Geração Blade Runner

Em Março de 2007, o atleta Oscar Pistorius ficou em segundo lugar na corrida dos 400 metros, em um torneio de atletismo da África do Sul. Até ai nada de excepcional, exceto pelo fato de que suas duas pernas são amputadas logo abaixo do joelho, e ele corre com próteses construidas com composto de carbono, denominadas Cheetah-legs. Ele está sendo chamado de o humano sem pernas mais rápido do planeta, e seus competidores são corredores que possuem as duas pernas!

Está sendo travada uma queda de braço com a IAAF-International Association of Athletics Federations, que tem dúvidas se vai autorizar a participação de Pistorius em provas internacionais competindo com atletas normais, porque existe a suspeita de que as próteses melhoram sua performance, dando-lhe mais impulsão. O ponto importante aqui é, se a IAAF discute a questão de atletas com próteses de carbono, o que vai acontecer quando as próteses mais perfeitas, aproximando-se das pernas reais, estiverem disponiveis e em uso pelos atletas no futuro muito próximo? E já adianto uma pequena controvérsia: e os sapatos usados pelos atletas “normais”, cheios de tecnologias nas palmilhas e na estrutura, podem ser também considerados próteses?

Melhor a gente se preparar logo para esse futuro, que está mais próximo do que se imagina. As áreas de neurociência, biomecânica, robótica, matemática, ciência da computação, ciência dos materiais, engenharia de tecidos e nanotecnologia estão se mesclando, compartilhando conhecimento e gerando enormes avanços, em escala nunca antes imaginada. Essa tendência foi descrita por Bill Gates como comparável ao desenvolvimento da indústria de computadores há 30 anos.

Mas, em paralelo trava-se um (indispensável) debate ético e social sobre a questão das próteses e implantes. A questão é não fui eu, foi meu implante… Quando algum controlador eletrônico implantado dentro do corpo humano funcionar mal e provocar algum acidente via prótese, quem seria o responsável, a pessoa que tem a prótese, a própria tecnologia ou o cirurgião que a implantou? Qual o incentivo para que as próteses sejam desenvolvidas e implantadas, se o cientista correr o risco de ser processado pelo seu funcionamento fora do padrão? Segundo o cientista Kevin Warwick — professor de cibernática na University of Reading-UK, a responsabilidade tem que ser compartilhada entre as partes envolvidas, mas a discussão está apenas começando. E lembrem-se, o software vai estar lá, embarcado nas próteses… vai sobrar responsabilidade para quem faz o software, com toda a certeza.

O fato é que a geração Blade Runner, de certa forma, já existe. O cérebro humano tem uma capacidade assombrosa de adaptação, transferindo funções de partes danificadas por acidentes para outras partes. O neurologista Oliver Sacks, autor de vários livros, relata experiências impressionantes em seu livro Um antropólogo em Marte, que recomendo a quem se interessa pelo tema. Nesse aspecto, o futuro já é hoje, e o milagre já está acontecendo. Preparem-se…

(leia o artigo completo da revista Times Online aqui)

Anúncios

Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

Publicado em Social, Tecnologia

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: