Minha relação com o jogo de tênis começou por volta dos meus 14 ou 15 anos, influenciado por meu pai. Na época, ainda era um esporte muito elitizado, e tudo era difícil, caro e raro: raquetes (de madeira), bolinhas, encordoamento, aprendizado e, naturalmente, quadras para a prática do esporte. Nessa época, por volta de 1963, já morávamos em Viçosa, e por sorte tinhamos aqui uma quadra de tenis de saibro, muito disputada e mantida com mão de ferro pelo Heitor Barbosa.
Bom, mas e daí? O que é que o jogo de tênis tem a ver comigo, com minha formação, equilíbrio, e com esse blog? Na época em que comecei a jogar, o esporte fazia parte da nossa vida aqui em Viçosa. Natação e volei eram os outros dois preferidos. Com o tempo, tomei gosto pelo tênis, e jogo até hoje, pelo menos uma vez por semana (infelizmente, muitos anos praticando o esporte não significam que eu tenha me tornado um ótimo jogador…). O domínio da técnica do tênis exige atenção a detalhes e perfeição na execução dos movimentos, muita concentração e bom condicionamento físico. Qualquer distração na execução de uma jogada, significa errar o golpe e mandar a bolinha para algum lugar inesperado, completamente diverso daquele planejado. Todos os golpes -forehand, backhand, voleio, serviço, smash e suas combinações e variações- exigem movimentação e posicionamento muito bem executados, todos têm uma lógica de movimentação muito bem planejada. Pernas, braços, cotovelo, mãos, munheca, joelhos, panturrilha, ponta dos pés, ombro, abdomem e torso são muito exigidos em todas as jogadas, todas elas são uma sequência de movimentos que devem ser em parte automatizados pela prática e dedicação.
Além da parte técnica dos golpes básicos constituidos por golpes de fundo de quadra, golpes de rede, técnicas de aproximação (approach) para matar a jogada, passada de bola nas paralelas, posicionamento para voleio etc., o jogo ainda tem a estratégia em quadra. São decisões que devem ser tomadas em curto espaço de tempo, a mais dificil delas é a escolha do golpe a ser aplicado em cada situação. Com o tempo, essa escolha fica mais ou menos automática, mas sempre há situações inusitadas que levam a decisões inesperadas, é necessário muita concentração para tomar a decisão certa no tempo certo que possibilite, por exemplo, uma mudança de posicionamento ou empunhadura da raquete. A concentração no jogo é fundamental, pois só com muita concentração na movimentação do adversário é possivel antecipar uma jogada e chegar inteiro na bolinha, com o golpe já preparado e certeiro. Conhecendo a técnica, é possivel observar com proveito as estratégias e golpes de jogadores tecnicamente perfeitos, como por exemplo o atual primeiro do ranking e tecnicamente impecável Roger Federer, as irmãs Venus e Serena Williams, a lenda Pete Sampras, Ivan Lendl e vários outros.
Foi enorme a influência do jogo de tênis na minha vida até hoje, e continua sendo assim. Nos momentos mais críticos da vida profissional e pessoal, ia e continuo indo para a quadra de tênis, e a concentração exigida pelo jogo proporciona um distanciamento dos problemas do mundo real, dando um descanso merecido para a mente. Consigo manter o estresse pelo menos parcialmente sob controle, e estresse é o que não falta na vida de qualquer um, é o grande vilão da maioria dos males modernos. Há algum tempo, um amigo me indicou o livro que vai referenciado abaixo. Não é um livro que ensina a jogar tênis, o próprio título já indica que esse não é o assunto. Ele fala mais do jogo interior, do controle emocional, do preparo, da pressão psicológica, da concentração necessária para cada jogada e situação. Muito bom, recomendo sem susto aos praticantes do tênis e de outros esportes.
O sítio web RacquetResearch dá detalhes técnicos baseados na Física sobre as características das raquetes. As opções de escolha para raquetes, bolinhas e cordas hoje são tantas, que é necessário seguir um verdadeiro processo decisório para conseguir chegar perto do resultado esperado. E para complicar um pouco mais, as combinações de tipo de raquete, fabricante, tipo de cordas e tensão utilizadas em cada encordoamento são outro desafio e exigem conhecimento do tenista. É tão complicado que a maioria deixa as escolhas por conta da experiência e opinião do encordoador. Mas é preciso ter paciência para ler e entender tudo, antes de passar à escolha das raquetes. E, claro, o blog do Paulo Cleto, jogador e técnico, uma referência do tênis no Brasil, com comentários, análise de jogos, acompanhamento de torneios, etc.
Vou repetir o chavão que aparece em todo canto, mas essa vai com base na minha própria experiência. Pratique algum tipo de esporte com regularidade. Corrida, caminhada, hiking, tênis, natação, musculação, biking, existem muitas opções, certamente uma se encaixa no seu dia a dia, necessidades e possibilidades. Atividades físicas tiram a gente do sedentarismo, de vícios, melhoram o sono, tiram as dores no corpo, melhoram a disposição, as endorfinas fazem milagres. Saia da inércia e da sua zona de conforto, os benefícios são incalculáveis.

O jogo interior de tênis, W. Timothy Gallwey, Ed. Textonovo, 1996