Prototipação e requisitos de produtos

A divisão de eletrônicos de consumo da Phillips internacional é responsável por 30% do faturamento da empresa. Um de seus desafios atuais é mudar o processo de criação dos engenheiros da empresa, focando na simplificação dos equipamentos. Na visão de Rudy Provoost, as empresas que vão manter a liderança no mercado no futuro, serão as que conseguirem lançar produtos úteis e fáceis de ser utilizados e manuseados pelos consumidores. Um produto tem que chegar ao mercado porque o consumidor o desejou, e não porque existe uma tecnologia fantástica embutida nos produtos e se assume que o consumidor está interessado nela, pois nem todo mundo tem interesse por tecnologia. O consumidor deseja uma televisão que ele possa tirar da caixa sem se irritar e instalar sem a ajuda de manual.

Uma iniciativa que me chamou a atenção, pois tem relação direta com o processo de produção de software envolvendo o usuário final, foi a criação dos Laboratórios de Consumidores. Nesses laboratórios, os consumidores testam protótipos em situações reais de uso, e os engenheiros de produto podem acompanhar os consumidores abrindo caixas, usando o controle remoto e tentando entender como os produtos funcionam. Isso tem tudo a ver com a produção de software, pois toca no ponto crítico do processo: a extração e a análise de requisitos. Esse é reconhecidamente o gargalo principal da produção de software para resolver problemas que envolvam o usuário final, e temos visto vários exemplos de falhas que, quando analisadas e rastreadas, acabam chegando a algum requisito que ou foi mal entendido e especificado, ou não foi falado corretamente pelo usuário, ou o grupo de analistas não conseguir enxergar.

A prototipação de interfaces com o usuário é uma das ferramentas que permite ter um laboratório de usuários, similar ao laboratório de consumidores da Phillips. Com ferramentas simples para prototipação, como o Proface II, a produção e teste de protótipos das interfaces sem envolver produção de código é um recurso inestimável para a extração de requisitos envolvendo o usuário final (ProfaceII vai ser assunto de outro post em breve). (Parte desse post foi baseado na entrevista “Sete Perguntas” com Rudy Provoost, Presidente da Divisão de Eletrônicos de Consumo da Phillips. Revista EXAME, 883, 20/dez/2006)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

Publicado em Engenharia de Software
Um comentário em “Prototipação e requisitos de produtos
  1. Clayton disse:

    Existe um livro que trata alguns destes assuntos, vale a pena dar uma olhada. Seu nome é UNDERSTANDING YOUR USERS: A Practical Guide to User Requirements Methods, Tools, and Techniques (http://www.amazon.com/Understanding-Your-Users-Requirements-Technologies/dp/1558609350)

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