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She, música eterna

Quarta-feira, 30 Dezembro, 2009 Jose Luis Braga Deixe um comentário

Amor

Músicas mais antigas, que marcam e trazem lembranças para todas as gerações, voltam ao cenário de tempos em tempos. Segundo os especialistas, o ciclo é de 7 anos aproximadamente. Dia desses, estava ouvindo a trilha sonora do filme Notting Hill (se ainda não assistiram, eu recomendo), e a música She me chamou a atenção mais uma vez. O belo final do filme tem essa música como fundo sonoro, não percam.

A composição original é de Charles Aznavour e Herbert Kretzmer, ambos muito conhecidos no meio artistico, o primeiro de origem armênia (sabem onde fica a Armênia?), e o segundo da África d0 Sul, produziram essa belissima música, de letra linda e profunda. A interpretação do autor Charles Aznavour merece ser vista aqui, e a interpretação moderna mais conhecida é a de Elvis Costello, vejam aqui.

A letra segue abaixo, extraida do sitio Letras, do provedor Terra, vejam aqui.

She

Charles Aznavour and Herbert Kretzmer

She
May be the face I can’t forget.
A trace of pleasure or regret
May be my treasure or the price I have to pay.
She may be the song that summer sings.
May be the chill that autumn brings.
May be a hundred different things
Within the measure of a day.

She
May be the beauty or the beast.
May be the famine or the feast.
May turn each day into a heaven or a hell.
She may be the mirror of my dreams.
A smile reflected in a stream
She may not be what she may seem
Inside her shell

She who always seems so happy in a crowd.
Whose eyes can be so private and so proud
No one’s allowed to see them when they cry.
She may be the love that cannot hope to last
May come to me from shadows of the past.
That I’ll remember till the day I die

She
May be the reason I survive
The why and wherefore I’m alive
The one I’ll care for through the rough and ready years
Me I’ll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I’ve got to be
The meaning of my life is

She, she, she

(nota: a banda Green Day tem também uma música She, que não tem nada a ver com essa ai, vejam aqui)

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Feliz Natal 2009

Terça-feira, 22 Dezembro, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário

Fome

Procurei uma imagem para esta mensagem de Natal, diferente das já tradicionais árvores de Natal e paisagens com neve, trenó, Papai Noel etc., que têm pouco a ver com a nossa cultura brasileira. Aproveitando a época em que os espíritos estão mais desarmados e as pessoas estão mais receptivas, achei que essa imagem simbolizando a fome seria muito representativa desta grave realidade do nosso planeta. E que tem desafiado a criatividade de governantes e de organizações independentes.

Não vou falar sobre a fome, a imagem fala por si. Espero que sirva para uma reflexão profunda de todos nós, sobre nossos próximos, as pessoas necessitadas e desassistidas, que aparecem em todas as estatísticas mas que continuam apenas como estatísticas, sem perspectiva de uma vida melhor.

Feliz Natal, muita saúde, paz e alegria nesse Natal de 2009!

Que o ano de 2010 seja muito melhor que o de 2009, e naturalmente, pior que o de 2011…

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Disco de vinil de volta ao mercado?

Domingo, 13 Dezembro, 2009 Jose Luis Braga 5 comentários

Toca discos

Lendo a revista EXAME  edição 955, topei com o artigo A volta do vinil, que me chamou atenção de cara, pois eu sou um dos órfãos dos discos de vinil, as famosas bolachas ou LP (do inglês Long Playing), há um bom tempo tiradas do mercado pelos CDs. Menores, maior capacidade de armazenamento, mais fáceis de armazenar e de copiar, muito mais práticos que as antigas bolachas, os CDs cairam no gosto popular e tomaram o mercado.  Mas, sabidamente, para quem gosta de um som refinado, o CD deixa a desejar quanto à qualidade do som. Os discos de vinil têm qualidade superior, podendo atingir maior fidelidade de reprodução, se tiverem sido produzidos a partir de matrizes de alta fidelidade, com um processo de prensagem de qualidade, e  se estivermos usando um toca-discos de ótima qualidade. Que eram carissimos, exigindo muito cuidado na instalação, equilibrio, proteção contra vibrações do ambiente, etc., para reproduzirem o som esperado.

