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Archive for the ‘Reflexões’ Category

O brilho custa muito caro

Domingo, 15 Novembro, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário
agassi

Andre Agassi

Como jogador desde a adolescência e admirador desse esporte fascinante, acompanho como posso o que acontece no mundo do tênis. E tenho meus ídolos, claro: Pete Sampras, Andre Agassi, Roger Federer, Venus e Serena Williams, Justine Henin, e vamos por ai afora. Pois não é que, dando uma olhada em boas fontes de informação um dia desses, topei com uma reportagem no The Guardian, com o título: Why Andre Agassi hate tennis? extraida diretamente da autobiografia dele, recém-publicada, vejam aqui.

Pelo inusitado do título, e também por se referir ao Andre Agassi, chamou minha atenção na hora, e fui ler a reportagem. Que é muito interessante, mostrando um lado escondido da vida das pessoas que ficam no topo de alguma forma: a perda da privacidade, e da vida pessoal. Artistas de modo geral, atletas das mais diversas modalidades, políticos respeitados, autores de livros, atores, músicos, bandas de rock, pesquisadores de renome, enfim, todo mundo que atinge o topo da carreira e fica conhecido pelo público.

Em particular no caso do Agassi, ele fala sobre o tipo de vida que leva um jogador bem ranqueado na ATP (vejam a classificação atual aqui). Viagens engavetadas umas nas outras, torneios em sequência, pressão muito forte para se manter nas posições conquistadas na classificação da ATP, e a obrigação de ter que participar dos torneios como uma das regras da ATP. Uma vez ou outra algum jogador do topo deixa de participar de um torneio, mas é uma situação muito particular e acontece raramente. E os treinamentos incluem não apenas as quadras, mas também (e muito) preparação física, fisioterapia, massagens, tratamentos físicos, recuperação e prevenção de lesões, dimensionamento de calçados e das raquetes para a força e tipo de jogo especificos, superação de deficiências de jogo, assistir videos de jogos dos adversários para analisar o estilo e já ir para a quadra com uma estratégia que permita vencer, etc. Sem contar as entrevistas, sessões de fotografia e videos a que eles têm que se submeter, por contrato com os patrocinadores.

Mas, cadê o glamour da vida de quem vive no topo? Quem está fora da realidade dos circuitos, fica do lado de cá achando que tudo é uma beleza, muito dinheiro, hotéis de luxo, belas mulheres, boates, bebidas finas, roupas de griffe, carros. Mas a realidade é bem diferente, a vida de quem está no topo é um inferno na terra, e perde-se a privacidade e o direito à vida pessoal, intima. Tudo se transforma em assunto público, e acaba com a própria vida das pessoas. E a reportagem é exatamente sobre esse ponto, descrito pelo Agassi no seu livro. Ele perdeu a vida pessoal, casou com a Brooke Shiels e separou em seguida, vicio, sumiu da classificação da ATP, tratou-se, voltou um ano depois acima do centésimo do ranking, e em menos de um ano já estava novamente na cabeça da classificação. Um depoimento forte e ao mesmo tempo fascinante de superação, de força interior, de reconhecimento dos próprios problemas, e da coragem de enfrentá-los e de falar abertamente sobre eles.

Está em preparação uma postagem similar a esta, tratando da questão de quem atinge o topo da carreira acadêmica, como pesquisador, aguardem. Tudo muito parecido…

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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Barulho

Domingo, 8 Novembro, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário
É festa...

É festa...

Viçosa, por ser uma cidade universitária, tende a ser uma cidade mais barulhenta. Muita gente, muito carro, muitas festas, um monte de república de estudante, muitos eventos sediados aqui. Enfim, nada diferente de qualquer outra cidade universitária de mesmo tamanho, em qualquer outra parte do mundo, e a tolerância com tudo isso é um dos requisitos exigidos de quem quer viver numa cidade dessa natureza.

No condomínio  de mais de 300 casas onde a gente morava nos EUA, um monte de estudantes da University of Florida também morava. Festas direto e reto, o que acontecia em toda a cidade, nada muito diferente daqui. Ou melhor, tinha uma enorme diferença: as leis são respeitadas, por bem ou por mal. O direito dos vizinhos e demais moradores é sagrado, qualquer reclamação a policia aparecia  por lá, e não tinha muita “vamos sentar, vamos conversar…”.  Todo mundo com a sua liberdade, garantida pelo poder público.

