém presta muita atenção neles. Mas, dizem que a culpa é da sociedade, dos anúncios na TV que induzem aos roubos. Malandros presos falam descaradamente na TV que vão para a cadeia para um descanso, comer de graça, que em breve vão estar soltos fazendo tudo de novo, mesmo sendo culpados de estupros e outras desgraças. O infeliz que pega o volante de um carro, completamente bêbado, atropela e mata um monte de gente, é acusado de homicidio culposo (sem intenção de matar), crime leve, porque a lei faculta o teste do bafômetro e no final não se consegue provar quase nada. Falta água nas grandes cidades, nove estados estão sendo afetados, e nenhum administrador de nenhum dos estados tinha pensado que isso poderia ocorrer. Claro, a culpa é do clima maluco, mas o desperdício pelas tubulações que jogam água fora, pelo mau uso feito pela população, piscinas residenciais, lava rápido para manter os carros limpos, banhos nos bichos de estimação, etc., poderia ser melhorada com ação de conscientização promovida pelos governos em todos os níveis, e talvez pela cobrança pesada pela água consumida. O governo participa da aliança de anêmicos econômicos do Mercosul, mas o poder de compra e o dinheiro está todo no hemisfério Norte. O maior grupo educacional privado do mundo, o grupo Kroton, é brasileiro e tem 1.500.000 alunos, mas a esmagadora maioria dos jovens e das famílias não consegue pagar pelo ensino privado nem usando o FIES. O famigerado Mensalão foi julgado pelo STF e envolvidos foram condenados, mas falam que ele não aconteceu de jeito nenhum. Temos trinta e nove ministérios, maioria criado para atender a alianças políticas, e raros deles prestam um serviço decente, mas todos consomem muitos recursos escassos que poderiam ser mais bem empregados.   Uma candidata a presidente fala que sua oponente recém-entrada na disputa por um capricho do destino não tem condições de governar o país porque não tem experiência; mas ela, que tem experiência, provocou esse desastre a que estamos assistindo. Cada governo que aparece muda tudo o que anterior fez, não aproveita nada de nada, veste uma roupa nova nos programas que acha conveniente manter, que mudam de nome e passam a ser programas do novo governo, sem que reconheçam a relação com o anterior, porque pega mal reconhecer o valor de presidentes de outros partidos, são inimigos. Trocam toda a assessoria política e técnica do governo anterior, e começamos tudo de novo. Ou seja, estamos sempre começando, sempre em terreno pantanoso, sem garantia de nada. Nosso parlamento (câmara e senado) que deveria ser a garantia de continuidade, de cobrança de ações coordenadas e de execução de planos estratégicos de longo prazo, não consegue se organizar e passou a ser palco de gozação e de incompetência generalizada, corrupção, com raras exceções. Ninguém acredita neles. Candidatos estão tentando fazer campanha criticando os governos passados ou o atual, mas não apresentam nenhum plano razoável para melhorar as coisas. Nem para a área de educação em qualquer nível, estratégica para que o país avance em produtividade!

Ufa, cansei de escrever, e ainda falta muito. A intenção aqui foi apenas fazer um descarrego e um desabafo em cima das enormes contradições que nos cercam, constatando o que todo mundo já sabe: o discurso político é inconsistente. E as eleições presidenciais estão logo ali, será que alguma coisa vai mudar? Algum candidato tem uma proposta decente, viável, de melhoria para o país? E os governadores e prefeitos, têm algo a dizer? E já perdemos a Copa, e agora?

