zeluisbraga

As três leis da robótica

Posted on: domingo, 14 setembro, 2008

Homem bicentenário

Homem bicentenário

Passei minha infância e parte da adolescência lendo gibis, não preciso nem dizer que na época não havia televisão, e as maiores diversões eram o cinema que estava na transição do preto-e-branco para technicolor (um enorme sucesso na época), o rádio e os gibis. Na minha mala tinha de tudo: Flash Gordon, Capitão  Marvel, Mandrake, Fantasma, Cavaleiro Negro, e vários outros. As preferidas sempre foram as de ficção, pois descreviam mundos, personagens e recursos fascinantes nunca pensados na face da terra, só mesmo na Lua ou em outro planeta qualquer. Acho que veio daí meu gosto enraizado pela ficção científica, um tipo de leitura que nunca abandonei e que me agrada até hoje. Todos os personagens dos gibis da infância já foram transportados para as telas do cinema, com fantásticos recursos de filmagens.

Mais tarde fui ler as obras do mestre Jules Verne que com seu submarino Nautilus e o Capitão Nemo ajudou a preencher espaços na cabeça da juventude da época;   de Herbert George Wells, o famoso H.G.Wells, infernal escritor dos clássicos A máquina do tempo, A ilha do Dr. Moreau e a Guerra dos Mundos, dentre muitos outros lidos e relidos. Na sequência, fui descobrir outra geração de escritores de ficção científica, todos com sólida formação acadêmica que permitiram a criação de obras de ficção científica realizáveis em futuro próximo. Como Arthur Clarke que passou dessa vida para outra em março desse ano de 2008, autor muito bem humorado e com as obras cheias de detalhes técnicas. Lembro-me de uma passagem de um de seus livros, se não me engano foi em A cidade e as estrelas, em que ele dizia que não havia um erro de projeto pior do que a localização dos órgãos genitais masculinos, que são um estorvo para vida moderna, deveriam ser embutidos (tem espaço sobrando) para dentro do corpo e aparecerem somente quando fossem necessários. Não seria mesmo um enorme conforto?

Mas o que marcou mesmo foi o grande Isaac Asimov. Na época do meu doutorado, li toda a sequência de Fundação, e uma  parte dos livros da sequência Robôs, que incluiram o agora famoso I, Robot e  o conto O homem bicentenário.  Ambos utilizados como exemplos em aulas de Inteligência Artificial e discutidos com grupos de poucos alunos também interessados nesse tipo de ficção científica séria. No livrinho Eu, Robô (tenho a edição portuguesa comprada em um sebo em BH) tive contato pela primeira vez com as três leis da robótica, que me chamaram atenção imediatamente e foram até transcritas nas páginas iniciais de minha tese de doutorado. Três regras simples, que constituem um fantástico código de conduta para as comunidades de robôs, que aparecem logo no início do filme O homem bicentenário a que devo ter assistido umas cinco vezes, e depois aparecem no filme mais recente (e mais pirotécnico) Eu, robô. E ai vão elas: 1. Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal; 2. Um robô deve obedecer às ordens  que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei; 3. Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e a Segunda leis (Manual de Robótica, 56a. edição, 2058 A.D.).

Três leis apenas, que delimitam um espaço enorme de interação entre os próprios robôs e também sua interação com seres humanos. E vejam que robô significa não apenas aqueles antropomórficos que aparecem nos filmes de ficção, o termo se refere a qualquer tipo de robô. Topei por esses dias com o artigo da New Scientist sobre a intenção dos contrutores de robôs de buscar ajuda na ficção científica para construir robôs reais, e certamente as Três Leis da Robótica vão estar no topo da lista.

Não seria fantástico se nós seres humanos tivessemos também um código parecido com esse, que fosse espontaneamente respeitado por todos nós? Não seriam necessárias tantas leis e tanto gasto público para garantir o seu cumprimento, teriamos uma vida melhor.

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7 Respostas to "As três leis da robótica"

Eu não me lembro de ter descumprido alguma das 3 leis. Serei eu um robô?
Óh dúvida cruel. Esta é mais uma dúvida que ficará ao lado de “Cortará um sabre de luz a pele do superman?”

Consigo “enxergar ” as 3:

1) Lei auto-conservação (Tente cortar seu dedo, só por experiencia);
2) Lei da reprodução (Tente ficar sem sexo);
3) Lei vida-em-sociedade (Tente ficar isolado);

Hehehe…

Também me interesso muito por ficção científica, robótica (apesar de ler mto pouco).
Mas, apesar da robótica estar evoluindo muito, junto com ela existe a Inteligência Artificial.
Com isso deixo algumas questões para discussão:

Até onde o homem pode evoluir a IA sem que ela permita que robôs se tornem “humanos”?
Ou até que ponto ela será segura para que ninguém possa modificá-la e usar a seu favor?
E como poderiamos confiar em quem produz essa tecnologia?

Quanto à pergunta “Até onde o homem pode evoluir a IA sem que ela permita que robôs se tornem “humanos”?”, no conto “O Homem Bi centenário”, esta questão é mostrada, de certa forma.

Preto e branco para technicolor? Bem jurassico …

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