Ontologia para web3: Freebase

Tenho percebido um recente movimento discreto de uso de técnicas da inteligência artificial para construção de aplicações. Era o que se esperava na época em que a IA estava no topo das atenções, no final da década de 80 e inicio de 90. A grande aposta atual é na construção de estrutura de conhecimento organizada, extraida inicialmente do que já está disponivel na web. Essas estruturas são denominadas ontologias, que é um termo originado da filosofia e que significa o estudo da existência de todos os tipos de entidades – abstratas e concretas – que fazem parte do mundo. O termo ontologia é atualmente utilizado fora desse significado original, e tem aparecido com frequência como buzzword (palavra de ruido ou de efeito) em vários trabalhos científicos.

Daniel Hillis, um dos gurus atuais da área de inteligência artificial, autor do livro O padrão gravado na pedra  (The pattern on the stone), que recomendo, lançou recentemente uma iniciativa no rumo de se obter uma ontologia universal, construida de maneira cooperativa por pessoas que se interessem em participar, que denominou Freebase, uma aplicação que vai ajudar a turbinar a web3.  Na definição do autor, Freebase tende a ser um cérebro construido por seus colaboradores.  De maneira similar a já conhecida Wikipedia, ele permite que os colaboradores adicionem informação no sistema na forma de texto, imagens ou qualquer outra forma que possa ser exibida digitalmente. Mas, adicionalmente, permite também  que os colaboradores insiram metadados, ou informação sobre a informação, estabelecendo as relações entre os elementos.  Nas palavras de Tim O’Reilly, “turns its users loose on not just adding more data items but making connections between them by filling out meta tags that categorize or otherwise connect the data items, using a typology that can be extended by users, wiki-style.”

A riqueza do conhecimento humano está exatamente nas relações, que evoluem no tempo e que nos permitem ter flexibilidade e adaptabilidade no mundo real.  O ser humano tem um sistema de busca por analogias, que associa com cada situação do dia a dia toda a rede de relações relacionadas, que é o que nos permite entender melhor o contexto de cada situação. A riqueza do nosso conhecimento reside na qualidade e tamanho dessa rede, que cada um tem individualmente, construida ao longo da vida e das experiências que ela proporciona. Se a meta do Daniel Hillis for atingida, a base necessária para termos de fato a web semântica estará disponível e em constante evolução.

Um dos primeiros resultados vão ser formas mais naturais para encontrar informação na web, que vão permitir o aparecimento de sistemas de busca que retornarão respostas mais precisas e mais focadas no significado da pergunta feita pelo usuário, ao invés de retornar um monte de links como acontece hoje.  Até eletrodomésticos inteligentes vão estar disponíveis, com capacidade própria de adaptação a situações que surjam  no seu uso, tirando do usuário a tarefa muitas vezes ingrata de ter que programar cada eletrodoméstico. Por exemplo, aquela situação incômoda de estar com uma máquina fotográfica digital nas mãos, com tudo piscando e a gente mais perdido que cachorro quando cai de mudança,  tende a não acontecer mais…

(confiram o artigo no blog do Nicholas Carr, aqui)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

Publicado em Social, Tecnologia

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