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Archive for the ‘social’ Category

Olímpiadas 2016

Domingo, 11 Outubro, 2009 Jose Luis Braga 5 comentários
Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

Foi a notícia do ano: o Rio de Janeiro foi a cidade selecionada pelo Comitê Olímpico para sediar as Olimpíadas de 2016. E ai vem a enxurrada de gente elogiando a decisão, e vem outra enxurrada maior criticando de todas as formas possíveis, alguns argumentos até aceitáveis, mas também com argumentos que parecem extraidos  diretamente de uma das luas de Saturno…

De minha parte, fiquei muitissimo orgulhoso pela escolha. Mais uma vez, os olhos do mundo se dirigem para o Brasil, e temos mais uma enorme oportunidade de manter esses olhares aqui por muito mais tempo. O mundo envelheceu, modelos de desenvolvimento foram testados e jogados no lixo, fórmulas econômicas se provaram erradissimas e completamente inadequadas para o século XXI, os problemas hoje exigem visão sistêmica, cooperação, colaboração e principalmente, inclusão para serem resolvidos. E nós aqui no nosso canto, mesmo com todos os problemas de que ainda padecemos, estamos chamando atenção, e muita, sendo considerados um novo modelo de desenvolvimento.

O Rio de Janeiro tem problemas? tem favelas? tem bandidagem? tem tudo isso sim, mas será que Chicago não tem? e Tóquio? e Madri? moçada, vamos analisar friamente… os problemas nas outras cidades são até muito piores que os nossos. Chicago não ficou famosa pelo gangsterismo no século passado? Qual é a grande diferença? só porque os bandidos de lá falavam ingles e usavam terno de risca de giz e chapéu, tomavam uisque “nacional”, frequentavam boates com mulheres lindas e sensuais eles são menos bandidos? Será que eles não têm problemas com o trânsito? podem apostar que têm sim, e muito mais complicados que os nossos.

Vamos lá, vamos deixar o pessimismo de lado, a escolha do Rio como a cidade sede das Olimpiadas 2016 vai fazer muito bem à nossa baixa auto-estima. A oportunidade tem que ser muito bem aproveitada, emoção nacional, vamos nos orgulhar! Um pouco de patriotismo não vai fazer mal… (nada de nacionalismo, isso é outra estória…)

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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Sistema bancário e os novos tempos

Domingo, 20 Setembro, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário
Bancos

Bancos

Cada vez mais, dinheiro tende a ser considerado informação, e nada mais. Quando eu pago uma conta via cartão de débito ou crédito, ou via o sitio do banco na internet, o que acontece de fato? Apenas, e nada mais, que uma transferência de informação autorizada por mim, titular da conta ou dos cartões, é efetuada. Na minha conta aparece a informação de que alguns trocados foram transferidos para a conta xxxxx, na data dd/mm/aaaa, para pagamento de uma fatura de número nnnnnnnnnn,  e estamos conversados, e na outra conta aparece a mesma informação, somando ao saldo já existente. Tudo registrado e recuperável facilmente, podendo ser até impresso o que, diga-se de passagem, com a atual onda de sustentabilidade do planeta, tende a ser uma operação cada vez mais evitada.

Bom, nessa nova visão, qual seria o papel dos bancos para as pessoas físicas? É um bom assunto para pensar, não é? Na minha idéia, considerando uma sociedade cada vez mais informatizada e com acesso muito fácil à internet, a tendência é prescindirmos dos bancos como intermediários de transações financeiras, passando cada um a gerenciar sua própria informação financeira, como já fazemos hoje com nossas informações pessoais. Precisariamos de uma autoridade central certificadora de transações, assinatura digital para cada cidadão que queira usar o sistema, por questões de segurança, transparência e rastreabilidade. O que hoje é intermediado pelos bancos comerciais, que registram as informações para as autoridades fiscais de cada pais, cada um com seu sistema.

O uso de certificados digitais, por exemplo, já é bem disseminado no comércio e na indústria, a implantação do sistema nacional de nota fiscal eletrônica exige isso. A certificação (assinatura) digital ainda não chegou ao cidadão comum, mas isso é coisa de pouco tempo, alguns cidadãos até já têm o certificado. Facilita muito a vida, muitas informações fiscais acessáveis somente via um contador, por exemplo, ficam disponiveis facilmente via computador ligado na internet, que tenha terminais USB (ou seja, todos ou quase todos).

Bom, e o dinheiro físico? dificilmente deixará de circular, por um longo tempo vamos ainda conviver com ele. Mas, a tendência é seu desaparecimento, sendo substituido pelos cartões de plástico, ou pagamento via celular, ou quem sabe via o relógio de pulso ou via um brinco pendurado na orelha? Vai ter o mesmo destino dos cheques, que já se transformaram em algo anacrônico, do passado, cada vez menos usados, inseguros, facilmente alteráveis e falsificáveis. O blog do prof. Silvio Meira, que recomendo muito, tem uma categoria que ele denomina Informaticidade, dedicada a esse tipo de assunto, vale a pena conferir.

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Texting and driving

Segunda-feira, 7 Setembro, 2009 Jose Luis Braga 5 comentários
Messaging

Messaging

Na medida em que a tecnologia avança e novos recursos são colocados em dispositivos como celulares, smartfones e outros, os problemas sociais resultantes desta inserção começam a pipocar. Primeiro, foi dirigir falando ao celular, prontamente considerado falta grave no nosso código nacional de trânsito, com multa pesada e outras consequências. Isso quando um agente de trânsito ou policial consegue perceber a infração e anotar a placa do carro dirigido pelo motorista infrator, tarefa quase impossível pois o número de pessoas que fazem isso é enorme, de assustar.  Interessante também é prestar atenção nas estatisticas: dirigir fumando tira a atenção do motorista na mesma proporção que dirigir falando ao celular tira, sabiam desta? Dirigir embriagado é sem comentários, finalmente e felizmente combatido fortemente pelo poder público, e tem dado resultado, a próxima geração já vai estar mais consciente  com toda a certeza.

Nos EUA, dez anos atrás, cansei de ver pessoas dirigindo nas estradas e… lendo!!, é mole? carro no piloto automático, pé esquerdo no painel do carro (maioria dos carros tem câmbio automático, o pé esquerdo fica sem função), livro em cima do volante, lendo tranquilamente nas estradas quase sem curvas do estado da Florida. Vi vários casos, e achava aquilo um absurdo, um motorista desses aqui no Brasil ia se ferrar rapidamente nas nossas curvas e morros, já pensaram aqui nas estradas de Minas Gerais, lotadas de curvas, subidas, descidas e buracos?

Mas não é que tem coisa pior que isso? A nova “mania” por lá, resultante de o celular estar se transformando numa central de comunicações, é o “driving while texting“, ou dirigir digitando mensagens no celular, fazendo a versão correta. Inadmissivel, não? Isso se transformou num problemão por lá, e as leis de lá não proibem, como também não proibem falar ao celular e dirigir ao mesmo tempo.  O número de acidentes de trânsito (fatais) causados por esse tipo de comportamento cresceu tanto, que está incomodando a sociedade e as autoridades. Principalmente entre os mais jovens, a geração Y que não tem tempo para nada e nunca pode esperar chegar ao destino para responder as mensgens, todas urgentissimas. E não são somente os jovens que fazem isso, várias outras categorias que dependem de dispositivos móveis para exercerem a profissão fazem a mesma coisa (vejam um video realista e pesado, aqui).

