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Archive for the ‘Economia’ Category

Sistema bancário e os novos tempos

Domingo, 20 Setembro, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário
Bancos

Bancos

Cada vez mais, dinheiro tende a ser considerado informação, e nada mais. Quando eu pago uma conta via cartão de débito ou crédito, ou via o sitio do banco na internet, o que acontece de fato? Apenas, e nada mais, que uma transferência de informação autorizada por mim, titular da conta ou dos cartões, é efetuada. Na minha conta aparece a informação de que alguns trocados foram transferidos para a conta xxxxx, na data dd/mm/aaaa, para pagamento de uma fatura de número nnnnnnnnnn,  e estamos conversados, e na outra conta aparece a mesma informação, somando ao saldo já existente. Tudo registrado e recuperável facilmente, podendo ser até impresso o que, diga-se de passagem, com a atual onda de sustentabilidade do planeta, tende a ser uma operação cada vez mais evitada.

Bom, nessa nova visão, qual seria o papel dos bancos para as pessoas físicas? É um bom assunto para pensar, não é? Na minha idéia, considerando uma sociedade cada vez mais informatizada e com acesso muito fácil à internet, a tendência é prescindirmos dos bancos como intermediários de transações financeiras, passando cada um a gerenciar sua própria informação financeira, como já fazemos hoje com nossas informações pessoais. Precisariamos de uma autoridade central certificadora de transações, assinatura digital para cada cidadão que queira usar o sistema, por questões de segurança, transparência e rastreabilidade. O que hoje é intermediado pelos bancos comerciais, que registram as informações para as autoridades fiscais de cada pais, cada um com seu sistema.

O uso de certificados digitais, por exemplo, já é bem disseminado no comércio e na indústria, a implantação do sistema nacional de nota fiscal eletrônica exige isso. A certificação (assinatura) digital ainda não chegou ao cidadão comum, mas isso é coisa de pouco tempo, alguns cidadãos até já têm o certificado. Facilita muito a vida, muitas informações fiscais acessáveis somente via um contador, por exemplo, ficam disponiveis facilmente via computador ligado na internet, que tenha terminais USB (ou seja, todos ou quase todos).

Bom, e o dinheiro físico? dificilmente deixará de circular, por um longo tempo vamos ainda conviver com ele. Mas, a tendência é seu desaparecimento, sendo substituido pelos cartões de plástico, ou pagamento via celular, ou quem sabe via o relógio de pulso ou via um brinco pendurado na orelha? Vai ter o mesmo destino dos cheques, que já se transformaram em algo anacrônico, do passado, cada vez menos usados, inseguros, facilmente alteráveis e falsificáveis. O blog do prof. Silvio Meira, que recomendo muito, tem uma categoria que ele denomina Informaticidade, dedicada a esse tipo de assunto, vale a pena conferir.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

Nokia: notebooks com Android vindo ai…

Sábado, 11 Julho, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário
NetBook

NetBook

Estamos presenciando mais uma onda tecnológica, caminhando para a tão falada convergência digital. O nome dado pela indústria ao novo brinquedo foi NetBook que, pelo menos para mim, não tem muito sentido, continua sendo um notebook com recursos limitados de processamento. Recentemente, alguns blogueiros de tecnologia falaram exatamente a mesma coisa.

Há umas duas semanas, o meu netbook finalmente chegou lá no DPI. Comprei via projeto, por necessidade mesmo, pois detesto gadgets e somente troco de aparelho quando o antigo já abriu o bico. Tela de 10.1″, um pouco maior que as que tinham aparecido inicialmente, HD de 160Gb, 1Gb de RAM, microfone e câmera embutidos, wifi de ótima qualidade, um monte de porta USB, conexão para datashow, o teclado é confortável, dá para teclar “normal”, 1.3Kg e a bateria de 6 elementos que aguenta o tranco por mais de 6 horas!!!  Vai substituir o  Toshibão já antigo (2005) e folclórico entre meus alunos, pesado demais, não tem nada de portátil, é no máximo portável, quase um desktop móvel.

O importante é não esperar demais de uma máquina dessas, não exigir mais do que elas conseguem entregar. Capacidade de processamento, por exemplo, podemos deixar de lado, é muito limitada. Não serve, ou pelo menos por enquanto não serve,  para desenvolvimento utilizando ambientes pesados como um Eclipse ou NetBeans. Por outro lado, são perfeitas para serem carregadas para todo canto, uso em reuniões, anotações rápidas, apresentações de trabalhos, aulas, e para uso em comunicações de modo geral, usando os recursos da placa de rede wifi. E eu entendo que esse é seu principal uso.

Mas, como são máquinas baratas e parece que cairam no gosto “popular”, os fabricantes enxergaram ai um nicho para melhorar as vendas. Por exemplo, a Nokia anunciou recentemente um netbook, a ser lançado em 2010, com sistema operacional produzido em cima da plataforma para uso com dispositivos móveis Android da Google.  Essa máquina anunciada já é resultado da parceria celebrada entre a Nokia e a Intel, é um enorme primeiro passo para uma mudança que já foi anunciada há algum tempo: o fim das máquinas (inicialmente as portáteis) com sistema operacional local.

A tendência é o browser nativo da máquina ser a porta de saida e entrada para todo tipo de uso, e as suites de escritório, planilhas, apresentações, plataformas de desenvolvimento, bancos de dados, etc., ficarem todos em servidores remotos, com muito pouca coisa na máquina local.  A intenção da Google com o lançamento do Android em parte  foi essa, e quem usa os recursos oferecidos pelo Google (Gmail, Docs, Groups, Reader…) já vive essa realidade de usar sistemas remotos, nada ou quase nada na máquina local. Nesta semana, a Google anunciou no Google Blogs a noticia do sistema operacional associado com o GoogleChrome, vejam a noticia aqui. Aconteceu mais rápido do que o mercado esperava, significa que muito em breve teremos celulares com um grande poder de processamento e um monte de recursos remotos, e os netbooks vão ter ai seu uso principal.

A Microsoft segue no rastro da Google para não perder a corrida, com o projeto Gazelle, e os primeiros passos já estão sendo  dados, com o Office e outros serviços oferecidos via rede.  A mudança que vai se seguir é cultural, ainda temos muitos usuários tecnófobos insistindo em usar cliente de mail nas máquinas locais, por exemplo, sob os mais diversos argumentos (lembram do Eudora? e do Thunderbird? claro que não…). Todos eles relacionados de alguma forma com a tecnofobia…

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

Nano: preço de moto, cara de carro

Sábado, 23 Maio, 2009 Jose Luis Braga 2 comentários

Tata Nano

Tata Nano

A foto ai do lado é do Nano, o novo lançamento da indiana Tata Motors, mais um carro para as multidões, que vai custar seus 2000 dólares na India. É um carrinho pouco maior que uma moto encorpada, tem motor de moto, arranque de moto, consome pouco combustivel, baixo nível de poluição, e muita inovação para fazer tudo isso caber nesse preço de 2000 dólares. O mais interessante da biografia do Nano é a criatividade e inovação da engenharia da Tata Motors, para conseguir esse resultado.

A ficha do carro, bem resumida: motor de arranque de motocicleta, motor Bosch de 2 cilindros e 35CV a gasolina (tipico motor de motocicleta), aceleração de 0 a 100km/h em 17 segundos (comparável a de um Celta básico), velocidade máxima de 105km/h, consumo médio na cidade de 23,6km por litro de gasolina (é mole?), peso de 600 quilos. Os principais pontos onde os engenheiros da Tata espremeram para conseguir baratear o carro foram: bateria debaixo do banco trazeiro (solução já conhecida do Fusca antigo e outros), tanque de gasolina dentro do capô dianteiro eliminando aquela tampa externa do tanque (também já usada no Fusca e outros), o estepe é um pneu mais fino que serve apenas para chegar até ao borracheiro mais próximo, pintura leva apenas uma passada no forno de secagem (ao invés das duas tradicionais), painel espartano, apenas três parafusos prendem as rodas aos cubos, e mais de 30 patentes relativas a inovações utilizadas no seu projeto foram  registradas.

Essa iniciativa da Tata Motors, de produzir um carro para atingir os consumidores da base da pirâmide, representa na verdade um primeiro passo de mudança para as montadoras tradicionais. A cidade de Detroit, nos EUA, vive um forte ocaso, com a quebra das maiores montadoras estadunidenses, e as grandes e tradicionais montadoras européias estão definhando e mudando de donos, passando para as mãos de fabricantes chineses e indianos. Os carros grandes, consumidores de combustivel e que não cabem mais nas ruas, estradas e estacionamentos, estão em franca decadência e até nos EUA, que é o dominio deles, os carros pequenos e econômicos estão entrando firme. A recente aliança da Chrysler com a Fiat, para produzir nos EUA o modelo Cinquecento que é pouco menor que um Fiat Uno, é a prova viva da mudança.

O Nano é apenas o começo da inauguração da era dos compactos: mais eficientes, mais verdes, mais leves, menores, mais econômicos, menos poluentes. Esses carros vão competir diretamente com as motocicletas,  possibilitando a muita gente vender a moto e comprar um carro, que sem sombra de dúvidas, vai ser mais seguro que andar de moto pelas nossas ruas. Que vão, certamente, ficar mais entupidas de carros, mas isso já é a realidade, já convivemos com ela.

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Cloud computing

Domingo, 17 Maio, 2009 Jose Luis Braga 3 comentários
Nuvens

Nuvens

Cloud computing, ou computação em nuvens, é a promessa de virada tecnológica para o início deste século, e que começa a se materializar. O conceito de localidade muda completamente: dados, programas, sitios web, blogs, textos, Orkut, Facebook, Twitter, etc., tudo fica espalhado na nuvem, nunca saberemos onde eles vão estar fisicamente. E interessa saber? Acho que não interessa, quem é usuário de serviços do Gmail, por exemplo, já vive essa realidade há um bom tempo. Onde ficam nossas mensagens? Em qualquer canto de algum servidor de dados do Google, que por sua vez pode estar em qualquer lugar do mundo onde haja datacenters da empresa. Os conceitos que passam a ser mais importantes são os de acessibilidade,  disponibilidade, privacidade e segurança, que passam a ser garantidos pelo provedor do serviço e saem da nossa esfera de controle.

A mudança cultural também é muito grande. Com acesso à internet, que está cada vez mais fácil e barato (exceto no Brasil que tem os serviços mais caros do mundo), teremos acesso a todos os nossos dados a qualquer instante e em qualquer lugar. Acaba aquela idéia de que meus dados estão no computador lá de casa, tenho que ir lá com o pendrive e pegar o que for necessário. Ainda é possível ver focos de resistência, como por exemplo pessoas  que ainda usam clientes locais de correio eletrônico, baixam todas as mensagens para o computador local, ao invés de usar o serviço de correio pela web. Mas, a mudança é cultural, a curva de aprendizagem é funda, leva tempo.

Essa mudança já está tendo impacto nas empresas que fornecem serviços e sistemas organizacionais e administrativos pela internet. O novo conceito é o cliente pagar pelo uso como já fazemos com a energia elétrica, água e telefone, ao invés de ter que instalar um sistema completo em servidores locais, ter técnicos especializados locais para cuidar da manutenção, instalar firewall de proteção, fazer backup dos dados e programas, e por ai vamos. A empresa Salesforce, por exemplo, é uma das pioneiras no oferecimento desse tipo de serviço pela web.  A tendência está sendo seguida por outras empresas que atuam na área comercial, já que o avanço da tecnologia disponivel vai empurrar todo mundo para esse tipo de solução.

Em uma postagem de janeiro de 2008, Amazon.com e a inovação, eu já havia comentado sobre o avanço dessas tecnologias associadas à computação nas nuvens. Nesse tempo que se passou desde aquela postagem, a Amazon.com avançou no conceito e no oferecimento de serviços de computação nas nuvens, vejam esta postagem no blog do Vinicius Carvalho sobre o assunto, com detalhes técnicos. Por uma ninharia e com muito mais conforto, qualquer empresa teria acesso aos serviços de Elastic Computing oferecidos atualmente pelos servidores da Amazon.com. Ou melhor, oferecidos no espaço de discos e de tempo que sobram do uso próprio da Amazon.

