Segmentação no mercado de trabalho

Interessante observar a movimentação do mercado de trabalho, em função da especialização de regiões em tipos de serviços ou de sistemas. Nos EUA, onde as estatísticas fazem parte do cotidiano e onde elas são imensamente valorizadas, pois são indispensáveis a um planejamento de médio prazo, essa especialização já pode ser observada, como mostra um artigo da revista eWeek. Como exemplo, mais de 58% das vagas disponíveis em Austin, Texas são para desenvolvimento de software; 52% das vagas disponíveis em Chicago são para gerência de projetos. Austin se destaca pela existência de grande número de empresas iniciantes (startups), o que explica em parte o perfil das vagas disponíveis. Em Chicago, ocorreu um grande número de fusões de empresas em TI nos últimos anos, valorizando profissionais mais experientes e em condições de gerenciar projetos.

Nas cidades de Tampa e Fort Lauderdale (Florida), na área metropolitana de Washington D.C. e em Sacramento (California), o maior número de vagas é para desenvolvimento de software. Já para a região de Los Angeles (California), um terço das vagas disponíveis são para suporte em desktops e para help-desk. O perfil de desenvolvimento das empresas da região de Los Angeles é tão acelerado, que a necessidade de atendimento imediato aos problemas que surjam com os seus clientes é imediata, daí a necessidade de help-desks especializados e com alta disponibilidade de atendimento.

Já comentei antes aqui no blog sobre a força do setor de serviços, vejam a postagem Oportunidades no setor de serviços. O setor de help-desk, por exemplo, exige muita habilidade e competências para lidar com usuários e muito conhecimento de aplicações específicas e suas nuances. O perfil do profissional de atendimento em help-desk para as empresas da região de Los Angeles deve ser exatamente esse. O setor de help-desk tende a crescer muito, se a economia do mundo continuar crescendo em ritmo forte, pois a tendência é de aumento de consumo de produtos mais sofisticados, o que inclui diretamente a TI.

Infelizmente, não temos conhecimento de estatisticas semelhantes no Brasil. Nosso mercado é certamente muito menor que o estadunidense, consegue-se visualizar algumas regiões com alta concentração de oferta de empregos em TI, normalmente em grandes cidades ou capitais dos estados. Mas não se conhece, por exemplo, o perfil de cidades menores no interior dos estados, um mercado emergente que tende a ganhar força, desde que a economia continue crescendo, exigindo mais serviços.

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Carreira, Social
2 comentários em “Segmentação no mercado de trabalho
  1. André disse:

    No Brasil eu tenho a estatística Zé. O que vale é a moda. Hoje estamos na moda das “estatuetas” de PMP, as certificações Microsoft também já tiveram seu momento, certificações Java também são a bola da vez. Ou seja, nossa estatística não acompanha mercado ou demanda de serviços e sim a moda. Há casos que conheco de que todos os membros de uma equipe de BI estão se formando em PMP, não entendo pra que tanto conhecimento homogeneo numa equipe que tende a ser multidisciplinar. Então no Brasil, estão todos pescando no mesmo lago. Ninguem olha por cima do horizonte, ou correm sempre na frente da boiada ninguem procura novas direções. Isso digo pelo geral, no geral é assim. Alguma boa contestação?

  2. O que não temos são as estatisticas que mostrem as tendências dos mercados, dos fluxos de movimentação profissional, nada disso. Por isso, resta “seguir a manada” (no bom sentido, nada pejorativo), ou seja, se todo mundo está fazendo, então vou fazer também. E ai temos recém-formados, com pouca ou nenhuma experiência de mercado, com certificação PMP, sem entender direito os problemas e sem saber ajustar soluções sem consultar o manual… Como você mesmo diz, todo mundo pescando no mesmo lago, equipes cheias de caciques e nenhum índio. E de vez em quando o mercado volta-se contra as universidades (preferencialmente as públicas) e descem o porrete na formação que damos aos alunos, que não preparamos para o mercado, etc.

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