Por aqui, isso já está acontecendo, com os mesmos impactos sociais. Do ponto de vista de código de trânsito, digitar mensagem no celular ao volante é muito mais grave que falar ao celular ao volante, tira muito mais atenção e tem muito mais potencial para causar acidentes, tanto nas cidades quanto nas estradas. Como é que resolve isso? vai adiantar colocar mais um parágrafo no código nacional de trânsito? eu acho que isso não resolve, pois vamos ter que entupir nosso código com novos parágrafos, a cada avanço da tecnologia que tenha esse tipo de impacto. Mas então como é que ficamos? Do meu ponto de vista, a tecnologia tem que ajudar a resolver os problemas criados pelo seu próprio avanço. Os carros, em breve (está demorando) vão sair de fábrica com o dispositivo que permite atender, falar e ditar mensagens no celular com comandos de voz, como equipamento de série. Hoje esse tipo de recurso só está disponivel nos modelos mais caros, um paradoxo.

Mas, como no caso do airbag que é um equipamento de segurança antigo e reconhecidamente necessário no mundo todo e que é de série para todos os carros (do lado de lá), e que por aqui é um opcional muito caro (pelo menos 3000 reais a mais no preço final),  ainda vamos ter que esperar muito até que a tecnologia de comando por voz e do viva voz nos carros seja um equipamento de série… enquanto isso, mais atenção nas estradas e cidades para conseguir perceber e evitar a tempo os motoristas fumando, falando ou digitando mensagens ao celular.

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Caminhos para a paz

Sábado, 29 Agosto, 2009 Jose Luis Braga 2 comentários

9788561635176-250x250As leituras agora em julho foram poucas, mas selecionadissimas. O cansaço do semestre passado, somado ao monte de artigos que julguei para congressos, simpósios e revistas, mpsBR, bancas de dissertação,  me tiraram um pouco da disposição para outras leituras. Mas, claro, estou sempre lendo, e achei uma pérola numa livraria em BH: A música desperta o tempo, do conhecido e famoso  maestro Daniel Barenboim.

O maestro é nascido na Argentina (1942), talento precoce na música clássica, e por isso mesmo considerado cidadão do mundo. De descendência judaica, o maestro tem um trabalho reconhecido mundialmente em prol da paz e harmonia entre os povos do mundo e, em particular, entre judeus e palestinos em Gaza. Por esse seu trabalho, recebeu reconhecimento internacional via o prêmio Prêmio Príncipe das Astúrias, da Fundación Príncipe de Asturias, da Espanha. O livro é exatamente sobre essa questão, mas abordada sob um ângulo inusitado: o da música, das grandes sinfonias, da harmonia, do ritmo, da integração entre músicos, instrumentos, música e regência como metáforas para uma paz mundial.  Particularmente, a 5a. Sinfonia de Beethoven é citada inúmeras vezes no livro, é considerada pelo maestro uma obra dedicada ao equilíbrio, cooperação e tolerância.

Uma parte do livro é dedicada a explicar para o leitor leigo,  esse equilibrio e ecologia das orquestras, que são usados como metáfora para expor seu ponto de vista sobre o equilibrio e convivência entre os povos na Faixa de Gaza. A partir daí, o maestro explora a metáfora para propor um modelo de paz na região da Cisjordânia, muito bonito e interessante. O melhor de tudo é que a discussão e as propostas são imparciais, sem levar o leitor a tomar partido de um ou outro lado, sempre no equilibrio e na visão da paz que exige deixar os preconceitos de lado, em algum momento. E isso é conseguido na integração entre os músicos em uma orquestra. As idéias do maestro foram colocadas em prática, com a criação por ele e seu amigo Edward Said da East-West Divan Orchestra, composta por músicos do Oriente Médio: egipcios, iranianos, israelitas, jordanianos, libaneses, palestinos e sirios.