Como se isso não bastasse, ainda tem mais uma revolução tecnológica vindo por ai. Em breve, os computadores virão sem sistema operacional, ou seja, sem Windows, Linux ou outros.  Terão apenas o navegador web (browser), que será ativado quando o computador for ligado. E tudo será feito via o navegador, que terá embutido nele o núcleo de um sistema operacional para a web, abrindo a navegação na internet, a execução de programas, etc. Ou seja, o navegador vai ser o novo sistema operacional. O Google já avançou muito nesse aspecto, com o navegador Chrome e a plataforma Android. A Microsoft não está parada, e está levando adiante o projeto do Gazelle, um navegador que tem a mesma finalidade. Tudo isso está logo ali adiante, muito em breve vamos ter essas novidades disponiveis. E haja banda de internet para aguentar o tráfego…

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Água, olha a água, água…

Sábado, 28 Março, 2009 Jose Luis Braga 5 comentários
Água, água....  

Água, água....

O título desta postagem é o refrão (se é que pode ser chamado assim) dos vendedores de água mineral (?) da rodoviária do Rio de Janeiro. Que eu ouvia pelo menos duas vezes por semana, na época do doutorado. Recentemente, lendo o Guia Exame 2008 de Sustentabilidade que chegou no final do ano passado, topei com a reportagem: Tão valiosa quanto o petróleo,  jornalista Tatiana Gianini. Pela reportagem, a nossa água tão comum e que o ser humano está tão  acostumado a desperdiçar de todas as maneiras possíveis e imagináveis, está sendo considerada a commodity do século 21! Isso mesmo, e olhem alguns números tirados da reportagem: 20% da população mundial (mais de 1 bilhão de pessoas) não tem acesso a água potável; 350 bilhões de dólares é o total da venda global de serviços e equipamentos relacionados à água em 2007, e deve atingir 530 bilhões de dólares em 2016; 325 bilhões de dólares foram investidos nas áreas de serviços de fornecimento de água e tratamento de esgoto em todo o mundo em 2007; 91 bilhões de dólares é o total das vendas mundiais de água engarrafada em 2007

Indicações do cenário catastrófico:  em maio de 2008, a pior seca que atingiu a Espanha em décadas obrigou a cidade de Barcelona a encomendar navios carregados com milhões de litros de água vinda da França. Na Austrália, quase todas as cidades têm medidas de restrição de consumo. Nos EUA, algumas prefeituras de cidades da Califórnia impuseram racionamento de água a população para garantir a continuidade do abastecimento; cerca de 70% dos rios e lagos da China estão poluidos; no Brasil, bacias como a do Rio Doce na nossa região de Minas, tem também de 70% das águas impróprias para consumo humano; os aquíferos, como o aquífero Guarani, estão se esgotando rapidamente por causa do crescimento indiscriminado das cidades que utilizam sua água, e por ai vamos.

O grande nicho de negócios atual é a dessalinização da água do mar, um processo caro e que demanda ainda muita energia elétrica para manter em funcionamento as bombas que forçam  a passagem da água pelos filtros para retirada do sal. Avanços tecnológicos recentes indicam que um novo processo que dispensa o uso das bombas já está disponivel, e que vai eliminar o uso da energia elétrica que é o principal elemento do alto custo desta solução. Outro enorme nicho é o de tratamento de esgotos e reaproveitamento das águas, as prefeituras dos municípios não têm recursos para investir satisfatoriamente nesse tipo de serviço que vai sendo aos poucos assumido pela iniciativa privada em parcerias com o estado e municipios. Aí é onde entram os grandes como a GE Water, braço da General Electric dedicado a soluções para a água, da Siemens Water Technologies, da 3M, da Dow Water Solutions, e outras.

Muito bem, então estamos salvos e podemos continuar jogando água fora como sempre fizemos? Lavando carros em lava-rápidos (um comentário, muitos se auto-denominam lava-jato, já pensaram só se pousar um jato lá para ser lavado? o correto seria lava-a-jato…), desperdiçando água no banho (isso para quem tem água encanada e pode se dar ao luxo de tomar banho), usando mercúrio para separar ouro das areias dos nossos rios e poluindo as águas mortalmente, lançando esgoto sem tratamento nas águas dos rios e mares, construindo indústrias poluidoras que lançam material poluente nos rios mais próximos, e precisa mais? Infelizmente, o ser humano é individualista e enxerga apenas o momento presente, deixa para pensar no problema no futuro quando ele acontecer… e ai não vai ter mais jeito de resolver, e sem água a vida como a conhecemos será varrida da face do planeta Terra.