Mas não é que o mercado de discos de vinil não se extinguiu, ao contrário, sobreviveu bravamente no mundo todo? E no Brasil, a gravadora Polysom (Rio de Janeiro), fechada em 2008, está se preparando para voltar ao mercado produzindo 30000 LPs por mes!! O mercado de toca-discos continua aquecido, acho que nunca desacelerou, pois os DJs usam esses equipamentos para produzirem os sons malucos nas festas. Segundo a reportagem, os preços desses equipamentos, como o da imagem acima, vão de R$1.200,00 a R$580.000,00 (isso mesmo, 580.ooo reais, uma fortuna…) Existe até uma versão de toca-discos que não usa agulha física, mas sim um feixe de laser em seu lugar, obtendo uma qualidade de reprodução melhor, com maior fidelidade (R$38.000,00)

Pensando do ponto de vista tecnológico e prático, esse retorno ao passado não tem sentido nenhum do ponto de vista de mercado de massa. O LP não tem a menor chance de voltar a ocupar algum lugar de destaque no gosto popular, já está superado tecnologicamente e devidamente enterrado. O que certamente está acontecendo é que um mercado muito refinado de audiófilos que tem grana para gastar em LPs e toca-discos de alta qualidade deixou de ser atendido nas suas exigências pelos formatos digitais compactados (mp3 e outros)  e pelo CD como midia. Para o consumidor comum, não faz diferença ouvir um rock pesado, samba, pagode e etc. num tocador de CD comum ou num LP desses mais caros. Quer dizer, faz uma enorme diferença no bolso, claro…

Meus 500 LPs continuam guardados lá em casa, e meu toca-discos GA312 da Phillips continua intacto, com umas três agulhas de reposição bem guardadas, para o caso remoto de eu algum dia querer voltar a ouvi-los com a qualidade de som que vão proporcionar. Enquanto essa vontade não vem, continuo mesmo com os CDs, mp3, são muito mais práticos…

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Fluzão chegou lá…

Domingo, 6 Dezembro, 2009 Jose Luis Braga 2 comentários

Fluzão

O final do campeonato brasileiro foi emocionante do meu ponto de vista, torcedor do Fluminense desde criança. Mais emocionante até do que se o time estivesse no topo da lista de classificação, com chances de ganhar o torneio. O jogo com o Coritiba foi uma tensão só, resultados amarrados em outros resultados, o sossego só veio quando todos os jogos da rodada  terminaram.

Pena foi o que se viu no final do jogo, torcida enlouquecida invadindo o gramado, policiamento insuficiente para garantir a segurança, agressões físicas e também agressões verbais aos jogadores durante o jogo. A gente vai se acostumando com isso e acaba achando que é normal, quando de fato não tem nada de normal.

Mas, enfim, valeu a pena acompanhar as rodadas finais do brasileirão e ver a superação alcançada pelo time do Fluzão! E de cabeçada em cabeçada, lá vamos nós para 2010…

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Lifelog

Domingo, 29 Novembro, 2009 Jose Luis Braga 2 comentários
Memórias...

Memórias...

Tem maluco prá tudo nesse mundo. Mas é exatamente das maluquices desse malucos que aparecem as grandes inovações que vão afetar nossa vida, tanto no plano pessoal quanto no social. A idéia do Lifelog, por exemplo, é uma dessas maluquices. Nada mais nada menos que um registro de toda a nossa vida (o famoso e já conhecido log, com que já estamos acostumados em bancos de dados e outras áreas) feito por nós próprios, utilizando equipamentos e recursos que já estão disponiveis.

A idéia agora partiu do Gordon Bell, conhecido pesquisador e inovador da computação, vejam o artigo da BusinessWeek  aqui.  Utilizando uma câmera especial que tira fotos automaticamente a partir de sensores que indicam mudanças de posição e de ambiente, e usando gravador especial, ele vai registrando cada dia da sua vida e transferindo para arquivos, já com a informação organizada para facilitar a recuperação.  A idéia foi publicada recentemente no livro de autoria dele, Total recall: how the e-memory will change everything.

