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Archive for the ‘Educação’ Category

Dia do professor

Domingo, 18 Outubro, 2009 Jose Luis Braga 11 comentários
Professor

Professor

Mais um Dia do Professor se passa, e mais uma vez sinto a sensação de que nós, professores, temos um baixo reconhecimento de nosso trabalho  pela sociedade. Nas universidades federais, pior ainda porque o feriado do 15 de outubro nem existe mais, foi transferido para o dia 28 de outubro,  o Dia do Funcionário Público,  que por sua vez, também sumiu do mapa. Uma ou outra mensagem de parabéns pelo dia do professor aparece nos emails ou impressas, a maioria delas chavões repetidos a cada ano, mais por obrigação do que propriamente por valorização da  profissão que abraçamos.

Claro, os feriados não importam em nada, são apenas datas comemorativas, e nós estamos lotados delas. Estou me referindo aqui ao reconhecimento da importância do papel social desempenhado pelo professor de modo geral. Acho mesmo que é muito fraco o reconhecimento do papel fundamental da educação para a sociedade, logo a educação que é a única variável que trabalhada isoladamente, consegue em médio tempo promover inclusão social, melhoria de renda, melhoria de percepção, consciência, etc. Mas, até nosso presidente da república faz muita questão de ser enfático em afirmar que nunca precisou estudar para chegar à presidência, o que é tomado como bom exemplo a ser seguido.

Já me senti muito valorizado por ser professor. Mas não foi aqui, foi no ano que passei nos EUA na University of Florida, em estágio de pós-doutoramento. A percepção da importância do papel desempenhado pelo professor por lá é fantástica. Na lista das profissões mais respeitadas naquela época, Professor só era superada pela carreira de Policial. As carreiras mais tradicionais vão lá para o final da fila, uma surpresa. Procurei uma atualização daquela lista, não consegui mais achar. Mas, na busca, achei uma entrevista da Michelle Obama sobre a importância do papel do professor na formação das novas gerações de estadunidenses, que merece ser lida aqui.

Uma parte do artigo eu faço questão de transcrever, desculpem, vai em inglês mesmo, usem os tradutores da internet: We all remember the impact a special teacher had on us—a teacher who refused to let us fall through the cracks; who pushed us and believed in us when we doubted ourselves; who sparked in us a lifelong curiosity and passion for learning. Decades later, we remember the way they made us feel and the things they inspired us to do—how they challenged us and changed our lives. So it’s not surprising that studies show that the single most important factor affecting students’ achievement is the caliber of their teachers. And when we think about the qualities that make an outstanding teacher—boundless energy and endless patience; vision and a sense of purpose; the creativity to help us see the world in a different way; commitment to helping us discover and fulfill our potential—we realize: These are also the qualities of a great leader.

Claro, há enorme diferenças de cultura entre nós, nem de longe está passando pela minha cabeça elogiar a sociedade de lá, e achar que ela é modelo para nós. Nada disso, temos nossa própria cultura muito mais rica e que, aos poucos, vai sendo respeitada e admirada pelo resto do mundo. Meu ponto aqui é somente com relação ao reconhecimento da importância do papel do professor na nossa sociedade e cultura, e essa postagem vai mais como um desabafo muito forte. Ia me esquecendo, na sala de aula onde ensino engenharia de software esse semestre, a sala 358 do Pavilhão de Aulas A, está escrito a canivete no tampo da mesa: Todo professor é filho da puta! É mole?

Deixo aqui minha homenagem ao querido amigo, colega e parceiro de pesquisas Marcelo José Vilela, professor do Departamento de Biologia Animal da UFV, pesquisador incansável da Patologia do Câncer. Falecido na sexta, dia 16 de outubro de 2009, ironicamente vitima de um câncer devastador no pâncreas.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

Texting and driving

Segunda-feira, 7 Setembro, 2009 Jose Luis Braga 5 comentários
Messaging

Messaging

Na medida em que a tecnologia avança e novos recursos são colocados em dispositivos como celulares, smartfones e outros, os problemas sociais resultantes desta inserção começam a pipocar. Primeiro, foi dirigir falando ao celular, prontamente considerado falta grave no nosso código nacional de trânsito, com multa pesada e outras consequências. Isso quando um agente de trânsito ou policial consegue perceber a infração e anotar a placa do carro dirigido pelo motorista infrator, tarefa quase impossível pois o número de pessoas que fazem isso é enorme, de assustar.  Interessante também é prestar atenção nas estatisticas: dirigir fumando tira a atenção do motorista na mesma proporção que dirigir falando ao celular tira, sabiam desta? Dirigir embriagado é sem comentários, finalmente e felizmente combatido fortemente pelo poder público, e tem dado resultado, a próxima geração já vai estar mais consciente  com toda a certeza.

Nos EUA, dez anos atrás, cansei de ver pessoas dirigindo nas estradas e… lendo!!, é mole? carro no piloto automático, pé esquerdo no painel do carro (maioria dos carros tem câmbio automático, o pé esquerdo fica sem função), livro em cima do volante, lendo tranquilamente nas estradas quase sem curvas do estado da Florida. Vi vários casos, e achava aquilo um absurdo, um motorista desses aqui no Brasil ia se ferrar rapidamente nas nossas curvas e morros, já pensaram aqui nas estradas de Minas Gerais, lotadas de curvas, subidas, descidas e buracos?

Mas não é que tem coisa pior que isso? A nova “mania” por lá, resultante de o celular estar se transformando numa central de comunicações, é o “driving while texting“, ou dirigir digitando mensagens no celular, fazendo a versão correta. Inadmissivel, não? Isso se transformou num problemão por lá, e as leis de lá não proibem, como também não proibem falar ao celular e dirigir ao mesmo tempo.  O número de acidentes de trânsito (fatais) causados por esse tipo de comportamento cresceu tanto, que está incomodando a sociedade e as autoridades. Principalmente entre os mais jovens, a geração Y que não tem tempo para nada e nunca pode esperar chegar ao destino para responder as mensgens, todas urgentissimas. E não são somente os jovens que fazem isso, várias outras categorias que dependem de dispositivos móveis para exercerem a profissão fazem a mesma coisa (vejam um video realista e pesado, aqui).

Por aqui, isso já está acontecendo, com os mesmos impactos sociais. Do ponto de vista de código de trânsito, digitar mensagem no celular ao volante é muito mais grave que falar ao celular ao volante, tira muito mais atenção e tem muito mais potencial para causar acidentes, tanto nas cidades quanto nas estradas. Como é que resolve isso? vai adiantar colocar mais um parágrafo no código nacional de trânsito? eu acho que isso não resolve, pois vamos ter que entupir nosso código com novos parágrafos, a cada avanço da tecnologia que tenha esse tipo de impacto. Mas então como é que ficamos? Do meu ponto de vista, a tecnologia tem que ajudar a resolver os problemas criados pelo seu próprio avanço. Os carros, em breve (está demorando) vão sair de fábrica com o dispositivo que permite atender, falar e ditar mensagens no celular com comandos de voz, como equipamento de série. Hoje esse tipo de recurso só está disponivel nos modelos mais caros, um paradoxo.

Mas, como no caso do airbag que é um equipamento de segurança antigo e reconhecidamente necessário no mundo todo e que é de série para todos os carros (do lado de lá), e que por aqui é um opcional muito caro (pelo menos 3000 reais a mais no preço final),  ainda vamos ter que esperar muito até que a tecnologia de comando por voz e do viva voz nos carros seja um equipamento de série… enquanto isso, mais atenção nas estradas e cidades para conseguir perceber e evitar a tempo os motoristas fumando, falando ou digitando mensagens ao celular.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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Inovação: nações inovadoras

Domingo, 28 Junho, 2009 Jose Luis Braga 3 comentários
Estocolmo

Estocolmo

Um tema que considero um desafio e que particularmente me atrai muito, é o da inovação e seus desdobramentos. Não é a toa que uma das categorias mais “gordas”  aqui no blog é Carreira, seguida de perto pela Empreendedorismo.  Leituras e mais leituras, artigos, livros, disciplina de Empreendorismo na graduação, as idéias vão levando sempre para o mesmo rumo: o ambiente ou contexto têm que ser receptivos e favorecedores da inovação. É o que acontece com Estocolmo, capital da Suécia, considerada a comunidade mais inteligente e mais inovadora do mundo, e que foi a fonte de inspiração para esta postagem.

O artigo Building an Innovation Nation trouxe mais luz sobre a questão, de forma objetiva e técnica.  Uma pesquisa conduzida pela McKinsey, em parceria com o Fórum Econômico Mundial (WEF-World Economic Forum), teve como resultado o interessantissimo  Innovation Heat Map,  construido com base em fatores e variáveis comuns aos pólos de inovação. Setecentas variáveis (isso mesmo, 700) foram analisadas em centenas de pólos de inovação pelo mundo afora, dentre elas: ambiente de negócios, governo e legislação, capital humano, infraestrutura (transportes, TI, redes, banda…) e demanda local, associadas com as facilidades para divulgação e garantia de propriedade intelectual. Padrões que sugerem os elementos críticos necessários para o crescimento, fomento e sustentabilidade dos pólos de inovação foram identificados.

O fator forte, comum entre todos os pólos, que cataliza  (ou bloqueia, se olhado pelo lado negativo), é a disponibilidade de um estoque de talentos bem formados e especializados. Embora um pólo de inovação possa ser iniciado com poucos talentos locais, para dar partida no primeiro nível de maturidade, esses pólos são sustentáveis se tiverem uma política estratégica permanente e duradoura de atração, formação e desenvolvimento de uma base de recursos humanos sólida e crescente. Criando um ciclo virtuoso de crescimento e inovação.

Aqui no blog há algumas postagens que merecem ser relidas (ou lidas), que tocam exatamente nesses pontos: Vannevar Bush, Empresas juniores: base para inovação, e outras. Comum a todas elas, a necessidade de uma visão estratégica sustentável, a preparação da mão de obra qualificada, que passa pela variável mais forte de todo o desenvolvimento social em todo o mundo, capaz de sozinha provocar uma revolução: a educação, em todos os  níveis. Essa é a variável que, no médio prazo, provoca as mudanças que todos queremos ver.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

Tendências em conhecimento de TI para 2009

Sábado, 13 Junho, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário

Acabei me esquecendo deste assunto, que está na lista de drafts aqui tem um bom tempo, afinal já estamos no meio de 2009, o assunto vai perdendo importância. Mas, ainda é atual, e vamos lá.

Tecnologia

Tecnologia

Segundo pesquisa publicada na Computerworld, e apesar da grave crise econômica mundial causada pela irresponsabilidade de parte da economia estadunidense, as habilidades e conhecimentos em TI continuam em alta. Esse mercado foi muito pouco afetado pela crise, já que o mundo não vive mais sem a TI, a tecnologia continua sendo a nossa salvação. Programação e desenvolvimento de aplicações (cada vez mais sofisticadas) continuam em alta, embora a previsão seja de que programação tende a ser automatizada no médio prazo, elevando as exigências para o nivel de cima, de projetista. Conhecimento e treino em SAP-R3 continuam com alta demanda, as empresas continuam implantando sistemas de gestão integrados para permitir sua atuação em mercados mundiais, saindo do escopo local. O setor de serviços, com os indispensáveis help-desk (reclamamos deles mas o uso da tecnologia não dispensa mais os help-desks por pior que sejam), é considerado o segundo setor mais importante, vital para o desenvolvimento das empresas globais.

Gerência de projetos está se firmando como área estratégica para as empresas,  fundamental para que elas atinjam niveis de maturidade mais altos nas avaliações CMMImpsBR. Esta é uma área de investimento em conhecimento e treinamento que vai continuar em alta nos próximos anos, podem apostar, visitem o sitio brasileiro do PMI-Project Management Institute. Também a área de inteligência organizacional (business intelligence) está em ascensão, empurrada pela concorrência global entre as empresas. Os dados históricos das transações passaram finalmente a valer ouro, permitindo a extração de relações novas entre grupos de dados pela utilização das técnicas de mineração de dados.

Finalmente, conhecimento em segurança e privacidade continuam em alta, dado o avanço tecnológico, a convergência digital para aparelhos portáteis (há tantas opções no mercado que é dificil até acompanhar essa evolução), e a evolução dos serviços oferecidos aos usuários. Por exemplo, celular (nem sei mais se deveria ser chamado assim) com recursos para GPS-Global Positioning System e acesso aos mapas do GoogleMaps está ficando comum, o preço tecnológico está caindo, e com isso os problemas vão se espalhando, em paralelo com as possibilidades de novas aplicações.