Pelo bem ou pelo mal, essa degradação da natureza chegou a tal ponto que a água, que é um recurso natural abundante na terra e suficiente para manter a vida no planeta, se transformou neste suculento e ótimo negócio, fonte de muitos $$$ de lucro para as empresas. O que significa que, em breve, vamos começar a pagar pela água que consumimos, e a pagar caro. Atualmente, pagamos apenas o custo do tratamento da água, captação, armazenamento e distribuição, mas não pagamos pela água propriamente dita. Quando isto acontecer, certamente vamos ter um uso mais consciente do recurso, pois vai doer no bolso. Algumas iniciativas imprescindíveis estão aparecendo, como por exemplo o IGAM – Instituto Mineiro de Gestão de Águas, que tem o seu parente nos demais estados.  

A despeito dessas iniciativas o ser humano, que continua sendo o principal elo da cadeia, continua sendo o principal responsável por essa degradação toda, e isso leva gerações para mudar, pois é uma mudança cultural. Que felizmente  está acontecendo, as novas gerações têm outra consciência de problemas ambientais e de sustentabilidade.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post was written by zeluisbraga, and was published on my blog zeluisbraga . wordpress . com)

Mercado de livros usados

Sábado, 7 Março, 2009 Jose Luis Braga 9 comentários
Sebo   

 

 

 

Sebo

A venda e troca de mercadorias é tão antiga quanto a própria humanidade. É uma prática que faz parte da cultura do mundo todo, talvez herança dos fenícios e seus descendentes. Os sebos existem há séculos, quem nunca entrou em um sebo e ficou lá horas, procurando algum título interessante? Com a difusão da internet e o aumento dos negócios feitos eletrônicamente, esse mercado de usados, principalmente livros, explodiu, e hoje merece muita atenção (a imagem ao lado, está originalmente aqui).

Compro regularmente no mercado de livros usados da Amazon.com. Eles vendem outros itens da mesma forma, mas meu principal interesse por lá são os livros, outros produtos são taxados e acaba não valendo a pena. Esse mercado tem uma estrutura interessante: a Amazon é o intermediador, falando com os dois lados, comprador e vendedor. O vendedor se cadastra na Amazon como tal, aparentemente por um processo simples pois toda vez que eu faço uma busca por algum título, me aparece um link com a pergunta: Have one to sell? sell yours here…, na página de informações do livro. Reparem no link do livro Made to stick (por sinal um livro muito interessante que está na minha fila de compra), esse link Have one to sell?… está do nosso lado direito.

A informação sobre a disponibilidade de exemplares no mercado de usados, para o título procurado, vem logo após as informações do livro novo: quantidade de usados em oferta, o preço mais baixo, e o link que vai levar o cliente para a lista de usados.  Reparem nessas informações para o livro acima, o link para a página de usados está aqui, ofertas ordenadas por ordem crescente de preço. As informações importantes para cada item são: -o estado do livro, que  aparece na coluna Condition (Like New, Very Good, Good e Acceptable);  -na coluna Seller information, aparecem as informações sobre o vendedor, como por exemplo o estado de origem, se está disponivel envio internacional e, mais importante, o ranking do vendedor (parecido com o ranking do Mercado Livre).

Procuro comprar sempre Like New ou Very Good, e até agora não quebrei a cara. Isso só aconteceu quando comprei um livro de estatística do Montgomery (muito bom), a melhor condição disponível era Good, e eu comprei assim mesmo, e o livro veio todo rabiscado e marcado, uma merda, acho que deve ter pertencido a estudante estadunidense de curso de graduação. Tem um risco ai, claro, e na mesma coluna Seller information, tem a linha Condition,  que tem alguma informação sobre o estado do exemplar do livro.

Uma vez selecionado o vendedor, o resto se passa do mesmo jeito que na compra de livros novos.  A intermediação da Amazon.com volta ao ar, informações do comprador são coletadas (se você for cadastrado na Amazon, mais fácil ainda), e as informações do comprador são repassadas internamente ao vendedor escolhido, que se encarrega de enviar o livro diretamente para o endereço do comprador. A Amazon faz o débito no cartão do comprador, e repassa o valor para o vendedor, e garante a venda. Qualquer reclamação não resolvida, o vendedor arca com as penalidades, a principal é a eliminação da lista de vendedor de usados.

