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Archive for the ‘Tecnologia’ Category

Netflix Prize, o desafio

Quarta-feira, 30 Setembro, 2009 Jose Luis Braga 3 comentários
Netflix

Netflix

Em outubro de 2006 a Netflix, enorme locadora de vídeo que funciona via internet, lançou o Prêmio Netflix, que agitou a comunidade de computação do mundo todo. Concurso aberto a partir de outubro de 2006 indo até no máximo outubro de 2011, ou até algum grupo ganhar a parada, dirigido a todo e qualquer participante ou grupos, com restrições a alguns paises. O prêmio de US$1.000.000,00, isso mesmo, um milhão de dólares, destinava-se ao grupo que construisse um sistema de indicação de preferências de videos aos clientes da Netflix, que tivesse um desempenho pelo menos 10% melhor que o sistema deles, o Cinematech. No meio do caminho, os grupos poderiam se qualificar para ganhar um prêmio de US$50.000,00 para apoio ao desenvolvimento da pesquisa (Progress Prize).

Naturalmente, a Netflix disponibilizou aos participantes a sua enorme base de dados de clientes e o histórico de locação ao longo do tempo, um acervo inestimável de informações. O resultado final foi surpreendente: uma chacoalhada geral na comunidade das diversas áreas de conhecimento, que trabalham com técnicas da área de inteligência computacional (computational intelligence), uma das denominações para o grupo de técnicas, métodos e modelos que inclui redes neurais artificiais, algoritmos genéticos, lógica e regras fuzzy, redes bayesianas e outras que estão tendo enorme aplicabilidade em problemas reais. Novos grupos se formaram ao redor do planeta, grupos existentes se animaram e se prepararam, inscreveram-se no concurso e mandaram bala nas pesquisas usando a base de dados da Netflix. Rebu geral na área de computação.

Em setembro de 2009, o grande prêmio de um milhão de dólares foi destinado à equipe BellKor´s Pragmatic Chaos, vejam a noticia na revista Wired aqui. O algoritmo que eles propuseram e que ganhou o prêmio e outras noticias técnicas, podem ser obtidas no link algoritmo. E o melhor: já está em andamento a chamada para o Netflix Prize 2, fiquem de olho. O que se espera é que outras empresas tomem o mesmo tipo de iniciativa, esse é um jogo ganha-ganha, que promove a inovação a partir da pesquisa e desenvolvimento.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

Sistema bancário e os novos tempos

Domingo, 20 Setembro, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário
Bancos

Bancos

Cada vez mais, dinheiro tende a ser considerado informação, e nada mais. Quando eu pago uma conta via cartão de débito ou crédito, ou via o sitio do banco na internet, o que acontece de fato? Apenas, e nada mais, que uma transferência de informação autorizada por mim, titular da conta ou dos cartões, é efetuada. Na minha conta aparece a informação de que alguns trocados foram transferidos para a conta xxxxx, na data dd/mm/aaaa, para pagamento de uma fatura de número nnnnnnnnnn,  e estamos conversados, e na outra conta aparece a mesma informação, somando ao saldo já existente. Tudo registrado e recuperável facilmente, podendo ser até impresso o que, diga-se de passagem, com a atual onda de sustentabilidade do planeta, tende a ser uma operação cada vez mais evitada.

Bom, nessa nova visão, qual seria o papel dos bancos para as pessoas físicas? É um bom assunto para pensar, não é? Na minha idéia, considerando uma sociedade cada vez mais informatizada e com acesso muito fácil à internet, a tendência é prescindirmos dos bancos como intermediários de transações financeiras, passando cada um a gerenciar sua própria informação financeira, como já fazemos hoje com nossas informações pessoais. Precisariamos de uma autoridade central certificadora de transações, assinatura digital para cada cidadão que queira usar o sistema, por questões de segurança, transparência e rastreabilidade. O que hoje é intermediado pelos bancos comerciais, que registram as informações para as autoridades fiscais de cada pais, cada um com seu sistema.

