Vida acadêmica, estresse, vida pessoal…

Professor, etc.

Professor, etc.

Quando estava produzindo o primeiro rascunho da postagem sobre o Andre Agassi, O brilho custa muito caro,  minha mente ficou moendo as idéias, e vi uma enorme semelhança com o que acontece na vida acadêmica dos professores e pesquisadores que atingem o topo da carreira. O estresse, a pressão e os riscos para a saúde são exatamente os mesmos.

Quando se entra na carreira acadêmica, depois do doutorado, os objetivos já estão previamente definidos: aulas, orientação de iniciação cientifica, de mestrado, de doutorado, publicar, publicar, publicar…, aprovar projetos de pesquisa para ter grana para levar as pesquisas adiante, participação em bancas de concurso e de teses, organização de conferências, participação em comissão organizadora de eventos, revisor de artigos de congressos e revistas científicas da área, publicar, publicar, publicar…, revisor de projetos submetidos aos órgãos financiadores, atualização de conhecimento, pós-doutoramento, participação em redes de pesquisas internacionais, liderança em sua área específica, e muitos etc. etc. etc.

A pressão é infernal, a vida pessoal tende a ficar em segundo plano, cada vez mais tempo gasto em laboratório e nas pesquisas, e o pouco tempo que sobra para a família, é compartilhado com trabalho que se leva prá casa: provas para corrigir, artigos para terminar, leitura de texto de teses, análise de projetos em julgamento… pois não sobra tempo na universidade para fazer isso tudo, e normalmente o ambiente de trabalho não permite que se faça nada que exija alguma concentração. A turbulência do ambiente é muito grande, barulho, telefone, alunos para atender, etc. Sem contar que desempenhamos vários papéis ao mesmo tempo: orientador, conselheiro, secretário, xerocador, extensionista, palestrista, professor, pesquisador, conselheiro sentimental (acontece com uma grande frequência), varredor da sala, coletor de lixo, etc.

E uma vez atingido o topo,  tudo isso é agravado pela necessidade e pressão de se manter no topo, como acontece com os jogadores de tênis e outros profissionais de qualquer ramo, citados na postagem sobre o Andre Agassi. O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico), por exemplo, mantém um sistema de bolsas (escassas) de produtividade, concedidas somente aos pesquisadores considerados top em produtividade (publicação, publicação, publicação…)  nas diversas áreas. Para chegar até lá, custa muito sacrificio, e para se manter lá, custa muito mais sacrifício, a pressão e a cobrança são muito fortes. A perda de uma bolsa dessas leva alguns colegas à loucura, o impacto acadêmico é negativo e muito forte.

Para saber equilibrar tudo isso, tem que ser muito artista, se é que é possivel sem causar danos à saúde ou ao equilibrio familiar. Morte prematura, desenvolvimento de doenças terminais, estresse que leva ao aumento da pressão sanguinea, total sedentarismo, aumento de peso, alimentação deficiente… O grande desafio e a grande pergunta finais: vale a pena? A vida é curta demais, e não adianta a gente se arrepender aos quarenta e quatro e meio do segundo tempo,  sem possibilidade de prorrogação.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Carreira, Reflexões, Saúde
9 comentários em “Vida acadêmica, estresse, vida pessoal…
  1. Antônio disse:

    Zeluis,

    Concordo com você que é importante o equilíbrio em tudo na vida.
    Por outro lado, na carreira universitária a gente corre o tempo
    todo para realizar determinados objetivos, chegar ao topo,
    contribuir para a ciência, ter reconhecimento entre os
    pares, etc. Apesar do sacrifício, esta maratona também traz
    sentimento de realização e felicidade. Se a gente faz com prazer,
    certamente há benefício para a saúde, mesmo que as adversidades
    e as dificuldades sejam grandes. Acho que só traz malefício para
    quem faz forçado e sem prazer. É claro que o Agassi se sente uma
    pessoa realizada e é claro também que a carreira dele foi de
    sacrifícios; se fosse fácil todo mundo chegaria lá e perderia
    a graça.

    De qualquer forma, vale a reflexão sobre tentar equilibrar também
    com o lado pessoal.

    Até

    • Certo, mas vai fatalmente chegar num ponto em que o prazer vai desaparecendo, e a pressão para se manter no topo é que vai imperar e vai impor suas regras desse ponto em diante. Ai é onde está o problema e o caminho sem volta. Tem que ficar de olho, reavaliando o tempo todo.

  2. Hadriel Lima disse:

    Zéluis, acabei de ler uma frase que me trouxe de volta aqui. Vale citar pela genealidade de quem escreveu.

