Pedágio na internet?

Li há pouco tempo e não me lembro mais onde foi que as operadoras de telefonia, proprietárias dos backbones por onde nosso tráfego na internet circula diariamente, estavam começando um movimento de má-vontade com o enorme tráfego gerado pelo Google e sua enorme gama (crescente) de serviços (leia mais sobre o Google). E o Google seria apenas o primeiro exemplo, outros geradores de tráfego pesado também estariam na mira das teles, como por exemplo a Microsoft e o Yahoo. Comecei a testar o tempo de resposta de acesso ao Gmail e não é que ele é altissimo? Tipo 350ms, algumas vezes um pouco menor, mas raramente abaixo dos 200ms. Testo sempre de vários locais, redes e provedores diferentes, sem que haja uma variação expressiva nesses tempos. Claro, isso pode significar apenas que os servidores do Gmail estão sobrecarregados ou algum problema com as firewalls mas, como bom mineiro, melhor desconfiar.

Na Exame de 31/01/2007 tem uma reportagem exatamente sobre essa questão, Quem manda na internet?, do jornalista Ricardo Cesar. A reportagem começa discutindo a questão do bloqueio ao YouTube determinada por um desembargador do TJSP, por causa daquele vídeo envolvendo uma apresentadora de TV e seu namorado. No texto, chama-se a atenção para “…a possibilidade concreta de operadoras de telefonia e TV por assinatura controlarem a internet, impedindo ou liberando o acesso a qualquer site em um estalar de dedos.” E decorre dai a questão principal, que é a discussão já fervendo nos EUA, que envolve os provedores de serviços de telefonia, as teles, e os provedores de conteúdo e informações via internet.

Na visão das teles, os provedores de conteúdo têm que pagar um pedágio pelo maior uso das bandas de tráfego disponibilizadas pelas teles, a título de permitir uma melhoria continua dos investimentos na infra-estrutura de redes e backbones (imaginem a enorme demanda de banda do Orkut, MySpace, YouTube,…). De uma maneira similar ao que é feito com a cobrança de pedágio nas estradas terceirizadas à iniciativa privada. Essa postura das teles fere um principio considerado sagrado na internet, que é a neutralidade da rede e que significa que nenhuma empresa pode ser discriminada no uso da infra-estrutura da internet para prestação de serviços. É possivel que esse debate e as decisões que forem geradas a partir dele levem a uma cobrança pelo uso, baseado no tipo de site ou serviço que cada um quer acessar. E pode ser também que empresas como o Google, Microsoft e outras grandes partam para ter seu próprio backbone e passem a trafegar seus serviços independentemente da infra-estrutura das teles, ficando livres desses problemas.

Independentemente do resultado da discussão e dos argumentos utilizados, vejo ai mais uma vez o choque de culturas atuando, que pegou de jeito a indústria fonográfica e mais recentemente as produtoras de filmes e vídeos, sem contar outros exemplos no passado quando houve mudança de paradigma tecnológico. As teles tinham seu filão de negócios na telefonia fixa, que está com os dias contados em todo o mundo desenvolvido e sendo gradativamente substituida (no momento) pelos celulares e VoIP. Por outro lado, elas detêm o backbone físico com seus milhões de metros de cabos, roteadores e estrutura espalhadas por todo canto. A questão é econômica (com impactos sociais, claro): como é que elas vão manter a rentabilidade do negócio?

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

Publicado em Tecnologia
Um comentário em “Pedágio na internet?
  1. Fernanda Pedroso disse:

    Olá,
    Foi lançado recentemente um PABX capaz de integrar-se ao SKYPE, permitindo que telefones comuns possam fazer chamadas para contatos SKYPE ou para outros telefones através da rede SKYPE. As chamadas podem ser realizadas, atendidas, colocadas em espera, transferidas de forma extamente igual as da rede de telefonia convencional. O custo é muito baixo e se paga rápido, rápido.
    Veja: http://www.safesoft.com.br/pabx

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