O mundo é plano

O mundo é plano

Acabei de ler O Mundo é Plano: uma breve história do século XXI, do jornalista Thomas L. Friedman, do New York Times, publicado no Brasil pela Ed. Objetiva, 2005. Não tinha a intenção de ler esse livro tão cedo, pois pelas opiniões e resenhas que tinha lido sobre ele, e com minhas fontes atuais de informação, achava que conhecia bastante do assunto de que ele trata. Puro engano meu. Comecei a ler meio com preguiça, mas logo no inicio o interesse aumentou muito e, dai em diante, a leitura foi rápida e agradável. O livro trata de um assunto do momento: o achatamento do mundo diante da enorme revolução proporcionada pela internet e suas consequências. E mostra as consequências dessa revolução para as pessoas, empresas e países, com uma análise dos efeitos da globalização sobre o mundo dos negócios.

Para o autor, a globalização atravessou três grandes eras: -Globalização 1, globalização dos países, que se estendeu de 1492, quando Cristóvão Colombo inaugurou o comércio entre o Velho e o Novo Mundo, indo até por volta de 1800. Essa era reduziu o tamanho do mundo de grande para médio, e envolveu basicamente países e músculos (força produtiva), e a questão básica era: como o meu país se insere na concorrência e nas oportunidades globais?; -Globalização 2, globalização das empresas, que durou mais ou menos de 1800 a 2000, e diminuiu o mundo de médio para pequeno. O motor da mudança nessa era foram as empresas que se transformarm em multi-nacionais e se expandiram em busca de mercados e mão-de-obra, e a queda nos custos dos transportes das comunicações: telégrafo, telefonia, PCs, satélites, cabos de fibra ótica, internet e www; -Globalização 3, globalização dos indivíduos, que se encontra em curso, encolhendo o tamanho do mundo de pequeno para minúsculo e tornando o mundo mais plano. Nessa era, os individuos é que estão se globalizando, achando novas formas de cooperação e de concorrerem em âmbito mundial, apoiados pelo rapidissimo avanço das comunicações, internet, convergência digital, ubiquidade, etc. China, India, Paquistão e muitos outros passam a tomar parte ativa no jogo. O tradicional modelo de organização em hierarquias de comando está sendo aos poucos substituido por um modelo de cooperação e conexões, onde a liderança desponta como critério organizador.

O autor considera dez forças principais, que aceleraram o achatamento do mundo: 1-queda do Muro de Berlim em 9 de novembro de 1989 (curiosamente 9/11, comparem com o fatídico 11/9); 2-o dia em que a Netscape foi para a bolsa de New York, 9 de agosto de 1995; 3-surgimento dos softwares para gerência de fluxos de trabalho; 4-movimento Opensource (código aberto); 5-terceirização (o ano 2000); 6-offshoring (transferência de fábricas inteiras para outros países); 7-cadeias de fornecimento mundiais; 8-internalização (insourcing, empresas pequenas passaram a ter acesso a recursos antes só disponíveis a empresas grandes); 9-acesso a informação; 10-esteróides (potencialização das novas modalidades de colaboração).

Não se preocupem, pois o livro apenas analisa todos esses aspectos e mostra uma foto atualizada do mundo, e não é um defensor desse ou daquele ponto de vista como se poderia pensar a principio, principalmente em se tratando de um assunto delicado como é a globalização. Apresenta muitos dados reais que impressionam e servem para esclarecer melhor. No final, faz uma análise crítica de todo esse avanço, indicando os principais fatores que podem barrar essa nova onda de crescimento. Um deles é a pobreza e a exclusão em todos os seus sentidos e o consequente sentimento de humilhação experimentado pelos excluidos.

Claro que, como o autor é um jornalista estadunidense, aqui ou ali aparecem alguns pontos de parcialidade, mas são muito poucos. E temos que saber ler de tudo e filtrar o que nos interessa, e é exatamente nesse aspecto que considerei esse livro uma grande leitura, que mudou muito minha visão de mundo e de futuro. E que também vai mudar a sua, se você se dispuser a ler as suas 480 páginas…

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Dicas, Livros, Tecnologia
4 comentários em “O mundo é plano
  1. André disse:

    Zé esse ai e Aprender a Viver já estão na minha cabeceira…. pelo que já pude observar, uma leitura bem amena e interessante. Vamos ver….

  2. Reuryson disse:

    Já estou na metade do livro e, como você disse, a leitura é muito agradável. Os relatos são incríveis e nos motivam a contribuir com essa nova visão de mundo.

  3. Vinci Amorim disse:

    Tive a oportunidade de ler este livro durante minhas férias pós-mestrado. Realmente interessante as conexões dos eventos mostradas no livro. Uma análise bem PLANA da nossa história recente e uma boa projeção da tendência global.

  4. […] ler para compreender e podem pesquisar quem o já tenha lido que está amplamente comentado, como por exemplo aqui. Mas para já tem sido óptimo, porque finalmente algo fez “o clique” na minha cabeça […]

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