Tecnologias da informação e as mudanças climáticas

Tenho postado aqui no blog vários artigos na categoria Sustentabilidade, tentando mostrar as várias faces desse enorme desafio do mundo moderno, da manutenção da nossa vida no planeta Terra. Sobre a TI, em particular, chamo atenção para as duas postagens: Sustentabilidade da TI e Sustentabilidade da TI: visão sistêmica, onde alguns aspectos da questão são discutidos. Na segunda delas, mostro até um diagrama de influências relacionando as principais macro-variáveis, e como a TI tem um claro limite ao crescimento, que são os impactos ambientais.

Mas o assunto não se esgota, está sempre em alta. Pois a TI, ao mesmo tempo que causa grande impacto ambiental com um nível mundial de emissões comparável ao da indústrica de aviação, é também uma tábua de salvação para que os deslocamentos sejam minimizados, contribuindo com as reuniões virtuais, convergência digital, etc. Um recente artigo da respeitada revista The Economist, Computing Sustainability, fala do problema sob esse ponto de vista, a partir de um estudo desenvolvido pelo GeSI: Global eSustainability Initiative, que se dedica a examinar as formas como as TIC contribuem para as mudanças climáticas.

Em 2007, os equipamentos eletrônicos ao redor do mundo criaram 830 milhões de toneladas de dióxido de carbono que foram lançados na atmosfera, contribuindo com 2% do total de todas as emissões resultantes das atividades humanas. Mesmo com o avanço nas pesquisas para tornarem as TIC mais eficientes em termos ambientais, a previsão é de que em 2020 essas emissões cheguem a 1.4 bilhões de toneladas, as maiores contribuições vindo dos datacenters que consomem um absurdo de energia, com a correspondente carga de emissões. Mesmo dando o devido desconto pelo fato de que nós somos um desastre para fazer previsões, esse número assusta, e muito.

O mesmo estudo concluiu que há muitos impactos positivos resultantes do uso das TIC, e que esses impactos positivos são maiores que os impactos negativos! Finalmente, uma boa notícia, não? E esses impactos positivos são atribuidos a videoconferência e tele-trabalho, que reduzem as emissões causadas por deslocamentos e viagens, e ao uso das redes de computadores para tornar a logística mais eficiente. Esse impacto positivo está sendo estimado em 1.5 bilhões de toneladas também para 2020, o que ainda dá um saldo positivo de 100 milhões de toneladas.

Para que os beneficios da tecnologia ultrapassem os malefícios, tem que acontecer ainda a mudança cultural necessária para que as soluções virtuais sejam mais utilizadas. Ainda vivemos na sociedade do carro, do avião, do ônibus, dos deslocamentos físicos, a cultura do virtual ainda não faz parte das nossas atividades. Vamos ter que aprender com a geração net, que vai dominar este século.

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Social, Sustentabilidade

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