Blogs: voz dos oprimidos na web

A web2 se caracteriza, principalmente, pela produção e disponibilização de conteúdo pelo próprio usuário, o que anteriormente era feito quase que exclusivamente por organizações em seus sítios na internet. Raros usuários tinham condições de manter um sítio pessoal. As ferramentas da web2 possibilitaram uma inversão, ficou muito fácil fazer e hospedar um sítio pessoal na web, e mais fácil ainda escrever um diário, impressões, notícias, utilizando os blogs, tudo gratuito com muito espaço disponível. Bom, aí deu problema: um monte de usuários da web se transformou, de uma hora para outra, em articulista produtor de textos na web. Notícias, comentários de noticias, economia, administração de projetos, engenharia de software, religião etc., disponíveis publicamente. Os jornais e revistas tradicionais não estão gostando nada da concorrência, e vários deles fazem campanha aberta contra os blogs, pois consideram que somente jornalistas estão capacitados para esse tipo de atividade. Mas a movimentação com os blogs é tão intensa, que algumas redes de noticias já começaram a se adaptar e abrem espaço para as fotos e noticias enviadas pelos leitores, que são publicadas depois de serem devidamente verificadas e editadas pela equipe de produção (por exemplo o iReport da rede CNN)

Os blogs se transformaram na voz dos oprimidos, em alguns casos. Por exemplo, o blog Generación Y, criado em 2007 por Yoani Sánchez, uma cubana formada em Letras, especialista em literatura latino-americana contemporânea. Dado o seu gosto pela informática, ela criou o blog para mostrar ao mundo como é a vida em Cuba. As postagens acontecem sem regularidade nenhuma, pois o acesso a internet em Cuba é proibido para os cidadãos comuns, e ela posta de ciber-cafés quando consegue. Ou então quando algum conhecido vem para o lado de cá, trazendo as postagens em mídia gravada, que então são lançadas no blog.  Esse blog é premiadissimo, muito elogiado e lido pelo mundo afora. Outro exemplo é o Global Voices,  que mostra a notícia por trás da notícia, aquela que não aparece na mídia tradicional: Global Voices aggregates, curates, and amplifies the global conversation online – shining light on places and people other media often ignore. Criado e sediado na Harvard Law School, Berkman Center for Internet and Society, é mantido por colaboradores, blogueiros, autores e tradutores do mundo todo.

Ainda outro exemplo é o sitio Reporters Without Borders, um sitio de noticias criado e mantido por repórteres que fazem cobertura de guerras, catástrofes, invasões, etc. ao redor do mundo, que veiculam ai as notícias segundo a visão deles, e não da forma como são publicadas, acrescentam detalhes às noticias, muito interessante. E um último exemplo que descobri há pouco tempo, vendo uma entrevista do jornalista Dahr Jamail no canal GloboNews, que me impressionou: o sítio InsideIraq. Mesma idéia: veicular nesse espaço o que de fato acontece no Iraque depois da invasão estadunidense, mostrando a realidade por trás da notícia. Esse jornalista escreveu um livro publicado este ano, Beyond the green zone: dispatches from an unembedded journalist in occupied Iraq,  em parceria com Amy Goodman, e registra ai sua versão do que de fato acontece por lá.

Apesar dos altos e baixos, o uso dos blogs aumenta a cada dia. As grandes organizações estão aprendendo a utilizar os blogs em proveito próprio, com muito sucesso. Por exemplo o BoeingBlogs, utilizado pela Boeing para se comunicar com seus consumidores, muito interessante. Outros exemplos são o GMBlogs, da General Motors, o Oracle Blogs, da Oracle, e vários outros fáceis de achar em uma busca rápida pela web. Nesses casos, os blogs se transformaram em importantissimas fontes de informação para os consumidores e usuários de produtos, e um local seguro onde reclamações, sugestões e críticas podem ser deixadas. O grande desafio para o navegante da blogosfera é filtrar o que vale a pena ser lido, habilidade que a gente aprende com o tempo e usando algumas ferramentas da própria web2.

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Economia, Reflexões, Social
3 comentários em “Blogs: voz dos oprimidos na web
  1. Eduardo disse:

    Zé,

    Sobre a entrevista de Dahr Jamail no canal GloboNews, eu tinha recebido no meu e-mail.
    Tá ai pra quem quiser dar uma olhada.

    http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM855333-7823-ENTREVISTA+COM+O+REPORTER+AMERICANO+DAHR+JAMAIL,00.html

  2. Pedro H G Fernandes disse:

    Choque de realidade, é só o que posso dizer ao ler uma ou duas postagens do blog Generación Y.

    Houve uma palestra sobre recuperação de informações em blogs na última semana de informática na UFV. Parece que ainda vem mais coisa por aí quando se trata desse universo.

  3. Paulo disse:

    Um dos problemas com essa parte de todo mundo poder escrever em blogs é que nem sempre a pessoa sabe escrever (falta um analisador léxico, sintático e até mesmo semântico, heheh).

    Não estou falando que é o seu caso, Zé. Muito pelo contrário.
    Infelizmente, na área de exatas, é a minoria que sabe escrever.

    Um outro problema também é o que você disse no final do texto: “O grande desafio para o navegante da blogosfera é filtrar o que vale a pena ser lido”.

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