Várias outras livrarias descobriram esse rico mercado, e também vendem usados, esse mercado se espalhou na internet  e funciona a pleno vapor. Confiram: Alibris, Powells, e a excelente Estante Virtual, brasileira, que congrega um monte de livrarias de usados e sebos, acha-se de tudo por lá. Uma nova iniciativa por aqui,  que parece estar dando bons resultados, é o sitio TrocandoLivros,  alguns leitores estão enviando boas referências.  Boas compras ou boas trocas!

(este artigo foi escrito  por zeluisbraga, e postado no meu blog  zeluisbraga . wordpress . com) (this post was originally written by zeluisbraga, published on my blog  zeluisbraga . wordpress . com)

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Etanol afetado pela crise econômica

Segunda-feira, 2 Fevereiro, 2009 Jose Luis Braga 2 comentários
Barril de petróleo

Barril de petróleo

Oportunidades para análises sistêmicas estão sobrando. Agora, é o setor produtivo do álcool carburante, recém-batizado de etanol para ficar compativel com o nome mundial do produto (não resta dúvida de que o novo nome ficou muito mais chique!).  Considerado a estrela da sorte do Brasil, gerador de milhares de empregos no campo, produto forte e em ascensão na pauta de exportações brasileiras, também foi pego pela crise. Pensando sistêmicamente, a coisa toda se passa atrelada ao preço do barril de petróleo.  Que chegou a impensáveis US$150,00 e com previsão dos analistas de fechar o ano de 2008 a US$200,00 o barril, afetando toda a economia mundial que por sua vez, estava em franca aceleração, consumindo produtos básicos (commodities) em volumes muito altos, fazendo a alegria dos paises exportadores desses produtos (como o Brasil).

Claro, estamos falando de economia de mercado, onde a regra básica de regulação de oferta e demanda  é simples de entender: produto com escassez de oferta e com alta demanda, leva a um aumento de preços. E os países produtores de petróleo se aproveitaram do bom momento  da economia para regularem a produção (para baixo), provocando um aumento de preços e lucrando mais que nunca com cada barril extraido.

Muito bem, com a crise econômica provocada pela irresponsabilidade dos bancos estadunidenses e de outros ricos, que na busca pelo lucro exagerado fizeram pessoas que ganham muito pouco assumirem financiamentos de casa própria impagáveis, com as consequências que estamos vendo e sentindo na pele: retração no crescimento econômico mundial. O problema balançou toda a economia mundial  e seus setores mais fortes, e consequentemente houve uma retração na demanda por petróleo no mundo todo. Queda na demanda provoca uma queda proporcional nos preços, e o resultado é o que estamos vendo: barril de petróleo cotado abaixo de  US$50,00 e enormes reservas acumuladas pelos principais paises consumidores.

E o etanol? Aproveitando o bom momento das previsões da alta do barril de petróleo, o etanol entrou em alta no mundo todo, como uma alternativa viável para suprir uma possivel falta de petróleo no mercado. Altos investimentos foram feitos, mais usinas criadas ou expandidas, capacidade de produção em alta, paises começaram a importar etanol do Brasil, enfim, um cenário excelente para o setor.

Com a crise e queda na atividade econômica mundial,  passou a sobrar petróleo barato no mercado internacional, e o etanol sumiu das conversas, com o mercado e o interesse internacional pelo produto em queda temporária. Prá complicar, a falta de crédito para financiar o capital de giro das usinas produtoras no Brasil  e os custos altos de produção, que sofreram aumento de 25% nos últimos 18 meses devido principalmente a alta dos insumos agrícolas para a produção de cana, pioram muito o cenário. Estima-se que a produção na safra de 2008/2009 será de 25 bilhões de litros, com uma estimativa de demanda mundial, no mesmo periodo, estimada em 27 bilhões de litros. Ou seja, possivelmente vamos ter etanol encalhado por aqui…

A economia funciona em ciclos econômicos estudados por Joseph Schumpeter, e a lógica é a de que se está sobrando petróleo hoje no mercado, no próximo ciclo ele vai faltar, e volta a corrida pelo etanol. E lembro mais uma vez, tudo é sistêmico, um número enorme de variáveis influenciando-se mutuamente, a maioria delas sem permitir ação direta de controle e decisão.

