Base global de dados biométricos

A notícia de que o FBI-Federal Bureau of Investigation estadunidense está liderando um esforço global, entre os aliados dos EUA, para montagem de um enorme banco de dados global de dados biométricos sobre pessoas de todos os cantos do planeta, aparece cada vez com mais frequência nos meios de comunicação. Por enquanto, apenas nos especializados, mas em breve, também estará nos telejornais da TV aberta. A idéia, por enquanto, é facilitar a identificação de supostos terroristas nos controles de entrada oficiais dos paises, utilizando características pessoais tais como foto (essa já é antiga…), impressão digital, palma da mão, reconhecimento de iris e, quem sabe no futuro, até mesmo análise de DNA ou qualquer outra coisa que permita a identificação unívoca de cada indivíduo. E o FBI espera que o sistema, que está sendo denominado Next Generation Identification, esteja em uso parcial por volta de Julho de 2008.

O projeto está orçado em US$1 bilhão iniciais, e está sendo denominado Server in the Sky, nome que traduz bem o alcance ambicioso da iniciativa, e vai inicialmente envolver a cooperação entre as forças policiais da Austrália, Canadá, Nova Zelândia, EUA e Grã-Bretanha. O FBI propõe inicialmente que essa base de dados biométricos sirva para identificar: -terroristas e criminosos já reconhecidos como tal internacionalmente; -principais criminosos e suspeitos de serem terroristas; -e pessoas que estão sendo investigadas por atividades terroristas ou criminosas que tenham ligações internacionais. Segundo a fonte, o Departamento de Defesa estadunidense vem há algum tempo armazenando informações para alimentar essa base de dados, com dados de 1,5 milhões de cidadãos iraquianos, afegãos e outros estrangeiros que solicitam acesso a bases militares americanas.

Felizmente, as vozes discordantes já começam a se fazer ouvidas. Os riscos sociais e pessoais de um projeto desse tipo são imensos: o software que vai gerenciar tudo isso vai funcionar adequadamente? o software vai ser imune a falhas, evitando erros de identificação? o sistema de comunicação vai garantir a transferência correta da informação? os operadores do sistema vão ser bem treinados para saber lidar com pessoas de uma maneira melhor que os truculentos atuais, que não têm capacidade de discernimento ou poder de decisão e apenas seguem os roteiros para os quais foram treinados? o cidadão vai ter acesso aos seus dados nessas bases? se houver algum erro de catalogação, vai ser possível corrigi-lo? e mais um monte de “se”…

A mudança de comportamento social que essa iniciativa vai provocar é bem fácil de prever. Em breve seremos todos monitorados por satélites (lembram daquele filme Inimigo do estado?), basta botar os pés na rua, e nossos dados estarão sendo constantemente confrontados com a base de dados biométricos. Supostamente em nome da segurança da própria sociedade, mas, sinceramente, vocês vão se sentir à vontade sendo monitorados o dia todo por câmeras escondidas nas ruas, por satélites e sei lá mais o que e onde? Não será uma invasão excessiva de privacidade, caminhando para a idéia do grande irmão (big brother) descrita no livro 1984, do autor George Orwell?

Para pensar… a questão não é apenas um exercicio de futurologia, é mais para presentologia… já está acontecendo, e muitos de nós já temos nossos dados catalogados nessas bases de dados, pelo simples fato de termos viajado nos últimos tempos para um dos paises que fazem parte da iniciativa. Estamos a um passo de termos uma identificação internacional única…

(reportagem completa do Washington Post pode ser lida aqui)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

Publicado em Social, Tecnologia
2 comentários em “Base global de dados biométricos
  1. V. disse:

    É Zé, eu sempre disse que 1984 não estava longe de deixar de ser ficção. Desde carros monitorados por chips nas ruas das cidades até a identificação biométrica internacional… tudo são pequenas partes de um sistema que parece caminhar para o Big Brother. Se isso será bom ou ruim, é difícil saber. Talvez seja inevitável essa perda de privacidade, com o tamanho do abismo que existe entre a evolução tecnológica e a evolução pessoal e moral das sociedades, e a solução seja nos monitorar-mos, para nos proteger de nós mesmos e das nossas próprias invenções. Uma coisa eu te digo, nesses poucos 27 anos de vida eu já vi tanta obra de ficção se tornar realidade, que eu nem ouso imaginar como as coisas vão estar daqui mais 27. Tudo é possível.
    Um abraço

  2. Tem razão, o melhor que temos a fazer é nos acostumar com a idéia e nos prepararmos para mais essa adaptação, resultante do mundo plano, globalizado, que vem engolindo tudo e todos. Não vai ser necessário esperar outros 27 anos para ver grandes mudanças, pode apostar em menos de 10 anos. Abraço,

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