O uso de certificados digitais, por exemplo, já é bem disseminado no comércio e na indústria, a implantação do sistema nacional de nota fiscal eletrônica exige isso. A certificação (assinatura) digital ainda não chegou ao cidadão comum, mas isso é coisa de pouco tempo, alguns cidadãos até já têm o certificado. Facilita muito a vida, muitas informações fiscais acessáveis somente via um contador, por exemplo, ficam disponiveis facilmente via computador ligado na internet, que tenha terminais USB (ou seja, todos ou quase todos).

Bom, e o dinheiro físico? dificilmente deixará de circular, por um longo tempo vamos ainda conviver com ele. Mas, a tendência é seu desaparecimento, sendo substituido pelos cartões de plástico, ou pagamento via celular, ou quem sabe via o relógio de pulso ou via um brinco pendurado na orelha? Vai ter o mesmo destino dos cheques, que já se transformaram em algo anacrônico, do passado, cada vez menos usados, inseguros, facilmente alteráveis e falsificáveis. O blog do prof. Silvio Meira, que recomendo muito, tem uma categoria que ele denomina Informaticidade, dedicada a esse tipo de assunto, vale a pena conferir.

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Nike Plus

Domingo, 16 Agosto, 2009 Jose Luis Braga 6 comentários
NY Marathon

NY Marathon

A noticia de que a Nike associou-se à Apple para lançar produtos destinados a esportistas, utilizando o iPod, já não é tanta novidade assim. Mas, agora, o negócio está nas ruas, com implicações interessantissimas. O primeiro passo foi um kit de corrida, com um sensor  que fica debaixo da palmilha do tênis projetado especificamente para esse fim. Esse sensor coleta dados tais como distância percorrida, velocidade e calorias queimadas. Esses dados são transmitidos para um captador de dados também da Apple, que fica conectado a um iPod, onde os dados de cada treino ou corrida são armazenados. A tecnologia já evoluiu substituindo o  iPod por um bracelete da Nike que coleta os dados, ao invés do iPod (aposto que em breve vai estar nos relógios da Nike, ou talvez até nos óculos).

Terminado o treino ou corrida, os dados são transmitidos do iPod, via internet, para o sitio Nike Plus. O corredor se inscreve antes nesse site, adquire uma identificação, e seus dados são transmitidos para a sua área específica, e ficam armazenados lá. O sitio oferece ferramentas para análise dos dados acumulados, gráficos de desempenho, comparativos, categoria, etc. O negócio tem se expandido tanto, que a Nike organiza corridas individuais (estão sendo chamadas de virtuais, mas acho esse nome inadequado), cada um corre no seu canto, e depois lança os dados no sistema, que são comparados com os dados de outros corredores que correram a mesma corrida virtual, como a Human Race realizada em São Paulo e que agora tem uma etapa virtual.

Acho isso tudo fantástico, sob vários aspectos. Não apenas por causa da tecnologia empregada, que é relativamente simples. Mas a idéia, a inovação envolvida em todos os passos, é muito interessante. Prá começar, o segmento de mercado é bem definido, de médio para alto poder aquisitivo, supõe-se que o corredor que vai aderir ao Nike Plus tem grana suficiente para comprar o par de tênis especifico (uns 500 reais, por baixo), mais o chip da palmilha e o receptor da Apple (uns 100 reais), mais o iPod (aí o bicho pegou, mais uns 500 reais se for o iPod Nano). Além disso, o corredor certamente tem computador em casa, acesso a internet, e conhecimento suficiente para fazer tudo funcionar adequadamente, acessar os dados, analisar as planilhas de desempenho, e mais que isso, viajar de vez em quando para participar das corridas presenciais (que ainda vão ser realizadas não sei por quanto tempo) que podem acontecer em qualquer canto do mundo.

Agora, vamos ver pelo lado da Nike/Apple,  o que é que eles ganham com isso? Antes de mais nada, um monte de comprador de tênis e da tecnologia necessária para começar (ou continuar) a suar a camisa. Mas, o mais importante: ganham uma massa de dados enorme, de onde informações valiosissimas podem ser extraidas e usadas para lançamento de novos produtos, novas promoções, novas músicas preferidas pelos corredores (Eye of the tiger, do filme Rocky III, é a preferida atual), distância média percorrida por cada corredor, idade média do grupo, poder aquisitivo, enfim, uma lista infindável de possibilidades e cruzamentos. Que vão levar a novos corredores, novas corridas de rua, novas promoções, levando a um ciclo virtuoso de negócios, onde todo mundo aparentemente ganha.

