Equilibrio no jogo de tênis

Hoje pela manhã, fiquei em casa para assistir à tão esperada final do torneio de tênis de Roland Garros, um dos quatro torneios de Grand Slam, que é uma sequência de quatro grandes torneios mundias: Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e USOpen, jogados nessa ordem. Mais uma vez a disputa foi entre Roger Federer e Rafael Nadal, com enorme vantagem para Rafael Nadal que venceu 8 das últimas 9 disputas de final de torneios contra o Federer. Pelo nível das semifinais, jogadas entre Rafael Nadal e Novak Djokovic (3 x 0) e entre Roger Federer e Gael Monfils (3 x 1), eu (e o resto do mundo apreciador do tênis) esperava um jogaço na final entre os dois maiores. As semifinais foram simplesmente espetaculares, jogos longos onde as melhores estratégias, as melhores jogadas, as melhores pancadas e também as mais vergonhosas erradas e mancadas puderam ser vistas e acompanhadas, verdadeiras aulas de tênis.

Nem é preciso comentar sobre o enorme peso psicológico que acompanha uma final de um torneio dessa categoria. Um estádio imenso, a quadrinha lá no meio, dois jogadores tendo que se concentrar no jogo dificil, sob os olhares atentos de uma platéia presente e torcendo ruidosamente nos momentos em que é permitido torcer no jogo de tênis (quando a bolinha não estiver em movimento, e na preparação para o saque). Isso sem contar nos inúmeros fotógrafos e cinegrafistas, equipes de transmissão, etc., transmitindo o jogo para o mundo todo. Muito diferente de uma final de campeonato de futebol, em que cada jogador tem outros 21 dentro de campo para ajudar a carregar uma parte da pressão da torcida. Ali na quadra de tênis, é um de cada lado e cada um por si.

Dois estilos de jogo muito diferentes. O tênis inteligente, cabeça, representado pelo impassivel Roger Federer, o jogador eficiente, observador, que constrói cada vitória na medida em que o jogo evolui, observando o adversário, antecipando jogadas, e que tem um equilibrio psicológico invejável (herdou muitas das características do Bjorn Borg). Para mim, um enorme exemplo de espirito esportivo, aquele que provoca reversão em decisão de juizes de linha e de cadeira quando percebe que uma bola boa foi cantada fora. Contra o tênis força do Rafael Nadal, que tem um tremendo vigor fisico, chega em todas as bolas, enfia a pancada em todas elas, e tem paciência e resistência para ficar naquele joguinho de fundo de quadra, correndo de um lado para outro sem se arriscar na rede, esperando o adversário errar. Um tremendo jogador preciso, que não perde bolas facilmente, tem uma força física incrivel e bota a bolinha para correr, dando sempre a impressão de que a coisa é fácil.

Mas o que se viu nas quadras foi um desastre. A impressão que deu é que o Federer desistiu de jogar, não conseguiu encaixar as bolas que ele acerta regularmente, jogou a estratégia para o espaço e tomou uma ferrada de 3 x 0, num jogo rápido e de certa forma decepcionante, pois todo mundo esperava ver um jogaço, bem disputado e cheio das jogadas brilhantes, no mesmo estilo ou melhores do que aquelas das semifinais. O que mostra claramente que o jogo de tênis tem a particularidade de mexer diretamente com a cabeça dos jogadores, o psicológico é fundamental e anda colado no físico de cada jogador. E o Nadal não deu trégua, entrou em quadra com o mesmo jogo de sempre, fundo de quadra, batendo todas as bolas, com saque demolidor, foi se aproveitando da apatia inexplicável do Federer que, quando resolveu reagir e mostrar seu belo jogo, a vaca já tinha ido pro brejo, não dava mais tempo de recuperar nada (leiam mais em uma postagem anterior, O jogo de tênis).

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Esporte, Saúde
Um comentário em “Equilibrio no jogo de tênis
  1. smarzaro disse:

    Fala Zé, eu acompanhei o jogo e realmente foi uma decepção…. Não foi uma final de Nadal e Federer…Foi o Nadal e alguma coisa que lembrava fisicamente o Federer… Se fosse para perder deste jeito na final que tivesse deixado o Monfils passar que ele teria feito mais estrago no Nadal… Abração…

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