Ai a diferença é enorme, nada parecido com o que acontece com Viçosa, onde o poder público não garante direito de ninguém atualmente. E a cultura de que pode chamar a policia a vontade, se eles aparecerem não vai resultar em nada mesmo, e vamos continuar nossa festa do mesmo jeito, já é a cultura geral da cidade. A triste verdade é que mesmo com a maior boa vontade, os policiais não conseguem atender a tantos chamados a cada final de semana, acidentes, briga de rua, bêbados lotando o atendimento de emergência dos hospitais, festas enormes que vão lotando o bolso dos organizadores. E o município não garante a necessária fiscalização dos eventos, do excesso de barulho, do monte de butecos tomando as calçadas, dos carros particulares com som aberto a toda em plena madrugada e em qualquer outro horário. E cada vez mais aumenta o número de pessoas incomodadas por isso, festas até pela manhã, barulho excessivo e completamente desnecessário, a impressão que dá é que as pessoas que aparecem por aqui não aprenderam a respeitar o direito do próximo.

O pior de tudo é que  a cultura vem se espalhando, começando a contaminar todo mundo. Vizinhos (familias) que realizam festas com muito barulho até de madrugada, incomodando um prédio inteiro… os mesmos que reclamam do barulho das festas das repúblicas, quando fazem as festas deles do mesmo jeito, não acham que estão incomodando ninguém, é mole? E logo aqui do lado de casa, a 30 metros de distância, uma vizinha tem mais de 20 cachorros de todo tipo e tamanho, que latem o dia todo e a noite toda, todos os dias da semana, sem parar. Isso sem contar o mau cheiro constante, e pior ainda, a limpeza do canil (quando é feita) despeja a sujeira na rede pública de esgoto… E eu posso reclamar? Claro que posso (ainda não consegui descobrir onde…), mas não vai adiantar nada, no final o culpado serei eu mesmo, afinal de contas para que é que eu vim morar logo do lado da casa deles, atrapalhando o sagrado direito constitucional deles de ter quantos cachorros quiserem? Incomodados que se retirem, a regra não é essa?

Aí eu me lembro de uma definição curta e grossa sobre comportamento ético e moral: ponha-se do lado de lá e, se você achar que vai se sentir incomodado ou prejudicado pelo que você está fazendo, então você não está respeitando o direito do outro. Simples, não? Pena é que não funciona por aqui…

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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Dia do professor

Domingo, 18 Outubro, 2009 Jose Luis Braga 11 comentários
Professor

Professor

Mais um Dia do Professor se passa, e mais uma vez sinto a sensação de que nós, professores, temos um baixo reconhecimento de nosso trabalho  pela sociedade. Nas universidades federais, pior ainda porque o feriado do 15 de outubro nem existe mais, foi transferido para o dia 28 de outubro,  o Dia do Funcionário Público,  que por sua vez, também sumiu do mapa. Uma ou outra mensagem de parabéns pelo dia do professor aparece nos emails ou impressas, a maioria delas chavões repetidos a cada ano, mais por obrigação do que propriamente por valorização da  profissão que abraçamos.

Claro, os feriados não importam em nada, são apenas datas comemorativas, e nós estamos lotados delas. Estou me referindo aqui ao reconhecimento da importância do papel social desempenhado pelo professor de modo geral. Acho mesmo que é muito fraco o reconhecimento do papel fundamental da educação para a sociedade, logo a educação que é a única variável que trabalhada isoladamente, consegue em médio tempo promover inclusão social, melhoria de renda, melhoria de percepção, consciência, etc. Mas, até nosso presidente da república faz muita questão de ser enfático em afirmar que nunca precisou estudar para chegar à presidência, o que é tomado como bom exemplo a ser seguido.

Já me senti muito valorizado por ser professor. Mas não foi aqui, foi no ano que passei nos EUA na University of Florida, em estágio de pós-doutoramento. A percepção da importância do papel desempenhado pelo professor por lá é fantástica. Na lista das profissões mais respeitadas naquela época, Professor só era superada pela carreira de Policial. As carreiras mais tradicionais vão lá para o final da fila, uma surpresa. Procurei uma atualização daquela lista, não consegui mais achar. Mas, na busca, achei uma entrevista da Michelle Obama sobre a importância do papel do professor na formação das novas gerações de estadunidenses, que merece ser lida aqui.

