Privilégios

Evito tocar em temas políticos aqui no blog, principalmente porque não me atraem nem um pouco, são muito baseados em opiniões e na base do “eu acho”,  nunca temos acesso à informação suficiente para ter uma opinião bem fundamentada em fatos reais. Mas, a questão dos privilégios nas semanas passadas foi demais, com a divulgação na imprensa sobre o mau uso da cota de passagens aéreas pelos nossos senadores e deputados federais, e por terceiros agindo em nome deles. Que ultrapassou o limite do aceitável e expõe, mais uma vez, um problema grave no mundo todo, que é o acesso fácil e privilegiado aos recursos públicos sem a devida exigência de transparência e de responsabilidade.

Até poderia haver alguma justificativa fraca para o governo federal, na época da “inauguração” de Brasilia, criar algumas facilidades para que a transferência de uma equipe técnica competente para Brasilia, vindo de outros  grandes centros, fosse viável e a nossa capital pudesse funcionar adequadamente.  O que se viu desde então foi o aumento nesses privilégios, que se perpetuaram e até se agravaram com o passar do tempo. Deveriam ter passado por revisões periódicas, com muita fiscalização e transparência, sendo limitados pouco a pouco até que se extinguissem completamente. Mas, temos ai, no meu entendimento, mais um caso de raposa tomando conta de galinheiro: quem faz as regras, quem gerencia esses recursos, quem determina o próprio salário, são eles mesmos…

É  a velha estória: privilégios, uma vez concedidos, se perpetuam. E causa mais espanto e indignacão ver as entrevistas de nossos representantes na câmara e no senado, justificando veementemente a necessidade de manutenção dos privilégios. O padrão é conhecido em teoria de sistemas: uma solução paliativa leva sempre a outras soluções paliativas, e o problema principal continua sem solução, cada vez mais agravado.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

Anúncios

Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

Marcado com: ,
Publicado em Educação, Reflexões, Social
4 comentários em “Privilégios
  1. railer disse:

    concordo contigo. um absurdo sem igual e a gente assiste a isso sem muito o que poder fazer em cima das regras e padrões pré-estabelecidos.

  2. Juliano Sacramento disse:

    Pelo visto não estou sozinho nessa de não gostar de política né? Hehe Obrigado pelo feedback no blog. Sobre me esconder, não me escondo, tanto é que manifestei minha opinião. É uma questão de escolha. A vida é feita de escolhas e escolhi não gostar de política. Não é tão simples como escolher se vou tomar suco ou água no almoço, mas ainda sim é um direito meu. Você, assim como sou hoje, foi parte da nova geração na sua época. Porque não mudou as coisas então, pra que o cenário fosse outro nos dias de hoje? Concordo que é um problema do ser humano. Mas os tempos mudam e os valores também. Está acabando aquela coisa do “deixa que quem tá vindo arruma”. Quer um exemplo? Na escola, nos diziam que seríamos nós, no futuro, quem cuidaríamos da política e do meio ambiente. Quantas iniciativas você vê, por parte dos jovens da minha geração, pró política? E pró meio ambiente? Os jovens andam fazendo escolhas mais justas. Meu avô viveu uma vida inteira de política. Porque ele não incentivou politicamente, em momento algum, nenhum dos seus filhos ou netos? Não posso responder por ele, mas acredito que ele fez uma escolha. Bem, não vou prolongar porque senão acaba virando um outro post! Agradeço a visita, gostei do blog aqui também, principalmente a parte de tecnologia. Grande abraço!

    • Obrigado pela visita, Juliano. Minha geração foi a “geração revolução”, travada e com minimas possibilidades de atividade politica de qualquer natureza, época do AI5 e do decreto-lei 477. Fomos uma geração com pouca ou nenhuma iniciativa politica, e o caminho que escolhi para possibilitar alguma mudança, foi ser professor universitário, considero minha missão influenciar positivamente meus alunos, para serem jovens bem formados, com consciência crítica e visão sistêmica, capazes de tomar decisões corretas e acima de tudo, decisões éticas, sustentáveis. E tenho tido até relativo sucesso na missão, que compartilho com outros colegas do meu departamento. abraço, volte sempre…

  3. Juliano Sacramento disse:

    Não tiro o mérito daqueles que lutaram em uma época onde a expressão era controlada e proibida de certa forma. Mas hoje em dia, muitas são as restrições, não querendo comparar as daquela época a qual nem pertenci, em termos de expressão. Porém, temos muito mais ferramentas e caminhos ao nosso favor. Valorizo sua escolha e missão, assim como a de muitas outras pessoas nas mais diversas áreas. O assunto é amplo e os pontos de vista diversos. Discussão saudável e interessante! Grande abraço!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: