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Archive for the ‘Empreendedorismo’ Category

Netflix Prize, o desafio

Quarta-feira, 30 Setembro, 2009 Jose Luis Braga 3 comentários
Netflix

Netflix

Em outubro de 2006 a Netflix, enorme locadora de vídeo que funciona via internet, lançou o Prêmio Netflix, que agitou a comunidade de computação do mundo todo. Concurso aberto a partir de outubro de 2006 indo até no máximo outubro de 2011, ou até algum grupo ganhar a parada, dirigido a todo e qualquer participante ou grupos, com restrições a alguns paises. O prêmio de US$1.000.000,00, isso mesmo, um milhão de dólares, destinava-se ao grupo que construisse um sistema de indicação de preferências de videos aos clientes da Netflix, que tivesse um desempenho pelo menos 10% melhor que o sistema deles, o Cinematech. No meio do caminho, os grupos poderiam se qualificar para ganhar um prêmio de US$50.000,00 para apoio ao desenvolvimento da pesquisa (Progress Prize).

Naturalmente, a Netflix disponibilizou aos participantes a sua enorme base de dados de clientes e o histórico de locação ao longo do tempo, um acervo inestimável de informações. O resultado final foi surpreendente: uma chacoalhada geral na comunidade das diversas áreas de conhecimento, que trabalham com técnicas da área de inteligência computacional (computational intelligence), uma das denominações para o grupo de técnicas, métodos e modelos que inclui redes neurais artificiais, algoritmos genéticos, lógica e regras fuzzy, redes bayesianas e outras que estão tendo enorme aplicabilidade em problemas reais. Novos grupos se formaram ao redor do planeta, grupos existentes se animaram e se prepararam, inscreveram-se no concurso e mandaram bala nas pesquisas usando a base de dados da Netflix. Rebu geral na área de computação.

Em setembro de 2009, o grande prêmio de um milhão de dólares foi destinado à equipe BellKor´s Pragmatic Chaos, vejam a noticia na revista Wired aqui. O algoritmo que eles propuseram e que ganhou o prêmio e outras noticias técnicas, podem ser obtidas no link algoritmo. E o melhor: já está em andamento a chamada para o Netflix Prize 2, fiquem de olho. O que se espera é que outras empresas tomem o mesmo tipo de iniciativa, esse é um jogo ganha-ganha, que promove a inovação a partir da pesquisa e desenvolvimento.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

Inovação: nações inovadoras

Domingo, 28 Junho, 2009 Jose Luis Braga 3 comentários
Estocolmo

Estocolmo

Um tema que considero um desafio e que particularmente me atrai muito, é o da inovação e seus desdobramentos. Não é a toa que uma das categorias mais “gordas”  aqui no blog é Carreira, seguida de perto pela Empreendedorismo.  Leituras e mais leituras, artigos, livros, disciplina de Empreendorismo na graduação, as idéias vão levando sempre para o mesmo rumo: o ambiente ou contexto têm que ser receptivos e favorecedores da inovação. É o que acontece com Estocolmo, capital da Suécia, considerada a comunidade mais inteligente e mais inovadora do mundo, e que foi a fonte de inspiração para esta postagem.

O artigo Building an Innovation Nation trouxe mais luz sobre a questão, de forma objetiva e técnica.  Uma pesquisa conduzida pela McKinsey, em parceria com o Fórum Econômico Mundial (WEF-World Economic Forum), teve como resultado o interessantissimo  Innovation Heat Map,  construido com base em fatores e variáveis comuns aos pólos de inovação. Setecentas variáveis (isso mesmo, 700) foram analisadas em centenas de pólos de inovação pelo mundo afora, dentre elas: ambiente de negócios, governo e legislação, capital humano, infraestrutura (transportes, TI, redes, banda…) e demanda local, associadas com as facilidades para divulgação e garantia de propriedade intelectual. Padrões que sugerem os elementos críticos necessários para o crescimento, fomento e sustentabilidade dos pólos de inovação foram identificados.

O fator forte, comum entre todos os pólos, que cataliza  (ou bloqueia, se olhado pelo lado negativo), é a disponibilidade de um estoque de talentos bem formados e especializados. Embora um pólo de inovação possa ser iniciado com poucos talentos locais, para dar partida no primeiro nível de maturidade, esses pólos são sustentáveis se tiverem uma política estratégica permanente e duradoura de atração, formação e desenvolvimento de uma base de recursos humanos sólida e crescente. Criando um ciclo virtuoso de crescimento e inovação.