E vejo ai uma lição importantissima: arranjaram um jeito criativo e fácil de fazer o usuário querer, e muito, fornecer dados corretos para o sitio de coleta e armazenamento de dados. Que, de longe, é um dos maiores desafios do relacionamento das empresas com os clientes… (tem um artigo da revista Exame sobre esse assunto, vale a pena ler, aqui)

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ARM na briga para equipar netbooks

Sábado, 25 Julho, 2009 Jose Luis Braga Deixe um comentário
HTC Magic

HTC Magic

A chegada dos netbooks ou mininotebooks, com mais de 15 milhões de unidades vendidas em 2008,  mostra uma outra face da competição em um mercado riquissimo e promissor.  Smartphones, netbooks, celulares incrementados, a tecnologia avança no rumo da convergência digital. Mas, afinal, que tipo de processador vem nas entranhas desses dispositivos, principalmente dos telefones? Com toda a certeza, não são e não podem ser os mesmos processadores dos computadores e notebooks, que consomem muita energia e seriam um desastre para as baterias dos telefones. A briga ai é outra, um mercado imenso, onde a Intel  não entrou, e nem é o foco deles (ainda).

A empresa britânica ARM é quase que  dona absoluta desse mercado. Eles produzem os projetos dos chips e os repassam para os fabricantes de celulares, dos mais simples aos mais sofisticados. No mercado dos netbooks, a Intel começou bem com o processador ATOM, que equipa a esmagadora maioria dessas máquinas. Mas, isso por pouco tempo, a ARM prepara a sua entrada ai também, acompanhada pela plataforma Google Android, que já roda em seus processadores nos smartphones e celulares mais sofisticados.  O mercado estima que a dobradinha Google-ARM vai incomodar e muito a dobradinha Microsoft-INTEL.

A ARM projeta e desenvolve os processadores de baixo custo e baixissimo consumo de energia, e repassa os projetos aos fabricantes finais de chips que vão equipar celulares, aparelhos de MP3, videogames e TVs de bolso. Seu faturamento vem dos royalties pagos pelos fabricantes de chips  para usarem seus projetos, que em 2008 foi por volta de 400 milhões de dólares. Os números são de impressionar: 9 entre 10 celulares utilizam chips projetados pela ARM, e 25% dos processadores utilizados no mundo todo são baseados em seus projetos.

A entrada da ARM no segmento dos  netbooks é questão de pouquissimo tempo, pois esses filhotes de notebook cairam no gosto popular pelo seu baixo custo e longa duração da carga da bateria, abrindo um mercado ainda não dimensionado. Seu preço fica muito perto e até abaixo dos smartphones, e tendo rede por perto, eles podem ser usados como telefone via Skype, por exemplo. Para esse segmento, o famoso termo Intel inside tende a mudar…

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Nokia: notebooks com Android vindo ai…

Sábado, 11 Julho, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário
NetBook

NetBook

Estamos presenciando mais uma onda tecnológica, caminhando para a tão falada convergência digital. O nome dado pela indústria ao novo brinquedo foi NetBook que, pelo menos para mim, não tem muito sentido, continua sendo um notebook com recursos limitados de processamento. Recentemente, alguns blogueiros de tecnologia falaram exatamente a mesma coisa.

Há umas duas semanas, o meu netbook finalmente chegou lá no DPI. Comprei via projeto, por necessidade mesmo, pois detesto gadgets e somente troco de aparelho quando o antigo já abriu o bico. Tela de 10.1″, um pouco maior que as que tinham aparecido inicialmente, HD de 160Gb, 1Gb de RAM, microfone e câmera embutidos, wifi de ótima qualidade, um monte de porta USB, conexão para datashow, o teclado é confortável, dá para teclar “normal”, 1.3Kg e a bateria de 6 elementos que aguenta o tranco por mais de 6 horas!!!  Vai substituir o  Toshibão já antigo (2005) e folclórico entre meus alunos, pesado demais, não tem nada de portátil, é no máximo portável, quase um desktop móvel.

