Oportunidades no setor de serviços

O crescimento do setor de serviços pode ser considerado um termômetro do crescimento da economia. Economia forte e em crescimento exige e proporciona oportunidades para crescimento desse setor, tanto em quantidade quanto em qualidade. Incluem-se hospitais, correios, serviços educacionais, telemarketing, venda de seguros, etc., nesse setor em expansão. O relatório da OECD-Organization for Economic Co-operation and Development, disponível neste link, mostra essa realidade e a força do setor de serviços na geração de empregos até 2005, considerando os seus paises membros.

No caso do Brasil, os dados são de impressionar. O setor da economia com o maior número de vagas disponíveis é o de Serviços (hospitais, empresas de assistência médica, administradoras de cartão de crédito, entre outras), com 334000 vagas em 2006, seguido por: Varejo, 328000; Bens de Consumo, 248000; Energia, 214000; Auto-indústria, 188000; Siderurgia, 111000; Indústria de Construção, 92000; Transporte, 81000; Têxtil, 50000; Quimica e Petroquimica, 45000 vagas. A Atento, uma companhia espanhola de telemarketing, presente em 13 paises incluido o Brasil, superou em 2006 a marca de 50000 funcionários, o dobro do número registrado em 2002.

Aproximadamente 20% da vagas mantidas pelas 500 maiores companhias do pais concentram-se no setor de Serviços, pagando salários de até 500 reais, preenchidas principalmente por pessoas com ensino fundamental e médio. O cenário atual indica uma mudança nesse perfil, com a entrada da terceirização de serviços de suporte técnico em TI, oferecendo vagas com salários maiores e exigindo também maior qualificação dos profissionais. A variação positiva no número de vagas é muito grande se considerado no contexto do Brasil, passando de 1,6 milhões de vagas em 2003 para 1,9 milhão em 2006, crescimento de 20% no período. Os maiores empregadores do setor são a ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), Pão de Açúcar, Atento (telemarketing), Casas Bahia, Contax, para citar apenas as 5 primeiras de uma lista de 20 empresas.

As previsões são muito otimistas, e indicam que dentro de uma década, a se manterem as condições atuais da economia brasileira e mundial, o setor de serviços deverá empregar 75% da força de trabalho brasileira. Comparando com outros paises, estamos atrasados nesse desenvolvimento. Nos EUA, o setor de serviços já emprega hoje 80% da mão de obra disponivel, maior parte transferida da indústria que se modernizou e dispensou parte da mão de obra utilizada. E a terceirização de serviços cresceu proporcionalmente, gravitando em torno das indústrias e outros setores da economia.

E nós, da TI, como ficamos nessa? Enxerguem ai uma enorme janela de oportunidades, pois a terceirização de serviços na área de TI tende a aumentar muito. As exigências de competência aumentam na mesma proporção, e o mercado certamente vai dar espaço apenas para quem tem competência. Significa ter capacidade para oferecer serviços de qualidade, cumprindo prazos e dentro dos custos estabelecidos em contrato, adotando práticas de desenvolvimento de software baseado em processos, gerência de projetos, gerência de talentos em TI, para poder ter acesso aos melhores contratos. Significa aumento de riscos, mas, se não houver riscos, os ganhos envolvidos são pequenos, e ai passa a não valer a pena…

(inspirado no artigo Os novos pólos de criação de empregos, da EXAME Melhores e Maiores, Agosto 2007, Luciene Antunes)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

Publicado em Carreira, Economia
4 comentários em “Oportunidades no setor de serviços
  1. Frederico de Souza Ribeiro disse:

    Deu pra sentir na pele. Em 2 anos de mercado só trabalhei no setor de serviços. Suporte, consultoria, gerenciamento e até mesmo treinamento. Eu acabei de prestar uma consultoria para uma clínica de gastroenterologia que queria automatizar seus processos. Além de ter que revisar cada processo, meu trabalho foi vender a idéia de que eles deveriam fugir do Software de Caixinha (aquele software fechado que você coloca o Serial e pronto)… Hoje a maioria das empresas vendem software como Serviço, que inclui personalização, treinamento, acompanhamento, suporte e as vezes até gerenciamento de processos.

    O Brasil finalmente está percebendo que implantar sistemas dessa forma é mais eficaz. Mesmo sendo mais caro, os benefícios valem a pena. Vender software como serviço não é o futuro da área de TI, é o PRESENTE. Lá se vai aquela velha lenda de que COMUNICAÇÃO não precisa ser uma habilidade de um profissional de TI.

  2. Ademir Rodrigues Pinto disse:

    Zé, vou escrever aqui o que aconteceu comigo: a 5 anos atrás desenvolvi um sistema de IPTU para Coimbra-MG, por causa dos estudos e trabalho na FUNARBE não podia vender o software para mais prefeituras, então conversei com meu irmao(tem apenas 8a serie, mas o garoto é esperto e inteligente…risos) para aprender a mexer com computador e revender o software, ele fica com 50% do lucro. Meu irmao correu atras, aprendeu a mexer com computador, aprendeu de leis tributarias,etc.etc.etc….beleza…passado uns dois anos ele começou a reclamar que 50% tava pouco, ele argumentava que o software era uma parte do serviço que prestava as prefeituras, dizia que ajudava os advogados, prefeitos e vereadores a formularem as leis, treinava os funcionarios, suporte na compra de computadores, impressoras, etc.etc.etc…, e que prestava mais serviço de consultoria do que de venda. A historia é meio assim(acabou que tive que diminuir meu lucro…risos)…Ademir

  3. Mara Santos disse:

    Oi, Zé !!
    Gostei muito do seu artigo que li. Estou estudando no momento a disciplina de Administração da Produção, e vou fazer um artigo cientifico sobre essa questão do crescimento do setor de serviços na economia brasileira, e gostaria que se possível, se você obtivesse outros materiais, que por favor enviasse para eu enriquecer o meu artigo.

    Obrigada e desculpe-me pela ousadia de pedir-lhe assim.

    Mara Santos.

  4. Olá, Mara. O link que está disponivel na postagem, apontando para o relatório da OECD, Growth in services, é uma das melhores referências, se não for a melhor. A revista EXAME sempre tem alguma matéria sobre esse tema, pois com a economia mundial em alta, o setor de serviços tende a crescer cada vez mais. Obrigado pela visita, volte sempre… zeluis

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