Água, olha a água, água…

Água, água....  

Água, água....

O título desta postagem é o refrão (se é que pode ser chamado assim) dos vendedores de água mineral (?) da rodoviária do Rio de Janeiro. Que eu ouvia pelo menos duas vezes por semana, na época do doutorado. Recentemente, lendo o Guia Exame 2008 de Sustentabilidade que chegou no final do ano passado, topei com a reportagem: Tão valiosa quanto o petróleo,  jornalista Tatiana Gianini. Pela reportagem, a nossa água tão comum e que o ser humano está tão  acostumado a desperdiçar de todas as maneiras possíveis e imagináveis, está sendo considerada a commodity do século 21! Isso mesmo, e olhem alguns números tirados da reportagem: 20% da população mundial (mais de 1 bilhão de pessoas) não tem acesso a água potável; 350 bilhões de dólares é o total da venda global de serviços e equipamentos relacionados à água em 2007, e deve atingir 530 bilhões de dólares em 2016; 325 bilhões de dólares foram investidos nas áreas de serviços de fornecimento de água e tratamento de esgoto em todo o mundo em 2007; 91 bilhões de dólares é o total das vendas mundiais de água engarrafada em 2007

Indicações do cenário catastrófico:  em maio de 2008, a pior seca que atingiu a Espanha em décadas obrigou a cidade de Barcelona a encomendar navios carregados com milhões de litros de água vinda da França. Na Austrália, quase todas as cidades têm medidas de restrição de consumo. Nos EUA, algumas prefeituras de cidades da Califórnia impuseram racionamento de água a população para garantir a continuidade do abastecimento; cerca de 70% dos rios e lagos da China estão poluidos; no Brasil, bacias como a do Rio Doce na nossa região de Minas, tem também de 70% das águas impróprias para consumo humano; os aquíferos, como o aquífero Guarani, estão se esgotando rapidamente por causa do crescimento indiscriminado das cidades que utilizam sua água, e por ai vamos.

O grande nicho de negócios atual é a dessalinização da água do mar, um processo caro e que demanda ainda muita energia elétrica para manter em funcionamento as bombas que forçam  a passagem da água pelos filtros para retirada do sal. Avanços tecnológicos recentes indicam que um novo processo que dispensa o uso das bombas já está disponivel, e que vai eliminar o uso da energia elétrica que é o principal elemento do alto custo desta solução. Outro enorme nicho é o de tratamento de esgotos e reaproveitamento das águas, as prefeituras dos municípios não têm recursos para investir satisfatoriamente nesse tipo de serviço que vai sendo aos poucos assumido pela iniciativa privada em parcerias com o estado e municipios. Aí é onde entram os grandes como a GE Water, braço da General Electric dedicado a soluções para a água, da Siemens Water Technologies, da 3M, da Dow Water Solutions, e outras.

Muito bem, então estamos salvos e podemos continuar jogando água fora como sempre fizemos? Lavando carros em lava-rápidos (um comentário, muitos se auto-denominam lava-jato, já pensaram só se pousar um jato lá para ser lavado? o correto seria lava-a-jato…), desperdiçando água no banho (isso para quem tem água encanada e pode se dar ao luxo de tomar banho), usando mercúrio para separar ouro das areias dos nossos rios e poluindo as águas mortalmente, lançando esgoto sem tratamento nas águas dos rios e mares, construindo indústrias poluidoras que lançam material poluente nos rios mais próximos, e precisa mais? Infelizmente, o ser humano é individualista e enxerga apenas o momento presente, deixa para pensar no problema no futuro quando ele acontecer… e ai não vai ter mais jeito de resolver, e sem água a vida como a conhecemos será varrida da face do planeta Terra.

Pelo bem ou pelo mal, essa degradação da natureza chegou a tal ponto que a água, que é um recurso natural abundante na terra e suficiente para manter a vida no planeta, se transformou neste suculento e ótimo negócio, fonte de muitos $$$ de lucro para as empresas. O que significa que, em breve, vamos começar a pagar pela água que consumimos, e a pagar caro. Atualmente, pagamos apenas o custo do tratamento da água, captação, armazenamento e distribuição, mas não pagamos pela água propriamente dita. Quando isto acontecer, certamente vamos ter um uso mais consciente do recurso, pois vai doer no bolso. Algumas iniciativas imprescindíveis estão aparecendo, como por exemplo o IGAM – Instituto Mineiro de Gestão de Águas, que tem o seu parente nos demais estados.  

A despeito dessas iniciativas o ser humano, que continua sendo o principal elo da cadeia, continua sendo o principal responsável por essa degradação toda, e isso leva gerações para mudar, pois é uma mudança cultural. Que felizmente  está acontecendo, as novas gerações têm outra consciência de problemas ambientais e de sustentabilidade.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post was written by zeluisbraga, and was published on my blog zeluisbraga . wordpress . com)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Economia, Social, Sustentabilidade
5 comentários em “Água, olha a água, água…
  1. Fabio Lucio Barbosa disse:

    Em nosso municipio(Viçosa-MG), como provavelmente em muitos outros, o consumidor somente se recorda que existe tratamento de agua quando a mesma esta em falta, mais do que quando chega a conta/
    Abraços Fabio(SAAE-Viçosa-MG) Em 28/04/2009

  2. railer disse:

    já ouvi gente dizer ‘ah, o planeta tem muita água, é a maior parte’. daí eu pergunto a eles o que aconteceria se eles estivessem no meio do mar e a água pra beber acabasse… seria ironia morrer de sede em pleno ‘mundo de água’, certo? por isso essa questão está tão forte quanto nunca.

  3. Dayane disse:

    Mas tudo mudou
    Você se foi não sei o que fazer
    A dor é uma lição
    Que eu nunca quis aprender
    Mas no fundo do meu peito
    Ainda preciso de você

  4. Dayane disse:

    O corpo humano é composto de água, entre 70 e 75%. Na média, a proporção de água no corpo humano é idêntica a proporção entre terras emersas e águas na superfície do planeta Terra. Estranha coincidência. Melhor não tirar nenhuma inferência ou conclusão. O percentual de água no organismo humano diminui com a idade: entre 0 e 2 anos de idade é de 75 a 80 %; entre 2 e 5 anos cai para 70 a 75%; entre 5 e 10 anos fica entre 65 a 70%; entre 10 e 15 anos diminui para 63 a 65% e entre 15 e 20 anos atinge 60 a 63%. Aí vem um período de maior estabilidade, como na vida psíquica, mas sem muitas garantias: entre 20 e 40 anos esse teor de água no corpo humano fica entre 58 a 60%. Entre os 40 e os 60 anos, essa percentagem cai para 50 a 58%. A seiva parecer diminuir ou ficar mais concentrada. Acima de 60 anos, o humano segue sua desidratação. É como se nos idosos metade da existência fosse água e o resto, sólidas resíduas7 e recordações. No próprio corpo humano, os teores de água variam. Os órgãos com mais água são os pulmões (mesmo se vivem cheios de ar) e o fígado (86%). Paradoxalmente, eles têm mais água do que o próprio sangue (81%). O cérebro, os músculos e o coração são constituídos por 75% de água.

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