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Economia da colaboração: Wikinomics

Publicado por: Jose Luis Braga em: segunda-feira, 25 fevereiro, 2008

Terminei a leitura do livro Wikinomics, lançado em português em 2007. Uma boa leitura, muita informação que considero complementar ao O mundo é plano, que já comentei aqui no blog. As mudanças provocadas pela internet e sua capilarização pelo mundo afora, banda larga, convergência digital, geração net, etc., estão começando a afetar os negócios tanto nas grandes quanto nas pequenas empresas. O livro aponta quatro princípios da economia da colaboração: abertura, peering, compartilhamento e ação global.

Abertura aponta para aumento de sucesso nos negócios e sustentabilidade para as empresas que se dispuserem a disponibilizar seu conhecimento, plataformas, patentes e direitos a terceiros, organizados em redes de colaboração em que a principio todos ganham. O exemplo de sempre é o modelo de desenvolvimento do software livre, que está aos poucos contaminando (no bom sentido) as empresas. A base do software livre, denominada LAMP-Linux, Apache, MySQL, PHP, é o melhor exemplo de sucesso de abertura e colaboração (uma nota: MySQL foi comprado pela SUN nesse inicio de 2008). Os setores da indústria que não reconheceram essa mudança e ainda usam modelos de negócios da era industrial como a indústria fonográfica por exemplo, ainda estão apanhando da evolução sem conseguir enxergar o novo caminho a seguir.

Peering, ou julgamento e classificação pelos pares, já é uma prática conhecida no mundo acadêmico, mas aparece com muito mais força e muito mais aberta na economia da colaboração. O modelo de pontuação adotado pelo site de noticias sobre tecnologia e avanços científicos Digg é um exemplo de peering. Milhares de colaboradores buscam e postam no Digg notícias, fatos, artigos sobre tecnologia e ciência, a cada segundo. O material disponibilizado é acessado e lido pelos internautas, que avaliam o artigo e atribuem ou retiram ponto da postagem. As noticias com maior pontuação no momento, vão para a primeira página do Digg, e esse é o prêmio para quem postar a melhor notícia: ver a sua postagem na primeira página, com referência explicita para o autor da postagem. A primeira página é dinâmica, configurada na medida em que as postagens vão sendo avaliadas. Esse modelo de julgamento pelos pares tende a ser adotado com as devidas e necessárias adaptações em outros setores da economia, inclusive no acadêmico onde o velho modelo de análise e julgamento de artigos pelos pares está em parte ultrapassado, funcionava bem quando as comunidades científicas eram pequenas e o mundo ainda não era plano.

Compartilhamento, um principio que aposta no coletivo para ter mais sucesso para todos. O compartilhamento é um dos caminhos de sucesso na nova economia, e o modelo seguido é o da Wikipedia (wiki significa rápido em havaiano) e seu fantástico sucesso, superando os melhores exemplos herdados da economia do século passado. O sucesso da Wikipedia é baseado no compartilhamento de conhecimento e na prática da colaboração anônima, pelo puro prazer de colaborar. Os Wikis, software que permitem essa colaboração, têm sido usado largamente em empresas, como um repositório comum e colaborativo para resolução de problemas, discussão de projetos e soluções, e outros temas. Permite a integração de equipes remotas, e o conhecimento fica registrado em um local unificado, a que todos têm acesso.

Ação global, apontando para a questão da visibilidade permitida e forçada pela internet. Querendo ou não, as empresas são globais e a colaboração tem que ser global, para que produza os efeitos desejados. Extraindo direto do livro (pag. 41): A nova globalização causa, e ao mesmo tempo é causada por, mudanças na colaboração e na maneira como as empresas orquestram a capacidade de inovar e produzir coisas. Permanecer globalmente competitivo significa monitorar internacionalmente as mudanças nos negócios e utilizar um parque de talentos globais muito mais vastos. Alianças globais, mercados de capital humano e comunidades de peering possibilitarão o acesso a novos mercados e tecnologias. Será necessário gerenciar os ativos humanos e intelectuais em várias culturas, disciplinas e fronteiras organizacionais. As empresas vencedoras terão de conhecer o mundo, inclusive os seus mercados, tecnologias e pessoas. Aqueles que não o fizerem se sentirão deficientes, incapazes de competir em um mundo empresarial que é irreconhecivel segundo os padrões atuais.

Vários sitios são utilizados como exemplo no livro, todos muito interessantes, impossivel listar todos aqui. Os que me chamaram mais atenção foram: arXiv, Craiglist, Pentaho, Innocentive, Yourencore, Newparadigm, MAKE, Bioinformatics e mais um monte. Todos apontam para sitios na web onde a colaboração, peering, abertura e ação global são os pontos fortes. Para perceber isso com clareza, é necessário acessar os sitios e explorá-los com atenção para perceber a proposta de cada um. Abri no meu del.icio.us uma tag, Economics, onde armazenei os links acima e mais vários outros, que continuam pipocando.

O sitio do Wikinomics tem muita informação adicional, não deixem de acessar o blog deles. Claro, como nem tudo são flores, tenho algumas críticas ao livro, mas nada muito pesado. Achei o livro muito repetitivo principalmente nos capitulos finais, talvez devido ao meu conhecimento prévio sobre o assunto. Também não vi comprovação baseada em dados do que está afirmado e descrito por lá. Os autores fizeram pesquisa bibliográfica extensa e se basearam na própria experiência, e mostram apenas tendências tecnológicas e sociais, mas nada com base científica (pelo menos não demonstraram isso no livro). E, finalmente, a tradução está de sofrível a ruim, parece que foi feito por tradutor automático. Muito termo traduzido errado e fora de contexto, o que compromete o entendimento para o leitor mais desavisado, exigindo mais atenção na leitura.

wikinomics.jpgDon Tapscott, Anthony D. Williams. Wikinomics: como a colaboração em massa pode mudar o seu negócio. Ed. Nova Fronteira, 2007

2 Respostas para "Economia da colaboração: Wikinomics"

Prezado,
Gostei do livro, acho que as tendências apresentadas consituem-se forças importantes que estão moldando nossa economia e comportamento atuais, mas assim como você tenho uma crítica. Os autores afirmam que o livro é resultado de uma pesquisa de 5 anos e U$9 milhões mas não explicam em nenhum momento a metodologia utilizada. Realmente, apresentaram exemplos excelentes, mas nada com base científica.
abs,
Ruy Burgos

De fato, eles não falam de metodologia. E o projeto deles continua no sitio do Wikinomics, sempre tem alguma coisa nova. Mas o livro permite enxergar muitas tendências e coisas antigas sob novos olhos, que considero o mais importante: quebra de paradigmas. Obrigado pela visita,

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