Traços de nossa vida diária já estão disponiveis e perdidos em algum canto da internet, em algum servidor. Email, twitter, redes sociais, participação em listas de discussão, mensagens de celular, eventualmente conversas no celular, imagens capturadas pelas câmeras de vigilância que estão em qualquer lugar. O telefone celular pode ser um dos dispositivos a serem usados por quem quiser fazer esse registro da própria vida. Outras invenções mais novas, como a caneta LiveScribe, que considero um dispositivo fantástico (e olha que não sou tecnófilo, não compro gadgets por impulso), também contribuem diretamente para registro de atividades diárias.

O fato concreto é que essas idéias já despertaram a atenção de empresas pelo mundo afora, que estão investindo em pesquisa e desenvolvimento de equipamentos e recursos computacionais, enxergando um enorme nicho de mercado. Conectividade, sistemas de arquivos e bancos de dados específicos para esse tipo de aplicação, arquitetura da informação, dispositivos de armazenamento de alta capacidade e baixo consumo de energia, sistemas de recuperação da informação armazenada, máquinas de busca especializadas na internet , enfim, muitas oportunidades. Claro, tem o lado do impacto social que nunca pode ser esquecido: segurança da informação, invasão de privacidade, roubo de toda a nossa vida pessoal. Vocês duvidam que alguém vai armazenar tudo num notebook sem backup, que vai ser roubado logo ali na esquina?.

E tem como fugir disso? Eu acho que não tem, já está acontecendo devagar, basta a gente botar a cara prá fora e usar a internet, uma parte dos nossos passos está registrado lá, recuperável com consultas simples em uma máquina de busca qualquer. Anonimato não existe, privacidade cada vez mais ameaçada.

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O brilho custa muito caro

Domingo, 15 Novembro, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário
agassi

Andre Agassi

Como jogador desde a adolescência e admirador desse esporte fascinante, acompanho como posso o que acontece no mundo do tênis. E tenho meus ídolos, claro: Pete Sampras, Andre Agassi, Roger Federer, Venus e Serena Williams, Justine Henin, e vamos por ai afora. Pois não é que, dando uma olhada em boas fontes de informação um dia desses, topei com uma reportagem no The Guardian, com o título: Why Andre Agassi hate tennis? extraida diretamente da autobiografia dele, recém-publicada, vejam aqui.

Pelo inusitado do título, e também por se referir ao Andre Agassi, chamou minha atenção na hora, e fui ler a reportagem. Que é muito interessante, mostrando um lado escondido da vida das pessoas que ficam no topo de alguma forma: a perda da privacidade, e da vida pessoal. Artistas de modo geral, atletas das mais diversas modalidades, políticos respeitados, autores de livros, atores, músicos, bandas de rock, pesquisadores de renome, enfim, todo mundo que atinge o topo da carreira e fica conhecido pelo público.

Em particular no caso do Agassi, ele fala sobre o tipo de vida que leva um jogador bem ranqueado na ATP (vejam a classificação atual aqui). Viagens engavetadas umas nas outras, torneios em sequência, pressão muito forte para se manter nas posições conquistadas na classificação da ATP, e a obrigação de ter que participar dos torneios como uma das regras da ATP. Uma vez ou outra algum jogador do topo deixa de participar de um torneio, mas é uma situação muito particular e acontece raramente. E os treinamentos incluem não apenas as quadras, mas também (e muito) preparação física, fisioterapia, massagens, tratamentos físicos, recuperação e prevenção de lesões, dimensionamento de calçados e das raquetes para a força e tipo de jogo especificos, superação de deficiências de jogo, assistir videos de jogos dos adversários para analisar o estilo e já ir para a quadra com uma estratégia que permita vencer, etc. Sem contar as entrevistas, sessões de fotografia e videos a que eles têm que se submeter, por contrato com os patrocinadores.