Uma parte do artigo eu faço questão de transcrever, desculpem, vai em inglês mesmo, usem os tradutores da internet: We all remember the impact a special teacher had on us—a teacher who refused to let us fall through the cracks; who pushed us and believed in us when we doubted ourselves; who sparked in us a lifelong curiosity and passion for learning. Decades later, we remember the way they made us feel and the things they inspired us to do—how they challenged us and changed our lives. So it’s not surprising that studies show that the single most important factor affecting students’ achievement is the caliber of their teachers. And when we think about the qualities that make an outstanding teacher—boundless energy and endless patience; vision and a sense of purpose; the creativity to help us see the world in a different way; commitment to helping us discover and fulfill our potential—we realize: These are also the qualities of a great leader.

Claro, há enorme diferenças de cultura entre nós, nem de longe está passando pela minha cabeça elogiar a sociedade de lá, e achar que ela é modelo para nós. Nada disso, temos nossa própria cultura muito mais rica e que, aos poucos, vai sendo respeitada e admirada pelo resto do mundo. Meu ponto aqui é somente com relação ao reconhecimento da importância do papel do professor na nossa sociedade e cultura, e essa postagem vai mais como um desabafo muito forte. Ia me esquecendo, na sala de aula onde ensino engenharia de software esse semestre, a sala 358 do Pavilhão de Aulas A, está escrito a canivete no tampo da mesa: Todo professor é filho da puta! É mole?

Deixo aqui minha homenagem ao querido amigo, colega e parceiro de pesquisas Marcelo José Vilela, professor do Departamento de Biologia Animal da UFV, pesquisador incansável da Patologia do Câncer. Falecido na sexta, dia 16 de outubro de 2009, ironicamente vitima de um câncer devastador no pâncreas.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

Olímpiadas 2016

Domingo, 11 Outubro, 2009 Jose Luis Braga 5 comentários
Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

Foi a notícia do ano: o Rio de Janeiro foi a cidade selecionada pelo Comitê Olímpico para sediar as Olimpíadas de 2016. E ai vem a enxurrada de gente elogiando a decisão, e vem outra enxurrada maior criticando de todas as formas possíveis, alguns argumentos até aceitáveis, mas também com argumentos que parecem extraidos  diretamente de uma das luas de Saturno…

De minha parte, fiquei muitissimo orgulhoso pela escolha. Mais uma vez, os olhos do mundo se dirigem para o Brasil, e temos mais uma enorme oportunidade de manter esses olhares aqui por muito mais tempo. O mundo envelheceu, modelos de desenvolvimento foram testados e jogados no lixo, fórmulas econômicas se provaram erradissimas e completamente inadequadas para o século XXI, os problemas hoje exigem visão sistêmica, cooperação, colaboração e principalmente, inclusão para serem resolvidos. E nós aqui no nosso canto, mesmo com todos os problemas de que ainda padecemos, estamos chamando atenção, e muita, sendo considerados um novo modelo de desenvolvimento.

O Rio de Janeiro tem problemas? tem favelas? tem bandidagem? tem tudo isso sim, mas será que Chicago não tem? e Tóquio? e Madri? moçada, vamos analisar friamente… os problemas nas outras cidades são até muito piores que os nossos. Chicago não ficou famosa pelo gangsterismo no século passado? Qual é a grande diferença? só porque os bandidos de lá falavam ingles e usavam terno de risca de giz e chapéu, tomavam uisque “nacional”, frequentavam boates com mulheres lindas e sensuais eles são menos bandidos? Será que eles não têm problemas com o trânsito? podem apostar que têm sim, e muito mais complicados que os nossos.

