A ilha terrestre…

As chuvas estão castigando todo o país desde outubro de 2008, talvez mais um recado do planeta Terra (vejam a Hipótese de Gaia, James Lovelock) para a humanidade que o depreda sem cessar: preparem-se porque o bicho vai pegar,  já está pegando, e os recados estão ficando cada vez mais evidentes, claros e explicitos.

BR163

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Aqui na nossa região, não está sendo diferente. E, nestas duas últimas semanas, com as águas de Março fechando o verão, a coisa ficou feia por aqui. Viçosa se transformou, no início dessa semana, numa verdadeira ilha terrestre. A queda de um pedaço grande da estrada Viçosa-Ubá pela Serra de São Geraldo, no início de 2009, que vitimou um motorista que caiu junto com o barranco inteiro, e mais a situação daquela famosa depressão logo adiante, foram o que faltava para provocar o bloqueio definitivo da estrada. As noticias boca-a-boca que correram por aqui, nada oficial porque  é como se isso não fosse problema das autoridades locais e regionais, é que em 50 dias o problema vai ser resolvido (li hoje em um jornal local que o trecho vai ser licitado pelo DNIT, em breve, mas já vi esse filme antes, várias vezes).

Aquela depressão está lá, do mesmo jeito ou pior, há pelo menos 30 anos, nunca nada foi feito para arrumá-la definitivamente. Sempre remendos, aterro, pedra, não tem solução barata ou não tem solução nenhuma, a depressão volta pouco tempo depois do remendo.  O bloqueio da estrada já era mais ou menos previsível, demorou uns 35 anos para acontecer, mas antes tarde do que nunca. O fluxo de veículos que é intenso, tinha dois caminhos a escolher: usar a estrada pela serra de Monte Celeste, estrada vicinal de terra, completamente inapropriada para tráfego pesado e constante, ou usar a estrada Viçosa-Ubá passando por Paula Cândido e Divinésia, que é uma boa estrada com apenas uns 15km de terra (cascalho) entre Paula Cândido e Divinésia . Os dois caminhos foram adotados, choveu demais essa semana, e o resultado: caminhões atolados nas duas estradas, bloquearam o tráfego completamente.

Tem outro caminho? tem sim, alternativas longas, como por exemplo passando por Ervália e saindo lá em Guiricema, mas parte dessa estrada também está com problemas graves por causa das chuvas desse ano e de anos anteriores. Ou então a gente pode apelar para a ignorância e ir para Conselheiro Lafaiete passando por Piranga, que é nosso segundo acesso a Belo Horizonte, depois indo em direção ao Rio de Janeiro na BR040, depois descendo pela Serra do Tugúrio e chegando lá embaixo em Rio Pomba (uma volta e tanto). Se quiser apelar mais ainda, dá para continuar na BR040 até Juiz de Fora, mas ai já é um exagero.

Mas a estrada por Piranga também foi bloqueada, abriu-se uma cratera imensa, um aluno do mestrado me enviou a noticia ontem, dia 8 de abril, na parte da tarde. Resumindo: Viçosa ficou uns dois ou três dias completamente ilhada, uma verdadeira ilha terrestre, com uma única saida/chegada que é a nossa  quase cinquentenária estrada para Belo Horizonte (MG262). Que, a qualquer momento, também pode ser bloqueada pelo Rio Piranga, lá em Ponte Nova.

E ficamos aqui ilhados, um novo conceito geográfico que vai ter que ser incorporado aos livros escolares: ilhas terrestres!! Resta torcer para que no próximo ano, que é um ano eleitoral forte, uma solução mais definitiva chegue por aqui, quem sabe não abrem uma brecha no PAC e trazem umas migalhas para cá?

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

Publicado em Tecnologia
Um comentário em “A ilha terrestre…
  1. Fabio Lucio Barbosa disse:

    Em se tratando da famosa de pressao na rodovia Sao Geraldo, o ideal seria construir um viaduto, porque sabemos(especialistas da areaa de recursos hidricos) que quando nao conseguimos controlar uma passagem de agua recomendo que “se passe” por cima dela, ou seja com ponte ou viaduto, que sera a unica soluçao definitiva. Abraços ,Fabio(SAAE-Viçosa-MG)

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