Buenos Aires

Obelisco 9 de Julio

Obelisco-BA

Aproveitando o final de ano, em que a gente recebe metade do décimo-terceiro, parte de férias, etc., utilizados normalmente para pagar as dívidas de inicio do ano, como IPTU, IPVA, seguro de carros, matrícula e material escolar das crianças, e a relação muito favorável entre o nosso real e o peso argentino (1 real = 2.15 pesos), resolvemos quebrar a rotina e dar uma chegada até Buenos Aires. Principalmente para quebrar o jejum de viagens, que ficaram completamente zeradas nos últimos 11 anos, o pouco que sobrou foi para a educação dos meninos e manutenção (precária) do dia a dia.

Tirando fora as péssimas experiências com os aeroportos brasileiros, que vou comentar em outra postagem, a viagem foi uma caixinha de surpresas. Buenos Aires é uma cidade bonita, bem cuidada, avenidas largas, planejada e toda quadriculada, com uma lógica no traçado de ruas e avenidas, muito fácil de aprender a circular e se orientar. Tem mesmo ares de cidades européias (opinião geral, eu ainda não fui a Europa…), um monte de cafés e confeitarias todas bem montadas, muitas livrarias e algumas muito grandes, muitas ruas reservadas aos pedestres e comércio, outro monte de bons restaurantes e hotéis. A foto ai de cima, é do Obelisco da av. 9 de Julho, de cair o queixo: seis pistas em cada mão, e mais o canteiro central que corresponde a outras seis pistas, uma limpeza de dar gosto. Não dá para atravessar a avenida toda com apenas uma abertura de sinal, antes do meio do canteiro central o sinal já fechou. E ainda tem um baita estacionamento no subsolo, e as linhas do metrô mais antigo da América do Sul passam por baixo dela. Depois fomos saber que é a avenida mais larga do mundo.

O  argentino foi outra grata surpresa.  Nos cinco dias em que ficamos lá, e rodamos muito nesses cinco dias, fomos muito bem tratados, povo solícito, sempre pronto a ajudar, se esforçando por entender nosso portunhol. Muito bem informados e conscientes da situação política deles, emitem opinião com segurança incrivel, e sabem citar os dados principais. Claro que, se for morar lá, é bem possivel que essa opinião mude um pouco, mas mudaria também em qualquer outra parte do mundo, pois a convivência diária é muito diferente da convivência de cinco dias.

Fizemos compras, claro, aproveitando o câmbio favorável. Exceto pelo que é fabricado lá e que nós importamos (como Adidas e Puma), tem que tomar cuidado, pois a gente acaba comprando o que não precisa só porque está lá, o consumismo sobe na cabeça facilmente, e o resultado é um monte de mala lotada.  E depois  não tem armário que chegue, e normalmente o preço do metro quadrado de armário é muito mais alto do que o preço do que guardamos dentro dele, já pensaram nisso?

Tango, claro, vimos sim. Mas rapamos fora daqueles shows de tango para turista ver, uma pequena fortuna de 90 dólares por pessoa com o jantar incluido. Fomos na indicação certeira  de um simpático motorista de táxi e vimos um show tradicional em uma escola de tango de Buenos Aires, o Gran Café Tortoni, que nos custou 30 reais por pessoa pagáveis em reais.  É o mais antigo e mais tradicional de Buenos Aires, visitem o sitio e explorem o interior, tudo antigo e muito bonito e conservado, com direito a imagem em cera do famoso Carlos Gardel. Vimos o show num teatro pequeno, o Salón Alfonsina, colados no palco, pudemos observar de perto a dança e curtir as músicas, tomando um vinho argentino, é claro. Essa é uma recomendação minha, se forem a Buenos Aires, não deixem de ir lá no Café Tortoni.

Enfim, queria deixar aqui esse depoimento da nossa curta viagem. Tenho hoje uma visão diferente da Argentina e dos argentinos, muito mais favorável a eles. São um povo que luta a batalha do dia a dia como nós, economia em queda e indo para o buraco rapidamente, oferta de empregos em baixa, governo muito fraco e muito criticado. Deu gosto ver como o Brasil e nosso presidente são queridos e respeitados por lá. Ia me esquecendo, se forem até lá, não deixem de levar na mala um conversor de plugues de tomadas, o padrão de lá é tomada de pino redondo.

Atualização 30/04/2012. Voltamos a Buenos Aires no dia 26/04/2012, fui para um congresso internacional em Engenharia de Software, apresentar um trabalho. Sempre sobra tempo para dar uma volta pela cidade e rever suas belezas. Mas, desta vez, ficamos assustados e lamentamos o aumento visível da pobreza. Muita gente nas ruas, sem trabalho e sem ter o que comer. A inflação por lá está em alta, o governo esconde os valores reais nas estatísticas oficiais, mas o povo está sentindo na pele. Tudo muito mais caro, os turistas estão perdendo tempo em ir lá para fazer compras, os preços estão muito equilibrados com os nossos no Brasil, não compensa a viagem. Para passear, tomar vinho e comer uma boa carne e bons queijos, assistir a show de tango, visitar livrarias, certamente continua valendo a pena, e muito. Contado por um argentino: a erva-mate em estado bruto (pelo que entendi, não se trata daquela que a gente compra em supermercado já moida) que é usada pela população mais pobre para fazer o chá mais forte que ajuda a matar a fome, triplicou de preço e não é achada com facilidade.

Mesmo assim, recomendo o Sanluistango, um grupo de tango local e tradicional, uma banda de primeira, e dançarinos idem. Desta vez ficamos no Hotel Claridge, que também recomendo, localização privilegiada, serviço de primeira. Vimos o show do Sanluistango no hotel, nada melhor.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Dicas, Viagem
Um comentário em “Buenos Aires
  1. Patricia disse:

    Zé,
    concordo com vc, quando diz que o povo argentino é legal e solícito. E Buenos Aires é muito bacana mesmo, cidade limpa e bem européia, até parece primeiro mundo!
    Parabéns, vc escreve bem!
    Beijos
    Pat

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