Vamos lá, vamos deixar o pessimismo de lado, a escolha do Rio como a cidade sede das Olimpiadas 2016 vai fazer muito bem à nossa baixa auto-estima. A oportunidade tem que ser muito bem aproveitada, emoção nacional, vamos nos orgulhar! Um pouco de patriotismo não vai fazer mal… (nada de nacionalismo, isso é outra estória…)

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Privilégios

Domingo, 3 Maio, 2009 Jose Luis Braga 4 comentários

Evito tocar em temas políticos aqui no blog, principalmente porque não me atraem nem um pouco, são muito baseados em opiniões e na base do “eu acho”,  nunca temos acesso à informação suficiente para ter uma opinião bem fundamentada em fatos reais. Mas, a questão dos privilégios nas semanas passadas foi demais, com a divulgação na imprensa sobre o mau uso da cota de passagens aéreas pelos nossos senadores e deputados federais, e por terceiros agindo em nome deles. Que ultrapassou o limite do aceitável e expõe, mais uma vez, um problema grave no mundo todo, que é o acesso fácil e privilegiado aos recursos públicos sem a devida exigência de transparência e de responsabilidade.

Até poderia haver alguma justificativa fraca para o governo federal, na época da “inauguração” de Brasilia, criar algumas facilidades para que a transferência de uma equipe técnica competente para Brasilia, vindo de outros  grandes centros, fosse viável e a nossa capital pudesse funcionar adequadamente.  O que se viu desde então foi o aumento nesses privilégios, que se perpetuaram e até se agravaram com o passar do tempo. Deveriam ter passado por revisões periódicas, com muita fiscalização e transparência, sendo limitados pouco a pouco até que se extinguissem completamente. Mas, temos ai, no meu entendimento, mais um caso de raposa tomando conta de galinheiro: quem faz as regras, quem gerencia esses recursos, quem determina o próprio salário, são eles mesmos…

É  a velha estória: privilégios, uma vez concedidos, se perpetuam. E causa mais espanto e indignacão ver as entrevistas de nossos representantes na câmara e no senado, justificando veementemente a necessidade de manutenção dos privilégios. O padrão é conhecido em teoria de sistemas: uma solução paliativa leva sempre a outras soluções paliativas, e o problema principal continua sem solução, cada vez mais agravado.

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Férias em BH (de novo)

Sábado, 28 Fevereiro, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário
Belo Horizonte

Belo Horizonte

Mais uma vez, vim passar minhas férias em Belo Horizonte, cidade que na minha opinião está cada vez melhor. Bons butecos, ótimos restaurantes, teatros  e um monte de peças em cartaz, boas salas de cinema, shoppings, bons serviços (táxis, lavanderias, etc.). Enfim, muito conforto para quem vem passar uns dias na cidade. Claro, viver aqui é outra estória, as ruas estão entupidas de carros e motoristas furiosos, qualquer retenção de trânsito é motivo de um buzinaço, coitadas das mulheres e dos mais velhos…

Mais uma vez, confirmo que a única maneira de conhecer bem os espaços de qualquer  cidade, é andar a pé por eles. E ai junta a fome com vontade de comer, pois eu gosto demais de andar a pé, e não é pão-duragem, é por costume mesmo. Raramente uso o carro, e em BH a linha de ônibus Circular quebra todos os meus galhos. E dentre as muitas descobertas dessas férias, uma delas quero contar aqui. Fui ali na Contorno, do lado do Viaduto da Floresta, com a patroa. Depois viemos andando a pé pela Av. Contorno no rumo de Sta. Efigênia, aquela região da Floresta se desenvolveu demais, tem muita estrutura, muito diferente dos tempos em que eu estudava aqui, ali era longe demais, tinha que  pegar o Floresta-Santo Antônio, linha 60. Eu estava procurando a WAZ, talvez a maior loja de informática de BH. Andamos demais, atravessamos a Andradas, Hospital da Policia Militar, e toma chão. De repente, o que é que me aparece? Santa Efigênia Street Mall… é mole? Cai o queixo com o inusitado, e por perceber de novo que Sta. Efigênia está se tranformando num bairro chique… E a WAZ é ali, nesse local de nome sofisticado.