Mas, cadê o glamour da vida de quem vive no topo? Quem está fora da realidade dos circuitos, fica do lado de cá achando que tudo é uma beleza, muito dinheiro, hotéis de luxo, belas mulheres, boates, bebidas finas, roupas de griffe, carros. Mas a realidade é bem diferente, a vida de quem está no topo é um inferno na terra, e perde-se a privacidade e o direito à vida pessoal, intima. Tudo se transforma em assunto público, e acaba com a própria vida das pessoas. E a reportagem é exatamente sobre esse ponto, descrito pelo Agassi no seu livro. Ele perdeu a vida pessoal, casou com a Brooke Shields e separou em seguida, vício, sumiu da classificação da ATP, tratou-se, voltou um ano depois acima do centésimo do ranking, e em menos de um ano já estava novamente na cabeça da classificação. Um depoimento forte e ao mesmo tempo fascinante de superação, de força interior, de reconhecimento dos próprios problemas, e da coragem de enfrentá-los e de falar abertamente sobre eles.

Está em preparação uma postagem similar a esta, tratando da questão de quem atinge o topo da carreira acadêmica, como pesquisador, aguardem. Tudo muito parecido…

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Barulho

Domingo, 8 Novembro, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário
É festa...

É festa...

Viçosa, por ser uma cidade universitária, tende a ser uma cidade mais barulhenta. Muita gente, muito carro, muitas festas, um monte de república de estudante, muitos eventos sediados aqui. Enfim, nada diferente de qualquer outra cidade universitária de mesmo tamanho, em qualquer outra parte do mundo, e a tolerância com tudo isso é um dos requisitos exigidos de quem quer viver numa cidade dessa natureza.

No condomínio  de mais de 300 casas onde a gente morava nos EUA, um monte de estudantes da University of Florida também morava. Festas direto e reto, o que acontecia em toda a cidade, nada muito diferente daqui. Ou melhor, tinha uma enorme diferença: as leis são respeitadas, por bem ou por mal. O direito dos vizinhos e demais moradores é sagrado, qualquer reclamação a policia aparecia  por lá, e não tinha muita “vamos sentar, vamos conversar…”.  Todo mundo com a sua liberdade, garantida pelo poder público.

Ai a diferença é enorme, nada parecido com o que acontece com Viçosa, onde o poder público não garante direito de ninguém atualmente. E a cultura de que pode chamar a policia a vontade, se eles aparecerem não vai resultar em nada mesmo, e vamos continuar nossa festa do mesmo jeito, já é a cultura geral da cidade. A triste verdade é que mesmo com a maior boa vontade, os policiais não conseguem atender a tantos chamados a cada final de semana, acidentes, briga de rua, bêbados lotando o atendimento de emergência dos hospitais, festas enormes que vão lotando o bolso dos organizadores. E o município não garante a necessária fiscalização dos eventos, do excesso de barulho, do monte de butecos tomando as calçadas, dos carros particulares com som aberto a toda em plena madrugada e em qualquer outro horário. E cada vez mais aumenta o número de pessoas incomodadas por isso, festas até pela manhã, barulho excessivo e completamente desnecessário, a impressão que dá é que as pessoas que aparecem por aqui não aprenderam a respeitar o direito do próximo.

O pior de tudo é que  a cultura vem se espalhando, começando a contaminar todo mundo. Vizinhos (familias) que realizam festas com muito barulho até de madrugada, incomodando um prédio inteiro… os mesmos que reclamam do barulho das festas das repúblicas, quando fazem as festas deles do mesmo jeito, não acham que estão incomodando ninguém, é mole? E logo aqui do lado de casa, a 30 metros de distância, uma vizinha tem mais de 20 cachorros de todo tipo e tamanho, que latem o dia todo e a noite toda, todos os dias da semana, sem parar. Isso sem contar o mau cheiro constante, e pior ainda, a limpeza do canil (quando é feita) despeja a sujeira na rede pública de esgoto… E eu posso reclamar? Claro que posso (ainda não consegui descobrir onde…), mas não vai adiantar nada, no final o culpado serei eu mesmo, afinal de contas para que é que eu vim morar logo do lado da casa deles, atrapalhando o sagrado direito constitucional deles de ter quantos cachorros quiserem? Incomodados que se retirem, a regra não é essa?

