Adaptação: fungo que consome material radioativo

Um incrível exemplo de adaptação promovido pela natureza ocorreu nas ruínas da usina de Chernobyl após o conhecido acidente ocorrido em 1986, quando ela foi fechada. A liberação de radiação pela usina atraiu, com o passar do tempo, uma grande quantidade de fungos que usam a radiação como alimento!! Esta descoberta está sendo vista pelos cientistas da área como uma possivel solução para o destino dos resíduos radioativos altamente tóxicos das usinas nucleares, que é um dos impedimentos ao uso mais generalizado da tecnologia nuclear.

A explicação científica é a de que o fungo Cryptococcus neoformans e outras duas espécies utilizam a melanina, que é um pigmento encontrado na pele humana, para transformar a radiação em energia que é então consumida como alimento para suportar o crescimento. Aparentemente, a melanina está presente nos fungos para protegê-los contra o estresse causado, por exemplo, pela própria radiação. A exposição à radiação causou uma mudança na estrutura da melanina, aumentando seu impacto no metabolismo e crescimento. O mais interessante, segundo o artigo, é que esse processo é semelhante ao da fotosíntese, com a melanina fazendo o papel da clorofila, ionizando a radiação.

Mais uma vez, a sábia natureza está nos fornecendo soluções para os problemas que nós mesmos, humanos, criamos e sobre os quais não temos controle. Um fantástico exemplo de adaptação da mãe natureza. Os resultados da pesquisa aparecem na Public Library of Science (PLoS), entrevista concedida pela cientista Ekaterina Dadachova à revista eletrônica Technology Reviews.

Anúncios

Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

Publicado em Sustentabilidade
6 comentários em “Adaptação: fungo que consome material radioativo
  1. Luana disse:

    Bom, o wordpress me fez perder o primeiro comentário que digitei, então não sei se esse ficará tão bom quanto o primeiro:
    A natureza tem mistérios que nós sequer pensamos em descortinar. Uma boa iniciativa é um barco-laboratório, idealizado pelo Dr. Dráuzio Varela, que tem estudado a farmacologia das plantas da Amazônia, coisa que só os gringos faziam. Já que entramos de cabeça na “Terceira Onda” – A Era do Conhecimento, espero que a ciência se ocupe mais de problemas reais, ao invés de discutir o sexo dos anjos. Claro que não estou generalizando, mas todos conhecemos pelo menos um caso de um projeto sem aplicação, que sofre constantes “atualizações” só para gerar mais alguma publicação. E que as pessoas sejam incluídas “digitalmente”, o que é essencial para que esse repositório gigantesco que é a Web seja explorado, e que a informação chegue realmente à todos.

  2. Você tem razão. O modelo de ciência que praticamos, baseado no de outros paises, cobra do pesquisador publicações (quantidade e qualidade) para a sobrevivência na vida acadêmica, e essa cobrança gera enormes distorções, como essa que você cita e várias outras. Falsificação de resultados é a mais comum, e quando são descobertas ganham enorme espaço na midia. O mundo plano e conectado exige outros modelos, baseados em cooperação e multidisciplinaridade.

  3. Frank disse:

    Onde eu encontro esse artigo?

  4. Olá, Frank. Os links para as leituras complementares estão na própria postagem. O artigo original está na PLOS – Public Library of Science, o link também está na postagem. Obrigado pela visita, zeluis

  5. Edson disse:

    Olá, muito boa a postagem , já que engloba as fontes.

    Gostaria de fazer um cometário a respeito da sequinte oração:
    “O mais interessante, segundo o artigo, é que esse processo é semelhante ao da fotosíntese, com a melanina fazendo o papel da clorofila, ionizando a radiação.”

    Na verdade a radiação não é ionizada, e sim ioniza a melanina, que desta forma aumenta a capacidade de reduzir NAD, formando NADH, que é uma fonte de energia (poder redutor) para as reações químicas metabólicas.

    Além disso, outra fonte sobre este assunto se encontra em
    http://www.cosmosmagazine.com/node/2095/full

  6. Edson, obrigado pelo conserto e pelo link.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: