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Archive for the ‘Pessoas’ Category

Federer: o retorno do artista

Domingo, 21 Junho, 2009 Jose Luis Braga Deixe um comentário

Final de semestre, tudo acontecendo, e acabei me esquecendo de comentar aqui sobre o retorno de Roger Federer ao topo do tênis mundial. Para dizer a verdade, consegui ver poucos jogos de Roland Garros, devido principalmente ao fuso horário, os melhores jogos de cada dia começavam sempre depois do meio-dia. Só deu para acompanhar via internet, e veja lá.

King Federer

King Federer

Aconteceu em Roland Garros, um torneio que faz parte do circuito de grand slam do tênis mundial: Australian Open, French Open (Roland Garros), Wimbledon e US Open. Para alegria de todos os fans no mundo todo (só no sitio dele na internet, tem mais de 250000 fans inscritos), vimos nas quadras um Federer concentrado, seguro, batendo bolas agressivas e até um pouco fora do seu estilo tradicional de gentleman do tênis. A final, jogada contra o sueco Soderling, deu o esperado: vitória do Federer por 3 x 0, só não seria um placar desses por um tremendo azar. Sem desprezar o adversário, já velho do circuito mundial de tênis, que tirou o Nadal da competição.

O Federer vinha caindo de produção a cada torneio. Embora pareça muito fácil levar uma vida de tenista topo do ranking, na verdade não é nada disso. A rotina de treinamentos diários, que inclui muita preparação fisica em academias especializadas com seu preparador pessoal, várias horas de quadra com o treinador, controle de alimentação, viagens seguidas, torneios, pressão psicológica, jogos todos os dias (e os treinamentos continuam nos intervalos), análises de vídeos de jogos anteriores dos adversários, enfim, o glamour não existe. Existe sim, muito trabalho e muita dedicação, o que de resto não é nenhuma novidade, pois sem isso ninguém consegue se projetar em nenhuma área de conhecimento ou especialização. Os melhores são sempre os que se dedicam mais, treinam mais, levam mais a sério.

Esperamos que a sua volta seja duradoura. Como aconteceu com Andre Agassi, ficou fora um bom tempo por problemas pessoais, todo mundo achou que ele estava acabado, e lá vem ele, ressurgiu das cinzas como um Fênix, e voltou ao topo do ranking em pouco tempo. Um exemplo fantástico.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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Gran Torino

Sábado, 25 Abril, 2009 Jose Luis Braga 2 comentários
GranTorino

GranTorino

Aproveitei o feriado do 21 de abril, para ver mais um filme que ficou  pendente das férias de Fevereiro:  Gran Torino, dirigido e estrelado pelo Clint Eastwood. A principio, pareceu que ia ser um filme comum, pancadas, briga de gangues, etc. Mas, essa impressão durou pouco tempo. O filme é muito bom, muitas lições de vida bem passadas pelo Clint Eastwood, a revisão da vida diante da morte, aceitação de diferenças, mudança de comportamento mesmo quase já passando pro lado de lá da vida. O inicio e o fim são iguais para todos nós, as trajetórias é que são diferentes.

O que mais me impressiona é a trajetória do artista Clint Eastwood, que considero um modelo. Participou como ator principal em 66 filmes, listados no link acima no IMDB-Internet Movie Database (recomendo demais esse sitio para quem gosta de cinema). Começou com os filmes de faroeste (quem não se lembra de O bom, o mau e o feio, de 1966?) e os  filmes policiais em que ele fazia o papel do pancadista durão Inspetor “Dirty”  Harry Calahan? O que mais admiro no Clint Eastwood é a sua habilidade e sensibilidade em saber envelhecer e ir adaptando os tipos de filmes e roteiros às limitações da idade, uma verdadeira arte. Por exemplo, o fantástico  As pontes de Madison que ele co-estrelou com a Meryl Streep (1995), já foi um marco na virada de idade. Dos mais recentes, tem o Million Dollar Baby (Menina de Ouro) que ele dirigiu e estrelou, em que ele respeita a idade atuando como um treinador de boxe, e não como boxeador (seria ridículo, não?). E ele ainda não parou, outros filmes estão vindo por ai, vejam no IMDB.

Já repararam que boa parte dos artistas não se aposentam? Atuam a vida inteira, vão mudando a forma de atuar, passam de atores a diretores, a produtores, a roteiristas, e assim vão se divertindo e trabalhando ao mesmo tempo, sem nunca se aposentarem, até a vida acabar. Não são um exemplo?

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Vannevar Bush

Domingo, 22 Junho, 2008 Jose Luis Braga Deixe um comentário

Para entender melhor o presente, um pouco de história ajuda muito. Particularmente quando se fala em desenvolvimento científico e tecnológico de um pais, que leva muitas gerações para começar a mostrar resultados, os modelos e exemplos de outros países devem ser tomados como ponto de partida. Vannevar Bush é considerado o primeiro cientista levado a sério como conselheiro de presidentes estadunidenses, com uma atuação muito forte na Segunda Guerra Mundial, e mais ainda depois que ela acabou em 1945 (não tem relação nenhuma com o Bush atual presidente dos EUA).

Em 1941, o presidente Roosevelt criou o famoso Office of Scientific Research and Development (OSRD) e nomeou Bush seu diretor. A missão do OSRD era desenvolver e coordenar as pesquisas que levassem os EUA (e aliados) a ficar em vantagem na guerra, cooperando com os pesquisadores civis das universidades estadunidenses. Por exemplo, o famoso Manhattan Project que levou à construção da bomba atômica foi gerido pelo OSRD até 1943, quando passou para o controle do Exército. A constatação de que a Segunda Grande Guerra seria um enorme desafio tecnológico, foi a força que movia o investimento em pesquisas de todo tipo, focadas no esforço de guerra.

