O brilho custa muito caro

agassi

Andre Agassi

Como jogador desde a adolescência e admirador desse esporte fascinante, acompanho como posso o que acontece no mundo do tênis. E tenho meus ídolos, claro: Pete Sampras, Andre Agassi, Roger Federer, Venus e Serena Williams, Justine Henin, e vamos por ai afora. Pois não é que, dando uma olhada em boas fontes de informação um dia desses, topei com uma reportagem no The Guardian, com o título: Why Andre Agassi hate tennis? extraida diretamente da autobiografia dele, recém-publicada, vejam aqui.

Pelo inusitado do título, e também por se referir ao Andre Agassi, chamou minha atenção na hora, e fui ler a reportagem. Que é muito interessante, mostrando um lado escondido da vida das pessoas que ficam no topo de alguma forma: a perda da privacidade, e da vida pessoal. Artistas de modo geral, atletas das mais diversas modalidades, políticos respeitados, autores de livros, atores, músicos, bandas de rock, pesquisadores de renome, enfim, todo mundo que atinge o topo da carreira e fica conhecido pelo público.

Em particular no caso do Agassi, ele fala sobre o tipo de vida que leva um jogador bem ranqueado na ATP (vejam a classificação atual aqui). Viagens engavetadas umas nas outras, torneios em sequência, pressão muito forte para se manter nas posições conquistadas na classificação da ATP, e a obrigação de ter que participar dos torneios como uma das regras da ATP. Uma vez ou outra algum jogador do topo deixa de participar de um torneio, mas é uma situação muito particular e acontece raramente. E os treinamentos incluem não apenas as quadras, mas também (e muito) preparação física, fisioterapia, massagens, tratamentos físicos, recuperação e prevenção de lesões, dimensionamento de calçados e das raquetes para a força e tipo de jogo especificos, superação de deficiências de jogo, assistir videos de jogos dos adversários para analisar o estilo e já ir para a quadra com uma estratégia que permita vencer, etc. Sem contar as entrevistas, sessões de fotografia e videos a que eles têm que se submeter, por contrato com os patrocinadores.

Mas, cadê o glamour da vida de quem vive no topo? Quem está fora da realidade dos circuitos, fica do lado de cá achando que tudo é uma beleza, muito dinheiro, hotéis de luxo, belas mulheres, boates, bebidas finas, roupas de griffe, carros. Mas a realidade é bem diferente, a vida de quem está no topo é um inferno na terra, e perde-se a privacidade e o direito à vida pessoal, intima. Tudo se transforma em assunto público, e acaba com a própria vida das pessoas. E a reportagem é exatamente sobre esse ponto, descrito pelo Agassi no seu livro. Ele perdeu a vida pessoal, casou com a Brooke Shields e separou em seguida, vício, sumiu da classificação da ATP, tratou-se, voltou um ano depois acima do centésimo do ranking, e em menos de um ano já estava novamente na cabeça da classificação. Um depoimento forte e ao mesmo tempo fascinante de superação, de força interior, de reconhecimento dos próprios problemas, e da coragem de enfrentá-los e de falar abertamente sobre eles.

Está em preparação uma postagem similar a esta, tratando da questão de quem atinge o topo da carreira acadêmica, como pesquisador, aguardem. Tudo muito parecido…

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Carreira, Reflexões, Saúde
Um comentário em “O brilho custa muito caro
  1. Levi disse:

    Muito bacana, Zé! Estou aguardando para ler o novo post. Não esquece de avisar lá pra gente no Twitter. Abração.

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