Bom, tem muitas outras estórias das férias, mas quero deixar aqui a lista das dicas culturais. Aproveitamos os filmes do Oscar em cartaz, e vimos: O curioso caso de Benjamin Button (já foi homenageado com uma postagem aqui no blog), Operação Valquiria (muito bom, Tom Cruise sem comentários), O Leitor que recomendo a todo mundo, é lindissimo, a Kate Winslet tinha mesmo que levar uma estatueta. Fora do Oscar, vimos Se eu fosse você 2, a principio sou resistente a assistir comédias, mas essa valeu a pena, Glória Pires e Tony Ramos impecáveis, rimos demais. E ainda vimos A pantera cor-de-rosa 2, na terça-feira, Steve Martin engraçadissimo. No teatro, vimos Como se comportar em festas com bufê escasso no teatro Alterosa (aprendi a técnica prá pegar dois quibes numa bandeja de salgados sem que ninguém note…), e Um espirito baixou em mim, no teatro do SESI. Ambas excelentes (baratinho), se tiverem oportunidade não deixem de ver.

Claro, butecos e restaurantes nunca podem faltar, sempre acrescento mais uns dois ou três na nossa cultura. Aqui perto, fui conhecer o famoso Barba Azul (Getúlio Vargas com Bernado Guimarães), tira-gosto de primeira, sempre lotado, cerveja até branquinha por fora de tão gelada. Sem esquecer do Pizza Mu lá no Cruzeiro (nem sei mais se ali é Cruzeiro ou Anchieta), pizza com massa super-fina e muito boa, e do recém-inaugurado AppleBee’s no BH Shopping  (já conheciamos no original).

Carnaval? nem sei mais o que é isso, a cidade ficou por nossa conta, shoppings com pouca gente, vaga nos estacionamentos, butecos sem fila, cinemas sem a irritação daquele monte de gente com os pacotes de pipocas, cachorro quente  (só tá faltando um churrasquinho, a cerveja, e eles deixarem cachorros e gatos de estimação entrarem também) torrando a paciência o filme inteiro…

(este artigo foi escrito  por zeluisbraga, e postado no meu blog  zeluisbraga . wordpress . com) (this post was originally written by zeluisbraga, published on my blog  zeluisbraga . wordpress . com)

CategoriasDicas, Reflexões

Blog: alguns números

Sábado, 21 Fevereiro, 2009 Jose Luis Braga 8 comentários

images2Estamos fechando dois anos e quatro meses de existência deste blog, desde sua criação em  outubro de 2006. Considero os números animadores, vejam ai: 150 postagens, 440 comentários de leitores, e um total de 71150 acessos até ontem. O mês de junho de 2008 foi o campeão das visitas, com 4438 acessos.  As duas postagens campeãs de acessos são Aula da saudade e O jogo da cerveja, ambas com mais de 4000 acessos nesse período.

A plataforma WordPress me fornece todas as estatísticas, e eu faço um acompanhamento diário de tudo. Antes de iniciar esse blog, rodei por outras plataformas para blogs, como o Blogspot do Google e o LiveJournal, que é o mais antigo existente. O WordPress ganha disparado, tanto que é considerada a melhor plataforma para blogs disponivel na web.

Um blog só tem razão de existir, se estiver sendo útil para o público que o acompanha. Felizmente, parece que tem sido o caso deste blog, pelo menos os comentários são todos positivos. As postagens têm quebrado o galho de muitos leitores aflitos, como por exemplo a Aula da saudade, que é a campeã de acessos. Outras postagens, no entanto, andam no rumo contrário dos efeitos que eu esperava delas.  Por exemplo, a postagem Conselho Federal de Matemática, que escrevi com a intenção de lançar mais um argumento na discussão sobre a regulamentação ou não das profissões ligadas a área de TI. Os matemáticos descobriram a postagem e, mesmo lendo lá que a postagem é uma maluquice minha, estão gostando demais da idéia de terem um conselho específico…  Exatamente o contrário do que a postagem fala, e eu blogueiro não tenho controle algum sobre essas interpretações.

Obrigado a todos vocês, leitores, pelas visitas. Espero continuar agradando, o que é um enorme desafio semanal: escrever para uma platéia de leitores heterogênea e desconhecida para mim. Deixem aqui seus comentários sempre que puderem,  eles complementam muito bem as postagens.

(este artigo foi escrito  por zeluisbraga, e postado no meu blog  zeluisbraga . wordpress . com) (this post was originally written by zeluisbraga, published on my blog  zeluisbraga . wordpress . com)

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Feliz ano novo de novo

Terça-feira, 30 Dezembro, 2008 Jose Luis Braga 2 comentários
//tinyurl.com/8ownnz

Memeticians - tinyurl.com/8ownnz

Mais um ano sumiu do mapa, para mim esse foi o que passou mais rápido dos últimos tempos, tanto do ponto de vista pessoal quanto profissional. Foi um ano muito intenso, trabalhamos muito e os bons  resultados estão começando a aparecer. O final do ano não está sendo mole, crise econômica mundial causada pela total irresponsabilidade na gestão da economia nos paises mais ricos, e agora nesse finalzinho de ano, enchentes e mais enchentes, sonhos destruidos, vidas e mais vidas de sacrificio levadas pelas águas.  Enchentes de uma violência rara, sinalizando que também estamos degradando o meio ambiente e destruindo as defesas da natureza em um nível muito acima do sustentável.

O planeta está cobrando, e está saindo caro.  O volume de água que caiu e continua caindo é assustador, as variáveis vão se influenciando mutuamente, os resultados catastróficos vão aparecendo lentamente, e não poderiam ser diferentes. Para piorar, as estatisticas de acidentes nas estradas voltaram a subir, novamente empurradas pelo desrespeito do ser humano pela sua vida e pela vida do próximo, pelo desprezo nacional  pelas leis como resultado da certeza da impunidade, pela falta de bons principios morais, etc.  Com muitas exceções, felizmente.

O que fica muito claro, mais uma vez, é que a sustentabilidade continua sendo obrigatória. Em todos os sentidos possiveis: de atividade econômica, de exploração da natureza, de enriquecimento, de crescimento populacional, de relações humanas, de dedicação a qualquer atividade. Tem que prevalecer, sempre, o equilíbrio, colaboração e cooperação, o ser humano tem que ser respeitado, o planeta tem que ser respeitado. Tudo tem mão dupla!

Feliz 2009!

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Rotina: a ida e a volta

Domingo, 31 Agosto, 2008 Jose Luis Braga 6 comentários

Nem me lembro mais quando, certamente foi quando eu era adolescente, vi um trecho de um filme sobre aptidão física, e a mensagem final ficou gravada: sempre que possível, associar esforço físico com as atividades diárias. Se a distância a percorrer é razoável, então vou a pé; se são poucos andares a subir ou descer vou de escada, etc. Com o passar do tempo, isso se transformou em rotina que já entrou na lista das coisas que faço até sem perceber. Não andar de carro regularmente, por exemplo, o que para a maioria das pessoas é inconcebível, para mim é normal, o carro fica na garagem e eu enfrento meu curto trajeto de 1,6km de casa até minha sala na UFV, todos os dias, duas idas e duas voltas, debaixo de sol ou debaixo de chuva, sem o menor problema. Essa quilometragem ai é “sem desvios”, vocês vão perceber até o final do texto que na verdade, hoje ela se transformou em 2 km (ou mais).

Tráfego em Mumbai - India

Tráfego em Mumbai - India

Bom, essa rotina que sempre foi prazerosa e que pratico em qualquer lugar onde estiver, está se transformando em um dissabor aqui em Viçosa. A degradação das ruas, calçadas e até das largas avenidas do campus da UFV é visível. A rotina é mais ou menos assim: andar sempre olhando para o chão para evitar torcer o pé nos infindáveis buracos ou desníveis de piso das calçadas e das ruas; continuar olhando para o chão para evitar pisar nas bostas de cachorro que povoam as ruas em grande quantidade; de vez em quando tirar o olho do chão e olhar adiante, pois sempre tem alguém andando de bicicleta na calçada que já é estreita e só comporta no máximo três pessoas uma ao lado da outra; prestar atenção no cidadão que vem empurrando a bicicleta pela calçada, ocupando o espaço de pelo menos dois pedestres; ficar de olho nos carros entrando nas garagens dos prédios, a gente toma susto toda hora pois alguns motoristas sobem na calçada agressivamente e o pedestre que se dane; prestar atenção no início da PHRolfs ao passar pelo Posto do Beto para não ser atropelado por motos e carros que entram e saem direto, transformando o espaço do posto de gasolina em rua; prestar atenção para desviar dos grupos que páram no meio da calçada ou da avenida da UFV para conversar, travando o fluxo sempre grande de pedestres; prestar atenção nos bêbados sentados ou deitados nas calçadas em alguns locais onde estão seus butecos preferidos; desviar das mesas de butecos e restaurantes que ocupam espaços públicos (calçadas) como extensão de seus negócios, uma prática comum em qualquer canto do nosso país; desviar das inúmeras bicicletas deixadas pelos donos presas em postes, lixeiras e qualquer outra coisa que se preste a amarrar uma corrente com cadeado; prestar muita atenção se for atravessar a avenida principal da UFV, onde os carros e motos trafegam sempre em alta velocidade, embora a máxima sugerida seja 40km/h; muito cuidado para não ser atropelado ao sair ou entrar nos pavilhões de aula da UFV (PVA e PVB) pois os carros, motos e bicicletas trafegam nas avenidas na velocidade que acharem melhor, e alguns cada vez mais frequentes com o som no máximo, contribuindo com o sossego para as nossas aulas. Como se tudo isso não bastasse, ainda tem que desviar das aglomerações de estudantes que ficam na entrada do campus, final da PHRolfs, anunciando festas e vendendo ingressos para arrecadar fundos para as formaturas, aí o pedestre tem que sair da calçada e andar na rua disputando espaço com os carros e motos e correndo muitos riscos. Ia me esquecendo dos fumantes, sempre tem um com um cigarro na mão empesteando o ar e eu também tenho que desviar deles, para não me transformar em fumante involuntário.

