1808

Sexta-Feira, 30 Outubro, 2009 Jose Luis Braga Deixe um comentário
1808

1808

Terminei de ler o livro 1808, escrito pelo jornalista Laurentino Gomes. Uma viagem com a família real, desde a escapada de Portugal em 1807 e a volta para lá em 1821. O contexto histórico recuperado com muito cuidado, muita pesquisa histórica, um monte de leituras  para conseguir passar ao leitor um modelo da época o mais próximo possivel da realidade.

Interessante é que a imagem que fica na nossa cabeça desde criança, quando a gente estuda História do Brasil pela primeira vez e toma conhecimento da vinda da família real Portuguesa, é a do brilho das cortes, o glamour, bailes, festas, conversas de alcova, pessoas bonitas e bem vestidas. Logo de inicio essa imagem é destruida, pelo relato da viagem com um nivel riquissimo de detalhes. A vida a bordo dos navios da frota real é narrada com muito realismo, foi um enorme sofrimento para todos, principalmente para as mulheres. Banho? nem pensar, comida de vez em quando, água para beber racionada, dormindo ao relento, sol escaldante, roupas completamente inadequadas para o clima tropical, doenças de pele, escorbuto.

Leitura fácil, capitulos curtos,  muito interessante, prende o interesse em todos os capítulos. Apesar de o livro ter luz própria e dispensar mais recomendações, recomendo fortemente aos leitores do blog. Muda nossa visão de Brasil, da nossa origem como povo, da mistura de culturas, a gente passa a entender tudo um pouco melhor. E dá vontade de ler muito mais sobre tudo isso.

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Dia do professor

Domingo, 18 Outubro, 2009 Jose Luis Braga 11 comentários
Professor

Professor

Mais um Dia do Professor se passa, e mais uma vez sinto a sensação de que nós, professores, temos um baixo reconhecimento de nosso trabalho  pela sociedade. Nas universidades federais, pior ainda porque o feriado do 15 de outubro nem existe mais, foi transferido para o dia 28 de outubro,  o Dia do Funcionário Público,  que por sua vez, também sumiu do mapa. Uma ou outra mensagem de parabéns pelo dia do professor aparece nos emails ou impressas, a maioria delas chavões repetidos a cada ano, mais por obrigação do que propriamente por valorização da  profissão que abraçamos.

Claro, os feriados não importam em nada, são apenas datas comemorativas, e nós estamos lotados delas. Estou me referindo aqui ao reconhecimento da importância do papel social desempenhado pelo professor de modo geral. Acho mesmo que é muito fraco o reconhecimento do papel fundamental da educação para a sociedade, logo a educação que é a única variável que trabalhada isoladamente, consegue em médio tempo promover inclusão social, melhoria de renda, melhoria de percepção, consciência, etc. Mas, até nosso presidente da república faz muita questão de ser enfático em afirmar que nunca precisou estudar para chegar à presidência, o que é tomado como bom exemplo a ser seguido.

Já me senti muito valorizado por ser professor. Mas não foi aqui, foi no ano que passei nos EUA na University of Florida, em estágio de pós-doutoramento. A percepção da importância do papel desempenhado pelo professor por lá é fantástica. Na lista das profissões mais respeitadas naquela época, Professor só era superada pela carreira de Policial. As carreiras mais tradicionais vão lá para o final da fila, uma surpresa. Procurei uma atualização daquela lista, não consegui mais achar. Mas, na busca, achei uma entrevista da Michelle Obama sobre a importância do papel do professor na formação das novas gerações de estadunidenses, que merece ser lida aqui.

Uma parte do artigo eu faço questão de transcrever, desculpem, vai em inglês mesmo, usem os tradutores da internet: We all remember the impact a special teacher had on us—a teacher who refused to let us fall through the cracks; who pushed us and believed in us when we doubted ourselves; who sparked in us a lifelong curiosity and passion for learning. Decades later, we remember the way they made us feel and the things they inspired us to do—how they challenged us and changed our lives. So it’s not surprising that studies show that the single most important factor affecting students’ achievement is the caliber of their teachers. And when we think about the qualities that make an outstanding teacher—boundless energy and endless patience; vision and a sense of purpose; the creativity to help us see the world in a different way; commitment to helping us discover and fulfill our potential—we realize: These are also the qualities of a great leader.