O importante é não esperar demais de uma máquina dessas, não exigir mais do que elas conseguem entregar. Capacidade de processamento, por exemplo, podemos deixar de lado, é muito limitada. Não serve, ou pelo menos por enquanto não serve,  para desenvolvimento utilizando ambientes pesados como um Eclipse ou NetBeans. Por outro lado, são perfeitas para serem carregadas para todo canto, uso em reuniões, anotações rápidas, apresentações de trabalhos, aulas, e para uso em comunicações de modo geral, usando os recursos da placa de rede wifi. E eu entendo que esse é seu principal uso.

Mas, como são máquinas baratas e parece que cairam no gosto “popular”, os fabricantes enxergaram ai um nicho para melhorar as vendas. Por exemplo, a Nokia anunciou recentemente um netbook, a ser lançado em 2010, com sistema operacional produzido em cima da plataforma para uso com dispositivos móveis Android da Google.  Essa máquina anunciada já é resultado da parceria celebrada entre a Nokia e a Intel, é um enorme primeiro passo para uma mudança que já foi anunciada há algum tempo: o fim das máquinas (inicialmente as portáteis) com sistema operacional local.

A tendência é o browser nativo da máquina ser a porta de saida e entrada para todo tipo de uso, e as suites de escritório, planilhas, apresentações, plataformas de desenvolvimento, bancos de dados, etc., ficarem todos em servidores remotos, com muito pouca coisa na máquina local.  A intenção da Google com o lançamento do Android em parte  foi essa, e quem usa os recursos oferecidos pelo Google (Gmail, Docs, Groups, Reader…) já vive essa realidade de usar sistemas remotos, nada ou quase nada na máquina local. Nesta semana, a Google anunciou no Google Blogs a noticia do sistema operacional associado com o GoogleChrome, vejam a noticia aqui. Aconteceu mais rápido do que o mercado esperava, significa que muito em breve teremos celulares com um grande poder de processamento e um monte de recursos remotos, e os netbooks vão ter ai seu uso principal.

A Microsoft segue no rastro da Google para não perder a corrida, com o projeto Gazelle, e os primeiros passos já estão sendo  dados, com o Office e outros serviços oferecidos via rede.  A mudança que vai se seguir é cultural, ainda temos muitos usuários tecnófobos insistindo em usar cliente de mail nas máquinas locais, por exemplo, sob os mais diversos argumentos (lembram do Eudora? e do Thunderbird? claro que não…). Todos eles relacionados de alguma forma com a tecnofobia…

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Go-Cycle, bicicleta com inovação

Sábado, 4 Julho, 2009 Jose Luis Braga 8 comentários
Gocycle

Gocycle - http://www.gocycle.com

Sempre que pressionado, o ser humano arruma um jeito de melhorar as coisas que já existem, inventando novas formas evolucionárias ou revolucionárias de fazer as mesmas coisas de forma diferente e mais agradável. E quem pensava que a bicicleta ia ser só aquela magrela em duas rodas, com apenas uma coroa e uma catraca de 18 ou 21 dentes, com o selim de couro  e muito desconfortável, enganou-se completamente. Alías, enganou-se há muito tempo e não percebeu, pois os novos materiais, sistemas sofisticados de catracas, coroas  e de troca de marchas, freios, rodas de liga leve, pneus especiais, etc., hoje fazem as antigas magrelas parecerem coisa de museu. E as novas versões literalmente voam…

Na minha ronda semanal de blogs, topei com a noticia no EcoGeek, sobre a GoCycle, uma maravilha tecnológica, que está ai na foto. Materiais leves, dobrável, tem um motor elétrico e uma bateria que se recarrega com o próprio movimento dos pedais, com durabilidade de uns 30Km (20 milhas). E funciona muito bem sem o motor, como uma bicicleta normal, e a bateria pode ficar em casa na recarga (três horas). O preço não é lá essas maravilhas, 1200 libras, uns 2000 dólares, preço de moto pequena ou até de um Tata Nano. Ainda é uma atração de luxo, mas se cair no gosto popular, o volume de vendas e a melhora da tecnologia certamente vão fazer esse preço cair a níveis suportáveis. E podem anotar ai, está próximo o dia da volta triunfal das bicicletas nas grandes cidades, falta pouco tempo…

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Tendências em conhecimento de TI para 2009

Sábado, 13 Junho, 2009 Jose Luis Braga 1 comentário

Acabei me esquecendo deste assunto, que está na lista de drafts aqui tem um bom tempo, afinal já estamos no meio de 2009, o assunto vai perdendo importância. Mas, ainda é atual, e vamos lá.

