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Archive for the ‘Carreira’ Category

Dia do professor

Domingo, 18 Outubro, 2009 Jose Luis Braga 11 comentários
Professor

Professor

Mais um Dia do Professor se passa, e mais uma vez sinto a sensação de que nós, professores, temos um baixo reconhecimento de nosso trabalho  pela sociedade. Nas universidades federais, pior ainda porque o feriado do 15 de outubro nem existe mais, foi transferido para o dia 28 de outubro,  o Dia do Funcionário Público,  que por sua vez, também sumiu do mapa. Uma ou outra mensagem de parabéns pelo dia do professor aparece nos emails ou impressas, a maioria delas chavões repetidos a cada ano, mais por obrigação do que propriamente por valorização da  profissão que abraçamos.

Claro, os feriados não importam em nada, são apenas datas comemorativas, e nós estamos lotados delas. Estou me referindo aqui ao reconhecimento da importância do papel social desempenhado pelo professor de modo geral. Acho mesmo que é muito fraco o reconhecimento do papel fundamental da educação para a sociedade, logo a educação que é a única variável que trabalhada isoladamente, consegue em médio tempo promover inclusão social, melhoria de renda, melhoria de percepção, consciência, etc. Mas, até nosso presidente da república faz muita questão de ser enfático em afirmar que nunca precisou estudar para chegar à presidência, o que é tomado como bom exemplo a ser seguido.

Já me senti muito valorizado por ser professor. Mas não foi aqui, foi no ano que passei nos EUA na University of Florida, em estágio de pós-doutoramento. A percepção da importância do papel desempenhado pelo professor por lá é fantástica. Na lista das profissões mais respeitadas naquela época, Professor só era superada pela carreira de Policial. As carreiras mais tradicionais vão lá para o final da fila, uma surpresa. Procurei uma atualização daquela lista, não consegui mais achar. Mas, na busca, achei uma entrevista da Michelle Obama sobre a importância do papel do professor na formação das novas gerações de estadunidenses, que merece ser lida aqui.

Uma parte do artigo eu faço questão de transcrever, desculpem, vai em inglês mesmo, usem os tradutores da internet: We all remember the impact a special teacher had on us—a teacher who refused to let us fall through the cracks; who pushed us and believed in us when we doubted ourselves; who sparked in us a lifelong curiosity and passion for learning. Decades later, we remember the way they made us feel and the things they inspired us to do—how they challenged us and changed our lives. So it’s not surprising that studies show that the single most important factor affecting students’ achievement is the caliber of their teachers. And when we think about the qualities that make an outstanding teacher—boundless energy and endless patience; vision and a sense of purpose; the creativity to help us see the world in a different way; commitment to helping us discover and fulfill our potential—we realize: These are also the qualities of a great leader.

Claro, há enorme diferenças de cultura entre nós, nem de longe está passando pela minha cabeça elogiar a sociedade de lá, e achar que ela é modelo para nós. Nada disso, temos nossa própria cultura muito mais rica e que, aos poucos, vai sendo respeitada e admirada pelo resto do mundo. Meu ponto aqui é somente com relação ao reconhecimento da importância do papel do professor na nossa sociedade e cultura, e essa postagem vai mais como um desabafo muito forte. Ia me esquecendo, na sala de aula onde ensino engenharia de software esse semestre, a sala 358 do Pavilhão de Aulas A, está escrito a canivete no tampo da mesa: Todo professor é filho da puta! É mole?

Deixo aqui minha homenagem ao querido amigo, colega e parceiro de pesquisas Marcelo José Vilela, professor do Departamento de Biologia Animal da UFV, pesquisador incansável da Patologia do Câncer. Falecido na sexta, dia 16 de outubro de 2009, ironicamente vitima de um câncer devastador no pâncreas.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

Inovação: nações inovadoras

Domingo, 28 Junho, 2009 Jose Luis Braga 3 comentários
Estocolmo

Estocolmo

Um tema que considero um desafio e que particularmente me atrai muito, é o da inovação e seus desdobramentos. Não é a toa que uma das categorias mais “gordas”  aqui no blog é Carreira, seguida de perto pela Empreendedorismo.  Leituras e mais leituras, artigos, livros, disciplina de Empreendorismo na graduação, as idéias vão levando sempre para o mesmo rumo: o ambiente ou contexto têm que ser receptivos e favorecedores da inovação. É o que acontece com Estocolmo, capital da Suécia, considerada a comunidade mais inteligente e mais inovadora do mundo, e que foi a fonte de inspiração para esta postagem.

O artigo Building an Innovation Nation trouxe mais luz sobre a questão, de forma objetiva e técnica.  Uma pesquisa conduzida pela McKinsey, em parceria com o Fórum Econômico Mundial (WEF-World Economic Forum), teve como resultado o interessantissimo  Innovation Heat Map,  construido com base em fatores e variáveis comuns aos pólos de inovação. Setecentas variáveis (isso mesmo, 700) foram analisadas em centenas de pólos de inovação pelo mundo afora, dentre elas: ambiente de negócios, governo e legislação, capital humano, infraestrutura (transportes, TI, redes, banda…) e demanda local, associadas com as facilidades para divulgação e garantia de propriedade intelectual. Padrões que sugerem os elementos críticos necessários para o crescimento, fomento e sustentabilidade dos pólos de inovação foram identificados.

O fator forte, comum entre todos os pólos, que cataliza  (ou bloqueia, se olhado pelo lado negativo), é a disponibilidade de um estoque de talentos bem formados e especializados. Embora um pólo de inovação possa ser iniciado com poucos talentos locais, para dar partida no primeiro nível de maturidade, esses pólos são sustentáveis se tiverem uma política estratégica permanente e duradoura de atração, formação e desenvolvimento de uma base de recursos humanos sólida e crescente. Criando um ciclo virtuoso de crescimento e inovação.

Aqui no blog há algumas postagens que merecem ser relidas (ou lidas), que tocam exatamente nesses pontos: Vannevar Bush, Empresas juniores: base para inovação, e outras. Comum a todas elas, a necessidade de uma visão estratégica sustentável, a preparação da mão de obra qualificada, que passa pela variável mais forte de todo o desenvolvimento social em todo o mundo, capaz de sozinha provocar uma revolução: a educação, em todos os  níveis. Essa é a variável que, no médio prazo, provoca as mudanças que todos queremos ver.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

Tendências em conhecimento de TI para 2009

Sábado, 13 Junho, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário

Acabei me esquecendo deste assunto, que está na lista de drafts aqui tem um bom tempo, afinal já estamos no meio de 2009, o assunto vai perdendo importância. Mas, ainda é atual, e vamos lá.

Tecnologia

Tecnologia

Segundo pesquisa publicada na Computerworld, e apesar da grave crise econômica mundial causada pela irresponsabilidade de parte da economia estadunidense, as habilidades e conhecimentos em TI continuam em alta. Esse mercado foi muito pouco afetado pela crise, já que o mundo não vive mais sem a TI, a tecnologia continua sendo a nossa salvação. Programação e desenvolvimento de aplicações (cada vez mais sofisticadas) continuam em alta, embora a previsão seja de que programação tende a ser automatizada no médio prazo, elevando as exigências para o nivel de cima, de projetista. Conhecimento e treino em SAP-R3 continuam com alta demanda, as empresas continuam implantando sistemas de gestão integrados para permitir sua atuação em mercados mundiais, saindo do escopo local. O setor de serviços, com os indispensáveis help-desk (reclamamos deles mas o uso da tecnologia não dispensa mais os help-desks por pior que sejam), é considerado o segundo setor mais importante, vital para o desenvolvimento das empresas globais.

Gerência de projetos está se firmando como área estratégica para as empresas,  fundamental para que elas atinjam niveis de maturidade mais altos nas avaliações CMMImpsBR. Esta é uma área de investimento em conhecimento e treinamento que vai continuar em alta nos próximos anos, podem apostar, visitem o sitio brasileiro do PMI-Project Management Institute. Também a área de inteligência organizacional (business intelligence) está em ascensão, empurrada pela concorrência global entre as empresas. Os dados históricos das transações passaram finalmente a valer ouro, permitindo a extração de relações novas entre grupos de dados pela utilização das técnicas de mineração de dados.

Finalmente, conhecimento em segurança e privacidade continuam em alta, dado o avanço tecnológico, a convergência digital para aparelhos portáteis (há tantas opções no mercado que é dificil até acompanhar essa evolução), e a evolução dos serviços oferecidos aos usuários. Por exemplo, celular (nem sei mais se deveria ser chamado assim) com recursos para GPS-Global Positioning System e acesso aos mapas do GoogleMaps está ficando comum, o preço tecnológico está caindo, e com isso os problemas vão se espalhando, em paralelo com as possibilidades de novas aplicações.

E finalmente o conhecimento em aplicações empresariais utilizando recursos da chamada Web2.0 continuam em alta. O uso de wikis, blogs, a explosão do Twitter e outras tecnologias pelas empresas continuam em alta, e isso não vai parar. O conhecimento, nesse caso, nem é bem em programação e projeto de software, vai mais para o lado da administração e sistemas de informação, pois são ferramentas a serem usadas na melhoria interna dos processos administrativos.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

Aula da saudade – Janeiro de 2009

Quarta-feira, 28 Janeiro, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário

Mais uma vez, com muito orgulho aceitei o convite  para proferir a aula da saudade para os formandos em Ciência da Computação da UFV, em janeiro de 2009. Uma turma meio misturada, alguns de outras turmas que se perderam no meio do caminho e estão com a formatura atrasada, e outros que ao contrário, adiantaram disciplinas e estão se formando antes da turma original. E, claro, a grande maioria se formando na mesma turma a que pertence desde o vestibular.

Formandos...

Formandos...

Vocês estão vivendo um grande momento de mudança, da tranquilidade da vida de estudante Tipo assim, com certeza para a vida profissional, onde as gírias e a despreocupação típicas da vida estudantil vão ter que dar lugar a uma postura profissional, compatível com os novos tempos que se iniciam. A tecnologia em TI continua seu avanço, obrigando a uma permanente atualização: convergência digital focada nos aparelhos de mão (smartphones) já está ali na esquina;  o mercado de serviços  devido em parte à crise econômica mas principalmente empurrado pela competição acirrada por nichos cada vez mais estreitos de atuação passa por um momento de fusões, como a acontecida recentemente entre  a HP e EDS; o lançamento de dispositivos que prometem revolucionar o uso dos computadores pelo cidadão comum, como por exemplo a caneta LiveScribe, que vou ter muito em breve.

Do ponto de vista de previsões, o extenso relatório PEW sobre a internet, comentado e discutido magnificamente em seis longas postagens pelo prof. Silvio Meira em seu blog,  fala tudo e mostra um quadro possivel da área até 2020. Previsões têm o incrivel dom de falhar, já perceberam? o que não impede que a gente leia sobre elas, principalmente se estão bem feitas e baseadas em dados reais. Por exemplo, sobre os dispositivos móveis o relatório diz que   The mobile device will be the primary connection to the internet for most people in the world in 2020… Alguém ainda tem dúvidas de que isso vai ser a realidade no futuro próximo, se já está acontecendo hoje? Outro avanço inquestionável é o do software como serviço, que também  já está acontecendo e tende a aumentar (se houver banda de internet suficiente para o uso remoto).  Vocês que estão entrando no mercado de trabalho, têm que se informar e conhecer essas previsões para não serem pegos de surpresa por elas, têm que saber o impacto que elas vão ter sobre a profissão, o mercado de trabalho, os rumos do conhecimento. 

Finalmente, lembrem-se de que a era do chinelo de dedo todo dia e toda hora, bermudas, boné, chiclete, celular no meio da aula, dormir no meio da aula (espero que não durmam no meio das reuniões…), e o falar prá pensar vão ter que dar lugar ao pensar prá falar, a uma preocupação muito maior com a linguagem, a formalidade, a forma de se vestir, enfim: o processo de mudança está apenas começando, e vai durar a vida toda. E lembrem-se do que eu disse várias vezes nas minhas aulas: a gente tem dois ouvidos e uma boca não é a toa não… é prá ouvir o dobro e falar a metade! Felicidades a todos e parabéns pela formatura.

(as transparências que usei nesta aula da saudade estão aqui).

Empregos em TI: aguentando o tranco da crise

Sábado, 6 Dezembro, 2008 Jose Luis Braga Deixe um comentário
http://www.ssa.gov/history/briefhistory3.html

Http://www.ssa.gov/history/briefhistory3.html

Crise econômica em escala mundial, como a que estamos vivendo, deixa todo mundo preocupado com o que poderá acontecer com os empregos, demissões, cancelamento de novas vagas e contratações, etc.  São milhares de jovens entrando no mercado de trabalho a cada ano, e todo mundo quer a sua oportunidade.

Estatísticas do Escritório de Estatísticas de Trabalho dos EUA (U.S. Bureau of Labor Statistics) mostram que as profissões relacionadas com TI têm saúde de ferro, pelo menos por enquanto.  Enquanto 240.000 postos de trabalho foram perdidos em Outubro de 2008 devido a crise econômica, 5.500 novas vagas foram abertas na área de TI, principalmente para projeto de sistemas baseados em computador e serviços relacionados, e mais 300 vagas novas nas áreas de gerenciamento e serviços de consultoria (vejam a notícia aqui). A única ressalva é com relação aos postos de trabalho que pagam salários mais altos, que podem ficar mais vulneráveis com uma crise econômica que dure mais tempo.

Esse resultado, embora seja referente apenas ao mês de outubro de 2008, mostra que o setor está bem sólido e se transformou em área essencial nas empresas, alinhada com os modelos e linhas de negócios. A área de TI passou de área de suporte e responsável apenas pelo parque computacional, que era a visão de décadas passadas e que tornava os empregos em TI dispensáveis até certo ponto, para área estratégica das empresas, com assento nas diretorias e até em conselhos,  e participando nas discussões de decisões estratégicas. O que significa novos desafios em termos de conhecimento, melhor preparo dos profissionais em matérias relacionadas a administração e economia, o que  já foi comentado aqui no blog mais de uma vez.

(as tabelas do US Bureau of Labor com os dados de todos os setores podem ser consultadas aqui)

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Serviços via PJ: na mira do governo

Domingo, 9 Novembro, 2008 Jose Luis Braga 2 comentários

A modalidade de contratação de serviços via Pessoa Jurídica – PJ, conhecido de todos tanto pelas suas vantagens quanto pelas suas desvantagens e problemas, está na mira do governo federal. Em notícia publicada no Estadão (03/10/2008), finalmente o recado fica claro.

O Ministério do Trabalho encaminhou ao Palácio do Planalto um projeto de lei que trata da limitação da terceirização dos serviços. Por exemplo, fica caracterizado que um contrato de terceirização que dure mais de cinco anos, configura necessidade de transformar o serviço temporário em permanente, com contratação regular da mão de obra segundo as regras da CLT-Consolidação das Leis do Trabalho. Outro alvo do projeto são as empresas de um funcionário só, normalmente criadas para substituir a contratação direta sujeita às regras da CLT. Segundo o Ministro Carlos Lupi, “O objetivo é não permitir a precarização do trabalho. Enquanto eu estiver no comando do ministério, a ordem é incentivar as contratações diretas pelas empresas, pelas regras da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), sem intermediação de nenhuma natureza, e muito menos pelas empresas-gatos que arregimentam trabalhadores e não pagam seus direitos“.

Um outro ponto da proposta é que os trabalhadores temporários que trabalhem dentro do ambiente da empresa contratante, terão  “acesso à estrutura disponível a seus empregados, no que se refere a (benefícios de) saúde, alimentação e transporte“. É até louvável a intenção do governo, pois a prestação dos serviços via terceirização pode se transformar num tipo de escravidão moderna, se não houver uma fiscalização rigorosa pelos contratantes. Afinal, esse é o maior segredo da terceirização: fiscalização permanente e avaliação dos serviços, para não permitir que os desvios se transformem em rotina. Ai o certo fica errado, e o errado fica certo, quem não saberia citar exemplos?

Mas, por outro lado, o governo não faz a sua parte, não moderniza a estrutura legal de contratação de mão de obra, seguindo experiências de sucesso de outros países mais desenvolvidos. A CLT é uma lei antiga, é de maio de 1943, arcaica em muitos pontos pois afinal estamos em 2009 e muita coisa mudou desde 1943, e criticada seriamente em várias oportunidades por pessoas que entendem do riscado. O preço desse atraso é altissimo, um dos pontos é que a empresa gasta pelo menos mais um  salário do contratado para manter sua situação trabalhista legal perante a CLT. Sem contar a imensa burocracia e papelada para manter a documentação atualizada e disponível para eventuais fiscalizações.

No meu entendimento, essa proposta de alteração na legislação citada acima, vai ser outra trapalhada do governo e apenas vai piorar a situação, pois não é endereçada ao problema principal que é essa enorme defasagem da CLT em relação ao contexto atual. A proposta é endereçada a um de seus sintomas que é a terceirização e a contratação via PJ. Do ponto de vista sistêmico, não passa nem perto da causa fundamental do problema, e foca em um dos seus efeitos, tornando-se inócua pois o problema principal vai continuar existindo.

(a postagem de hoje vai curtinha, meus óculos para usar computador estão na ótica para atualizar as lentes, estou usando um quebra-galho que já está me causando dor na nuca. Incrivel, mas já tem quase 15 dias que a armação está por lá, esperando apenas a lente chegar, em pleno século 21, mundo globalizado, e as lentes são comuns, não tem nada de especial. Mundo moderno…)

Governança: o papel dos conselhos de administração

Domingo, 19 Outubro, 2008 Jose Luis Braga Deixe um comentário

As grandes empresas têm em seu organograma os Conselhos de Administração, órgãos auxiliares e consultivos, responsáveis por administrar o negócio, direcionar decisões que tenham impacto estratégico, formulação de estatutos e regimentos, orientações e direcionamento de investimentos, alienação de bens, lançamento de ações em bolsas, etc. Quando ocorre algum impedimento legal dos principais executivos da empresa, o Conselho de Administração tem a responsabilidade de assumir o controle e restaurar os cargos afetados, para evitar que toda a empresa tenha prejuizos financeiros e de imagem. A parte executiva das empresas presta contas e segue os direcionamentos dos conselhos de administração, e idealmente toma decisões sem ferir os direcionamentos dos conselhos. Resumindo: nas grandes empresas (públicas incluidas), o conselho de administração desempenha papel de grande responsabilidade e impacto nas decisões estratégicas.

Governança - GERDAU

Governança - GERDAU

Geralmente fazem parte dos conselhos de administração das grandes empresas profissionais de reconhecida competência e valor, que possam contribuir para a melhoria da qualidade das decisões dos conselhos. A responsabilidade assumida pelos conselheiros é muito grande, pois todos os membros dos conselhos são juridicamente solidários com as consequências das decisões aprovadas pelo conselho. Há vários casos de conselheiros respondendo a processos na justiça, por decisões aprovadas pelos conselhos e posteriormente consideradas lesivas por acionistas das empresas. Além dos riscos de imagem, os conselheiros estão sujeitos a responder juridicamente por decisões que lesem fornecedores, clientes e acionistas. As consequências atingem tanto os que tenham agido de má-fé, quanto aqueles que se omitiram de alguma forma. Ou seja: todos os membros de um conselho estão direta ou indiretamente envolvidos. Nos EUA, já se verifica uma queda de participação de grandes nomes dos negócios em conselhos de administração, por conta dessas responsabilidades e dos inúmeros casos de conselheiros envolvidos em longos processos na justiça, alguns até indo parar na cadeia. A imagem ao lado é um modelo de governança da GERDAU,  detalhes aqui.

Para quem está do lado de cá e não entende muito bem como a coisa funciona, fica parecendo até um grande exagero o fato de que conselheiros ganham para participarem dos conselhos das empresas. Faz sentido? No meu entendimento faz muito sentido, o ganho tem que ser proporcional ao risco que se corre, e nesse caso os riscos são muito grandes. Ai vem a pergunta: tem jeito de minimizar os riscos? Claro, para isso servem os Conselhos Fiscais, e entram em cena os Auditores, que atuam em auditorias internas e externas. Hoje é exigência legal a questão da auditoria externa,  as prestações anuais de contas têm que ser assinadas por auditores externos independentes. E a auditoria interna é um órgão da empresa que, junto com uma assessoria juridica, garantem legalidade e aderência às leis vigentes para os processos internos.

Tudo isso faz parte do tema geral Governança Corporativa, exigência forte para empresas que querem disputar espaço no cenário international. Por exemplo, para empresas que desejam lançar ações na Bolsa de Nova Iorque, a exigência é a de que sejam aderentes ao estabelecido na lei Sarbannes-Oxley, um calhamaço de exigências criadas depois das famosas quebras de empresas como a ENRON e outras, ocorridas há pouco tempo e que levaram para o buraco os investimentos de milhares de trabalhadores estadunidenses, que confiaram nas empresas para garantir uma aposentadoria mais tranquila. Mais recentemente, as empresas têm adotado um padrão para troca de informações contábeis, o IFRS-International Financial Reporting Standard, que tende a ser incorporado nas exigências legais para empresas internacionalizadas. O que acaba atingindo todas as empresas pois, mesmo que não tenham ações na bolsa de NY, as empresas competem hoje num mundo globalizado e um padrão como o IFRS tende a se transformar na língua universal nessa área.

Recomendo uma visita ao sitio do IBGC-Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, que cresce em importância como instância de apoio às empresas.

(baseado no artigo Profissão de Risco, jornalista Larissa Santana, revista EXAME edição 923, de 30 de julho de 2008)

Engenheiro de software: mais exigências de mercado

Domingo, 3 Agosto, 2008 Jose Luis Braga 3 comentários

Mal começa o segundo semestre de cada ano, e as previsões sobre as novas exigências para as carreiras em TI começam a pipocar aqui e ali. Gerente de projetos, engenheiro de software englobando arquiteto de software, projetista e programador, estão sob constante pressão de evolução do conhecimento, pois o avanço tecnológico vem em alta velocidade, e temos que acompanhar. Já não é mais suficiente conhecer bem os fundamentos de  processos, UML, RUP, métodos ágeis, técnicas de teste de software, refatoração, padrões de análise e de projeto, linguagens…

O blog ReadWriteWeb trouxe o artigo Top 10 concepts that every software engineer should know (obrigado pela dica, João Gazolla). Vou comentar parte dele aqui, mas aconselho a leitura do artigo, que aponta para tendências que vão se transformar em exigências em pouco tempo: Interfaces, pois o usuário final é o objetivo dos sistemas, e com o avanço da convergência digital e ubiquidade, temos hoje uma base de usuários crescendo rapidamente, com necessidades e exigências específicas. Em termos de pesquisa, já estamos assistindo ao aparecimento das interfaces adaptativas, o que há 5 anos era apenas uma possibilidade;  Cloud computing, um novo conceito em utilização de recursos de TI incluindo a plataforma de software e desenvolvimento, tarifado pelo uso. Esse conceito já tem hoje impacto nas decisões sobre a hospedagem e o desenvolvimento de software, permitindo aos pequenos terem acesso barato a recursos antes caros e sofisticados, na medida certa da sua necessidade e disponibilidade financeira, competindo com os grandes na mesma raia. Foi lançado há algum tempo pela Amazon e já foi comentado aqui no blog na postagem Amazon.com e a inovação.

Os outros oito conceitos fazem parte dos fundamentos de qualquer bom curso superior de computação, e já não são tanta novidade assim. Exceto pelo fato de que o mercado puxou esses conceitos para a linha de frente, e hoje não basta ter feito uma disciplina na graduação, o conceito vai ser exigido na prática. Como por exemplo os conhecimentos em Bancos de Dados, necessários para decidir onde e como implementar a persistência dos sistemas; os conhecimentos em Complexidade de Algoritmos, o terror da turma nas disciplinas Projeto e Análise de Algoritmos, necessários para projeto ou escolha de algoritmos adequados a novas situações, evitando gargalos de execução quando o sistema é entregue. Que é um problema mais comum do que se imagina, os gargalos aparecem por conta da escolha de um algoritmo inadequado, erros de implementação, etc. Um conhecimento que não está listado no artigo, mas que hoje é obrigatório, é na área de Redes, já que a maioria dos sistemas são desenvolvidos para a web, o que envolve conceitos de concorrência, distribuição e outros nas decisões sobre implementação e distribuição. Isso sem contar que o desenvolvimento distribuido de software está em alta, impondo novos desafios.

Bom, olho vivo… essas considerações têm desdobramentos tanto na profissão quanto nos curriculos, que embora não tenham que acompanhar modismos, devem se adequar de tempos em tempos. E mais uma dica: a maioria dos alunos passa pelos cursos de graduação com baixo nível de interesse pelas disciplinas, muita displicência e pouco comprometimento em sala de aula e nos trabalhos práticos, mais interessados talvez em coisas mais amenas como namoros, festas, etc. Tudo tem seu tempo e deve ser dosado adequadamente. O preço a pagar por não aproveitar as oportunidades no momento certo é muito alto, o mercado vai cobrar, e o filtro para o sucesso na carreira está cada vez mais apertado.

Conselho Federal de Matemática

Domingo, 27 Julho, 2008 Jose Luis Braga 24 comentários
//www.fractalism.com

Fractal Volcano - Jay Jacobson - http://www.fractalism.com

Os matemáticos, englobando aqui os Bacharéis, Licenciados e outras modalidades, resolveram criar também o seu Conselho Federal de Matemática. Por enquanto é apenas um projeto em andamento, mas quando estiver aprovado, sancionado e etc., o que vai ficar valendo é: -a profissão de Matemático vai estar formalizada, e somente formados em curso de Matemática vão poder exercê-la; -professores de Matemática vão ter que ser matemáticos formados e credenciados; -pesquisadores que trabalhem com matemática em institutos de pesquisa e universidades também vão ter que ser formados em matemática; -e várias outras restrições explicitadas em artigos do projeto, seguindo a mesma linha.

A tecnologia também vai ser influenciada pela criação desse futuro conselho. Todo desenvolvimento tecnológico que depender da matemática para sua validação e generalização, terá por força de lei que ser assinado e validado por um matemático formado e registrado no conselho. Assim, por exemplo, o câmbio automático do Toyota Corolla (e de outros veiculos), que é baseado em Lógica Fuzzy (lógica nebulosa), terá que ter suas fórmulas desenvolvidas, validadas e assinadas por um matemático. O mesmo fica valendo para todo e qualquer mecanismo de controle baseado em aplicações da matemática. Onde houver um modelo matemático que represente o funcionamento de qualquer mecanismo, tem que haver um matemático responsável pela fórmula, sua derivação, explicação, teste e validação. Desde o cálculo da órbita de satélites até os modelos matemáticos embutidos em software embarcado em relógios, máquinas fotográficas, aparelhos de GPS, cálculo de rotas, software para roteamento de veículos e localização de centros distribuidores, etc.

Resultados de pesquisas cientificas desenvolvidas em Universidade e centros de pesquisa, envolvendo validação matemática (estatística por exemplo), também vão necessitar da assinatura de um matemático para poderem ser publicados e considerados corretos. Qualquer planilha eletrônica construida para resolver qualquer problema que envolva matemática, por exemplo as planilhas e sistemas de apoio a decisão que auxiliam os administradores na tomada de decisão baseada em modelos matemáticos, muito usados hoje em dia, vão ter que ser desenvolvidos e acompanhados por um matemático responsável. O fato de terem sido desenvolvidos por economistas ou engenheiros com mestrado ou doutorado não será considerado legalmente suficiente para garantir a formalidade e a corretude das fórmulas e consequentemente a validade dos resultados. As bolsas de valores de todo o mundo, mas notoriamente as maiores delas como a Bovespa, a NYSE (New York Stock Exchange) e outras, terão que empregar pesquisadores matemáticos pagos a peso de ouro, para desenvolverem, testarem e utilizarem modelos de predição de tendências de queda ou alta em ações, dólar, ou mercadorias.

Como se isso não bastasse, também os Físicos e os Biólogos estão se organizando da mesma maneira, e em breve vamos ter os conselhos correspondentes, com as mesmas implicações acima. Tudo devidamente organizado, com as reservas de domínio para as profissões. E os profissionais da área de Computação, como é que vão fazer? Computação é, por definição, um filhote da Física e da Matemática, com forte viés tecnológico, de engenharia. A computação é considerada ubíqua, ou seja, temos computação na natureza, os algoritmos estão em toda parte, dai o surgimento de áreas de interseção como a Bioinformática e praticamente com toda as outras áreas do conhecimento humano, muito parecido com o que ocorre com a matemática.

Se a criação de um Conselho Federal de Matemática pareceu a você, leitor, uma idéia maluca e sem qualquer nexo, transponha suas conclusões para a área de Computação. Felizmente, esta  postagem é pura ficção, uma metáfora para ajudar a refletir sobre a questão de criação de conselhos profissionais, cartelização de profissão, reserva de domínio para profissionais formados, etc. Não existe nenhuma proposta de criação de nenhum Conselho Federal de Matemática, é apenas uma idéia maluca para ser usada como metáfora e ajudar a pensar na questão. A Matemática é a ferramenta universal de raciocinio e abstração utilizada em todas as demais ciências, ensinada em todos os cantos do mundo, e base para todo desenvolvimento mental de jovens que vão para as escolas de todos os níveis. Como é que seria o mundo se essa idéia maluca acima fosse de fato verdadeira? E se viessem no rastro dessa idéia, também o Conselho Federal de Física e o de Biologia? E o de Computação?

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Formação complementar em administração: uma exigência do mercado

Domingo, 29 Junho, 2008 Jose Luis Braga 2 comentários

A dinâmica do mercado de trabalho para profissionais de tecnologia, particularmente TI, tem provocado mudanças nas exigências de formação dos novos profissionais. Essas mudanças no perfil não acontecem de uma hora para outra, elas vêm lentamente e temos que ficar de olho para perceber as variações de mercado e ir adaptando os curriculos às novas exigências. Por exemplo, topei com a reportagem Computer science departments must reinvent themselves to avoid a business school takeover, na revista ComputerWeekly. Em bom e claro português: abram os olhos porque os curriculos dos cursos de ciência da computação não estão fornecendo a formação esperada pelo mercado na área de administração e negócios, e estamos perdendo terreno para as escolas de administração e negócios de modo geral. Essa reportagem deveria ser levada a sério, certamente ela é um indicador de mudança lá fora, e ela vai acontecer aqui também, mais cedo do que se espera.

Historicamente, a área de TI das organizações sempre ocupou posição hierárquica nos níveis mais baixos, atuando como prestador de serviços de suporte para os departamentos ou setores que estivessem informatizados. Isso, claro, antes do advento da administração baseada em processos, no final da década de 80. O setor de TI era o culpado por tudo  o que acontecesse de errado na empresa, sujeito a todo tipo de pressão, horários de trabalho malucos ou até mesmo sem horário, um desgaste tremendo. Até surgiu, na época, uma corrente de idéias baseadas no revolucionário artigo do economista Robert Solow, o Paradoxo da Produtividade. Nesse artigo, ele argumentava que os gastos com TI eram crescentes e enormes, e que não era possível enxergar o correpondente ganho em produtividade e melhorias nas organizações que investiam na área. A área de TI foi colocada na berlinda mais uma vez, até que a curva de aprendizagem entrou em cena, e a questão foi entendida de maneira sistêmica, pois leva mesmo muito tempo para uma mudança cultural nas empresas.

