Desenvolvimento ágil: casos de sucesso
A questão sobre os Métodos Ágeis continua, e começam a surgir dados confiáveis sobre casos de sucesso e relatos de experiências que podem ser reaproveitados em projetos semelhantes. Uma notícia recente me chamou a atenção (texto completo aqui), vou comentar a seguir.
EUREKA é uma rede inter-governamental européia criada em 1985, destinada a aumentar a competitividade dos países da união européia em inovação, pesquisa e desenvolvimento, apoiado por centros de pesquisa e universidades. Uma das iniciativas dentro dessa rede é o projeto AGILE-ITEA, dentro do ITEA – Information Tecnology for European Advancement. AGILE nesse caso significa Agile Software Development of Embedded Systems, um projeto destinado a investigar a utilização de métodos ou princípios ágeis no desenvolvimento de software embarcado.

Boeing787 - Cabine de controle
Software embarcado é considerada a área de aplicação que mais se desenvolve no mundo, quase tudo hoje envolve uso de software: máquinas fotográficas, forno de micro-ondas, telefone celular, relógios, controle de veiculos, etc. Os desafios são muitos, pois trata-se de desenvolver software para processadores com capacidade restrita de processamento, com baixo consumo de energia e conjunto restrito de instruções, projetados para uso específico. As técnicas tradicionais de engenharia de software certamente se aplicam, mas sujeitas às restrições naturais desse tipo de software, obrigando focar mais em código com o mínimo de linhas e muito eficiente. A principal restrição competitiva é o famoso time-to-market, que coloca muita pressão de tempo para que o software fique pronto, testado, instalado e rodando no processador alvo. Na indústria automobilistica, por exemplo, o investimento em produção de software embarcado é altissimo, pois os nichos de inovação são restritos e o controle de funções dos veículos via software é um caminho muito promissor. Ganha a competição quem chegar mais rápido ao mercado.
Os resultados animadores do AGILE-ITEA, medidos em 68 estudos de caso em vários tipos de indústria, mostram que técnicas ágeis podem ser usadas no desenvolvimento de software embarcado com ganhos de tempo e com custos mais baixos do que usando as técnicas tradicionais, sem abrir mão da qualidade. Essa economia de tempo tem um impacto positivo ao permitir atender à demanda crescente das indústrias com a mão de obra já disponível, tirando a pressão por formação de mais mão de obra. Comprovadamente, o uso de software embarcado em dispositivos eletrônicos cresce muito mais rápido do que os avanços da própria eletrônica, e a produção do software necessário não acompanha essa evolução. O que não é grande novidade, as inovações em desenvolvimento de software estão sempre muito atrás do desenvolvimento do hardware e das necessidades das novas aplicações.
Esses resultados são animadores, um avanço real para as estatísticas de uso de métodos ágeis, pois ajudam a enxergar melhor uma classe de aplicações onde eles podem ser usados com vantagem sobre os métodos tradicionais baseados em planejamento.
Ei Zé… é bom saber que é possível
deixar os indianos para trás em termos
de tempo, custo e qualidade e, ainda, esperar pelo
inesperado na desenvolvimento do software
e encontrar uma saída através
dos métodos ágeis. Os europeus já tem resultados concretos…
Quando nós das “Américas” vamos chegar lá também?
Fala Zé!
Eu tenho boas experiências com metodologias ágeis. Acho que o problema delas está na escalabilidade. É complicado falar em uma grande fábrica de software que trabalha com uma metodologia ágil… pelo menos por enquanto.
forte abraço