E finalmente o conhecimento em aplicações empresariais utilizando recursos da chamada Web2.0 continuam em alta. O uso de wikis, blogs, a explosão do Twitter e outras tecnologias pelas empresas continuam em alta, e isso não vai parar. O conhecimento, nesse caso, nem é bem em programação e projeto de software, vai mais para o lado da administração e sistemas de informação, pois são ferramentas a serem usadas na melhoria interna dos processos administrativos.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

Pesquisa em ciência da computação

Sábado, 6 Junho, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário
Metodologia

Metodologia

Ofereço no primeiro semestre de cada ano, uma disciplina obrigatória no Mestrado em Ciência da Computação do DPI, voltada para técnicas de pesquisa em ciência da computação. Como não havia um livro especifico para a área, quebro o galho com capítulos de livros clássicos, com alguns artigos técnicos, com a biblioteca digital sobre Filosofia da Stanford University, e muito trabalho para os alunos terem oportunidade de amadurecerem as idéias em um semestre. O trabalho final da disciplina é um pré-projeto de dissertação, fechado com uma reunião final de apresentação dos mesmos, na presença dos orientadores.

Bom, na semana passada, circulou na lista da SBC o anúncio do livro Metodologia de Pesquisa para Ciência da Computação, do prof. Raul S. Wazlawick (o mesmo autor do livro Análise e projeto de sistemas de informação orientados a objetos).  Encomendei logo um exemplar na livraria Nóbel aqui em Viçosa, e ontem (sexta, 5/06/2009) dediquei minha tarde de trabalho à leitura e avaliação deste livro. Uma agradável surpresa, um livro prático, cheio de bons exemplos e discussões interessantes, voltado para resultados, bem escrito, que vai finalmente suprir a deficiência de um livro específico para a área de computação, que tem as suas particularidades (e muitas).

Os titulos dos capítulos: Introdução, Estilos de Pesquisa Correntes em Computação, Preparação de um Trabalho de Pesquisa, Análise Crítica de Propostas de Monografias (excelentes exemplos), Escrita de Monografia, Escrita de Artigo Científico, Plágio, Níveis de Exigência do Trabalho de Conclusão. Todos seguindo o mesmo estilo, leitura fácil e agradável. Um esclarecimento: o termo monografia é usado no livro para se referir a qualquer trabalho escrito de conclusão, seja de graduação, de mestrado ou de doutorado, evitando as ambiguidades que surgem quando se usam os termos dissertação e tese.

Não é minha pretensão aqui fazer uma resenha do livro, recomendo que os interessados leitores do blog adquiram um exemplar e leiam mais de uma vez. As dúvidas vão desaparecer, e certamente vocês vão estar mais bem preparados para esse desafio da vida acadêmica. Boa leitura!

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Cloud computing

Domingo, 17 Maio, 2009 Jose Luis Braga 3 comentários
Nuvens

Nuvens

Cloud computing, ou computação em nuvens, é a promessa de virada tecnológica para o início deste século, e que começa a se materializar. O conceito de localidade muda completamente: dados, programas, sitios web, blogs, textos, Orkut, Facebook, Twitter, etc., tudo fica espalhado na nuvem, nunca saberemos onde eles vão estar fisicamente. E interessa saber? Acho que não interessa, quem é usuário de serviços do Gmail, por exemplo, já vive essa realidade há um bom tempo. Onde ficam nossas mensagens? Em qualquer canto de algum servidor de dados do Google, que por sua vez pode estar em qualquer lugar do mundo onde haja datacenters da empresa. Os conceitos que passam a ser mais importantes são os de acessibilidade,  disponibilidade, privacidade e segurança, que passam a ser garantidos pelo provedor do serviço e saem da nossa esfera de controle.

A mudança cultural também é muito grande. Com acesso à internet, que está cada vez mais fácil e barato (exceto no Brasil que tem os serviços mais caros do mundo), teremos acesso a todos os nossos dados a qualquer instante e em qualquer lugar. Acaba aquela idéia de que meus dados estão no computador lá de casa, tenho que ir lá com o pendrive e pegar o que for necessário. Ainda é possível ver focos de resistência, como por exemplo pessoas  que ainda usam clientes locais de correio eletrônico, baixam todas as mensagens para o computador local, ao invés de usar o serviço de correio pela web. Mas, a mudança é cultural, a curva de aprendizagem é funda, leva tempo.