Aqui no blog há algumas postagens que merecem ser relidas (ou lidas), que tocam exatamente nesses pontos: Vannevar Bush, Empresas juniores: base para inovação, e outras. Comum a todas elas, a necessidade de uma visão estratégica sustentável, a preparação da mão de obra qualificada, que passa pela variável mais forte de todo o desenvolvimento social em todo o mundo, capaz de sozinha provocar uma revolução: a educação, em todos os  níveis. Essa é a variável que, no médio prazo, provoca as mudanças que todos queremos ver.

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Nano: preço de moto, cara de carro

Sábado, 23 Maio, 2009 Jose Luis Braga 2 comentários

Tata Nano

Tata Nano

A foto ai do lado é do Nano, o novo lançamento da indiana Tata Motors, mais um carro para as multidões, que vai custar seus 2000 dólares na India. É um carrinho pouco maior que uma moto encorpada, tem motor de moto, arranque de moto, consome pouco combustivel, baixo nível de poluição, e muita inovação para fazer tudo isso caber nesse preço de 2000 dólares. O mais interessante da biografia do Nano é a criatividade e inovação da engenharia da Tata Motors, para conseguir esse resultado.

A ficha do carro, bem resumida: motor de arranque de motocicleta, motor Bosch de 2 cilindros e 35CV a gasolina (tipico motor de motocicleta), aceleração de 0 a 100km/h em 17 segundos (comparável a de um Celta básico), velocidade máxima de 105km/h, consumo médio na cidade de 23,6km por litro de gasolina (é mole?), peso de 600 quilos. Os principais pontos onde os engenheiros da Tata espremeram para conseguir baratear o carro foram: bateria debaixo do banco trazeiro (solução já conhecida do Fusca antigo e outros), tanque de gasolina dentro do capô dianteiro eliminando aquela tampa externa do tanque (também já usada no Fusca e outros), o estepe é um pneu mais fino que serve apenas para chegar até ao borracheiro mais próximo, pintura leva apenas uma passada no forno de secagem (ao invés das duas tradicionais), painel espartano, apenas três parafusos prendem as rodas aos cubos, e mais de 30 patentes relativas a inovações utilizadas no seu projeto foram  registradas.

Essa iniciativa da Tata Motors, de produzir um carro para atingir os consumidores da base da pirâmide, representa na verdade um primeiro passo de mudança para as montadoras tradicionais. A cidade de Detroit, nos EUA, vive um forte ocaso, com a quebra das maiores montadoras estadunidenses, e as grandes e tradicionais montadoras européias estão definhando e mudando de donos, passando para as mãos de fabricantes chineses e indianos. Os carros grandes, consumidores de combustivel e que não cabem mais nas ruas, estradas e estacionamentos, estão em franca decadência e até nos EUA, que é o dominio deles, os carros pequenos e econômicos estão entrando firme. A recente aliança da Chrysler com a Fiat, para produzir nos EUA o modelo Cinquecento que é pouco menor que um Fiat Uno, é a prova viva da mudança.

O Nano é apenas o começo da inauguração da era dos compactos: mais eficientes, mais verdes, mais leves, menores, mais econômicos, menos poluentes. Esses carros vão competir diretamente com as motocicletas,  possibilitando a muita gente vender a moto e comprar um carro, que sem sombra de dúvidas, vai ser mais seguro que andar de moto pelas nossas ruas. Que vão, certamente, ficar mais entupidas de carros, mas isso já é a realidade, já convivemos com ela.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

Dabbawalas

Sábado, 4 Outubro, 2008 Jose Luis Braga 5 comentários

No mundo tecnológico em que vivemos, nem nos passa pela cabeça gerenciar uma cadeia de suprimentos ou cadeia produtiva sem algum auxílio de computadores, sistemas de informação sofisticados, bancos de dados remotos, segurança, privacidade, gerentes de sistema, gerentes de negócio, etc. Nem mesmo as mercearias (ninguém fala mais esse nome) do interior ou dos bairros mais afastados do centro das grandes cidades escapam do uso desses sistemas, o controle via a famosa caderneta já é coisa do passado, e o Brasil já está inovando com a implantação da nota fiscal eletrônica.

Dabbawala

Dabbawala

E ai topei com o artigo Os marmiteiros de Harvard na revista Exame 925, mostrando exatamente o contrário: o funcionamento de uma cooperativa dos entregadores de marmitas de Bombaim, na India. Os números são de impressionar: 5000 homens que todos os dias executam um serviço de entregas de 200.000 marmitas com refeições prontas (e quentes). Esses entregadores, denominados dabbawalas,  pegam as marmitas nas casas dos fornecedores e as entregam no horário do almoço na área comercial da cidade. A região onde as marmitas são coletadas fica no extremo oposto da região onde elas são entregues, numa cidade imensa e congestionada como é Bombaim, a maior cidade da India. E eles ainda fazem a logística reversa, ou seja, pegam as marmitas depois de terminadas as refeições, e voltam com elas à origem para reiniciarem o processo no dia seguinte.

A rotina é de impressionar. Para a coleta, eles usam bicicletas, carrinhos de mão ou caixas de madeira que levam até 60 marmitas (as marmitas não são descartáveis). Dai as marmitas são organizadas de acordo com o seu destino já na estação dos trens, que são o meio de transporte utilizado para levar as marmitas do ponto de origem até o destino. Chegando na área comercial da cidade, as marmitas são entregues por outro grupo, que levam as marmitas até os escritórios, e uma hora depois de entregues, começa o processo da logística reversa. E, pasmem, o índice de falhas nesse sistema é próximo de zero, estimado pela revista The Economist na ordem de um erro a cada 16 milhões de entregas! Isso é de assustar qualquer especialista em logística das melhores escolas. Os níveis hierárquicos são apenas três: entregadores, coordenadores e pessoal de apoio administrativo de escritório (claro, um escritório é indispensável). Os dabbawalas são empoderados (empowered) para resolver problemas locais que surjam durante as entregas, 85% deles não concluiram o ensino fundamental, ganham em média 120 dólares por mês, e nunca houve greves ou paralizações no serviço. E o sistema foi criado há mais de 116 anos! Vale a pena visitar o sitio deles, para entender melhor essa gigantesca operação.

Estão sendo citados como exemplo de empreendedorismo social, que é fundamental em um pais com tanta pobreza como é o caso da India. Pessoas de baixa qualificação técnica têm um emprego digno e com um ganho mensal considerado razoável para os padrões de salário da India. O gerenciamento de todo o sistema é um enorme desafio, e muitas lições podem e devem ser tiradas da sua análise, tanto é que que a organização é objeto de estudos na Harvard University. Sem entrar demais em detalhes, o que consigo enxergar como ótimas lições: como favorecer o lado social substituindo eficiente e eficazmente computadores por pessoas; o grande impacto de poucos níveis hierárquicos com distribuição de poder de decisão; como utilizar os meios de transportes mais antigos como a bicicleta, o famoso JK – Joelho e Kanela, e os trens que são o meio de transporte principal numa operação gigantesca;  como não gastar (muito) dinheiro com tecnologia, substituindo-a por sistemas mais simples, mais bem gerenciados e que funcionam; como fazer uma organização dessas gerar lucro no final das contas; e mais um monte de lições que certamente vão aparecer em algum livro sobre a organização.

Mas, um pequeno detalhe: o sistema funciona bem porque tanto os pontos de coleta de marmitas quanto os pontos de entrega ficam concentrados em áreas pequenas da cidade, facilitando e muito o trabalho. Talvez (certamente) esse sistema não funcione tão bem numa cidade mais espalhada como por exemplo São Paulo, Nova Iorque, etc.

(postagem feita a partir do artigo Os marmiteiros de Harvard, jornalista Luciene Antunes, revista Exame 925, de 27 de agosto de 2008)

Vannevar Bush

Domingo, 22 Junho, 2008 Jose Luis Braga Deixe um comentário

Para entender melhor o presente, um pouco de história ajuda muito. Particularmente quando se fala em desenvolvimento científico e tecnológico de um pais, que leva muitas gerações para começar a mostrar resultados, os modelos e exemplos de outros países devem ser tomados como ponto de partida. Vannevar Bush é considerado o primeiro cientista levado a sério como conselheiro de presidentes estadunidenses, com uma atuação muito forte na Segunda Guerra Mundial, e mais ainda depois que ela acabou em 1945 (não tem relação nenhuma com o Bush atual presidente dos EUA).

Em 1941, o presidente Roosevelt criou o famoso Office of Scientific Research and Development (OSRD) e nomeou Bush seu diretor. A missão do OSRD era desenvolver e coordenar as pesquisas que levassem os EUA (e aliados) a ficar em vantagem na guerra, cooperando com os pesquisadores civis das universidades estadunidenses. Por exemplo, o famoso Manhattan Project que levou à construção da bomba atômica foi gerido pelo OSRD até 1943, quando passou para o controle do Exército. A constatação de que a Segunda Grande Guerra seria um enorme desafio tecnológico, foi a força que movia o investimento em pesquisas de todo tipo, focadas no esforço de guerra.

Ao final da guerra, esperava-se que o grupo de cientistas chefiados por Bush, e que faziam parte do OSRD, continuassem seu trabalho em uma agência equivalente, voltada para o desenvolvimento tecnológico nos tempos de paz. Em julho de 1945, Bush encaminhou ao presidente Truman (Franklin Roosevelt morreu em abril de 1945) o seu famoso relatório Science, the endless frontier, em que deixava claro que um país que quisesse se desenvolver econômicamente e ficar na dianteira tecnológica no planeta teria que investir pesadamente no desenvolvimento da ciência, da pesquisa, da educação, pois a tecnologia somente se desenvolveria sobre sólidas bases científicas. Sugeria, nesse relatório, a criação de uma agência de fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico, o que somente veio a acontecer em 1950, com a criação da conhecida e poderosa National Science Foundation (NSF).

Uma contribuição interessante desse misto de cientista, empreendedor e homem de visão de futuro, foi o pouco conhecido Memex, descrito originalmente no artigo As we may think. Esse artigo foi publicado na prestigiosa revista estadunidense The Atlantic Monthly, e as idéias contidas nele são consideradas as precursoras dos modernos sistemas de hipertexto que foram a base da linguagem HTML e da www-world wide web. Bush considerava de extrema valia para auxiliar os cientistas a pensar e a se organizar um mecanismo, que ele denominou de Memex, que permitisse estabelecer links entre diferentes artigos, partes de texto e de material, da mesma maneira como se faz hoje com a navegação em páginas web. Não deixem de ler os dois artigos, são muito interessantes, principalmente se levarmos em consideração a época em que foram escritos, e mostram a criatividade e o poder de inovação de Vannevar Bush.

A visão de desenvolvimento cientifico e tecnológico deixada por Bush influenciou todo o mundo ocidental desde então. Criação de organismos de fomento, política de financiamento de pesquisa, formação de massa crítica para apoio e desenvolvimento da pesquisa científica e tecnológica, tomaram seu modelo como padrão e exemplo. Sua valiosissima lição foi a de que o desenvolvimento cientifico e tecnológico têm obrigatoriamente que ser um objetivo de longo prazo, que envolve formação de mão de obra, criação de massa critica, financiamento, criação de infra-estrutura, mudança de cultura, etc. Para ter continuidade, esse esforço tem que fazer parte de uma política nacional de desenvolvimento científico e tecnológico, acima dos governos e dos governantes, um empreendimento estratégico de um pais.

Para quem quiser ler mais sobre esse tipo de assunto, recomendo o livro abaixo, que tem uma parte histórica muito interessante sobre ciência, tecnologia e a relação entre as duas que não é linear, como é o modelo secular: em um extremo a ciência básica, no outro extremo a ciência aplicaca, criando uma espécie de maniqueismo nocivo, que põe cientistas e suas equipes em eterna competição uns com os outros, atrasando o desenvolvimento. A discussão é muito enriquecedora, e um dos grandes exemplos do livro é o do cientista francês Louis Pasteur, que escapou completamente ao modelo linear vigente, pois suas pesquisas se iniciavam por algum interesse tecnológico, nas aplicações, que levavam a grandes avanços na ciência básica. A constatação de que a ciência básica se desenvolve muito mais quando pressionada por demandas do desenvolvimento tecnológico foi uma ruptura do modelo linear de pensamento, levando o autor a propor um modelo baseado em duas dimensões, mais adequado ao mundo atual. E de quebra, o livro ainda discute a questão de politicas (nos EUA) de C&T, financiamento, etc.

O QUADRANTE DE PASTEUR
A CIENCIA BASICA E A INOVAÇAO TECNOLOGICAO quadrante de Pasteur
Coleção: CLASSICOS DA INOVAÇAO
Autor: DONALD STOKES
Editora: UNICAMP, 2005

Criatividade e inovação

Sábado, 29 Março, 2008 Jose Luis Braga 2 comentários

Cirque du Soleil

Esse livro estava na fila há algum tempo e, há umas duas semanas, chegou a vez dele (a citação completa vai no final da postagem). O estilo me agradou desde o início, e na medida em que fui avançando, fui lendo mais devagar… para fazer uma leitura tão enriquecedora e prazerosa durar tanto tempo quanto possível. Estava com pena de chegar ao fim do livro e terminar a leitura. As lições do livro podem ser transpostas para contextos tão distintos quanto gerência de projetos, gerência de pessoas, visão sistêmica, liderança, confiança, colaboração, criatividade, inovação… O autor do livro viveu a experiência incrível de passar um tempo como aprendiz, fazendo parte de várias equipes e experimentando várias técnicas, dentro do Cirque du Soleil em sua sede em Montréal, Canadá.
Impossivel traduzir com minhas palavras a riqueza do livro. Isso acontece com toda forma de manifestação artistica, o conhecimento artístico não é descritivel na forma de texto, escapa à formalização. Arte é interpretada e vivida de formas diferentes por pessoas diferentes, em momentos diferentes. Algumas passagens das muitas de que gostei vão transcritas a seguir. Espero comentários dos leitores…
No projeto de nossos equipamentos, não podemos esquecer de que os acrobatas, por mais gabaritados que sejam, não são técnicos. O uso do material tem de ser simples, fácil e consistente. Para isso, é preciso conhecer o nosso pessoal, e toda a psicologia envolvida no processo (pag. 56);
Quando caimos na rotina, deixamos de utilizar todos os nossos sentidos, todos os nossos instintos, a nossa atenção completa naquilo que fazemos; e são exatamente essas as nossas maiores qualidades, principalmente à medida em que os anos de experiência vão se acumulando (pag. 58);
Nossa determinação de nos mantermos na nossa zona de conforto é tão grande que aprendemos a conviver até com a decepção, se ela for um terreno familiar em que nos sintamos protegidos. (…) Os nossos medos nos retêm e nos impedem de atingir as nossas metas. Só se nos dispusermos a correr riscos podemos realizar algo extraordinário (pag. 63).
(…) cada pessoa que eu conhecia não passava de uma nota dentro de uma grande sinfonia, mas era absolutamente imprescindível (pag. 117).
(Cirque du Soleil: a reinvenção do espetáculo (uma história de inovação sem limites). John U. Bacon, Lyn Heward. Rio de Janeiro, Ed. Campus/Elsevier, 2006.)

Empresas juniores: base para inovação

Segunda-feira, 11 Fevereiro, 2008 Jose Luis Braga Deixe um comentário

Em 2003, a turma da NoBugs – Empresa Júnior do Curso de Ciência da Computação da UFV me pediu para escrever um artigo curto sobre a minha visão da importância da empresa júnior na complementação da formação dos alunos e seu preparo para a vida profissional. O artigo segue abaixo, foi publicado no jornal de notícias da NoBugs, não me lembro se o título foi mudado, acho que sim. Continuo lidando com o tema Empreendedorismo nas minhas aulas e na prática diária de ensino, e minha visão atual sobre empresas juniores não mudou nem um centavo, pelo contrário, estou cada vez mais convencido de que essa é uma oportunidade extra-curricular de formação profissional a que os alunos deveriam se dedicar. Como já comentei em várias postagens aqui no blog, a formação profissional tem que ser eclética e as exigências do mercado estão cada vez maiores. Se o seu curso tem empresa júnior, não perca essa oportunidade por nada, participe dela como puder. É uma oportunidade que não volta…

IMPORTÂNCIA DA EMPRESA JÚNIOR

José Luis Braga – Professor Titular – DPI/UFV

As habilidades exigidas hoje de um profissional de qualquer área, para entrar no mercado de trabalho, vão muito além do que é possivel transmitir ou aprender nos currículos dos cursos formais. Liderança, capacidade de gestão e decisão, visão sistêmica, domínio de inglês, uso competente do computador e potencial empreendedor são talvez as principais e as mais faladas. Tudo isso, naturalmente, associado a uma ótima e sólida formação na área de especialização principal do profissional, seja ela qual for.

Esse constitui um dos grandes desafios a ser vencido pelas nossas escolas, ainda presas a métodos, técnicas e curriculos em parte ultrapassados, incompatíveis com os grandes desafios lançados pelo mundo atual e seus problemas. Enquanto essa mudança não ocorre sistemicamente em todo o sistema de ensino, como será possível vencer esse desafio no nível pessoal? Como um aluno de curso superior ou médio pode entrar no mercado de trabalho com a abrangência de conhecimento colocada acima?

É nesse ponto que a Empresa Júnior desempenha papel fundamental na formação complementar. Ao proporcionar aos alunos a oportunidade de conhecer mercados e oportunidades, organizar, propor, gerenciar e acompanhar projetos, cronogramas, planilhas de custos, garantir qualidade dos produtos finais, antecipar problemas do mercado especifico agindo proativamente para contorná-los e oferecer soluções antes de os problemas ocorrerem, encontrar soluções participando de longas reuniões e debates onde o espirito de liderança pode ser aprendido na prática, são apenas alguns dos benefícios advindos da participação ativa nas Empresas Juniores. Muda completamente a percepção de mundo dos alunos participantes, melhorando a capacidade de análise sistêmica de problemas e situações, que é uma das competências que mais falta faz aos tomadores de decisão que vemos hoje.

A maturidade profissional que é possivel alcançar com a participação nas Empresas Juniores, antes da entrada no mercado de trabalho real, só seria alcançada depois de alguns anos de trabalho duro, de muito empenho e de muito gasto adicional em formação complementar. A participação dos alunos nas respectivas Empresas Juniores é hoje mais um ponto importante no curriculo do aluno, sendo levado em consideração nas seleções profissionais de recém-graduados. As seleções para os programas de trainee que têm ocorrido recentemente nas universidades exploram muito essa experiência e visão, deixando o conhecimento técnico como uma parte menor a ser avaliada.

Cabe ao aluno enxergar essa oportunidade a tempo, vestir a camisa da Empresa Junior de seu curso, e participar com empenho de todas as atividades, crescendo profissionalmente e complementando seu conhecimento pensando no seu futuro.

Viçosa, Agosto de 2003.

Aula da saudade – Janeiro de 2008

Quarta-feira, 23 Janeiro, 2008 Jose Luis Braga 1 comentário

Essa postagem foi utilizada como base para a Aula da saudade que proferi para os formandos de Janeiro de 2008 do curso de Ciência da Computação da UFV, no dia 23/01/2008, as 10 horas, na sala de seminários do DPI.

Minha mensagem principal vai para o tema organização pessoal como base do sucesso profissional. Um pouco de organização não faz mal a ninguém, e algumas providências simples podem ajudar muito na construção da carreira e no planejamento dos próximos passos. No mundo cada vez mais competitivo em que vivemos, em que as melhores oportunidades aparecem somente para aqueles que estão preparados para ela, não é mais possivel deixar tudo por conta do acaso ou da sua rede de contatos. É necessário, possivel e recomendável ter um planejamento, uma projeção ou uma visão do seu futuro, para que ele possa ser construido tijolo a tijolo, dia a dia, hora a hora. O aparente acaso só acontece mesmo para quem está preparado para enxergá-lo, e na ciência, o acaso tem um nome: serendipidade (do inglês serendipity). Na postagem Dica para um novo ano, deixei uma idéia sobre como fazer esse planejamento pessoal (em breve vou deixar outra postagem sobre o mesmo assunto).

Transcrevo abaixo dois depoimentos que tirei da Revista Exame 909, 31/12/2007, Seção Painel Executivo: Outros Mares: o exercício de diversificar o repertório e ampliar horizontes. Os dois depoimentos falam por si só, pois são de pessoas que não podem depender do acaso em suas atividades diárias, os acontecimentos de cada dia são gerenciáveis pelo menos em parte.

Amyr Klink – Navegador: Mais do que dispor de um plano, é preciso ter metas claras. O planejamento serve como medida de eficiência para nortear a que distância estamos de nosso objetivo. Apesar de sua extrema importância, constitui um meio, não um fim. Ainda que criativos e empreendedores, nós brasileiros não temos a cultura de planejar ou de atuar de forma preventiva, aspectos fundamentais nas minhas atividades. No mar, um erro pode ser fatal. O trabalho é para mim uma fonte de diversão e prazer. Considero-me mais um caçador de soluções do que um navegador. O processo de construir um barco chega a ser mais emocionante do que a própria travessia do oceano. Envolve criatividade, relacionamento interpessoal, desenvolvimento de equipes, diversidade, logistica, capacidade de gerir situações caóticas e uma série de outros aspectos presentes também no cotidiano das empresas.