Bom, as coisas mudaram muito. Hoje, com as organizações focadas em processos, melhoria de processos, competição em mercados globais (modelo das cinco forças de Michael Porter), tomada de decisão em janelas de tempo estreitas, necessidade de acesso a toda e qualquer informação interna das organizações, e necessidade de enxergar o mundo exterior e as variáveis econômicas que fazem parte dele, a realidade é bem outra. Organizações de qualquer porte, mas principalmente as de médio e grande portes, não podem  mais prescindir dos Sistemas de Gestão Integrados, que integram todos os setores das empresas em sistemas de informações eficientes para apoio a processos decisórios eficazes, permitindo a gestão centralizada e o acesso a informação de qualidade, e na janela de tempo em que ela ainda é útil para apoiar decisões. Essa mudança teve impacto muito grande na importância do setor de TI nas empresas, que saiu da posição de departamento localizado nos porões das empresas, para ocuparem posição mais alta na hierarquia administrativa, passando a ter assento nos conselhos das empresas, e participando das principais decisões de médio e longo prazos. O CIO-Chief Information Officer surgiu no cenário, e com o seu perfil veio a demanda por conhecimentos em administração por parte do pessoal de sistemas. Os Sistemas de Informação e a TI passam a ser parte integrante estratégica  e indispensável do próprio negócio.

E é ai onde está hoje o maior desafio para os curriculos dos cursos de computação, de qualquer natureza. É indispensável, para quem vai para o mercado de trabalho, uma bagagem mínima de conhecimentos em Administração fornecida na graduação. Como é que os curriculos tentam resolver o problema? Incluindo na grade curricular disciplinas optativas da área de administração, sendo as mais comuns: Teoria Geral da Administração; Organização, Sistemas e Métodos; Marketing e até algumas da área de Economia, como Microeconomia. E ai, como são optativas, fica por conta do interesse do aluno e do seu orientador ou coordenador de curso incluir essas disciplinas no plano de curso do aluno. E ai vai um palpite, baseado na minha própria experiência que não é pouca: raros são os alunos que conseguem enxergar a necessidade dessas disciplinas, a grande maioria prefere pegar optativas dentro da própria Computação, desprezando essa oportunidade de formação complementar que ajuda a abrir horizontes.

A SBC-Sociedade Brasileira de Computação mantém sempre atualizado (?) um curriculo de referência para os cursos de Ciência de Computação e Sistemas de Informação. Da leitura desse documento fica bem claro o perfil desejado dos egressos de cada tipo de curso. A crença generalizada (eu não compartilho dessa opinião) é a de o curriculo sugerido para Ciência da Computação é mais pesado em matemáticas e físicas, para dar ao aluno mais fundamentos para encarar um mestrado e um doutorado posteriormente, e o curriculo sugerido para Sistemas de Informação forma melhor o aluno cujo destino é o mercado de trabalho, com a sua carga maior em disciplinas de Administração e Economia. Também a ACM-Association for Computing Machinery mantém um grupo permanente de evolução de currículos, o último documento disponivel, uma revisão de 2005, pode ser baixado aqui, sendo uma referência mundial.

Vai uma opinião, naturalmente baseada na minha experiência, sobre a questão das exigências de mercado e o que as universidades conseguem oferecer. As universidades, principalmente as públicas no Brasil, sofrem com todo tipo de descaso e falta de recursos que todos já conhecem. Não temos agilidade administrativa e nem poder de decisão para implantar uma mudança curricular, incluir disciplinas de conteúdo variável ou contratar pessoal suficiente para acompanhar as necessidades de mercado, e nem sei se deveriamos ter tanta agilidade assim. Temos conseguido, com muito esforço, formar alunos com uma sólida base em fundamentos, capazes de enfrentar os desafios com pouco tempo de adaptação e treinamento em tecnologias específicas. Não vejo, infelizmente, as empresas fazerem a parte delas. Na minha opinião, as empresas deveriam participar do esforço de formação, fornecendo o conhecimento e o treinamento complementares necessários, ao invés de pressionar exageradamente as universidades, que trabalham no limite de sua capacidade de formação. Será que a responsabilidade é somente das universidades?

(visitem o blog sobre Carreira da Computerworld/UOL, 26/07/2008. Obrigado pela dica, Léo)

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