Claro, há enorme diferenças de cultura entre nós, nem de longe está passando pela minha cabeça elogiar a sociedade de lá, e achar que ela é modelo para nós. Nada disso, temos nossa própria cultura muito mais rica e que, aos poucos, vai sendo respeitada e admirada pelo resto do mundo. Meu ponto aqui é somente com relação ao reconhecimento da importância do papel do professor na nossa sociedade e cultura, e essa postagem vai mais como um desabafo muito forte. Ia me esquecendo, na sala de aula onde ensino engenharia de software esse semestre, a sala 358 do Pavilhão de Aulas A, está escrito a canivete no tampo da mesa: Todo professor é filho da puta! É mole?

Deixo aqui minha homenagem ao querido amigo, colega e parceiro de pesquisas Marcelo José Vilela, professor do Departamento de Biologia Animal da UFV, pesquisador incansável da Patologia do Câncer. Falecido na sexta, dia 16 de outubro de 2009, ironicamente vitima de um câncer devastador no pâncreas.

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Olímpiadas 2016

Domingo, 11 Outubro, 2009 Jose Luis Braga 5 comentários
Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

Foi a notícia do ano: o Rio de Janeiro foi a cidade selecionada pelo Comitê Olímpico para sediar as Olimpíadas de 2016. E ai vem a enxurrada de gente elogiando a decisão, e vem outra enxurrada maior criticando de todas as formas possíveis, alguns argumentos até aceitáveis, mas também com argumentos que parecem extraidos  diretamente de uma das luas de Saturno…

De minha parte, fiquei muitissimo orgulhoso pela escolha. Mais uma vez, os olhos do mundo se dirigem para o Brasil, e temos mais uma enorme oportunidade de manter esses olhares aqui por muito mais tempo. O mundo envelheceu, modelos de desenvolvimento foram testados e jogados no lixo, fórmulas econômicas se provaram erradissimas e completamente inadequadas para o século XXI, os problemas hoje exigem visão sistêmica, cooperação, colaboração e principalmente, inclusão para serem resolvidos. E nós aqui no nosso canto, mesmo com todos os problemas de que ainda padecemos, estamos chamando atenção, e muita, sendo considerados um novo modelo de desenvolvimento.

O Rio de Janeiro tem problemas? tem favelas? tem bandidagem? tem tudo isso sim, mas será que Chicago não tem? e Tóquio? e Madri? moçada, vamos analisar friamente… os problemas nas outras cidades são até muito piores que os nossos. Chicago não ficou famosa pelo gangsterismo no século passado? Qual é a grande diferença? só porque os bandidos de lá falavam ingles e usavam terno de risca de giz e chapéu, tomavam uisque “nacional”, frequentavam boates com mulheres lindas e sensuais eles são menos bandidos? Será que eles não têm problemas com o trânsito? podem apostar que têm sim, e muito mais complicados que os nossos.

Vamos lá, vamos deixar o pessimismo de lado, a escolha do Rio como a cidade sede das Olimpiadas 2016 vai fazer muito bem à nossa baixa auto-estima. A oportunidade tem que ser muito bem aproveitada, emoção nacional, vamos nos orgulhar! Um pouco de patriotismo não vai fazer mal… (nada de nacionalismo, isso é outra estória…)

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Netflix Prize, o desafio

Quarta-feira, 30 Setembro, 2009 Jose Luis Braga 3 comentários
Netflix

Netflix

Em outubro de 2006 a Netflix, enorme locadora de vídeo que funciona via internet, lançou o Prêmio Netflix, que agitou a comunidade de computação do mundo todo. Concurso aberto a partir de outubro de 2006 indo até no máximo outubro de 2011, ou até algum grupo ganhar a parada, dirigido a todo e qualquer participante ou grupos, com restrições a alguns paises. O prêmio de US$1.000.000,00, isso mesmo, um milhão de dólares, destinava-se ao grupo que construisse um sistema de indicação de preferências de videos aos clientes da Netflix, que tivesse um desempenho pelo menos 10% melhor que o sistema deles, o Cinematech. No meio do caminho, os grupos poderiam se qualificar para ganhar um prêmio de US$50.000,00 para apoio ao desenvolvimento da pesquisa (Progress Prize).