Educação superior nos EUA: $$$$$

Domingo, 18 Janeiro, 2009 Jose Luis Braga Deixe um comentário

Estando do lado de cá, muitas vezes as pessoas não conseguem perceber claramente a realidade do lado de lá. E fica aqui se lamentando e achando que tudo do lado de lá é melhor. Por exemplo, os custos da educação superior nos EUA estão ficando proibitivos, e a previsão é a de que em 25 anos (2034) a maioria das famílias estadunidenses não vai conseguir arcar com esses custos.

Parte do preço...

Parte do preço...

Vejam os números: esse custo subiu 439% de 1982 a 2007 (sem correção da inflação no periodo), ao passo que os ganhos de uma família estadunidense típica subiu apenas 147% no mesmo periodo. Apenas para comparação, 0s custos com medicina (planos de saúde, atendimento médico, remédios…), considerados o grande vilão em qualquer canto do mundo, subiram 250% no mesmo periodo. A consequência imediata é que dobrou na última década o número de empréstimos assumidos pelas famílias estadunidenses para pagar a educação superior de seu filhos.

Last year, the net cost at a four-year public university amounted to 28 percent of the median family income, while a four-year private university cost 76 percent of the median family income”. Somente o pagamento de taxas escolares consome 11% do ganho de uma familia estadunidense, e a previsão é a de que se as coisas continuarem no mesmo ritmo, esse percentual será de 24% em 2036 (por aluno…).

E do lado de cá? Claro, os custos também são muito altos nas universidades particulares, para onde uma grande maioria dos jovens tem que correr porque não consegue entrar em universidade pública, pois  não conseguimos  atender à enorme demanda que cresce a  cada ano. A maioria vai para o mercado de trabalho, para tentar economizar alguns $$$ para pagarem o cursinho e tentarem o vestibular  novamente no ano seguinte. Até passarem, ou então sucumbirem diante da realidade e partirem para um curso em faculdade privada. Pior ainda é se formos olhar os enormes custos para o primeiro e segundo graus em escolas  particulares, que são muito mais altos que na universidade.

Do lado de lá, o estado garante o estudo gratuito desde a pré-escola até o fim do secundário, quando os jovens completam 16 ou 17 anos e vão seguir seu rumo (elementary school, middle school e high school). Ou seja, uma formação básica é garantida pelo estado, dando condições mínimas de sobrevivência a todos os cidadãos, e isso pode ser considerado um avanço em termos sociais e de formação do cidadão.

Enfim, os sistemas não são totalmente comparáveis, as economias menos ainda, as prioridades menos ainda, e vamos por ai afora. Em vários aspectos, vivemos em um país mais justo e que talvez, exatamente por isso, será um grande exemplo para o resto do mundo em futuro próximo. Essas são apenas notícias que cada um tem que saber como inserir na sua base de conhecimento sobre o mundo atual.

(leiam a noticia completa)

Mercado mundial de serviços de TI: IBM x (HP+EDS)

Domingo, 11 Janeiro, 2009 Jose Luis Braga 2 comentários

O mercado de serviços em TI mudou de cara nos últimos 10 anos. Passou de produção e venda de equipamentos, para a concentração na área de serviços de software corporativo, o enorme filão atual. Por exemplo a IBM, nos últimos 10 anos, reduziu seu faturamento com hardware  de 40% para 19%, e deixou definitivamente o mercado de computadores pessoais e laptops ao vender essa divisão para a chinesa Lenovo.

http://caveviews.blogs.com/cave_news/lego_creations/

http://tinyurl.com/8uryas

O novo filão onde os dólares se concentram está no setor de aplicações corporativas, consultorias e administração de datacenters, que movimentou 750 bilhões de dólares  em 2007.  Esse não é um mercado para pequenas empresas, somente as médias (gordas) e  grandes é que têm estrutura para encarar os enormes desafios do desenvolvimento de aplicações corporativas nesse nivel. E não dá para crescer de uma hora para outra, ou as empresas conseguem enxergar as oportunidades com muita antecedência e se preparam para elas no tempo certo, como fez (e continua fazendo) a IBM, ou então partem para as fusões e aquisições como única alternativa.  Exemplo no Brasil é a TOTVS,  que incorpora hoje a RMSistemas, a Microsiga, a Datasul, estratégia escolhida para crescer em curto espaço de tempo e melhorar a competitividade no cenário global (o link para o Volvo-lego da figura, está aqui).