O poder da música reside em sua capacidade de se comunicar com todos os aspectos do ser humano – o animal, o emocional, o intelectual e o espiritual. Com muita frequência, pensamos que as questões pessoais, sociais e políticas são independentes, sem influir umas nas outras. Pela música, aprendemos que essa é uma impossibilidade objetiva: simplesmente não existem elementos independentes. O pensamento lógico e as emoções intuitivas devem estar constantemente unidos. A música nos ensina, em resumo, que tudo está ligado.” (último parágrafo do último capítulo do livro, antes dos Apêndices)

A música é a linguagem da alma…

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Vander Lee: Faro

Domingo, 9 Agosto, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário
Faro

Faro

Como não podia deixar de ser, show do Vander Lee no Palácio das Artes, aqui em BH,  e eu de férias… não ia perder por nada. Na sexta dia 17 de julho, 21 horas, fomos lá conferir, ingressos comprados com antecedência, ficamos bem de frente para o palco, valeu a pena.

Foi o show de lançamento do Faro, seu novo cd. Tão bom ou melhor que o anterior, continua na linha de música urbana, do cotidiano das grandes cidades, particularmente de BH. Segundo o próprio Vander Lee, ele considera esse seu melhor trabalho. Tem faixa com música do Roberto Carlos, Ninguém vai tirar você de mim, com participação especial do MC Renegado, que aparece no show e dá um show a parte. Uma outra faixa, Obscuridade, foi uma adaptação de um poema do Cartola, que ficou muito bonito.  Regina Souza, esposa do Vander Lee e também cantora /compositora, tem participação especial na música O baile dos anjos, parceria dela com o Vander Lee. E canta uma música do seu cd Outonos, recém-lançado.

Claro, ele apresentou várias músicas mais antigas, que não podiam faltar:  Românticos, Esperando aviões e, a pedidos da platéia, cantou também a popular Galo e Cruzeiro. Como torcedor do Galo, não ia deixar de tirar uma casquinha no recente desastre enfrentado pelo time do Cruzeiro na Libertadores e no Brasileirão… Eu não arrisco recomendar nenhuma música em particular, são todas muito bonitas e agradam muito.

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Go-Cycle, bicicleta com inovação

Sábado, 4 Julho, 2009 Jose Luis Braga 8 comentários
Gocycle

Gocycle - http://www.gocycle.com

Sempre que pressionado, o ser humano arruma um jeito de melhorar as coisas que já existem, inventando novas formas evolucionárias ou revolucionárias de fazer as mesmas coisas de forma diferente e mais agradável. E quem pensava que a bicicleta ia ser só aquela magrela em duas rodas, com apenas uma coroa e uma catraca de 18 ou 21 dentes, com o selim de couro  e muito desconfortável, enganou-se completamente. Alías, enganou-se há muito tempo e não percebeu, pois os novos materiais, sistemas sofisticados de catracas, coroas  e de troca de marchas, freios, rodas de liga leve, pneus especiais, etc., hoje fazem as antigas magrelas parecerem coisa de museu. E as novas versões literalmente voam…

Na minha ronda semanal de blogs, topei com a noticia no EcoGeek, sobre a GoCycle, uma maravilha tecnológica, que está ai na foto. Materiais leves, dobrável, tem um motor elétrico e uma bateria que se recarrega com o próprio movimento dos pedais, com durabilidade de uns 30Km (20 milhas). E funciona muito bem sem o motor, como uma bicicleta normal, e a bateria pode ficar em casa na recarga (três horas). O preço não é lá essas maravilhas, 1200 libras, uns 2000 dólares, preço de moto pequena ou até de um Tata Nano. Ainda é uma atração de luxo, mas se cair no gosto popular, o volume de vendas e a melhora da tecnologia certamente vão fazer esse preço cair a níveis suportáveis. E podem anotar ai, está próximo o dia da volta triunfal das bicicletas nas grandes cidades, falta pouco tempo…

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Tendências em conhecimento de TI para 2009

Sábado, 13 Junho, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário

Acabei me esquecendo deste assunto, que está na lista de drafts aqui tem um bom tempo, afinal já estamos no meio de 2009, o assunto vai perdendo importância. Mas, ainda é atual, e vamos lá.

