Mercado mundial de serviços de TI: IBM x (HP+EDS)

O mercado de serviços em TI mudou de cara nos últimos 10 anos. Passou de produção e venda de equipamentos, para a concentração na área de serviços de software corporativo, o enorme filão atual. Por exemplo a IBM, nos últimos 10 anos, reduziu seu faturamento com hardware  de 40% para 19%, e deixou definitivamente o mercado de computadores pessoais e laptops ao vender essa divisão para a chinesa Lenovo.

O novo filão onde os dólares se concentram está no setor de aplicações corporativas, consultorias e administração de datacenters, que movimentou 750 bilhões de dólares  em 2007.  Esse não é um mercado para pequenas empresas, somente as médias (gordas) e  grandes é que têm estrutura para encarar os enormes desafios do desenvolvimento de aplicações corporativas nesse nivel. E não dá para crescer de uma hora para outra, ou as empresas conseguem enxergar as oportunidades com muita antecedência e se preparam para elas no tempo certo, como fez (e continua fazendo) a IBM, ou então partem para as fusões e aquisições como única alternativa.  Exemplo no Brasil é a TOTVS,  que incorpora hoje a RMSistemas, a Microsiga, a Datasul, estratégia escolhida para crescer em curto espaço de tempo e melhorar a competitividade no cenário global (o link para o Volvo-lego da figura, está aqui).

Em maio deste ano, a HP anunciou a aquisição da EDS, para fazer frente a IBM, sua principal concorrente nesse setor, por US$14 bilhões. Para vocês terem idéia dos números estratégicos envolvendo esse setor,  somente no Brasil a IBM faturou sozinha US$ 3,4 bilhões e a HP+EDS  US$ 3,13 bilhões (2,59 HP + 0,546 EDS). O faturamento no mundo é de US$ 98,8 IBM e US$126,1 HP+EDS.  É de dar água na boca ou não? Sem falar no número de funcionários  no Brasil, 15400 IBM (3,9% da força de trabalho mundial da empresa, e com muitas vagas em aberto nesse inicio de 2009) e 17000 HP+EDS (5,7% da força de trabalho mundial das duas empresas).  Brasil é considerado área estratégica no setor de serviços, tanto como consumidor quanto como centro de produção e de exportação: o setor passou de R$16,69 bilhões em 2006 para estimados R$21,5 bilhões em 2008.

O Brasil é o segundo maior centro global de serviços da IBM, atrás apenas da India. Em seu centro em Hortolândia-SP, mais de 100 empresas internacionais são atendidas, com alto faturamento em exportação de software. A HP, com a aquisição, ganha peso para encarar a competição com a IBM. Mais aquisições podem acontecer, o mercado brasileiro é considerado muito segmentado, com muitas empresas de médio porte mordendo um pedaço do bolo.

Tudo isso significa que vamos continuar vendo o cenário atual no mercado de trabalho: muitas vagas para bons profissionais, e poucos profissionais disponiveis no mercado com o perfil desejado pelas empresas. Muitas oportunidades para todos vocês, olho vivo na formação, na empregabilidade, no networking…  Nunca se esqueçam de que é impossivel a escola ensinar tudo, a maior parte do esforço tem que partir de vocês, tem que correr atrás e quanto mais cedo começarem, melhor.

(baseado no artigo A frente brasileira, jornalista Camila Fusco, seção Tecnologia/serviços, EXAME 929, 22 de outubro-2008 )

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Economia, Tecnologia
3 comentários em “Mercado mundial de serviços de TI: IBM x (HP+EDS)
  1. Valter Lobo disse:

    O mercado de TI este muito bom, acho que vai melhorar ainda mais depois das noticias que li sobre uma empresa Índia, Satyam (http://computerworld.uol.com.br/mercado/2009/01/07/presidente-do-conselho-da-satyam-renuncia-e-admite-fraude-nos-resultados/.) e a tal da “crise econômica”, fazer aqui sai mais barato.

    O conhecimento técnico (programação, diagramas, levantamento de requisitos) não basta, a fluência na língua inglesa e muito importante.

    Muita gente que já trabalhei junto ou esta la fora (EUA, Austrália, Canadá) ou esta no Brasil prestando serviço para o exterior, todos estao satisfeitos, com o salario e com o trabalho.

    Fala para os alunos melhorar o inglês…

    • Essa da Satyam já rodou meio mundo, e não parece que foi apenas por causa da crise econômica. Tenho insistido muito com nossos alunos a questão do inglês que nem é mais diferencial, já passou a fazer parte dos requisitos mínimos para almejar algum sucesso na carreira. Obrigado pelo comentário,

  2. Maria Neide ferreira Mescarenhas disse:

    Nos últimos anos o mercado de trabalho tem demonstrado a necessidade de profissionais qualificados para preencher vagas que estão sobrando nas grandes e médias empresas. O que esta acontecendo com os nosso jovens profissionais ? Esse falta de qualificação talvez seja um pouco culpa das empresas que não investe nos jovens recém formados.Só assim teremos grandes profissionais no futuro. Temos que investir nos jovens brasileiros. Ao invés de ficar importando profissional.

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