Tecnologia

Tecnologia

Segundo pesquisa publicada na Computerworld, e apesar da grave crise econômica mundial causada pela irresponsabilidade de parte da economia estadunidense, as habilidades e conhecimentos em TI continuam em alta. Esse mercado foi muito pouco afetado pela crise, já que o mundo não vive mais sem a TI, a tecnologia continua sendo a nossa salvação. Programação e desenvolvimento de aplicações (cada vez mais sofisticadas) continuam em alta, embora a previsão seja de que programação tende a ser automatizada no médio prazo, elevando as exigências para o nivel de cima, de projetista. Conhecimento e treino em SAP-R3 continuam com alta demanda, as empresas continuam implantando sistemas de gestão integrados para permitir sua atuação em mercados mundiais, saindo do escopo local. O setor de serviços, com os indispensáveis help-desk (reclamamos deles mas o uso da tecnologia não dispensa mais os help-desks por pior que sejam), é considerado o segundo setor mais importante, vital para o desenvolvimento das empresas globais.

Gerência de projetos está se firmando como área estratégica para as empresas,  fundamental para que elas atinjam niveis de maturidade mais altos nas avaliações CMMImpsBR. Esta é uma área de investimento em conhecimento e treinamento que vai continuar em alta nos próximos anos, podem apostar, visitem o sitio brasileiro do PMI-Project Management Institute. Também a área de inteligência organizacional (business intelligence) está em ascensão, empurrada pela concorrência global entre as empresas. Os dados históricos das transações passaram finalmente a valer ouro, permitindo a extração de relações novas entre grupos de dados pela utilização das técnicas de mineração de dados.

Finalmente, conhecimento em segurança e privacidade continuam em alta, dado o avanço tecnológico, a convergência digital para aparelhos portáteis (há tantas opções no mercado que é dificil até acompanhar essa evolução), e a evolução dos serviços oferecidos aos usuários. Por exemplo, celular (nem sei mais se deveria ser chamado assim) com recursos para GPS-Global Positioning System e acesso aos mapas do GoogleMaps está ficando comum, o preço tecnológico está caindo, e com isso os problemas vão se espalhando, em paralelo com as possibilidades de novas aplicações.

E finalmente o conhecimento em aplicações empresariais utilizando recursos da chamada Web2.0 continuam em alta. O uso de wikis, blogs, a explosão do Twitter e outras tecnologias pelas empresas continuam em alta, e isso não vai parar. O conhecimento, nesse caso, nem é bem em programação e projeto de software, vai mais para o lado da administração e sistemas de informação, pois são ferramentas a serem usadas na melhoria interna dos processos administrativos.

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Lake Mead, Hoover Dam

Sábado, 30 Maio, 2009 Jose Luis Braga 5 comentários
HooverDam

HooverDam

A foto do lado é da Hoover Dam (represa Hoover), construida para gerar eletricidade, irrigar plantações e suprir de água a população de  parte da região oeste estadunidense (Nevada e California) e do México. O lago por trás da represa é o Lake Mead, no estado de Nevada, que é alimentado pelas águas do rio Colorado, tem capacidade para armazenar 9,3 trilhões de galões de água (1 galão tem aproximadamente 3,5 litros), equivalente ao fluxo de água de dois anos do rio Colorado. Suas águas são bombeadas através da Sierra Nevada para suprir parte da região sudoeste da Califórnia. Somente por esses números ai, dá para imaginarmos o gigante de obra de engenharia que ela representa, terminada em 1936.

Bom, mas o que isso tem a ver com esse blog? Sustentabilidade, claro. Procuro aqui nas minhas postagens, chamar sempre que possivel a atenção dos leitores para análise sistêmica, capacidade de enxergar além dos fatos isolados e se possível, enxergar todo o sistema. Dia desses topei com uma noticia sobre a represa: Lake Mead is drying up. Ou seja: Lake Mead está secando, a uma velocidade alarmante! O nivel de água caiu 14 pés em 2008 (aprox. 4,20 metros) e a projeção é a de que vai cair outros 14 pés esse ano, chegando próximo dos 1075 pés de altura mínima, ponto em que o governo federal estadunidense vai intervir e declarar estado de seca, forçando a diminuição de vazão a um nível que causará o fechamento das torneiras de água em 800.000 casas em Las Vegas. A briga pela água no estado de Nevada está ficando complicada, pois a turma dos cassinos e hotéis de Las Vegas se acha no direito de tirar águas de outros cantos do estado, para continuar jogando água fora nos empreendimentos da cidade.

Essa noticia me chamou a atenção, porque me fez  lembrar de outra notícia que tinha lido há um bom tempo, na revista IEEE Spectrum, sobre os efeitos devastadores no eco-sistema das margens do rio Colorado, observados 60 anos depois do seu represamento no Lake Mead.  Não tenho mais o artigo com a notícia, mas achei outra referência sobre o impacto ambiental causado pela Hoover Dam e pelo represamento do rio Colorado, Hoover Dam Environment, de onde transcrevo:  Mais uma vez, a tentativa de modificar a natureza adaptando-a aos seus desejos termina com consequências desastrosas. Sem entender completamente  as conexões sutis existentes no seu frágil eco-sistema, o homem provocou mudanças muito drásticas  nas propriedades fundamentais do rio. Espécies foram perdidas como resultado do fraco planejamento ou ausência de capacidade de visão de futuro. Outras espécies foram perdidas para que visitantes em férias pudessem pescar trutas no lago..

E temos algo semelhante acontecendo por aqui? claro que temos, a transposição do Rio São Francisco, vejam artigo sobre este assunto escrito por um especialista em águas, prof. Alberto Daker, aqui! Nossos dirigentes estão incorrendo nos mesmos erros de planejamento e falta de visão que acometeram os idealizadores e realizadores da Hoover Dam, e as consequências vão aparecer talvez daqui a meio século ou menos, quando os responsáveis pelas decisões não estiverem mais por aqui. Esta é uma das falácias apontadas pelo pensamento sistêmico: a de que os dirigentes vão aprender com as decisões que tomam.  Pelo menos com decisões que têm impactos sistêmicos, de longo prazo, isto é mesmo uma tremenda falácia.

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Cloud computing

Domingo, 17 Maio, 2009 Jose Luis Braga 3 comentários
Nuvens

Nuvens

Cloud computing, ou computação em nuvens, é a promessa de virada tecnológica para o início deste século, e que começa a se materializar. O conceito de localidade muda completamente: dados, programas, sitios web, blogs, textos, Orkut, Facebook, Twitter, etc., tudo fica espalhado na nuvem, nunca saberemos onde eles vão estar fisicamente. E interessa saber? Acho que não interessa, quem é usuário de serviços do Gmail, por exemplo, já vive essa realidade há um bom tempo. Onde ficam nossas mensagens? Em qualquer canto de algum servidor de dados do Google, que por sua vez pode estar em qualquer lugar do mundo onde haja datacenters da empresa. Os conceitos que passam a ser mais importantes são os de acessibilidade,  disponibilidade, privacidade e segurança, que passam a ser garantidos pelo provedor do serviço e saem da nossa esfera de controle.

A mudança cultural também é muito grande. Com acesso à internet, que está cada vez mais fácil e barato (exceto no Brasil que tem os serviços mais caros do mundo), teremos acesso a todos os nossos dados a qualquer instante e em qualquer lugar. Acaba aquela idéia de que meus dados estão no computador lá de casa, tenho que ir lá com o pendrive e pegar o que for necessário. Ainda é possível ver focos de resistência, como por exemplo pessoas  que ainda usam clientes locais de correio eletrônico, baixam todas as mensagens para o computador local, ao invés de usar o serviço de correio pela web. Mas, a mudança é cultural, a curva de aprendizagem é funda, leva tempo.

Essa mudança já está tendo impacto nas empresas que fornecem serviços e sistemas organizacionais e administrativos pela internet. O novo conceito é o cliente pagar pelo uso como já fazemos com a energia elétrica, água e telefone, ao invés de ter que instalar um sistema completo em servidores locais, ter técnicos especializados locais para cuidar da manutenção, instalar firewall de proteção, fazer backup dos dados e programas, e por ai vamos. A empresa Salesforce, por exemplo, é uma das pioneiras no oferecimento desse tipo de serviço pela web.  A tendência está sendo seguida por outras empresas que atuam na área comercial, já que o avanço da tecnologia disponivel vai empurrar todo mundo para esse tipo de solução.

Em uma postagem de janeiro de 2008, Amazon.com e a inovação, eu já havia comentado sobre o avanço dessas tecnologias associadas à computação nas nuvens. Nesse tempo que se passou desde aquela postagem, a Amazon.com avançou no conceito e no oferecimento de serviços de computação nas nuvens, vejam esta postagem no blog do Vinicius Carvalho sobre o assunto, com detalhes técnicos. Por uma ninharia e com muito mais conforto, qualquer empresa teria acesso aos serviços de Elastic Computing oferecidos atualmente pelos servidores da Amazon.com. Ou melhor, oferecidos no espaço de discos e de tempo que sobram do uso próprio da Amazon.

Como se isso não bastasse, ainda tem mais uma revolução tecnológica vindo por ai. Em breve, os computadores virão sem sistema operacional, ou seja, sem Windows, Linux ou outros.  Terão apenas o navegador web (browser), que será ativado quando o computador for ligado. E tudo será feito via o navegador, que terá embutido nele o núcleo de um sistema operacional para a web, abrindo a navegação na internet, a execução de programas, etc. Ou seja, o navegador vai ser o novo sistema operacional. O Google já avançou muito nesse aspecto, com o navegador Chrome e a plataforma Android. A Microsoft não está parada, e está levando adiante o projeto do Gazelle, um navegador que tem a mesma finalidade. Tudo isso está logo ali adiante, muito em breve vamos ter essas novidades disponiveis. E haja banda de internet para aguentar o tráfego…

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Sociedade do carro

Domingo, 10 Maio, 2009 Jose Luis Braga 5 comentários
Ford T

Ford T

Estou com este artigo no forno há um bom tempo, esperando a idéia melhorar ou o tempo livre aparecer. Tudo começou com essa beleza ai do lado, o famoso Ford T. Criado por Henry Ford, foi o primeiro carro da história da humanidade  produzido em série em linha de montagem. Nas palavras do próprio Henry Ford: vou construir um carro para as multidões. Será grande o suficiente para a família, e pequeno o suficiente para ser utilizado e mantido individualmente. Será construido utilizando os melhores materiais existentes, pelos melhores operários disponíveis, e baseado nos melhores projetos que a engenharia moderna puder oferecer. Mas terá um preço baixo, de tal forma que qualquer um que ganhe um salário razoável poderá ter um para aproveitar com a sua família as horas de prazer nesses enormes espaços abertos criados por Deus. Para a época, eram principios e idéias extremamente nobres, que deixavam escondidos a idéia do lucro, de construir uma grande empresa que fosse capaz de abrir um mercado ainda inexistente e por desbravar. Impossivel prever, nessa época, o que seria o mundo lotado de carros apenas um século depois.

São inquestionáveis os enormes benefícios que o carro, ou melhor dizendo os veículos automotivos, trouxeram para a humanidade e seu progresso. Escoamento de safras, transporte escolar, viagens de ônibus tornando os acessos mais rápidos, transporte de bens de consumo, uso individual proporcionando liberdade de locomoção, flexibilidade de horários e de localização geográfica. Enfim, chegamos ao estágio de desenvolvimento atual devido, em grande parte, ao uso do carro em suas mais diversas instâncias. Mas… sempre tem um mas na história: quem poderia prever essa explosão no uso do carro e na sua transformação, de fato, em objeto de desejo e símbolo de ascensão social e de liberdade individual? Henry Ford lançou a semente na sua famosa declaração.