Em maio deste ano, a HP anunciou a aquisição da EDS, para fazer frente a IBM, sua principal concorrente nesse setor, por US$14 bilhões. Para vocês terem idéia dos números estratégicos envolvendo esse setor,  somente no Brasil a IBM faturou sozinha US$ 3,4 bilhões e a HP+EDS  US$ 3,13 bilhões (2,59 HP + 0,546 EDS). O faturamento no mundo é de US$ 98,8 IBM e US$126,1 HP+EDS.  É de dar água na boca ou não? Sem falar no número de funcionários  no Brasil, 15400 IBM (3,9% da força de trabalho mundial da empresa, e com muitas vagas em aberto nesse inicio de 2009) e 17000 HP+EDS (5,7% da força de trabalho mundial das duas empresas).  Brasil é considerado área estratégica no setor de serviços, tanto como consumidor quanto como centro de produção e de exportação: o setor passou de R$16,69 bilhões em 2006 para estimados R$21,5 bilhões em 2008.

O Brasil é o segundo maior centro global de serviços da IBM, atrás apenas da India. Em seu centro em Hortolândia-SP, mais de 100 empresas internacionais são atendidas, com alto faturamento em exportação de software. A HP, com a aquisição, ganha peso para encarar a competição com a IBM. Mais aquisições podem acontecer, o mercado brasileiro é considerado muito segmentado, com muitas empresas de médio porte mordendo um pedaço do bolo.

Tudo isso significa que vamos continuar vendo o cenário atual no mercado de trabalho: muitas vagas para bons profissionais, e poucos profissionais disponiveis no mercado com o perfil desejado pelas empresas. Muitas oportunidades para todos vocês, olho vivo na formação, na empregabilidade, no networking…  Nunca se esqueçam de que é impossivel a escola ensinar tudo, a maior parte do esforço tem que partir de vocês, tem que correr atrás e quanto mais cedo começarem, melhor.

(baseado no artigo A frente brasileira, jornalista Camila Fusco, seção Tecnologia/serviços, EXAME 929, 22 de outubro-2008 )

Empregos em TI: aguentando o tranco da crise

Sábado, 6 Dezembro, 2008 Jose Luis Braga Deixe um comentário
http://www.ssa.gov/history/briefhistory3.html

Http://www.ssa.gov/history/briefhistory3.html

Crise econômica em escala mundial, como a que estamos vivendo, deixa todo mundo preocupado com o que poderá acontecer com os empregos, demissões, cancelamento de novas vagas e contratações, etc.  São milhares de jovens entrando no mercado de trabalho a cada ano, e todo mundo quer a sua oportunidade.

Estatísticas do Escritório de Estatísticas de Trabalho dos EUA (U.S. Bureau of Labor Statistics) mostram que as profissões relacionadas com TI têm saúde de ferro, pelo menos por enquanto.  Enquanto 240.000 postos de trabalho foram perdidos em Outubro de 2008 devido a crise econômica, 5.500 novas vagas foram abertas na área de TI, principalmente para projeto de sistemas baseados em computador e serviços relacionados, e mais 300 vagas novas nas áreas de gerenciamento e serviços de consultoria (vejam a notícia aqui). A única ressalva é com relação aos postos de trabalho que pagam salários mais altos, que podem ficar mais vulneráveis com uma crise econômica que dure mais tempo.

Esse resultado, embora seja referente apenas ao mês de outubro de 2008, mostra que o setor está bem sólido e se transformou em área essencial nas empresas, alinhada com os modelos e linhas de negócios. A área de TI passou de área de suporte e responsável apenas pelo parque computacional, que era a visão de décadas passadas e que tornava os empregos em TI dispensáveis até certo ponto, para área estratégica das empresas, com assento nas diretorias e até em conselhos,  e participando nas discussões de decisões estratégicas. O que significa novos desafios em termos de conhecimento, melhor preparo dos profissionais em matérias relacionadas a administração e economia, o que  já foi comentado aqui no blog mais de uma vez.

(as tabelas do US Bureau of Labor com os dados de todos os setores podem ser consultadas aqui)

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