Naturalmente, a Netflix disponibilizou aos participantes a sua enorme base de dados de clientes e o histórico de locação ao longo do tempo, um acervo inestimável de informações. O resultado final foi surpreendente: uma chacoalhada geral na comunidade das diversas áreas de conhecimento, que trabalham com técnicas da área de inteligência computacional (computational intelligence), uma das denominações para o grupo de técnicas, métodos e modelos que inclui redes neurais artificiais, algoritmos genéticos, lógica e regras fuzzy, redes bayesianas e outras que estão tendo enorme aplicabilidade em problemas reais. Novos grupos se formaram ao redor do planeta, grupos existentes se animaram e se prepararam, inscreveram-se no concurso e mandaram bala nas pesquisas usando a base de dados da Netflix. Rebu geral na área de computação.

Em setembro de 2009, o grande prêmio de um milhão de dólares foi destinado à equipe BellKor´s Pragmatic Chaos, vejam a noticia na revista Wired aqui. O algoritmo que eles propuseram e que ganhou o prêmio e outras noticias técnicas, podem ser obtidas no link algoritmo. E o melhor: já está em andamento a chamada para o Netflix Prize 2, fiquem de olho. O que se espera é que outras empresas tomem o mesmo tipo de iniciativa, esse é um jogo ganha-ganha, que promove a inovação a partir da pesquisa e desenvolvimento.

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Sistema bancário e os novos tempos

Domingo, 20 Setembro, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário
Bancos

Bancos

Cada vez mais, dinheiro tende a ser considerado informação, e nada mais. Quando eu pago uma conta via cartão de débito ou crédito, ou via o sitio do banco na internet, o que acontece de fato? Apenas, e nada mais, que uma transferência de informação autorizada por mim, titular da conta ou dos cartões, é efetuada. Na minha conta aparece a informação de que alguns trocados foram transferidos para a conta xxxxx, na data dd/mm/aaaa, para pagamento de uma fatura de número nnnnnnnnnn,  e estamos conversados, e na outra conta aparece a mesma informação, somando ao saldo já existente. Tudo registrado e recuperável facilmente, podendo ser até impresso o que, diga-se de passagem, com a atual onda de sustentabilidade do planeta, tende a ser uma operação cada vez mais evitada.

Bom, nessa nova visão, qual seria o papel dos bancos para as pessoas físicas? É um bom assunto para pensar, não é? Na minha idéia, considerando uma sociedade cada vez mais informatizada e com acesso muito fácil à internet, a tendência é prescindirmos dos bancos como intermediários de transações financeiras, passando cada um a gerenciar sua própria informação financeira, como já fazemos hoje com nossas informações pessoais. Precisariamos de uma autoridade central certificadora de transações, assinatura digital para cada cidadão que queira usar o sistema, por questões de segurança, transparência e rastreabilidade. O que hoje é intermediado pelos bancos comerciais, que registram as informações para as autoridades fiscais de cada pais, cada um com seu sistema.

O uso de certificados digitais, por exemplo, já é bem disseminado no comércio e na indústria, a implantação do sistema nacional de nota fiscal eletrônica exige isso. A certificação (assinatura) digital ainda não chegou ao cidadão comum, mas isso é coisa de pouco tempo, alguns cidadãos até já têm o certificado. Facilita muito a vida, muitas informações fiscais acessáveis somente via um contador, por exemplo, ficam disponiveis facilmente via computador ligado na internet, que tenha terminais USB (ou seja, todos ou quase todos).

Bom, e o dinheiro físico? dificilmente deixará de circular, por um longo tempo vamos ainda conviver com ele. Mas, a tendência é seu desaparecimento, sendo substituido pelos cartões de plástico, ou pagamento via celular, ou quem sabe via o relógio de pulso ou via um brinco pendurado na orelha? Vai ter o mesmo destino dos cheques, que já se transformaram em algo anacrônico, do passado, cada vez menos usados, inseguros, facilmente alteráveis e falsificáveis. O blog do prof. Silvio Meira, que recomendo muito, tem uma categoria que ele denomina Informaticidade, dedicada a esse tipo de assunto, vale a pena conferir.

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Texting and driving

Segunda-feira, 7 Setembro, 2009 Jose Luis Braga 5 comentários
Messaging

Messaging

Na medida em que a tecnologia avança e novos recursos são colocados em dispositivos como celulares, smartfones e outros, os problemas sociais resultantes desta inserção começam a pipocar. Primeiro, foi dirigir falando ao celular, prontamente considerado falta grave no nosso código nacional de trânsito, com multa pesada e outras consequências. Isso quando um agente de trânsito ou policial consegue perceber a infração e anotar a placa do carro dirigido pelo motorista infrator, tarefa quase impossível pois o número de pessoas que fazem isso é enorme, de assustar.  Interessante também é prestar atenção nas estatisticas: dirigir fumando tira a atenção do motorista na mesma proporção que dirigir falando ao celular tira, sabiam desta? Dirigir embriagado é sem comentários, finalmente e felizmente combatido fortemente pelo poder público, e tem dado resultado, a próxima geração já vai estar mais consciente  com toda a certeza.

