Barulho

É festa...
Viçosa, por ser uma cidade universitária, tende a ser uma cidade mais barulhenta. Muita gente, muito carro, muitas festas, um monte de república de estudante, muitos eventos sediados aqui. Enfim, nada diferente de qualquer outra cidade universitária de mesmo tamanho, em qualquer outra parte do mundo, e a tolerância com tudo isso é um dos requisitos exigidos de quem quer viver numa cidade dessa natureza.
No condomínio de mais de 300 casas onde a gente morava nos EUA, um monte de estudantes da University of Florida também morava. Festas direto e reto, o que acontecia em toda a cidade, nada muito diferente daqui. Ou melhor, tinha uma enorme diferença: as leis são respeitadas, por bem ou por mal. O direito dos vizinhos e demais moradores é sagrado, qualquer reclamação a policia aparecia por lá, e não tinha muita “vamos sentar, vamos conversar…”. Todo mundo com a sua liberdade, garantida pelo poder público.
Ai a diferença é enorme, nada parecido com o que acontece com Viçosa, onde o poder público não garante direito de ninguém atualmente. E a cultura de que pode chamar a policia a vontade, se eles aparecerem não vai resultar em nada mesmo, e vamos continuar nossa festa do mesmo jeito, já é a cultura geral da cidade. A triste verdade é que mesmo com a maior boa vontade, os policiais não conseguem atender a tantos chamados a cada final de semana, acidentes, briga de rua, bêbados lotando o atendimento de emergência dos hospitais, festas enormes que vão lotando o bolso dos organizadores. E o município não garante a necessária fiscalização dos eventos, do excesso de barulho, do monte de butecos tomando as calçadas, dos carros particulares com som aberto a toda em plena madrugada e em qualquer outro horário. E cada vez mais aumenta o número de pessoas incomodadas por isso, festas até pela manhã, barulho excessivo e completamente desnecessário, a impressão que dá é que as pessoas que aparecem por aqui não aprenderam a respeitar o direito do próximo.
O pior de tudo é que a cultura vem se espalhando, começando a contaminar todo mundo. Vizinhos (familias) que realizam festas com muito barulho até de madrugada, incomodando um prédio inteiro… os mesmos que reclamam do barulho das festas das repúblicas, quando fazem as festas deles do mesmo jeito, não acham que estão incomodando ninguém, é mole? E logo aqui do lado de casa, a 30 metros de distância, uma vizinha tem mais de 20 cachorros de todo tipo e tamanho, que latem o dia todo e a noite toda, todos os dias da semana, sem parar. Isso sem contar o mau cheiro constante, e pior ainda, a limpeza do canil (quando é feita) despeja a sujeira na rede pública de esgoto… E eu posso reclamar? Claro que posso (ainda não consegui descobrir onde…), mas não vai adiantar nada, no final o culpado serei eu mesmo, afinal de contas para que é que eu vim morar logo do lado da casa deles, atrapalhando o sagrado direito constitucional deles de ter quantos cachorros quiserem? Incomodados que se retirem, a regra não é essa?
Aí eu me lembro de uma definição curta e grossa sobre comportamento ético e moral: ponha-se do lado de lá e, se você achar que vai se sentir incomodado ou prejudicado pelo que você está fazendo, então você não está respeitando o direito do outro. Simples, não? Pena é que não funciona por aqui…
(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)



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