Brasil vai muito bem, obrigado

O artigo de Jim O’Neil, Os novos motores da economia, publicado na revista EXAME 907, de 5/12/2007 (edição especial de aniversário) é animador, para ser modesto. Jim O’Neil é economista, e chefe do Departamento de Pesquisas Econômicas do banco de investimentos estadunidense Goldman Sachs, e foi ele quem cunhou a expressão BRIC para se referir a Brasil, Rússia, India e China.

No inicio da década de 90, a economia dos BRIC (juntos) correspondia a 5% do PIB global. Hoje, 15 anos depois, ela corresponde a 15% do PIB global (metade da economia dos EUA), um crescimento enorme. A China está próxima de ultrapassar a Alemanha e assumir a terceira posição na fila das maiores economias do mundo. O PIB do Brasil, da Rússia e da India ultrapassou (cada um) o trilhão de dólares, o que coloca os três paises na fila para entrar na lista das 10 maiores economias do planeta. De quebra, o nosso real e a rúpia indiana são consideradas moedas fortes da atualidade, e o real registra um desempenho recente consistentemente melhor que o do franco suiço. A bolsa de valores BOVESPA (bolsas são um elemento forte das economias capitalistas, onde as empresas lançam ações para captar recursos para investimentos) registrou crescimento de 35% até o final de outubro de 2007, e a bolsa da China ultrapassou os 100% de crescimento no mesmo período (um detalhe, na China as empresas buscam mais recursos nos bancos do que nas bolsas, um pouco diferente do que acontece do lado de cá).

Esse crescimento joga por terra algumas idéias aceitas na macroeconomia, como por exemplo a de que qualquer resfriado na economia estadunidense significaria uma pneumonia nas economias dos demais paises. Os BRIC ja contribuem mais para a demanda global de bens de consumo do que os EUA, o que põe o motor da economia mundial para rodar em outro batido diferente do que acontecia até então. O centro de equilibrio está mudando de lugar, sem contudo tirar a enorme importância que a economia estadunidense ainda tem no cenário mundial, como o principal importador de bens do planeta. A previsão do Goldman Sachs é a de que em 2050 Brasil, Rússia, India e China estarão entre as sete maiores economias do planeta. E isso sem exigir que o Brasil, por exemplo, cresça a taxas estrondosas, basta manter os 3,5% de hoje, o que para nós é sustentável.

O Brasil tem hoje condições excepcionais de crescimento, com uma força de trabalho jovem com idade abaixo de 30 anos que é uma das condições para o crescimento econômico. A Geração Net, dos nascidos entre 1977 e 1996, está começando a dar as caras no mercado de trabalho. Com essa geração, grandes mudanças sociais e de comportamento ocorrerão (mais sobre isso na postagem sobre o livro Wikinomics, em breve). É prá ficar animado ou não? Mas preparem-se para esse futuro de médio prazo: formação sólida, experiência, conhecimento de linguas, computador, falar em público, espirito de liderança, tudo é pré-requisito.

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

Publicado em Carreira, Economia

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