Nos EUA, dez anos atrás, cansei de ver pessoas dirigindo nas estradas e… lendo!!, é mole? carro no piloto automático, pé esquerdo no painel do carro (maioria dos carros tem câmbio automático, o pé esquerdo fica sem função), livro em cima do volante, lendo tranquilamente nas estradas quase sem curvas do estado da Florida. Vi vários casos, e achava aquilo um absurdo, um motorista desses aqui no Brasil ia se ferrar rapidamente nas nossas curvas e morros, já pensaram aqui nas estradas de Minas Gerais, lotadas de curvas, subidas, descidas e buracos?

Mas não é que tem coisa pior que isso? A nova “mania” por lá, resultante de o celular estar se transformando numa central de comunicações, é o “driving while texting“, ou dirigir digitando mensagens no celular, fazendo a versão correta. Inadmissivel, não? Isso se transformou num problemão por lá, e as leis de lá não proibem, como também não proibem falar ao celular e dirigir ao mesmo tempo.  O número de acidentes de trânsito (fatais) causados por esse tipo de comportamento cresceu tanto, que está incomodando a sociedade e as autoridades. Principalmente entre os mais jovens, a geração Y que não tem tempo para nada e nunca pode esperar chegar ao destino para responder as mensgens, todas urgentissimas. E não são somente os jovens que fazem isso, várias outras categorias que dependem de dispositivos móveis para exercerem a profissão fazem a mesma coisa (vejam um video realista e pesado, aqui).

Por aqui, isso já está acontecendo, com os mesmos impactos sociais. Do ponto de vista de código de trânsito, digitar mensagem no celular ao volante é muito mais grave que falar ao celular ao volante, tira muito mais atenção e tem muito mais potencial para causar acidentes, tanto nas cidades quanto nas estradas. Como é que resolve isso? vai adiantar colocar mais um parágrafo no código nacional de trânsito? eu acho que isso não resolve, pois vamos ter que entupir nosso código com novos parágrafos, a cada avanço da tecnologia que tenha esse tipo de impacto. Mas então como é que ficamos? Do meu ponto de vista, a tecnologia tem que ajudar a resolver os problemas criados pelo seu próprio avanço. Os carros, em breve (está demorando) vão sair de fábrica com o dispositivo que permite atender, falar e ditar mensagens no celular com comandos de voz, como equipamento de série. Hoje esse tipo de recurso só está disponivel nos modelos mais caros, um paradoxo.

Mas, como no caso do airbag que é um equipamento de segurança antigo e reconhecidamente necessário no mundo todo e que é de série para todos os carros (do lado de lá), e que por aqui é um opcional muito caro (pelo menos 3000 reais a mais no preço final),  ainda vamos ter que esperar muito até que a tecnologia de comando por voz e do viva voz nos carros seja um equipamento de série… enquanto isso, mais atenção nas estradas e cidades para conseguir perceber e evitar a tempo os motoristas fumando, falando ou digitando mensagens ao celular.

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Caminhos para a paz

Sábado, 29 Agosto, 2009 Jose Luis Braga 2 comentários

9788561635176-250x250As leituras agora em julho foram poucas, mas selecionadissimas. O cansaço do semestre passado, somado ao monte de artigos que julguei para congressos, simpósios e revistas, mpsBR, bancas de dissertação,  me tiraram um pouco da disposição para outras leituras. Mas, claro, estou sempre lendo, e achei uma pérola numa livraria em BH: A música desperta o tempo, do conhecido e famoso  maestro Daniel Barenboim.

O maestro é nascido na Argentina (1942), talento precoce na música clássica, e por isso mesmo considerado cidadão do mundo. De descendência judaica, o maestro tem um trabalho reconhecido mundialmente em prol da paz e harmonia entre os povos do mundo e, em particular, entre judeus e palestinos em Gaza. Por esse seu trabalho, recebeu reconhecimento internacional via o prêmio Prêmio Príncipe das Astúrias, da Fundación Príncipe de Asturias, da Espanha. O livro é exatamente sobre essa questão, mas abordada sob um ângulo inusitado: o da música, das grandes sinfonias, da harmonia, do ritmo, da integração entre músicos, instrumentos, música e regência como metáforas para uma paz mundial.  Particularmente, a 5a. Sinfonia de Beethoven é citada inúmeras vezes no livro, é considerada pelo maestro uma obra dedicada ao equilíbrio, cooperação e tolerância.

