Uso do conhecimento disponível no Google – 1

O título “Doctors using Google to diagnose illnesses”, associado a uma notícia publicada no jornal inglês DailyMail me chamou a atenção. Mais ainda ao ler a primeira frase da noticia: pesquisadores determinaram que quase seis em dez casos de diagnóstico difícil na medicina podem ser resolvidos usando o conhecimento disponivel via a máquina de busca do Google como auxílio ao diagnóstico. Em média, um especialista da área médica tem na cabeça dois milhões de fatos, ou blocos de conhecimento relacionados, que ele utiliza em diagnósticos. E apesar do enorme crescimento nas ferramentas auxiliares para diagnósticos, como exames de sangue sofisticados e equipamentos de última geração que permitem escanear todos os cantos do corpo humano à procura de indícios, o diagnóstico errado ainda ocorre com frequência assustadora, ao redor de 20% de erros para doenças terminais.

A velocidade com que esse conhecimento ficou facilmente disponível é o que mais impressiona, pois aconteceu prá valer em menos de oito anos. Esse tempo é considerado muito curto para provocar uma mudança dessa magnitude. Ainda mais na área de saúde, que lida com vidas humanas, obrigando os profissionais da área a serem lentos e cuidadosos ao adotar novos resultados, medicamentos e procedimentos. O crescimento dessa base de conhecimento se dá sem seguir uma ordem ou taxonomia pré-determinadas, em um movimento contínuo de agregação de conhecimento novo e de reorganização, e que é um dos princípios da Web2. Essa capacidade de auto-organização é uma característica dos denominados sistemas complexos organizados, categoria de que o corpo humano é um dos exemplares. Sistemas complexos são uma área de estudo multidisciplinar, e Alan Turing é considerado um de seus precursores, com seu trabalho denominado Morphogenesis, inacabado por causa de sua morte prematura.

Se formos ainda pensar no conhecimento implícito, aquele que não está imediatamente disponivel mas que pode ser extraído usando métodos mais sofisticados e que decorre ou é consequência do conhecimento armazenado, esse ainda não foi nem arranhado. Está lá, quieto e à espera de ser minerado na medida em que as técnicas necessárias estiverem disponiveis. O grande impulsionador dessa revolução foi, sem dúvida alguma, a internet e seus desdobramentos. Modelos de negócios foram e estão sendo destruidos e novos modelos foram criados, impulsionados pela disponibilidade e ubiquidade da internet e seus pontos de acesso. O melhor exemplo disso ainda é o da indústria fonográfica, que ainda não achou o caminho da sobrevivência nessa nova realidade.

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

Publicado em Tecnologia
2 comentários em “Uso do conhecimento disponível no Google – 1
  1. Vinci Amorim disse:

    Isso me lembra quando a uns meses atrás estava com dores nas mãos. Antes de ir ao ortopedista, fiz uma pequena busca ao Google. Me senti muito mais seguro quando o que o médico disse estava de acordo com as recomendações do Dr. Google.

    Em Freaknomics, Steven Levitt comenta que essa difusão de conhecimento também fez os preços dos seguros de vida despencar devido a sistemas que compararam instântaneamente os preços, tais como o BuscaPé.

    Difusão de conhecimento , Descentralização de Poder , será que estamos ficando menos distantes da Anarquia?

  2. PG disse:

    Eu também já me consultei com o Dr. Google. Recentemente com essa nova onda de cálculos renais que resolveram sair ao mesmo tempo dos meus rins eu fui ao médico e ele me falou que faria uma cirurgia para desobstruir um dos ureteres… depois de marcada… fui pesquisar no Google sobre a cirurgia e cateter que iriam implantar em mim… confeso que fiquei mais calmo durante a intervenção cirurgica pois já estava informado de tudo que o médico faria… inclusive sobre a anestesia.

    É bom saber que não sou um entre poucos que pequisam até sobre uma doença no Google. Vale lembrar que isso tem o seu lado perigoso… pois podemos encontrar informações verdadeiras e também falsas.

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