Jaime Ozi – Sócio-Diretor da Drive People+Business: Protagonistas de nossa existência, somos responsáveis pelas escolhas que fazemos. Tomar consciência dessa realidade e identificar as forças internas que nos movem permite empreender transformações e encarar eventuais crises como oportunidades de crescimento. Nesse processo, é importante desenvolver um olhar de aprendiz e estar aberto a uma reflexão profunda, realizando uma viagem à própria essência para identificar as mudanças necessárias e, então, ampliar a visão e abrir os horizontes. Para aqueles que neste início de ano querem algo novo ou uma mudança em suas vidas, sugiro que façam uma retrospectiva, visitando especialmente as situações em que experimentaram sentimentos de alegria, realização e prazer. Que forças internas contribuiram para o resultado positivo? Identificados os recursos, é hora de planejar a mudança e estabelecer prazos, fazendo do tempo um aliado. Para tanto, deve-se reconhecer que a viagem começa na partida, quando negociamos com o vento as manobras necessárias para atingir o nosso objetivo.

Para finalizar, deixo aqui mais um comentário sobre outra matéria interessante, complementar a esse tema de planejamento pessoal, publicado na revista VoceSA, edição 114, Dezembro de 2007: Carreira: Hora do balanço, escrita pela jornalista Fernanda Bottoni. A matéria começa com a frase Aproveite o fim do ano, faça uma retrospectiva da sua carreira e defina o que vai carregar para 2008 e o que quer deixar pelo caminho (espero que vocês leiam). Transcrevo aqui apenas a parte referente aos setênios da Antroposofia, para ajudar vocês no planejamento pessoal. Setênios se referem à teoria dos sete anos, e a escala abaixo se refere ao período dos 21 aos 49 anos, em que a vida pode ser dividida nos seguintes ciclos: -21 aos 28 anos – aprendemos a lidar com as emoções, testamos nossos limites e começamos a lutar pelo que queremos; -28 aos 35 anos – fase de estruturação da vida – crescer na carreira, casar, ter filhos, ganhar dinheiro;-35 aos 42 anos – hora de fazer um balanço da vida para determinar o que continua e o que deve ser modificado;-42 aos 49 anos – a prioridade é ser autêntico e fazer escolhas baseadas no que realmente é importante para você. Vocês estão no ciclo 21-28 anos, portanto, mãos a obra. 

Boa sorte, felicidades na carreira e vida pessoal, e contem comigo para o que der e vier…

 

Origem do Vale do Silicio

Domingo, 13 Janeiro, 2008 Jose Luis Braga 4 comentários

O Vale do Silício, California-EUA, surgiu há mais tempo do que se imagina. Segundo os pesquisadores Timothy Sturgeon e Christophe Lecuyer, o Vale do Silício tem sua origem no início do século XX, por volta de 1906, associada ao advento do rádio. Engenheiros iniciaram a experimentação com a nova tecnologia mais como curiosidade (hobby), e acabaram criando um ambiente meritocrático de que faziam parte as pessoas que conseguiram avanços tecnológicos no desempenho, velocidade de transmissão e baixo custo dos produtos eletrônicos.

Os dois pesquisadores afirmam que pelo menos 30 anos antes de a HP-Hewlett Packard iniciar suas atividades em uma garagem, e 50 anos antes da criação da Fairchild, outra gigante dos semi-condutores, a cultura do Vale do Silício já estava em gestação e formação em torno do rádio e tecnologias associadas. Engenheiros se organizando em clubes de rádio, ascensão do radio-amadorismo desde a primeira grande guerra, equipamento construido em fundo de quintal ou então tomado emprestado foram as sementes que catalisaram o enorme desenvolvimento posterior da região. Um exemplo de empresa criada na época é o da Poulsen Wireless Corporation of Arizona em 1910, que deu origem à Federal Telegraph Company, criada em San Francisco.