Uma parte do livro é dedicada a explicar para o leitor leigo,  esse equilibrio e ecologia das orquestras, que são usados como metáfora para expor seu ponto de vista sobre o equilibrio e convivência entre os povos na Faixa de Gaza. A partir daí, o maestro explora a metáfora para propor um modelo de paz na região da Cisjordânia, muito bonito e interessante. O melhor de tudo é que a discussão e as propostas são imparciais, sem levar o leitor a tomar partido de um ou outro lado, sempre no equilibrio e na visão da paz que exige deixar os preconceitos de lado, em algum momento. E isso é conseguido na integração entre os músicos em uma orquestra. As idéias do maestro foram colocadas em prática, com a criação por ele e seu amigo Edward Said da East-West Divan Orchestra, composta por músicos do Oriente Médio: egipcios, iranianos, israelitas, jordanianos, libaneses, palestinos e sirios.

O poder da música reside em sua capacidade de se comunicar com todos os aspectos do ser humano – o animal, o emocional, o intelectual e o espiritual. Com muita frequência, pensamos que as questões pessoais, sociais e políticas são independentes, sem influir umas nas outras. Pela música, aprendemos que essa é uma impossibilidade objetiva: simplesmente não existem elementos independentes. O pensamento lógico e as emoções intuitivas devem estar constantemente unidos. A música nos ensina, em resumo, que tudo está ligado.” (último parágrafo do último capítulo do livro, antes dos Apêndices)

A música é a linguagem da alma…

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Nike Plus

Domingo, 16 Agosto, 2009 Jose Luis Braga 6 comentários
NY Marathon

NY Marathon

A noticia de que a Nike associou-se à Apple para lançar produtos destinados a esportistas, utilizando o iPod, já não é tanta novidade assim. Mas, agora, o negócio está nas ruas, com implicações interessantissimas. O primeiro passo foi um kit de corrida, com um sensor  que fica debaixo da palmilha do tênis projetado especificamente para esse fim. Esse sensor coleta dados tais como distância percorrida, velocidade e calorias queimadas. Esses dados são transmitidos para um captador de dados também da Apple, que fica conectado a um iPod, onde os dados de cada treino ou corrida são armazenados. A tecnologia já evoluiu substituindo o  iPod por um bracelete da Nike que coleta os dados, ao invés do iPod (aposto que em breve vai estar nos relógios da Nike, ou talvez até nos óculos).

Terminado o treino ou corrida, os dados são transmitidos do iPod, via internet, para o sitio Nike Plus. O corredor se inscreve antes nesse site, adquire uma identificação, e seus dados são transmitidos para a sua área específica, e ficam armazenados lá. O sitio oferece ferramentas para análise dos dados acumulados, gráficos de desempenho, comparativos, categoria, etc. O negócio tem se expandido tanto, que a Nike organiza corridas individuais (estão sendo chamadas de virtuais, mas acho esse nome inadequado), cada um corre no seu canto, e depois lança os dados no sistema, que são comparados com os dados de outros corredores que correram a mesma corrida virtual, como a Human Race realizada em São Paulo e que agora tem uma etapa virtual.

Acho isso tudo fantástico, sob vários aspectos. Não apenas por causa da tecnologia empregada, que é relativamente simples. Mas a idéia, a inovação envolvida em todos os passos, é muito interessante. Prá começar, o segmento de mercado é bem definido, de médio para alto poder aquisitivo, supõe-se que o corredor que vai aderir ao Nike Plus tem grana suficiente para comprar o par de tênis especifico (uns 500 reais, por baixo), mais o chip da palmilha e o receptor da Apple (uns 100 reais), mais o iPod (aí o bicho pegou, mais uns 500 reais se for o iPod Nano). Além disso, o corredor certamente tem computador em casa, acesso a internet, e conhecimento suficiente para fazer tudo funcionar adequadamente, acessar os dados, analisar as planilhas de desempenho, e mais que isso, viajar de vez em quando para participar das corridas presenciais (que ainda vão ser realizadas não sei por quanto tempo) que podem acontecer em qualquer canto do mundo.