Tecnologia

Tecnologia

Segundo pesquisa publicada na Computerworld, e apesar da grave crise econômica mundial causada pela irresponsabilidade de parte da economia estadunidense, as habilidades e conhecimentos em TI continuam em alta. Esse mercado foi muito pouco afetado pela crise, já que o mundo não vive mais sem a TI, a tecnologia continua sendo a nossa salvação. Programação e desenvolvimento de aplicações (cada vez mais sofisticadas) continuam em alta, embora a previsão seja de que programação tende a ser automatizada no médio prazo, elevando as exigências para o nivel de cima, de projetista. Conhecimento e treino em SAP-R3 continuam com alta demanda, as empresas continuam implantando sistemas de gestão integrados para permitir sua atuação em mercados mundiais, saindo do escopo local. O setor de serviços, com os indispensáveis help-desk (reclamamos deles mas o uso da tecnologia não dispensa mais os help-desks por pior que sejam), é considerado o segundo setor mais importante, vital para o desenvolvimento das empresas globais.

Gerência de projetos está se firmando como área estratégica para as empresas,  fundamental para que elas atinjam niveis de maturidade mais altos nas avaliações CMMImpsBR. Esta é uma área de investimento em conhecimento e treinamento que vai continuar em alta nos próximos anos, podem apostar, visitem o sitio brasileiro do PMI-Project Management Institute. Também a área de inteligência organizacional (business intelligence) está em ascensão, empurrada pela concorrência global entre as empresas. Os dados históricos das transações passaram finalmente a valer ouro, permitindo a extração de relações novas entre grupos de dados pela utilização das técnicas de mineração de dados.

Finalmente, conhecimento em segurança e privacidade continuam em alta, dado o avanço tecnológico, a convergência digital para aparelhos portáteis (há tantas opções no mercado que é dificil até acompanhar essa evolução), e a evolução dos serviços oferecidos aos usuários. Por exemplo, celular (nem sei mais se deveria ser chamado assim) com recursos para GPS-Global Positioning System e acesso aos mapas do GoogleMaps está ficando comum, o preço tecnológico está caindo, e com isso os problemas vão se espalhando, em paralelo com as possibilidades de novas aplicações.

E finalmente o conhecimento em aplicações empresariais utilizando recursos da chamada Web2.0 continuam em alta. O uso de wikis, blogs, a explosão do Twitter e outras tecnologias pelas empresas continuam em alta, e isso não vai parar. O conhecimento, nesse caso, nem é bem em programação e projeto de software, vai mais para o lado da administração e sistemas de informação, pois são ferramentas a serem usadas na melhoria interna dos processos administrativos.

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Lake Mead, Hoover Dam

Sábado, 30 Maio, 2009 Jose Luis Braga 5 comentários
HooverDam

HooverDam

A foto do lado é da Hoover Dam (represa Hoover), construida para gerar eletricidade, irrigar plantações e suprir de água a população de  parte da região oeste estadunidense (Nevada e California) e do México. O lago por trás da represa é o Lake Mead, no estado de Nevada, que é alimentado pelas águas do rio Colorado, tem capacidade para armazenar 9,3 trilhões de galões de água (1 galão tem aproximadamente 3,5 litros), equivalente ao fluxo de água de dois anos do rio Colorado. Suas águas são bombeadas através da Sierra Nevada para suprir parte da região sudoeste da Califórnia. Somente por esses números ai, dá para imaginarmos o gigante de obra de engenharia que ela representa, terminada em 1936.

Bom, mas o que isso tem a ver com esse blog? Sustentabilidade, claro. Procuro aqui nas minhas postagens, chamar sempre que possivel a atenção dos leitores para análise sistêmica, capacidade de enxergar além dos fatos isolados e se possível, enxergar todo o sistema. Dia desses topei com uma noticia sobre a represa: Lake Mead is drying up. Ou seja: Lake Mead está secando, a uma velocidade alarmante! O nivel de água caiu 14 pés em 2008 (aprox. 4,20 metros) e a projeção é a de que vai cair outros 14 pés esse ano, chegando próximo dos 1075 pés de altura mínima, ponto em que o governo federal estadunidense vai intervir e declarar estado de seca, forçando a diminuição de vazão a um nível que causará o fechamento das torneiras de água em 800.000 casas em Las Vegas. A briga pela água no estado de Nevada está ficando complicada, pois a turma dos cassinos e hotéis de Las Vegas se acha no direito de tirar águas de outros cantos do estado, para continuar jogando água fora nos empreendimentos da cidade.

Essa noticia me chamou a atenção, porque me fez  lembrar de outra notícia que tinha lido há um bom tempo, na revista IEEE Spectrum, sobre os efeitos devastadores no eco-sistema das margens do rio Colorado, observados 60 anos depois do seu represamento no Lake Mead.  Não tenho mais o artigo com a notícia, mas achei outra referência sobre o impacto ambiental causado pela Hoover Dam e pelo represamento do rio Colorado, Hoover Dam Environment, de onde transcrevo:  Mais uma vez, a tentativa de modificar a natureza adaptando-a aos seus desejos termina com consequências desastrosas. Sem entender completamente  as conexões sutis existentes no seu frágil eco-sistema, o homem provocou mudanças muito drásticas  nas propriedades fundamentais do rio. Espécies foram perdidas como resultado do fraco planejamento ou ausência de capacidade de visão de futuro. Outras espécies foram perdidas para que visitantes em férias pudessem pescar trutas no lago..

E temos algo semelhante acontecendo por aqui? claro que temos, a transposição do Rio São Francisco, vejam artigo sobre este assunto escrito por um especialista em águas, prof. Alberto Daker, aqui! Nossos dirigentes estão incorrendo nos mesmos erros de planejamento e falta de visão que acometeram os idealizadores e realizadores da Hoover Dam, e as consequências vão aparecer talvez daqui a meio século ou menos, quando os responsáveis pelas decisões não estiverem mais por aqui. Esta é uma das falácias apontadas pelo pensamento sistêmico: a de que os dirigentes vão aprender com as decisões que tomam.  Pelo menos com decisões que têm impactos sistêmicos, de longo prazo, isto é mesmo uma tremenda falácia.

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Nano: preço de moto, cara de carro

Sábado, 23 Maio, 2009 Jose Luis Braga 2 comentários

Tata Nano

Tata Nano

A foto ai do lado é do Nano, o novo lançamento da indiana Tata Motors, mais um carro para as multidões, que vai custar seus 2000 dólares na India. É um carrinho pouco maior que uma moto encorpada, tem motor de moto, arranque de moto, consome pouco combustivel, baixo nível de poluição, e muita inovação para fazer tudo isso caber nesse preço de 2000 dólares. O mais interessante da biografia do Nano é a criatividade e inovação da engenharia da Tata Motors, para conseguir esse resultado.

A ficha do carro, bem resumida: motor de arranque de motocicleta, motor Bosch de 2 cilindros e 35CV a gasolina (tipico motor de motocicleta), aceleração de 0 a 100km/h em 17 segundos (comparável a de um Celta básico), velocidade máxima de 105km/h, consumo médio na cidade de 23,6km por litro de gasolina (é mole?), peso de 600 quilos. Os principais pontos onde os engenheiros da Tata espremeram para conseguir baratear o carro foram: bateria debaixo do banco trazeiro (solução já conhecida do Fusca antigo e outros), tanque de gasolina dentro do capô dianteiro eliminando aquela tampa externa do tanque (também já usada no Fusca e outros), o estepe é um pneu mais fino que serve apenas para chegar até ao borracheiro mais próximo, pintura leva apenas uma passada no forno de secagem (ao invés das duas tradicionais), painel espartano, apenas três parafusos prendem as rodas aos cubos, e mais de 30 patentes relativas a inovações utilizadas no seu projeto foram  registradas.

