Aeroportos

Aeroporto lotado, foto do g1.globo.com

Esgotou...

Recentemente  pudemos, mais uma vez, ver de perto as mazelas da nossa falta de estrutura relativa ao meio de transporte mais confiável do planeta, que é o avião. Nossos aeroportos têm estrutura precária e antiga para suportar o aumento no número de viagens, consequência direta da queda do preço das passagens e da melhoria das condições econômicas da população. Viajar de avião deixou de ser privilégio de poucos, o preço das passagens costuma ser mais barato que passagem de ônibus para o mesmo percurso.

O problema da falta de estrutura  já é velho conhecido das autoridades, e até agora tudo continua como sempre foi. Nem os acidentes mais recentes foram capazes de provocar mudança estrutural importante. Várias reportagens sobre o assunto, leiam  essa aqui publicada no blog do jornalista Luis Nassif. Nem reclamo das filas, desde que sejam organizadas e sem possibilidades de os fura-filas agirem livremente.

A viagem de  ida até que foi tranquila, movimento normal nos aeroportos. A volta, essa sim, foi de lascar. Aeroporto de Guarulhos, tivemos que ficar confinados na área internacional pois a alfândega foi em Confins. Somente um servidor de RX disponível, uma fila enorme com gente de todo canto: alemão, japonês, holandês, francês e brasileiro, todo mundo com cara de cansado e sem paciência para aquela fila enorme e inexplicável. E somente um funcionário educadissimo, se comunicando em inglês, espanhol e português. Levou um tempão aquela fila, talvez uma hora em relógio pequeno (ou uns 40 minutos em relógio grande…).

O inferno na terra foi enfrentar o aeroporto de Confins. O vôo atrasou em Guarulhos, ficamos esperando outros vôos com passageiros para Confins, uma hora de atraso, e chegamos aqui por volta de meia-noite  e meia. Ai sim, foi um teste de nervos, de paciência e de muita vergonha por termos um aeroporto internacional com uma estrutura de rodoviária de interior. Somente uma esteira para as malas, que serve tanto a área nacional quanto a internacional. Vários vôos chegando, a área internacional estava um mar de gente, carrinho de carga, mala, passageiro chapado de tanto tomar uisque na viagem e cerveja em Guarulhos, marido brigando com mulher, bagagem de alguém que foi parar lá na frente, gente dormindo em pé apoiado no carrinho de bagagem…

Com muito esforço conseguimos pegar as malas, e ir para o setor da receita federal. Fila única, somente uma funcionária recebendo os formulários de imigração e fazendo seleção “no olhômetro” de quem teria que passar pelas estações de RX e talvez abrir a bagagem.  Como funcionário público que sou, fiquei solidário com essa funcionária trabalhando sem estrutura nenhuma, em pé, sem mesa ou qualquer outra coisa de apoio, correndo risco pessoal e tendo que prestar atenção num monte de situações ao mesmo tempo. Nada de tecnologia para ajudar, decisões subjetivas da funcionária, com base na experiência dela de identificar passageiros suspeitos.

Enfim, sucesso… conseguimos sair do aeroporto, e já sai de lá com essa postagem estruturada na cabeça. O que mais me incomoda (e de resto deve incomodar a todos os viajantes) é que estamos ficando encurralados num já muitas vezes anunciado apagão de infraestrutura. Por estradas de rodagem, não temos salvação, são todas muito ruins, esburacadas e sem manutenção (rarissimas exceções), muitos motoristas de ônibus e caminhões irresponsáveis, alguns bêbados,  dobrando madrugada e até sem condições médicas de dirigir, basta observarmos  a quantidade crescente de acidentes fatais envolvendo ônibus, caminhões e carros de passeio. Um monte de motorista novato, sem experiência e sem a menor noção dos riscos das estradas de rodagem, que tiram carteira de motorista e entram num financiamento do carro próprio, e na primeira oportunidade caem na estrada com o carro cheio, as estatisticas de morte de familias inteiras nessa situação são de estarrecer. Ferrovias, que seriam uma solução segura e decente utilizada no mundo todo, infelizmente não temos mais, por erros grosseiros de decisão de presidentes passados. E a utilização de aviões está sendo comprometida pela falta de estrutura dos aeroportos, que se transformaram em verdadeiras rodoviárias, só que com muito mais riscos.

Mas, enfim, a Copa do Mundo de 2014 está ai, em seguida as Olimpiadas de 2016, ainda podemos ter alguma esperança de melhoria. Infelizmente, por pressão externa e não pela percepção das nossas autoridades.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Dicas, Economia, Social

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