Ao final da guerra, esperava-se que o grupo de cientistas chefiados por Bush, e que faziam parte do OSRD, continuassem seu trabalho em uma agência equivalente, voltada para o desenvolvimento tecnológico nos tempos de paz. Em julho de 1945, Bush encaminhou ao presidente Truman (Franklin Roosevelt morreu em abril de 1945) o seu famoso relatório Science, the endless frontier, em que deixava claro que um país que quisesse se desenvolver econômicamente e ficar na dianteira tecnológica no planeta teria que investir pesadamente no desenvolvimento da ciência, da pesquisa, da educação, pois a tecnologia somente se desenvolveria sobre sólidas bases científicas. Sugeria, nesse relatório, a criação de uma agência de fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico, o que somente veio a acontecer em 1950, com a criação da conhecida e poderosa National Science Foundation (NSF).

Uma contribuição interessante desse misto de cientista, empreendedor e homem de visão de futuro, foi o pouco conhecido Memex, descrito originalmente no artigo As we may think. Esse artigo foi publicado na prestigiosa revista estadunidense The Atlantic Monthly, e as idéias contidas nele são consideradas as precursoras dos modernos sistemas de hipertexto que foram a base da linguagem HTML e da www-world wide web. Bush considerava de extrema valia para auxiliar os cientistas a pensar e a se organizar um mecanismo, que ele denominou de Memex, que permitisse estabelecer links entre diferentes artigos, partes de texto e de material, da mesma maneira como se faz hoje com a navegação em páginas web. Não deixem de ler os dois artigos, são muito interessantes, principalmente se levarmos em consideração a época em que foram escritos, e mostram a criatividade e o poder de inovação de Vannevar Bush.

A visão de desenvolvimento cientifico e tecnológico deixada por Bush influenciou todo o mundo ocidental desde então. Criação de organismos de fomento, política de financiamento de pesquisa, formação de massa crítica para apoio e desenvolvimento da pesquisa científica e tecnológica, tomaram seu modelo como padrão e exemplo. Sua valiosissima lição foi a de que o desenvolvimento cientifico e tecnológico têm obrigatoriamente que ser um objetivo de longo prazo, que envolve formação de mão de obra, criação de massa critica, financiamento, criação de infra-estrutura, mudança de cultura, etc. Para ter continuidade, esse esforço tem que fazer parte de uma política nacional de desenvolvimento científico e tecnológico, acima dos governos e dos governantes, um empreendimento estratégico de um pais.

Para quem quiser ler mais sobre esse tipo de assunto, recomendo o livro abaixo, que tem uma parte histórica muito interessante sobre ciência, tecnologia e a relação entre as duas que não é linear, como é o modelo secular: em um extremo a ciência básica, no outro extremo a ciência aplicaca, criando uma espécie de maniqueismo nocivo, que põe cientistas e suas equipes em eterna competição uns com os outros, atrasando o desenvolvimento. A discussão é muito enriquecedora, e um dos grandes exemplos do livro é o do cientista francês Louis Pasteur, que escapou completamente ao modelo linear vigente, pois suas pesquisas se iniciavam por algum interesse tecnológico, nas aplicações, que levavam a grandes avanços na ciência básica. A constatação de que a ciência básica se desenvolve muito mais quando pressionada por demandas do desenvolvimento tecnológico foi uma ruptura do modelo linear de pensamento, levando o autor a propor um modelo baseado em duas dimensões, mais adequado ao mundo atual. E de quebra, o livro ainda discute a questão de politicas (nos EUA) de C&T, financiamento, etc.

O QUADRANTE DE PASTEUR
A CIENCIA BASICA E A INOVAÇAO TECNOLOGICAO quadrante de Pasteur
Coleção: CLASSICOS DA INOVAÇAO
Autor: DONALD STOKES
Editora: UNICAMP, 2005

Artista mineiro: Vander Lee

Terça-feira, 8 Abril, 2008 Jose Luis Braga 1 comentário

Com alguns anos de atraso, conheci na semana passada parte da obra do compositor mineiro Vander Lee. Passei numa livraria na Savassi, em Belo Horizonte, e lá estava o DVD Dose Dupla (DVD + CD) dele, gravado no show que ele fez no Palácio das Artes, em 2006, baratinho, 30 contos, comprei logo. Vander Lee é mineiro de Belo Horizonte, nascido em março de 1966, criado no bairro Olhos D’Água que fica na saida de BH para o Rio de Janeiro, do lado do viaduto da Mutuca.

O DVD é fantástico, uma dose de ânimo, alegria e admiração pela sua obra. Todas as músicas são de sua autoria, e o Zeca Baleiro tem uma participação especial no show, na música Passional. Particularmente, me chamaram a atenção pela beleza da letra e música: Aquela estrela que abre o DVD, Românticos que é conhecida e Alma Nua, essa última uma poesia maravilhosa, com uma interpretação emocionante. Além, é claro, da já famosa Galo e Cruzeiro, um samba inteligente com letra metafórica  e muito bem humorado  sobre o cotidiano. Se tiverem oportunidade, não deixem de conhecer a obra desse artista, garanto que vão gostar e muito. Segue a letra de Românticos, uma poesia…

Românticos – Vander Lee

Românticos são poucos

Românticos são loucos, desvairados

Que querem ser o outro

Que pensam que o outro é o paraiso

Românticos são lindos

Românticos são limpos e pirados

Que choram com balada

Que amam sem vergonha e sem juizo

São tipos populares

Que vivem pelos bares

E mesmo certos vão pedir perdão

E passam a noite em claro

Conhecem o gosto raro

De amar sem medo de outra desilusão

Romântico é uma espécie em extinção

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