Essa mudança já está tendo impacto nas empresas que fornecem serviços e sistemas organizacionais e administrativos pela internet. O novo conceito é o cliente pagar pelo uso como já fazemos com a energia elétrica, água e telefone, ao invés de ter que instalar um sistema completo em servidores locais, ter técnicos especializados locais para cuidar da manutenção, instalar firewall de proteção, fazer backup dos dados e programas, e por ai vamos. A empresa Salesforce, por exemplo, é uma das pioneiras no oferecimento desse tipo de serviço pela web.  A tendência está sendo seguida por outras empresas que atuam na área comercial, já que o avanço da tecnologia disponivel vai empurrar todo mundo para esse tipo de solução.

Em uma postagem de janeiro de 2008, Amazon.com e a inovação, eu já havia comentado sobre o avanço dessas tecnologias associadas à computação nas nuvens. Nesse tempo que se passou desde aquela postagem, a Amazon.com avançou no conceito e no oferecimento de serviços de computação nas nuvens, vejam esta postagem no blog do Vinicius Carvalho sobre o assunto, com detalhes técnicos. Por uma ninharia e com muito mais conforto, qualquer empresa teria acesso aos serviços de Elastic Computing oferecidos atualmente pelos servidores da Amazon.com. Ou melhor, oferecidos no espaço de discos e de tempo que sobram do uso próprio da Amazon.

Como se isso não bastasse, ainda tem mais uma revolução tecnológica vindo por ai. Em breve, os computadores virão sem sistema operacional, ou seja, sem Windows, Linux ou outros.  Terão apenas o navegador web (browser), que será ativado quando o computador for ligado. E tudo será feito via o navegador, que terá embutido nele o núcleo de um sistema operacional para a web, abrindo a navegação na internet, a execução de programas, etc. Ou seja, o navegador vai ser o novo sistema operacional. O Google já avançou muito nesse aspecto, com o navegador Chrome e a plataforma Android. A Microsoft não está parada, e está levando adiante o projeto do Gazelle, um navegador que tem a mesma finalidade. Tudo isso está logo ali adiante, muito em breve vamos ter essas novidades disponiveis. E haja banda de internet para aguentar o tráfego…

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Privilégios

Domingo, 3 Maio, 2009 Jose Luis Braga 4 comentários

Evito tocar em temas políticos aqui no blog, principalmente porque não me atraem nem um pouco, são muito baseados em opiniões e na base do “eu acho”,  nunca temos acesso à informação suficiente para ter uma opinião bem fundamentada em fatos reais. Mas, a questão dos privilégios nas semanas passadas foi demais, com a divulgação na imprensa sobre o mau uso da cota de passagens aéreas pelos nossos senadores e deputados federais, e por terceiros agindo em nome deles. Que ultrapassou o limite do aceitável e expõe, mais uma vez, um problema grave no mundo todo, que é o acesso fácil e privilegiado aos recursos públicos sem a devida exigência de transparência e de responsabilidade.

Até poderia haver alguma justificativa fraca para o governo federal, na época da “inauguração” de Brasilia, criar algumas facilidades para que a transferência de uma equipe técnica competente para Brasilia, vindo de outros  grandes centros, fosse viável e a nossa capital pudesse funcionar adequadamente.  O que se viu desde então foi o aumento nesses privilégios, que se perpetuaram e até se agravaram com o passar do tempo. Deveriam ter passado por revisões periódicas, com muita fiscalização e transparência, sendo limitados pouco a pouco até que se extinguissem completamente. Mas, temos ai, no meu entendimento, mais um caso de raposa tomando conta de galinheiro: quem faz as regras, quem gerencia esses recursos, quem determina o próprio salário, são eles mesmos…

É  a velha estória: privilégios, uma vez concedidos, se perpetuam. E causa mais espanto e indignacão ver as entrevistas de nossos representantes na câmara e no senado, justificando veementemente a necessidade de manutenção dos privilégios. O padrão é conhecido em teoria de sistemas: uma solução paliativa leva sempre a outras soluções paliativas, e o problema principal continua sem solução, cada vez mais agravado.

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Falha de segurança em sistemas

Sábado, 18 Abril, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário
Pizza, pizza...

Pizza, pizza...

A empresa  Domino’s Pizza, talvez a mais antiga dos EUA, com valor de mercado de  US$1.4 bilhões e 8700 pontos de venda no mundo todo, foi surpreendida recentemente por uma “promoção” em que foram distribuidas 11000 pizzas médias  gratuitamente, em Cincinatti (Ohio) e região. A origem do problema: um cupom de oferta online, de uma promoção que deveria ter ido ao ar em Dezembro de 2008, mas que não havia sido aprovada e estava na “fila de espera” para ser lançada.

O cupom da promoção que não foi lançada certamente continuou no diretório do website da empresa, só que não estava visível. Algum garoto mais esperto descobriu que se digitasse a palavra “bailout”  na janela de entrada de pedidos (esta palavra ficou muito em moda recentemente, com o socorro de bilhões de dólares que o governo estadunidense prestou ao seu  sistema financeiro) , o cupom aparecia no site e podia ser usado para ganhar pizzas gratuitamente. Dai para a noticia se espalhar pela região foi questão de um piscar de olhos e antes que o pessoal de TI da Domino’s pudesse perceber, o estrago já estava feito. Segundo a notícia, somente uma rede de 14  lojas na região de Cincinatti entregou 600 pizzas em um período curto, por conta desse cupom. Vejam aqui a notícia publicada  no sitio The Risk Factor, da IEEE Spectrum Online.

O que interessa aqui, do ponto de vista desta postagem, é a questão do preparo técnico dos profissionais da área, para lidar com a questão do risco e sua materialização. Os erros são inconcebivelmente infantis e conhecidos, inaceitáveis para quem tem alguma formação na área e procura pelo menos se manter informado. O caso acima, por exemplo, pode ter sido causado pelo descuido comum que é o de usar o mesmo local (diretório)  no servidor para desenvolvimento e publicação de sitios. Ou seja, fica tudo no mesmo lugar, sujeito a erros de todo tipo, inclusive o de publicar uma versão mais antiga do sitio, se não houver um controle de versões muito bem feito. Outro descuido muito comum e manjado demais é o de não usar um filtro eficiente para consultas SQL, que podem facilmente ser injetadas (SQL Injection) em uma janela de busca que fica disponivel nos sitios, e através da qual é possivel até apagar todo um BD usando o comando delete da SQL. Imaginem isso acontecendo em um sitio de um banco, apagando toda a tabela de senhas e login, etc.

Com uma frequência acima do que seria razoável, noticias como essa ai aparecem rodando na web. O sitio The Risk Factor, apontado acima, tem o objetivo de mostrar os riscos e a sua materialização, relacionados ao uso da TI. Outro sitio muito bom sobre os riscos, é o do pesquisador Peter Neumann, ele tem uma parte do sitio denominada RISKS, onde ficam relatados os principais riscos e problemas já acontecidos pelo uso da TI. Espero contribuições dos leitores sobre outros casos conhecidos, mandem ai…

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Filosofia da ciência

Sábado, 21 Março, 2009 Jose Luis Braga 6 comentários

Filosofia

Uma das minhas diversões preferida é a leitura. Sempre li demais, a vida inteira, minha geração não teve televisão, videogames, telefone celular, etc. A boa leitura deixa a gente viajar, a imaginação e a criatividade voam. E as leituras sobre filosofia fazem parte desse gosto, pois continuo achando que uma base filosófica forte é imprescindível para entender melhor o mundo e suas relações cada vez mais complexas. Esse gosto pela filosofia se expandiu na época do doutorado, nosso orientador é, antes de mais nada, um filósofo da ciência e promovia discussões intermináveis sobre o tema, que tinha relação direta com as nossas teses (nossas, no caso, de todo o grupo que trabalhava com ele na época).

Vez por outra aparecem livros que deixam a sua marca. Um deles foi O mundo de Sofia, Jostein Gaarder, quem não se lembra? está nas listas de mais vendidos até hoje, e eu devo ter dado vários de presente a filhos, sobrinhos, orientados. No final de 2008, passando o Natal em BH, descobri outro livro, o Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras, escrito pelo prolifico e respeitado Rubem Alves. Assim que vi a referência a esse livro, li a resenha, e nem pensei mais, fui lá na Livraria Ouvidor, na Savassi, comprar um para ler o mais rápido possivel.

A linguagem é muito simples, o livro foi feito para atingir o grande público. É de uma riqueza indescritível, uma viagem pela filosofia da ciência, séculos e mais séculos de idéias, relações, filósofos e suas filosofias. Modelos, teorias, leis, paradigmas, receitas, antropologia da ciência, dedução, indução, o papel da lógica, a construção do conhecimento, Hume, Kuhn, Nietzsche, Comte, Polya, Maxwell, Popper, tudo apresentado e discutido de maneira fácil, fica até parecendo que filosofia é leitura de banheiro…

Não marquei nenhuma parte específica do livro para trazer para essa postagem, pois não existe essa passagem que seja uma marca do livro. Ele é todo uma marca, um livro de poucas páginas (223 no total) em formato de “quase bolso”. Com a vantagem de ser barato, acessível, se tiverem oportunidade, não deixem de ler.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post was originally written by zeluisbraga, and was published on my blog  zeluisbraga . wordpress . com)

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Engenharia de software na sala de aula (1)

Domingo, 15 Março, 2009 Jose Luis Braga 4 comentários
Desafios...   

 

 

 

Desafios...

Um dos desafios que enfrento todos os anos, e cada ano inteiro, é o de decidir o que ensinar em Engenharia de Software na graduação. Vejo um crescimento muito grande da área, as ramificações de assuntos estão aumentando, as implicações de um assunto no outro aumentam na mesma proporção. Além do enorme desafio da atualização na área, que merece uma postagem exclusiva, nós professores temos a sala de aula para enfrentar o ano inteiro, e os alunos estão lá confiantes de que vão sair das nossas disciplinas com algum conhecimento.

Normalmente os cursos oferecem duas disciplinas de 60 horas com algumas variações (algumas são de 75 ou 90 horas), e esse tempo não é suficiente para fazer os alunos botarem a mão na massa prá valer. E a quantidade de tópicos e assuntos é muito grande, e nós professores temos esse desafio: como organizar essas disciplinas, de forma tal que o aluno saia delas com conhecimento de fundamentos e com alguma prática? Eu tento uma mudança todos os anos, melhoro tópicos, mudo a forma de aplicar o projeto, os resultados não mudam muito.

Pensando na estrutura formal da área e dos conteúdos das disciplinas, temos o SWEBOK – Software Engineering Body of Knowledge,  um documento de valor inestimável para organizar as idéias, buscar conteúdos, referências bibliográficas. Esse guia, associado com o PMBOK – Project Management Body of Knowledge (esse para o caso de gerência de projetos), é  indispensável para todo professor da área, é obrigatório ter os dois volumes e conhecer seu conteúdo. A ACM-Association for Computing Machinery mantém atualizado um sitio na web com propostas organizadas de curriculo na área, vejam aqui o documento atualizado, 2006. A SBC-Sociedade Brasileira de Computação, também mantém as propostas de diretrizes curriculares, mas a base é essa mesma que já citei. Mas esse material ai ajuda na parte formal, estrutural, de conteúdos e sequenciamento. O desafio continua, afinal o que é que deve ir para a sala de aula? e como deve ir?

Continuando na minha linha de basear minhas disciplinas em processos (em outra postagem vou comentar sobre isso), tive uma experiência interessante  no segundo semestre de 2008, na Engenharia de Software II: adotei o livro do prof. Raul Wazlawick “Análise e projeto de sistemas de informação orientados a objetos” como manual de projeto, dividi o projeto em quatro partes, cada parte associada com um grupo de capitulos do livro, cobrindo o livro todo de cabo a rabo. O projeto foi relativamente simples e pequeno, assunto dentro da cultura dos alunos:  Agenda remota para telefones celulares (algumas operadoras já oferecem esse serviço) , e deixei os alunos darem asas à imaginação. 

Na terceira fase do projeto, cada grupo preparou um protótipo para testar o projeto e corrigir eventuais falhas, e foi muito bom, organizei uma pequena competição com os próprios alunos avaliando o trabalho dos colegas. Como era esperado, o protótipo forçou os grupos a revisarem os requisitos e suas especificações, levando a uma revisão do artefato de especificação de requisitos.  Paralelamente, eu andei com as aulas teóricas cobrindo os tópicos relativos a cada parte do projeto, no mesmo ritmo do próprio projeto, dentro da filosofia de Eng. Software baseada em Processos. Tentei seguir um modelo de condução da disciplina baseado em PBL-Project Based Learning, e gostei muito da experiência. Espero contribuições dos leitores desse blog, outras postagens sobre o assunto estão na fila esperando a oportunidade de pipocarem.

(este artigo foi escrito  por zeluisbraga, e postado no meu blog  zeluisbraga . wordpress . com) (this post was originally written by zeluisbraga, published on my blog  zeluisbraga . wordpress . com)