    “Heróis são reféns da glória. Vivem sufocados pela tirania da alta performance.”
    Armando Nogueira

    Abraço

  3. Falando no velho Armando Nogueira, o grande jornalista morreu nesta semana. Ze Luis, pode parecer ingênua a opinião de ex-aluno, mas acredito que os meios de valorização das atividades dos professores pesquisadores é que parecem bastantes restritos.

    O “pesado peso” do quantitativo publicações como medida de produtividade, entre outros parcos itens para manutenção no topo, parece pior que vida de tenista e seu número de Gran Slams bem sucedidos. São medidas bem diretas mas que podem não refletir o bom ou mal trabalho que fazem com o alvo ( que deveria ser ) disso tudo: alunos.

    Repercussão de trabalhos passados, feedbacks dos mesmos eventos que citou e retorno da universidade ( e não somente das instituições de fomento ) são também parte da vida profissional do mestre que deveriam ser levados em conta objetivamente.

    Eu não poderia sugerir suavidades para a manutenção no topo, mas pelo menos mais fatores a serem considerados para se ficar lá pode ser uma componente que resulte em menor stress. Abraço do Chico

    • Ola, Chico, obrigado pela visita e pela opinião. Como se tudo isso não bastasse, ainda tem um problemão: as revistas de maior peso, cobram pela publicação dos artigos, entre 1000 e 5000 dólares por artigo! é mole? ou seja, a manutenção no topo custa caro de fato, falando em $$$. Eu acho é que o modelo está todo errado, como voce mesmo apontou, nossas atividades têm que ser avaliadas por outras formas, além da simples bibliometria. Escrever artigos deve ser no máximo 20% do que eu faço, o resto é orientação, sala de aula, palestras, participação em convênios, extensão, e mais um monte de outras pequenas atividades. Isso não conta… abraco,

  4. evaldo vilela disse:

    Zéluis, tema custoso esse! Custoso porque nos incomoda muito, olha só as reflexões geradas aqui. Nos incomoda, mas estresse, pressão e riscos estão por todo lado, não só na nossa vida acadêmica. Fazem parte da vida humana, apenas se tornaram mais intensos, frequentes, nos últimos anos, em função da própria evolução da vida social, dos novos tempos, inexoráveis e incontroláveis. A noticia boa é que, apesar de tudo, estamos vivendo mais tempo, cada vez mais! No fundo, no fundo, acho que o que pega é a natureza humana. Recomendo a leitura de ´Da Natureza Humana´, de Edward Wilson, vale a pena para quem tem sensibilidade para ler biologia. Parabéns pelo blog, abraço.

    • Boa dica de livro, tenho o Consiliense do E. Wilson, e várias referências sobre as colônias de formigas. O tema é pesado mesmo, dificil de desvendar completamente. Mas vai-se equilibrando, como você mesmo disse, e vivendo cada vez mais, sobra tempo para tudo. Abraço, obrigado pela visita

  5. Apesar de tudo o que você disse. Quem o conhece sabe que a arte de conciliar CARREIRA e VIDA FAMILIAR, você domina ! E inspira também :
    http://aletoc.blogspot.com/2009/10/paternidade.html

  6. Karla disse:

    Zéluis, estou até meia tímida em deixar comentário. Minha caminhada está apenas começando,mas pretendo chegar onde vcs estão. Tenho 42 anos e estou no último ano do curso de pedagogia.Meu tema p/ o trab.Conclusão do Curso, é voltado pelo stress dos alunos do último ano do curso, diante do acumulo de atividades que envolve esse período: monografia, estágio, formatura, e além das outras disciplinas.
    Estou no stress total,e pedindo literalmente socorro,rsrs. Preciso de artigos, ou autores que tratam sobre esse tema específico, encontrei alguns artigos, mas terei que fazer adaptaçoes, nada c/ relação direta.
    Gostaria se possível receber sua combribuição nesta minha pesquisa, pelo seu artigo penso que vc tem muita informação que me ajudará imensamente. Ficaria imensamente grata e lisonjeada se tal fato ocorresse, e acredito que minha professora orientadora iria ficar de boquiaberta, afinal não estou tendo orientação suficiente, iria ser o MÁXIMOOOO.
    Estarei de dedos cruzados,aguardando anciosamente o retorno, afinal sonhar e acreditar são para poucos.Meu email karlamef@hotmail.com
    Ah, minha escolha para ser professora, nao ocorreu pela 2ª de curso, é sim pq acredito que o caminho para o conhecimento é por meio da educação.Abraço, e obrigada.

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