No mesmo ano de 1910, foi criada uma Escola para Engenheiros de Rádio, que iniciou a transmissão de programas de rádio sem fio (wireless…) para uma audiência local. Iniciou-se uma disputa tecnológica com a região de New York e Boston, onde também se verificou grande desenvolvimento das tecnologias associadas ao rádio. O que deu maior impulso à região do Vale do Silicio foram os contratos de projetos com a Marinha, por ocasião da Primeira Grande Guerra. Esse tipo de contrato com as forças armadas continuaram depois da guerra, e foram os grandes responsáveis pelo desenvolvimento da região.

O resto da história da região até nossos dias faz parte da história recente, e é mais conhecida de todos. O modelo de financiamento para companhias tecnológicas entrantes no mercado (startups) com projetos inovadores surgiu na região do Vale do Silício, e se espalhou pelo mundo afora. Casos e mais casos de companhias surgidas em salas de aula das universidades da região, destaque para a Stanford University, financiadas por fundos ou investidores particulares (venture capital)  sempre à procura de lucro rápido (claro, a economia funciona dessa forma…).

O progresso da região foi tão rápido e consistente, que o Vale do Silicio encontra-se, hoje, mergulhada no caos do trânsito, falta de moradias, preços altíssimos, competição desenfreada, tendo seu desenvolvimento freado por questões de sustentabilidade: meio-ambiente, disponibilidade de água, estradas insuficientes, preço do metro quadrado de terrenos lá nas alturas, competição tanto no nível social quanto no tecnológico…

(vejam a reportagem completa do San Francisco Chronicle, aqui)

Desafio do ZéBraga

Domingo, 2 Dezembro, 2007 Jose Luis Braga 1 comentário

Estou sempre à procura de formas inovadoras de aumentar o interesse de meus alunos pelas minhas disciplinas. Esse é um enorme desafio, principalmente quando a turma é de formandos, cursando o último período e a última disciplina do curriculo da Computação: Sistemas de Informação, oferecida canônicamente por mim. A partir de um certo momento do semestre, a cabeça dos alunos está em outras paragens: inscrição para os mestrados, seleção para empregos, casamento, noivado, certificações, um monte de dúvidas, horas e mais horas de conversa comigo e com outros professores.

Para aumentar o interesse da turma pelos temas próprios da área de Sistemas de Informação e de Sistemas de Apoio à Decisão, resolvi tentar uma experiência diferente a partir de 2006. Com base na análise SWOT (Strenghts, Weaknesses, Opportunities, Threats) ou em portugues FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas, Ameaças) propus à turma o Desafio do ZéBraga, nome que é uma brincadeira com o Desafio do SEBRAE. Por falar no Desafio do SEBRAE, ele foi vencido na etapa estadual por equipes formadas por alunos do nosso curso de Ciência da Computação da UFV, durante dois anos consecutivos (2006 e 2007), vejam nota aqui DPI-Sebrae2007.

Os alunos têm que se organizar em empresas de no máximo quatro participantes, e localizar um nicho competitivo na área de sistemas de informação, onde eles se sintam a vontade para abrir uma nova empresa competidora. Uma vez localizadas e definidas inicialmente as empresas e os nichos de atuação de cada uma, em aulas subsequentes as equipes desenvolvem a análise SWOT para sua empresa. Uma letra por sessão (S em um dia, W em outro, ….) apresentadas ao vivo em sala de aula por cada equipe, discutidas e criticadas pelos demais grupos e por mim. Aproveito todas as oportunidades que surgem durante as apresentações para discutir temas ligados a negócios e empreendedorismo. No final, cada equipe apresenta o SWOT completo, com todas as modificações surgidas pelo amadurecimento dos alunos no desenrolar da disciplina.

Para fechar o trabalho, os grupos ou empresas me enviam um relatório final com toda a análise (não tão completo quanto um PN – Plano de Negócios), contendo análise do setor e do nicho de atuação escolhido, tabelas, gráficos, números principais da área, principais competidores, principais catalizadores, ameaças, etc. Durante o curso, uma palestra proferida pelo representante local do SEBRAE é feita, para despertar o interesse dos alunos para a criação de empresas.

O resultado… é fantástico, tanto que repeti a dose no ano de 2007 de maneira mais refinada. O interesse e atenção dos alunos pelos temas próprios da disciplina aumentou muito como efeito direto das leituras e da busca de informação para conhecimento do setor onde cada empresa se insere, o que sempre é meu objetivo principal. Recomendo aos colegas professores tentarem a experiência, funciona em qualquer disciplina da parte profissionalizante.