As alternativas para quem anda a pé não existem. Ou o pedestre tem que contornar as represas do campus e subir a antiga ladeira dos Operários, ou então passar pela rua dos Estudantes (beira-linha), indo sair lá na frente da av. PHRolfs. Essa tem sido a alternativa para quem não quer se aborrecer demais. O que mais assusta nessa estória toda, é que pedestres são a esmagadora maioria aqui em Viçosa, calculo numa estimativa conservadora que de 10.000 pessoas que circulam pelo campus da UFV diariamente, no máximo 10% (1000 pessoas) circulam de carro ou moto, os 9.000 restantes encaram a pé ou de ônibus mesmo. Claro, invariavelmente cada carro levando uma única pessoa. Paradoxalmente, todas as soluções (caras) são pensadas para resolver o problema dos carros e dos motoristas (a via alternativa no campus, os novos estacionamentos…), e o pedestre vai ficando cada vez mais jogado para escanteio. É justo?

Será que estou pensando errado, que não estou conseguindo acompanhar a evolução do mundo morando aqui em Viçosa? Nas conversas com outros pedestres convictos ou forçados, a rotina é essa ai mesmo, todos aborrecidos com tudo isso. E novos cursos estão sendo criados na UFV e nas faculdades particulares, o que significa muito mais gente para engrossar a quantidade de pedestres, de carros, de motos… acho que o problema está apenas começando. Soluções? Várias podem ser tentadas, mas o primeiro passo certamente é nossos administradores tirarem o foco do carro de passeio, e passarem a enxergar corretamente o pedestre e as soluções coletivas… Mas eu acho que o que vai acontecer mesmo, em breve, é que os pedestres vão finalmente invadir as ruas, e a solução virá por emergência de um novo padrão de comportamento social. Já está acontecendo aos poucos…

Atualização 6/09/2008 – Li uma notícia animadora sobre o assunto: em São Paulo,  pela primeira vez em 40 anos, o uso de transporte coletivo superou o individual, vejam a noticia aqui. Espero que os administradores das demais cidades do país sigam o exemplo. 

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Risco, incerteza e seus impactos

Domingo, 24 Agosto, 2008 Jose Luis Braga 1 comentário

Alguns livros conseguem fazer a gente ultrapassar barreiras na forma de enxergar o mundo, seus desafios e riscos. Terminei de ler o best-seller da lista do New York Times, The Black Swan: the impact of the highly improbable, autor Nassim Nicholas Taleb (avaliação do NYT aqui), que é um desses livros. Em suas quase 400 páginas, o autor consegue passar de forma simples e fácil de entender uma questão complicada e  que foge ao cotidiano das pessoas: como os eventos altamente improváveis, aqueles com que nem perdemos tempo para prestar atenção, têm impacto nas nossas vidas?

