Nike Plus

NY Marathon
A noticia de que a Nike associou-se à Apple para lançar produtos destinados a esportistas, utilizando o iPod, já não é tanta novidade assim. Mas, agora, o negócio está nas ruas, com implicações interessantissimas. O primeiro passo foi um kit de corrida, com um sensor que fica debaixo da palmilha do tênis projetado especificamente para esse fim. Esse sensor coleta dados tais como distância percorrida, velocidade e calorias queimadas. Esses dados são transmitidos para um captador de dados também da Apple, que fica conectado a um iPod, onde os dados de cada treino ou corrida são armazenados. A tecnologia já evoluiu substituindo o iPod por um bracelete da Nike que coleta os dados, ao invés do iPod (aposto que em breve vai estar nos relógios da Nike, ou talvez até nos óculos).
Terminado o treino ou corrida, os dados são transmitidos do iPod, via internet, para o sitio Nike Plus. O corredor se inscreve antes nesse site, adquire uma identificação, e seus dados são transmitidos para a sua área específica, e ficam armazenados lá. O sitio oferece ferramentas para análise dos dados acumulados, gráficos de desempenho, comparativos, categoria, etc. O negócio tem se expandido tanto, que a Nike organiza corridas individuais (estão sendo chamadas de virtuais, mas acho esse nome inadequado), cada um corre no seu canto, e depois lança os dados no sistema, que são comparados com os dados de outros corredores que correram a mesma corrida virtual, como a Human Race realizada em São Paulo e que agora tem uma etapa virtual.
Acho isso tudo fantástico, sob vários aspectos. Não apenas por causa da tecnologia empregada, que é relativamente simples. Mas a idéia, a inovação envolvida em todos os passos, é muito interessante. Prá começar, o segmento de mercado é bem definido, de médio para alto poder aquisitivo, supõe-se que o corredor que vai aderir ao Nike Plus tem grana suficiente para comprar o par de tênis especifico (uns 500 reais, por baixo), mais o chip da palmilha e o receptor da Apple (uns 100 reais), mais o iPod (aí o bicho pegou, mais uns 500 reais se for o iPod Nano). Além disso, o corredor certamente tem computador em casa, acesso a internet, e conhecimento suficiente para fazer tudo funcionar adequadamente, acessar os dados, analisar as planilhas de desempenho, e mais que isso, viajar de vez em quando para participar das corridas presenciais (que ainda vão ser realizadas não sei por quanto tempo) que podem acontecer em qualquer canto do mundo.
Agora, vamos ver pelo lado da Nike/Apple, o que é que eles ganham com isso? Antes de mais nada, um monte de comprador de tênis e da tecnologia necessária para começar (ou continuar) a suar a camisa. Mas, o mais importante: ganham uma massa de dados enorme, de onde informações valiosissimas podem ser extraidas e usadas para lançamento de novos produtos, novas promoções, novas músicas preferidas pelos corredores (Eye of the tiger, do filme Rocky III, é a preferida atual), distância média percorrida por cada corredor, idade média do grupo, poder aquisitivo, enfim, uma lista infindável de possibilidades e cruzamentos. Que vão levar a novos corredores, novas corridas de rua, novas promoções, levando a um ciclo virtuoso de negócios, onde todo mundo aparentemente ganha.
E vejo ai uma lição importantissima: arranjaram um jeito criativo e fácil de fazer o usuário querer, e muito, fornecer dados corretos para o sitio de coleta e armazenamento de dados. Que, de longe, é um dos maiores desafios do relacionamento das empresas com os clientes… (tem um artigo da revista Exame sobre esse assunto, vale a pena ler, aqui)
(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)




