Brasil compete com a India em inovação em TI?

O relatório The means to compete…, publicado em Julho de 2007 e preparado pela Economist Intelligence Unit, unidade da respeitada revista The Economist, divulga um ranking mundial de paises com relação à competitividade em TI. O ranking foi construido com base em vários indicadores que são montados via os habilitadores da competitividade em TI: -qualidade da infraestrutura de TI e de telecomunicações; -estoque ou oferta local de mão de obra qualificada; -ambiente de pesquisa e desenvolvimento; -regime legal, leis e proteção; -ambiente comercial propício.

O ranking mede a competitividade de 64 paises do mundo com relação aos habilitadores de competitividade. As principais conclusões do relatório, extraidas do sumário executivo, são: -os EUA têm o melhor ambiente do mundo para empresas de TI; -poucos países conseguem compensar o desequilibrio em alguns dos habilitadores; -mercados ricos em talentos vão certamente desafiar a posição de liderança de alguns paises do topo do ranking; -requisitos nas habilidades dos profissionais têm mudado muito rapidamente; -o regime legal de cada pais é um diferencial importantissimo; -os governos devem propiciar o equilibrio entre os fatores, se quiserem criar o ambiente de prosperidade no setor. No ranking geral, o Brasil aparece em quadragésimo-terceiro (43) lugar com uma nota 31.4. Depois do Brasil estão México (44), Argentina(45), India(46), Russia(48), China(49)… Mas não se animem muito, pois mais bem colocados no ranking estão Eslovênia(27), Hungria(28), República Tcheca(29), Chile e Eslováquia (ambos em 31), Lituânia(35), Turquia(39), Romênia(40), Bulgária(42), além dos já conhecidos ocupantes do topo da lista.

Muitos se animaram com o fato de o Brasil estar à frente da India e da China no ranking. Mas, essa posição do Brasil tem que ser analisada de acordo com o contexto, e não dá para ficar muito animado, pelo contrário. Por exemplo, temos gravissimos problemas de infra-estrutura tecnológica medida pela parcela da população que tem acesso a computadores, penetração da malha de internet banda-larga e o nível de segurança associado a ela e o nível geral de gastos com TI no pais. Nesse aspecto, a Suécia desponta disparado como o primeiro do ranking, a malha de banda larga deles é toda em fibra ótica de 2Mbits e atinge 95% do território sueco. É mole?

No que diz respeito à oferta de mão de obra qualificada para ocupar as posições que fazem a diferença no setor, também estamos fracos no ranking geral, liderado pelos EUA seguido de Cingapura, Reino Unido, Austrália, Coréia do Sul, Irlanda, etc. O maior problema é a formação de talentos no topo da escala de competências da área: gerência de projetos, arquitetura de software, gestão de mudanças e análise de negócios. A oferta de mão-de-obra básica, programação, não afeta muito o ranking pois essas habilidades são consideradas commoditties e têm sido sistematicamente terceirizadas para a India e China. A formação de talentos com conhecimento e competência para atuarem nas funções do topo é um grande diferencial dos paises, e certamente é um fator diferencial para o futuro. Nesse particular, estamos correndo o sério risco real do que está sendo denominado apagão de mão de obra, não estamos conseguindo suprir a demanda do mercado crescente (no resto do mundo isso também acontece).

O ambiente de negócios do pais também afeta muito a competitividade. Legislação avançada, problemas trabalhistas, dificuldades para abrir e fechar empresas, proteção a patentes e propriedade intelectual, custo trabalhista alto etc. formam esse ambiente, e o Brasil está muito atrasado nesse aspecto, como tem sido sistematicamente noticiado e demonstrado por pesquisas sérias. Estamos muito defasados e longe de conseguir acompanhar as exigências do setor para sermos competitivos nesse ranking.

O relatório é extenso, mas muito bem construido. Os indicadores, fontes de dados e as técnicas de análise dos dados estão todos explicitados na pesquisa. Vale a pena ler o relatório completo, entender o contexto todo e principalmente conseguir enxergar com clareza onde é que o país tem que atuar para melhorar a competitividade no setor.

(The means to compete: benchmarking IT industry competitiveness – a report from the Economist Business Unit, July 2007)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

Publicado em Sustentabilidade, Tecnologia

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