Essa iniciativa da Tata Motors, de produzir um carro para atingir os consumidores da base da pirâmide, representa na verdade um primeiro passo de mudança para as montadoras tradicionais. A cidade de Detroit, nos EUA, vive um forte ocaso, com a quebra das maiores montadoras estadunidenses, e as grandes e tradicionais montadoras européias estão definhando e mudando de donos, passando para as mãos de fabricantes chineses e indianos. Os carros grandes, consumidores de combustivel e que não cabem mais nas ruas, estradas e estacionamentos, estão em franca decadência e até nos EUA, que é o dominio deles, os carros pequenos e econômicos estão entrando firme. A recente aliança da Chrysler com a Fiat, para produzir nos EUA o modelo Cinquecento que é pouco menor que um Fiat Uno, é a prova viva da mudança.

O Nano é apenas o começo da inauguração da era dos compactos: mais eficientes, mais verdes, mais leves, menores, mais econômicos, menos poluentes. Esses carros vão competir diretamente com as motocicletas,  possibilitando a muita gente vender a moto e comprar um carro, que sem sombra de dúvidas, vai ser mais seguro que andar de moto pelas nossas ruas. Que vão, certamente, ficar mais entupidas de carros, mas isso já é a realidade, já convivemos com ela.

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Sociedade do carro

Domingo, 10 Maio, 2009 Jose Luis Braga 5 comentários
Ford T

Ford T

Estou com este artigo no forno há um bom tempo, esperando a idéia melhorar ou o tempo livre aparecer. Tudo começou com essa beleza ai do lado, o famoso Ford T. Criado por Henry Ford, foi o primeiro carro da história da humanidade  produzido em série em linha de montagem. Nas palavras do próprio Henry Ford: vou construir um carro para as multidões. Será grande o suficiente para a família, e pequeno o suficiente para ser utilizado e mantido individualmente. Será construido utilizando os melhores materiais existentes, pelos melhores operários disponíveis, e baseado nos melhores projetos que a engenharia moderna puder oferecer. Mas terá um preço baixo, de tal forma que qualquer um que ganhe um salário razoável poderá ter um para aproveitar com a sua família as horas de prazer nesses enormes espaços abertos criados por Deus. Para a época, eram principios e idéias extremamente nobres, que deixavam escondidos a idéia do lucro, de construir uma grande empresa que fosse capaz de abrir um mercado ainda inexistente e por desbravar. Impossivel prever, nessa época, o que seria o mundo lotado de carros apenas um século depois.

São inquestionáveis os enormes benefícios que o carro, ou melhor dizendo os veículos automotivos, trouxeram para a humanidade e seu progresso. Escoamento de safras, transporte escolar, viagens de ônibus tornando os acessos mais rápidos, transporte de bens de consumo, uso individual proporcionando liberdade de locomoção, flexibilidade de horários e de localização geográfica. Enfim, chegamos ao estágio de desenvolvimento atual devido, em grande parte, ao uso do carro em suas mais diversas instâncias. Mas… sempre tem um mas na história: quem poderia prever essa explosão no uso do carro e na sua transformação, de fato, em objeto de desejo e símbolo de ascensão social e de liberdade individual? Henry Ford lançou a semente na sua famosa declaração.

Alguns países foram capazes de enxergar e de investir na época certa, em outros modos (ou modais) de transporte, como o ferroviário, o hidroviário e o aéreo, tirando o foco único nos transportes terrestres. Reparem que o transporte por trens ou metrôs, por exemplo, é muito presente na maioria das grandes nações e cidades do mundo. Infelizmente, nesse particular parece que por aqui comemos mosca, e por falta de visão de longo prazo de governos e mais governos (federal, estadual e municipal), de falta de políticas estratégicas bem definidas e duradouras, o país depende hoje fortemente do transporte terrestre, por caminhões em estradas de rodagem e pelas ruas castigadas e esburacadas de todas as cidades. Numa situação dificílima de reverter em médio ou longo prazo (sendo otimista).

Os municípios, que dependem de coleta de impostos ou das cotas do Fundo de Participação dos Municipios para terem recursos para melhorar a estrutura das cidades, têm tantos problemas acumulados para resolver (saúde, educação, redes de água e esgoto, tratamento de água, tratamento de esgotos, crescimento econômico, violência urbana, segurança, policiamento, manutenção da estrutura viária pública, …) que certamente o problema dos carros vai ficar sempre em segundo (ou mais)  plano, e cada vez mais vai ser assim. Os recursos coletados nunca vão ser suficientes para resolver todos os problemas, e certamente seria uma inversão de valores colocar o carro particular em posição mais alta na escala de prioridades municipais.

Bom, mas pelo menos o problema do transporte coletivo poderia ser equacionado, não poderia? Disponibilidade em termos de horários e quantidade de veículos, número de linhas, de tal forma que fosse possivel ao cidadão comum deixar o carro na garagem e usar o transporte coletivo com segurança e tranquilidade. O exemplo sempre citado é o de Curitiba, cidade modelo no mundo todo, resultado em parte das idéias do urbanista Jaime Lerner. Que conseguiu enxergar com a antecedência necessária as prioridades em termos de organização e serviços, implantou um sistema de transporte urbano modelar, que satisfaz a maioria esmagadora de seus usuários, valorizando o ser humano acima de tudo.

Na maioria das cidades, estamos chegando a uma situação de impossibilidade total, e que só vai piorar. Ruas, acessos, estradas vão continuar entupidos e em péssimo estado de conservação, pois os municipios não conseguem acompanhar o aumento da demanda, e não há espaço disponivel nas ruas e estradas para que alguma melhora de curto prazo possa ocorrer. Um aumento da capacidade das vias teria perna curta, em pouquissimo tempo também essa solução paliativa estaria comprometida da mesma forma, entupida com os carros que já circulavam, e com os outros que vão passar a circular porque o trânsito melhorou. E ai teriamos dois problemas: o antigo que já existia, e o novo criado pela solução paliativa.

O resultado todo mundo conhece de sobra: motoristas raivosos, estresse constante, brigas e mortes no trânsito, motocicletas em número cada vez maior surgindo como uma alternativa individual e barata à falta de estrutura de serviços de transporte coletivo. E o cidadão continua na dependência do carro individual: sai para trabalhar, deixa menino na escola (escolas poderiam ter horários estendidos como acontece em vários paises), alguém tem que pegar as crianças na escola e levar de volta para casa, volta no fim da tarde ou inicio da noite e pega um trânsito descomunal, leva o triplo do tempo (se não chover) para chegar em casa estressado, puto da vida, mais querendo banho e cama do que qualquer outra coisa, para começar tudo de novo no dia seguinte.

Para piorar, os combustíveis fósseis estão em extinção e o ser humano continua procurando alternativas ao petróleo, para que os carros continuem a circular do mesmo jeito: álcool carburante que ganhou o nome chique de etanol, hidrogênio, carro elétrico, lixo, óleo de lanchonete, etc. A meu ver, uma tremenda perda de tempo e de recursos, pois o modelo atual baseado em carros de passeio individuais está agonizante há muito tempo, não tem a menor possibilidade de continuar existindo. O modelo tem que mudar, a visão sistêmica dos problemas tem que ser adotada, o ser humano tem que ser valorizado acima de tudo. Felizmente, os bons exemplos de soluções corajosas continuam a pipocar, a cidade de Nova Iorque volta a dar um ótimo exemplo,  vejam aqui, e deixem a imaginação funcionar…

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post was written by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)