Desafios de um mundo conectado

Vivemos em um mundo conectado, onde as redes (vejam post Linked- o poder das redes, de 11/janeiro/2007) e as conexões dominam no plano social, tecnológico, acadêmico e pessoal. O rápido desenvolvimento da internet e da web foram o estopim dessa revolução que tornou o mundo menor e mais achatado, onde o conhecimento e o acesso à informação está ao alcance da maioria das pessoas. Ubiquidade, ou onipresença, se transformou em um termo muito usado, significando que a cada dia dependemos menos da nossa localização geográfica para uma boa parte de nossas atividades diárias. Do ponto de vista tecnológico, convergência é outro termo que se propagou rapidamente, significando a concentração de funcionalidades que facilitam a vida nesse novo mundo em um número muito pequeno de dispositivos físicos, como por exemplo o telefone celular que já está disponivel em versões que nem podem mais ser chamadas por esse nome.

O mundo dos negócios e das organizações foi diretamente afetado, pois novos modelos de negócio foram habilitados graças a esse avanço. Modelos baseados em cooperatividade na cadeia de fornecimento ou de produção, relações B2B (business-to-business) se estreitando e adotando a parceria entre comprador e fornecedor como norma, ao invés de serem casos isolados e restritos a uns poucos detentores dos recursos para sua implantação, são hoje parte obrigatória do modelo de negócios que está na moda. Os precursores desse novo modelo foram o WalMart e a Dell, e hoje ele é quase obrigatório.

Os problemas do mundo também entraram na onda, e hoje qualquer problema surgido em algum canto do mundo afeta direta ou indiretamente todo o resto dele. Aquecimento global, ecologia, petróleo, sustentabilidade das atividades humanas sobre o planeta e criminalidade ocorrem em escala planetária, são independentes de localização geográfica. A poeira da África chega até outras partes do mundo onde há algum tempo nem se tomava conhecimento dela, a AIDS é um problema planetário, e o assasinato em massa ocorrido no Virginia Tech em abril/2007 terá certamente impactos diplomáticos e sociais no resto do mundo.

Para problemas e desafios em escala planetária, as soluções também devem ocorrer na mesma escala. Não há como resolver problemas ambientais localmente, toda e qualquer solução tem impacto no mundo todo, não há como ficarem confinadas a um local específico. A visão atual da ciência e a formação do cientista exigem uma capacidade de análise sistêmica, de enxergar as árvores e também toda a floresta. Esse contexto impõe um novo modelo para a pesquisa científica e tecnológica, mais compatível com o mundo atual interconectado. O modelo baseado em cooperatividade em pesquisa está se propagando, e a interdisciplinaridade segue no rastro da revolução que ainda está sendo assimilada.

Pesquisas científicas e seus desdobramentos tecnológicos dependem cada vez mais do conhecimento de outras áreas, e dificilmente ficam restritos a um grupo pequeno de nerds enfiados em laboratório e que não conseguem enxergar as relações e impactos dos seus resultados em outras áreas. A visão sistêmica é parte obrigatória da formação do cidadão, estendendo sua capacidade para analisar problemas e projetar situações no tempo, prevendo impactos futuros de decisões tomadas hoje.

Esses são alguns dos desafios do mundo atual conectado, que terão impacto no médio e curto prazos nos curriculos dos cursos superiores, hoje completamente engessados e presos a idéias de formação dos séculos passados, tais como os curriculos mínimos, curriculos de referência ou seja lá o que for. A flexibilidade dos curriculos permitindo que o aluno associe áreas diferentes na sua formação, ajustando a formação ao seu perfil, cultura e visão de mundo, será o modelo obrigatório (leiam sobre o curso Informatics da Indiana University, referenciado no post Carreiras e graus acadêmicos em computação, de 31/03/2007). A mudança no paradigma de cursos presenciais baseados em aluno, professor, sala de aula, giz, quadro, transparências, etc. também está sendo colocado à prova…

(extraido de debate de que participei no VIISudestePET – VII Encontro de Grupos PET – Programa de Educação Tutorial – da Região Sudeste, 7/abril/2007, na UFV)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

Publicado em Carreira, Educação
2 comentários em “Desafios de um mundo conectado
  1. Mazinho disse:

    Muito interessante o texto, mas o difícil mesmo é fazer acontecer essa mudança na mentalidade dos “nerds”!

  2. Renato Afonso disse:

    Isto é fato. Temos que ficar “antenados” ao sistema e às mudanças ocorridas em cada uma das variáveis envolvidas, para que possamos “prever” o futuro e sair na frente da concorrência. Quem não se adaptar a essas mudanças com certeza perderá mercado.

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