Agora, vamos ver pelo lado da Nike/Apple,  o que é que eles ganham com isso? Antes de mais nada, um monte de comprador de tênis e da tecnologia necessária para começar (ou continuar) a suar a camisa. Mas, o mais importante: ganham uma massa de dados enorme, de onde informações valiosissimas podem ser extraidas e usadas para lançamento de novos produtos, novas promoções, novas músicas preferidas pelos corredores (Eye of the tiger, do filme Rocky III, é a preferida atual), distância média percorrida por cada corredor, idade média do grupo, poder aquisitivo, enfim, uma lista infindável de possibilidades e cruzamentos. Que vão levar a novos corredores, novas corridas de rua, novas promoções, levando a um ciclo virtuoso de negócios, onde todo mundo aparentemente ganha.

E vejo ai uma lição importantissima: arranjaram um jeito criativo e fácil de fazer o usuário querer, e muito, fornecer dados corretos para o sitio de coleta e armazenamento de dados. Que, de longe, é um dos maiores desafios do relacionamento das empresas com os clientes… (tem um artigo da revista Exame sobre esse assunto, vale a pena ler, aqui)

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Vander Lee: Faro

Domingo, 9 Agosto, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário
Faro

Faro

Como não podia deixar de ser, show do Vander Lee no Palácio das Artes, aqui em BH,  e eu de férias… não ia perder por nada. Na sexta dia 17 de julho, 21 horas, fomos lá conferir, ingressos comprados com antecedência, ficamos bem de frente para o palco, valeu a pena.

Foi o show de lançamento do Faro, seu novo cd. Tão bom ou melhor que o anterior, continua na linha de música urbana, do cotidiano das grandes cidades, particularmente de BH. Segundo o próprio Vander Lee, ele considera esse seu melhor trabalho. Tem faixa com música do Roberto Carlos, Ninguém vai tirar você de mim, com participação especial do MC Renegado, que aparece no show e dá um show a parte. Uma outra faixa, Obscuridade, foi uma adaptação de um poema do Cartola, que ficou muito bonito.  Regina Souza, esposa do Vander Lee e também cantora /compositora, tem participação especial na música O baile dos anjos, parceria dela com o Vander Lee. E canta uma música do seu cd Outonos, recém-lançado.

Claro, ele apresentou várias músicas mais antigas, que não podiam faltar:  Românticos, Esperando aviões e, a pedidos da platéia, cantou também a popular Galo e Cruzeiro. Como torcedor do Galo, não ia deixar de tirar uma casquinha no recente desastre enfrentado pelo time do Cruzeiro na Libertadores e no Brasileirão… Eu não arrisco recomendar nenhuma música em particular, são todas muito bonitas e agradam muito.

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Inimigos públicos

Sábado, 1 Agosto, 2009 Jose Luis Braga 2 comentários
Public Enemies

Public Enemies

Na sexta dia 24 de julho, fui para o Pátio Savassi querendo ver algum filme, qualquer um. Escolhi o que ia ver na frente da bilheteria, mais baseado no horário do que no filme propriamente dito. E lá me aparece Inimigos públicos (Public enemies), com o Johnny Depp.  A sessão ia começar em 10 minutos, nem pensei mais, já conheço o Johnny Depp e gosto demais da atuação dele, o último filme que vi com ele foi Sweeney Todd, muito bom e também recomendo.

O filme é ambientado na Chicago dos anos 30, grande depressão, gangsters, jazz, aumento explosivo da criminalidade nos EUA e, não por acaso, também época em que o FBI finalmente se firmou como agência federal de combate ao crime por lá. Conta uma parte da vida de John Dillinger (Johnny Depp), sua amante Billie Frechette (Marion Cotillard, que fez Piaf recentemente), e o agente do FBI Melvin Purvis (Christian Bale, fez o último Batman).

Nem preciso dizer que gostei demais do filme, o estilo gangster e os filmes ambientados nessa época me agradam muito.  Ponto alto para a trilha sonora, escutem  uma das músicas aqui, com a banda do Otis Taylor. Ia me esquecendo, a Diana Krall faz um papel rápido de cantora de bar, cantando a música que é de fato o tema principal da relação do Dillinger com a Billie Frechette. Recomendo demais, vejam mais  informações no IMDB e no Metacritic. Bom proveito…

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