Alguns países foram capazes de enxergar e de investir na época certa, em outros modos (ou modais) de transporte, como o ferroviário, o hidroviário e o aéreo, tirando o foco único nos transportes terrestres. Reparem que o transporte por trens ou metrôs, por exemplo, é muito presente na maioria das grandes nações e cidades do mundo. Infelizmente, nesse particular parece que por aqui comemos mosca, e por falta de visão de longo prazo de governos e mais governos (federal, estadual e municipal), de falta de políticas estratégicas bem definidas e duradouras, o país depende hoje fortemente do transporte terrestre, por caminhões em estradas de rodagem e pelas ruas castigadas e esburacadas de todas as cidades. Numa situação dificílima de reverter em médio ou longo prazo (sendo otimista).

Os municípios, que dependem de coleta de impostos ou das cotas do Fundo de Participação dos Municipios para terem recursos para melhorar a estrutura das cidades, têm tantos problemas acumulados para resolver (saúde, educação, redes de água e esgoto, tratamento de água, tratamento de esgotos, crescimento econômico, violência urbana, segurança, policiamento, manutenção da estrutura viária pública, …) que certamente o problema dos carros vai ficar sempre em segundo (ou mais)  plano, e cada vez mais vai ser assim. Os recursos coletados nunca vão ser suficientes para resolver todos os problemas, e certamente seria uma inversão de valores colocar o carro particular em posição mais alta na escala de prioridades municipais.

Bom, mas pelo menos o problema do transporte coletivo poderia ser equacionado, não poderia? Disponibilidade em termos de horários e quantidade de veículos, número de linhas, de tal forma que fosse possivel ao cidadão comum deixar o carro na garagem e usar o transporte coletivo com segurança e tranquilidade. O exemplo sempre citado é o de Curitiba, cidade modelo no mundo todo, resultado em parte das idéias do urbanista Jaime Lerner. Que conseguiu enxergar com a antecedência necessária as prioridades em termos de organização e serviços, implantou um sistema de transporte urbano modelar, que satisfaz a maioria esmagadora de seus usuários, valorizando o ser humano acima de tudo.

Na maioria das cidades, estamos chegando a uma situação de impossibilidade total, e que só vai piorar. Ruas, acessos, estradas vão continuar entupidos e em péssimo estado de conservação, pois os municipios não conseguem acompanhar o aumento da demanda, e não há espaço disponivel nas ruas e estradas para que alguma melhora de curto prazo possa ocorrer. Um aumento da capacidade das vias teria perna curta, em pouquissimo tempo também essa solução paliativa estaria comprometida da mesma forma, entupida com os carros que já circulavam, e com os outros que vão passar a circular porque o trânsito melhorou. E ai teriamos dois problemas: o antigo que já existia, e o novo criado pela solução paliativa.

O resultado todo mundo conhece de sobra: motoristas raivosos, estresse constante, brigas e mortes no trânsito, motocicletas em número cada vez maior surgindo como uma alternativa individual e barata à falta de estrutura de serviços de transporte coletivo. E o cidadão continua na dependência do carro individual: sai para trabalhar, deixa menino na escola (escolas poderiam ter horários estendidos como acontece em vários paises), alguém tem que pegar as crianças na escola e levar de volta para casa, volta no fim da tarde ou inicio da noite e pega um trânsito descomunal, leva o triplo do tempo (se não chover) para chegar em casa estressado, puto da vida, mais querendo banho e cama do que qualquer outra coisa, para começar tudo de novo no dia seguinte.

Para piorar, os combustíveis fósseis estão em extinção e o ser humano continua procurando alternativas ao petróleo, para que os carros continuem a circular do mesmo jeito: álcool carburante que ganhou o nome chique de etanol, hidrogênio, carro elétrico, lixo, óleo de lanchonete, etc. A meu ver, uma tremenda perda de tempo e de recursos, pois o modelo atual baseado em carros de passeio individuais está agonizante há muito tempo, não tem a menor possibilidade de continuar existindo. O modelo tem que mudar, a visão sistêmica dos problemas tem que ser adotada, o ser humano tem que ser valorizado acima de tudo. Felizmente, os bons exemplos de soluções corajosas continuam a pipocar, a cidade de Nova Iorque volta a dar um ótimo exemplo,  vejam aqui, e deixem a imaginação funcionar…

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post was written by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)