Somos parte de uma sociedade que somente consegue se sentir confortável quando lida com eventos previsíveis. Segundo o autor, é a cultura da curva de Gauss ou da distribuição Normal (Estatística), lembram-se dela? Aquela distribuição de probabilidades que é representada por uma curva em forma de sino, que tem uma região de maior probabilidade de ocorrência de eventos perto da média, e que na medida em que se afasta do ponto médio, a probabilidade de ocorrência dos eventos cai muito rapidamente.  Como por exemplo quando se toma a altura da média da população masculina brasileira, que deve rodar em torno de uns 1,70m. Quando se afasta desse valor, as probabilidades caem muito, por exemplo, a probabilidade de aparecer um brasileiro com uma altura de 2,20m é baixissima, idem para um brasileiro com 1,20m de altura! A probabilidade de isso acontecer é tão baixa, que nem nos preocupamos com ela, nenhum fabricante de calça jeans ou de camisas vai produzir numeração para essa exceção (como também fabricantes de carros, de ônibus, aviões, camas, sapatos, bonés, etc.). Quando lidamos com algum problema em que as variáveis seguem distribuição normal (ou conseguimos forçar a barra para que isso ocorra), ficamos completamente confortáveis e à vontade.

Mas, o livro leva a conversa para outro rumo: e os eventos que não seguem distribuição normal? Aqueles eventos altamente improváveis, que podem representar um enorme risco e que têm associado uma grande incerteza, porque não conseguimos prever sua ocorrência? Como por exemplo o ocorrido em 11 de setembro de 2001, no ataque às torres gêmeas em NY, um evento que deixou o mundo todo paralisado e sem ação. Fugiu da normalidade e dos melhores modelos de predição existentes, e representava apenas um risco distante, com um grau de incerteza associado também tão grande que ninguém prestava atenção nele. Havia indícios de que poderia ocorrer, mas até por questões de segurança, nada foi divulgado pois dentre outras coisas, ia ficar parecendo coisa de professor de universidade, pesquisador maluco que fica brincando com as suas fórmulas e que teria chegado a alguma conclusão absurda. O custo do aparato necessário para evitar o acontecimento seria astronômico e, se ele tivesse funcionado, o evento não teria ocorrido… e tudo teria parecido um enorme desperdício de recursos com medidas preventivas e mais uma insanidade de órgãos de segurança estadunidenses. Por favor, entendam o argumento: estamos falando da nossa incapacidade de prever os eventos improváveis, não estou emitindo julgamento de valor sobre a enorme perda de vidas humanas no 11 de Setembro, o que por si só justificaria qualquer investimento para que fosse evitado.

Esse é o argumento central do livro, e ele descreve um monte de situações similares que ocorreram ou que ainda podem ocorrer. O ponto principal é a nossa incapacidade de fazer avaliações de riscos e nos preparar para eles, no que é denominado de contingenciamento de riscos. Por exemplo, nessa primeira semana de julho de 2008, ocorreu em São Paulo a queda nos serviços de internet e telefonia, prestados pela Telefônica. Caos total, um enorme prejuizo econômico para bancos, empresa, polícia e usuários domésticos, mais de um dia para que as coisas voltassem ao normal, e o porta-voz da Telefônica não conseguia esclarecer nada, pois nos primeiros momentos eles nem sabiam qual era o problema e nem onde tinha ocorrido. Possivelmente, um gerenciamento de riscos bem feito teria permitido enxergar que esse seria um problema que poderia ocorrer em algum momento, e as medidas de contingenciamento teriam sido tomadas mesmo a um custo alto (espelhamento de servidores, criação de rotas alternativas, duplicação de dados em outros roteadores, etc.), pois por mais alto que ele fosse, teria sido menor que o prejuizo causado (que não foi calculado, e duvido que seja…).

E os demais eventos improváveis a que estamos sujeitos? Descongelamento das geleiras do Pólo Norte, altos preços do petróleo no mercado mundial, escassez de alimentos, custo alto de alimentos, guerra pela água e pelos alimentos escassos… tudo isso é altamente improvável, mas o risco existe… Se tiverem tempo e disposição, é uma excelente leitura que com certeza em breve estará traduzido para o português. Melhor ainda, baratinho.

(o livro já foi traduzido: A LOGICA DO CISNE NEGRO: O IMPACTO DO ALTAMENTE IMPROVAVEL, Autor: TALEB, NASSIM NICHOLAS, Editora: BEST SELLER)