Aí eu me lembro de uma definição curta e grossa sobre comportamento ético e moral: ponha-se do lado de lá e, se você achar que vai se sentir incomodado ou prejudicado pelo que você está fazendo, então você não está respeitando o direito do outro. Simples, não? Pena é que não funciona por aqui…

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1808

Sexta-Feira, 30 Outubro, 2009 Jose Luis Braga Deixe um comentário
1808

1808

Terminei de ler o livro 1808, escrito pelo jornalista Laurentino Gomes. Uma viagem com a família real, desde a escapada de Portugal em 1807 e a volta para lá em 1821. O contexto histórico recuperado com muito cuidado, muita pesquisa histórica, um monte de leituras  para conseguir passar ao leitor um modelo da época o mais próximo possivel da realidade.

Interessante é que a imagem que fica na nossa cabeça desde criança, quando a gente estuda História do Brasil pela primeira vez e toma conhecimento da vinda da família real Portuguesa, é a do brilho das cortes, o glamour, bailes, festas, conversas de alcova, pessoas bonitas e bem vestidas. Logo de inicio essa imagem é destruida, pelo relato da viagem com um nivel riquissimo de detalhes. A vida a bordo dos navios da frota real é narrada com muito realismo, foi um enorme sofrimento para todos, principalmente para as mulheres. Banho? nem pensar, comida de vez em quando, água para beber racionada, dormindo ao relento, sol escaldante, roupas completamente inadequadas para o clima tropical, doenças de pele, escorbuto.

Leitura fácil, capitulos curtos,  muito interessante, prende o interesse em todos os capítulos. Apesar de o livro ter luz própria e dispensar mais recomendações, recomendo fortemente aos leitores do blog. Muda nossa visão de Brasil, da nossa origem como povo, da mistura de culturas, a gente passa a entender tudo um pouco melhor. E dá vontade de ler muito mais sobre tudo isso.

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Dia do professor

Domingo, 18 Outubro, 2009 Jose Luis Braga 11 comentários
Professor

Professor

Mais um Dia do Professor se passa, e mais uma vez sinto a sensação de que nós, professores, temos um baixo reconhecimento de nosso trabalho  pela sociedade. Nas universidades federais, pior ainda porque o feriado do 15 de outubro nem existe mais, foi transferido para o dia 28 de outubro,  o Dia do Funcionário Público,  que por sua vez, também sumiu do mapa. Uma ou outra mensagem de parabéns pelo dia do professor aparece nos emails ou impressas, a maioria delas chavões repetidos a cada ano, mais por obrigação do que propriamente por valorização da  profissão que abraçamos.

Claro, os feriados não importam em nada, são apenas datas comemorativas, e nós estamos lotados delas. Estou me referindo aqui ao reconhecimento da importância do papel social desempenhado pelo professor de modo geral. Acho mesmo que é muito fraco o reconhecimento do papel fundamental da educação para a sociedade, logo a educação que é a única variável que trabalhada isoladamente, consegue em médio tempo promover inclusão social, melhoria de renda, melhoria de percepção, consciência, etc. Mas, até nosso presidente da república faz muita questão de ser enfático em afirmar que nunca precisou estudar para chegar à presidência, o que é tomado como bom exemplo a ser seguido.

Já me senti muito valorizado por ser professor. Mas não foi aqui, foi no ano que passei nos EUA na University of Florida, em estágio de pós-doutoramento. A percepção da importância do papel desempenhado pelo professor por lá é fantástica. Na lista das profissões mais respeitadas naquela época, Professor só era superada pela carreira de Policial. As carreiras mais tradicionais vão lá para o final da fila, uma surpresa. Procurei uma atualização daquela lista, não consegui mais achar. Mas, na busca, achei uma entrevista da Michelle Obama sobre a importância do papel do professor na formação das novas gerações de estadunidenses, que merece ser lida aqui.

Uma parte do artigo eu faço questão de transcrever, desculpem, vai em inglês mesmo, usem os tradutores da internet: We all remember the impact a special teacher had on us—a teacher who refused to let us fall through the cracks; who pushed us and believed in us when we doubted ourselves; who sparked in us a lifelong curiosity and passion for learning. Decades later, we remember the way they made us feel and the things they inspired us to do—how they challenged us and changed our lives. So it’s not surprising that studies show that the single most important factor affecting students’ achievement is the caliber of their teachers. And when we think about the qualities that make an outstanding teacher—boundless energy and endless patience; vision and a sense of purpose; the creativity to help us see the world in a different way; commitment to helping us discover and fulfill our potential—we realize: These are also the qualities of a great leader.

Claro, há enorme diferenças de cultura entre nós, nem de longe está passando pela minha cabeça elogiar a sociedade de lá, e achar que ela é modelo para nós. Nada disso, temos nossa própria cultura muito mais rica e que, aos poucos, vai sendo respeitada e admirada pelo resto do mundo. Meu ponto aqui é somente com relação ao reconhecimento da importância do papel do professor na nossa sociedade e cultura, e essa postagem vai mais como um desabafo muito forte. Ia me esquecendo, na sala de aula onde ensino engenharia de software esse semestre, a sala 358 do Pavilhão de Aulas A, está escrito a canivete no tampo da mesa: Todo professor é filho da puta! É mole?

Deixo aqui minha homenagem ao querido amigo, colega e parceiro de pesquisas Marcelo José Vilela, professor do Departamento de Biologia Animal da UFV, pesquisador incansável da Patologia do Câncer. Falecido na sexta, dia 16 de outubro de 2009, ironicamente vitima de um câncer devastador no pâncreas.

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Olímpiadas 2016

Domingo, 11 Outubro, 2009 Jose Luis Braga 5 comentários
Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

Foi a notícia do ano: o Rio de Janeiro foi a cidade selecionada pelo Comitê Olímpico para sediar as Olimpíadas de 2016. E ai vem a enxurrada de gente elogiando a decisão, e vem outra enxurrada maior criticando de todas as formas possíveis, alguns argumentos até aceitáveis, mas também com argumentos que parecem extraidos  diretamente de uma das luas de Saturno…

De minha parte, fiquei muitissimo orgulhoso pela escolha. Mais uma vez, os olhos do mundo se dirigem para o Brasil, e temos mais uma enorme oportunidade de manter esses olhares aqui por muito mais tempo. O mundo envelheceu, modelos de desenvolvimento foram testados e jogados no lixo, fórmulas econômicas se provaram erradissimas e completamente inadequadas para o século XXI, os problemas hoje exigem visão sistêmica, cooperação, colaboração e principalmente, inclusão para serem resolvidos. E nós aqui no nosso canto, mesmo com todos os problemas de que ainda padecemos, estamos chamando atenção, e muita, sendo considerados um novo modelo de desenvolvimento.

O Rio de Janeiro tem problemas? tem favelas? tem bandidagem? tem tudo isso sim, mas será que Chicago não tem? e Tóquio? e Madri? moçada, vamos analisar friamente… os problemas nas outras cidades são até muito piores que os nossos. Chicago não ficou famosa pelo gangsterismo no século passado? Qual é a grande diferença? só porque os bandidos de lá falavam ingles e usavam terno de risca de giz e chapéu, tomavam uisque “nacional”, frequentavam boates com mulheres lindas e sensuais eles são menos bandidos? Será que eles não têm problemas com o trânsito? podem apostar que têm sim, e muito mais complicados que os nossos.

Vamos lá, vamos deixar o pessimismo de lado, a escolha do Rio como a cidade sede das Olimpiadas 2016 vai fazer muito bem à nossa baixa auto-estima. A oportunidade tem que ser muito bem aproveitada, emoção nacional, vamos nos orgulhar! Um pouco de patriotismo não vai fazer mal… (nada de nacionalismo, isso é outra estória…)

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