Qual é a minha profissão?

Uma questão que preocupa os profissionais egressos de cursos da área de computação é: qual vai ser o meu título quando eu me formar? Quem faz Direito é Advogado, quem faz Medicina é Médico, quem faz Psicologia é Psicólogo, quem faz Engenharia é Engenheiro, e vamos por ai afora. Mas, qual a identidade profissional dos egressos dos cursos de computação? Analista de Sistemas? Engenheiro de Software? O fato é que não existe uma identidade estabelecida, e as denominações utilizadas são muito mais relacionadas ao cargo que o profissional ocupa no mercado profissional, do que propriamente uma denominação relacionada com a essência da profissão.

Entretanto, os profissionais da área de computação têm um enorme diferencial, que é o denominado “pensamento computacional” (computational thinking), que representa um conjunto universal de atitudes e habilidades que todo mundo, e não apenas cientistas da computação, estão ansiosos para aprender e utilizar. Qual é essa essência? É ter a capacidade de pensar recursivamente; é saber usar abstração e decomposição para resolver um problema grande e complexo; é pensar em termos de prevenção, proteção e recuperação a partir de cenários envolvendo falhas, pelo uso de redundância, confinamento de danos a pequenas partes dos sistemas e correção de erros; é utilizar raciocínio heurístico para encontrar soluções para problemas e, finalmente, é saber negociar e resolver conflitos de espaço e tempo, pelo uso massivo de dados ou pelo aumento da capacidade de memória. Pensar como um cientista da computação significa pensar em níveis múltiplos de abstração, e não apenas a habilidade de programar.

Significa saber conceitualizar e não apenas programar; ter conhecimento dos fundamentos, e não apenas habilidades rotineiras de programação; trabalhar com idéias, e não apenas com artefatos. Esses atributos constituem diferenciais de mercado para os egressos dos cursos de computação, que abrem o leque de possibilidades profissionais.

(Computational thinking, Jeannette M. Wing, Head of the Computing Sciences Department, Carnegie Mellon University, Pittsburg, PA, CACM, March 2006 )

 

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

Publicado em Carreira
6 comentários em “Qual é a minha profissão?
  1. Rodrigo Smarzaro disse:

    Zé,

    gostei do texto, vou repassar para meus alunos!!! abração!! Rodrigo.

  2. Joao Gazolla disse:

    Esse post ficou show, galera da computacao tem capacidade para atuar em diversas areas, e isso ae…

  3. daiane disse:

    nao sei que profição seguir , vc poderia me dar uma dica?

  4. Lucas da Costa Dantas disse:

    Olá,
    eu mesmo me pergunto tal explicação,
    sendo que não sei exatamente oque faço,
    ou como aplicar tais funcionalidades como emprego lucrativo
    numa sociedade em que sempre estive.

    Observado as ansiedades de todos a minha volta,e que já
    exercendo maturidade arrancada por suas escolhas por assim
    optarem pelas festas,e algums casados,
    as atividades sociais restritas para o comércio automovito e bares no qual
    aprisionam toda a população dadas suas limitações individuais.
    Por assim estarem agora cercados por uma base de amizades resumida
    para ações comerciais(compradas por parcelas).

    Mantive sozinho aprendendo por conta própria,
    e de formas não convencionais ou práticas de faculdades,
    desenho,literatura,programação,música.

    Sendo capaz e já tendo erguido certa base própria,
    não estando ligado ao social porém sendo minha própria fonte de criação.
    Que talvez uma força ainda desconhecida para ações comerciais e
    melhor focado na parte criativa,
    os empregos mistos e até mesmo sem quaisquer conteúdo no qual
    lucram seus salários desfilando uma piada em comum:

    “o efeito cumulativo já poluido seus descendentes quaisquer perspectivas
    por impor em mãos uma variação qualquer do pesadelo eletrônico\digital”.

    Espalhando suas dependências persuadidos ao comércio de traficantes,
    que quinquilharias ocupam as cidades,
    fazendo por também o empenho por despertar aqueles dispostos consertar
    o erro coletivo que tenta perpertuar suas fraquezas em sociedade.

    Grato. BRASIL Julho 2010

  5. Alexandre Romanelli disse:

    Professor, passados quase 4 anos, estou certo que acumulou bastante conhecimento relacionado a esse tema. Considerando a clareza de raciocínio desse texto, somando a isso o conteúdo dos materiais que passou para lermos no mestrado, penso que um novo artigo sobre esse assunto seria um presente para seus leitores.

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