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG)

No início, tudo é novidade, todo mundo quer adotar novidades achando que são milagrosas, e tudo vai indo meio na mágica, dando a impressão de que houve um pulo do inferno ao paraíso, como se isso fosse possível sem passar pelos estágios intermediários. Até que a poeira baixe, os conceitos são mais bem entendidos, e se comece a perceber as falhas de entendimento e de concepção, e ai é o corre-corre para corrigir o que puder ser corrigido.

downloadFoi assim com os métodos Ágeis, quando chegaram ao mercado por aqui. Há vários casos de adoção errada, um deles contado por um dos lançadores da eXtreme Programming (Kent Beck?): estava numa conferência, auditório cheio, sentou-se ao lado de um rapaz interessadissimo nas palestras sobre agilidade, e lá pelas tantas, o rapaz disse a ele que na empresa dele, tinham causado uma revolução total, tinham adotado métodos Ágeis completamente, e tinham melhorado demais a produtividade da equipe. Ele, curioso para conhecer mais um caso, perguntou o que de fato tinha feito tanta diferença assim, e o rapaz disse que não faziam mais documentação nenhuma, tinham eliminado  as enormes perdas de tempo com documentação, e agora o trabalho deles estava muito mais “ágil”! E por aqui também tivemos um caso semelhante em uma microempresa, adotaram o mesmo princípio e caíram no mesmo erro e ainda saíram criticando a Engenharia de Software “tradicional” e pesada, falando isso publicamente. Um belo dia, me encontrei com um colaborador recém-contratado dessa empresa, que me disse que ele tinha sido contratado para fazer toda a documentação do software que tinha sido produzido sem documentação, porque ninguém conseguia dar manutenção no mesmo, a equipe original já tinha se dispersado. O preço do erro foi muito alto, quase quebrou a empresa. Fácil de prever, não?  A lição que fica desses causos e de vários outros, é que antes de mais nada, tudo deve ser muito bem entendido para não entrar em roubada e ir pelo caminho errado.

Mas não é que recentemente, topei novamente com uma furada de conceito sem tamanho, relacionada com a ideia de Escopo Aberto? Uma furada grave, que estava literalmente jogando uma microempresa num buraco sem tamanho. No Manifesto Ágil, um dos preceitos é “Aceitar mudanças de requisitos, mesmo no fim do desenvolvimento. Processos ágeis se adequam a mudanças, para que o cliente possa tirar vantagens competitivas.” Tomado ao pé da letra, e adotado sem entender direito o que significa, e quais seus impactos no desenvolvimento de software, esse preceito levou empresas a aceitarem mudanças de requisitos sempre, em qualquer circunstância, mesmo que essas mudanças levassem a mudanças no Escopo do projeto! E é ai onde mora o perigo! Aceitar mudanças, no contexto ágil, não significa sair mudando tudo a qualquer momento, sem uma análise prévia. E muito menos ficar aceitando mudança no escopo, o que pode significar um projeto sem fim! O correto é ter uma regra clara e informada ao cliente no início do projeto: mudanças de requisitos serão inicialmente acatadas, mas passarão por um processo de Solicitação de Mudança, serão conduzidas análises de viabilidade técnica e financeira, de impactos na estrutura do projeto, de impacto no Escopo original, e uma avaliação de custo e prazo da alteração será feita cuidadosamente. Dai em diante, deve acontecer uma fase de negociação com o cliente, e tudo depende do contexto em que cada empresa está inserida. Por exemplo, alterações simples e de pouco impacto no custo e no cronograma, podem ser aceitas e implementadas sem problemas. Já alterações maiores, com grande impacto em custo e cronograma, não podem ser aceitas imediatamente, pois envolvem custos para a empresa, impactos em outros requisitos que a análise da cadeia de dependências funcionais e de rastreabilidade entre requisitos vai indicar. Mais grave ainda, se envolverem mudanças no Escopo original do projeto. O risco enorme está nesses casos, que se não forem bem entendidos e bem negociados, podem levar a empresa para o buraco. Não é possivel sobreviver em um ambiente tão maluco assim, não há cronograma ou planejamento que resistam.

Empresas com algum nível de maturidade de mercado, que adotem pelo menos boas práticas para o desenvolvimento de software, certamente seguem algum processo organizado para desenvolvimento, um conjunto básico de artefatos a serem produzidos, talvez um processo ágil de gerência de desenvolvimento baseado em Scrum (por exemplo), e gerenciam requisitos adequadamente. Esse é o meu desafio atual: levar boas práticas customizadas especificamente para microempresas desenvolvedoras de software, cada caso exigindo uma customização única, sem padrões fixos.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG)

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