Petróleo no Golfo: o que vamos aprender com o desastre?

458982main_oil20100527-a-226new Um belo dia, uma catástrofe como o vazamento de petróleo no Golfo do México ia acontecer. Só mesmo algo nessas proporções, capaz de balançar estruturas, economias, ecologistas, uma verdadeira ruptura, para fazer os habitantes do planeta e principalmente nossos dirigentes, pensarem um pouco mais. Estamos à beira de vários desastres ecológicos que vão se instalando aos poucos, avançando devagar, e não somos capazes de enxergar claramente que outras catástrofes piores estão vindo por ai (se é que tem jeito de uma catástrofe ser pior que a outra). Alterações sistêmicas acontecem lentamente, lembram daquela estória do sapo na água quente? Coloquem um sapo numa panela de água fria, e ele pula fora na hora. Coloquem de novo, com a panela no fogo, a água vai esquentando devagar, e ele vai ficando cada vez mais confortável, até a água ferver e ele morrer cozido.

Um bom exemplo é o aquecimento global. Cientistas alertam para o problema e sinais claros de que alguma coisa está mudando para pior no planeta estão por ai. E sempre aparecem os que querem ficar melhor na fita, ligados certamente a grupos econômicos que vão ter interesses contrariados se alguma providência for tomada globalmente, que são irresponsáveis a ponto de afirmar que o problema não é tão grave assim. Enchentes no nordeste do Brasil como as que estão acontecendo nesse final de junho de 2010, enchentes na China, tsunami, tufão em Santa Catarina, enchentes em Santa Catarina, vulcões falando grosso, terremotos em locais onde não havia risco de acontecerem, e vamos por ai afora. Como entender e explicar tanta catástrofe natural?

E a questão da água no planeta? Não estamos falando de um recurso natural renovável, o estoque de água potável no planeta é fixo. E a água é castigada no mundo todo: mineradoras, fresadoras, fábricas de automóveis, laticinios, fábricas de cervejas, agricultura irrigada, pivô central, lavadores de carro, enfim, quase todas as atividades econômicas utilizam água, e muita. Nossos mananciais e aquiferos estão em baixa de estoque, poluidos cada vez mais pelas atividades econômicas de pequena e grande escala. Aqui em Viçosa já até existe uma conta meio fajuta: não há água disponivel para suportar um crescimento de 40% da cidade (alguns dizem que é 20%). Fajuta ou não, o problema já foi levantado e tem que ser encarado seriamente.

E o petróleo? esse é de lascar, pois parte da estrutura e valores da nossa sociedade moderna foram construidos sob a perspectiva dos veículos motorizados movidos a petróleo. Cidades grandes, algumas muito espalhadas, obrigando as pessoas a morarem longe do local de trabalho, com estrutura de transporte urbano coletivo de péssima qualidade, nunca suficiente para atender à demanda.  O que leva o cidadão a depender mais do carro individual, lotando as ruas e estradas cada vez mais perigosas, aumentando seu nível de estresse e perdendo precioso tempo no trânsito. Isso acontece em todas as grandes cidades do mundo, infelizmente, e o problema tende a piorar muito. Sem contar os que usam o carro para andar um quarteirão, para ir de casa na academia de ginástica, ou ir até ali na loja trocar uma camisa que ficou apertada, levar o cachorro para passear e fazer cocô, ou para ir comprar pão na padaria. Nesses casos, o carro nem é mais necessidade, é apenas um conforto (desnecessário na maioria das vezes). Já falei sobre isso em outra postagem mais antiga, Sociedade do carro, vale a pena ler de novo. Não achem que o álcool (etanol é mais chique…) carburante vai ser a solução para todo mundo continuar andando de carro. Mais ou menos 1000 kg de cana são necessários para produzir 50 litros de álcool!!! Vão fazendo as contas, e vocês vão entender que  a solução não é por ai, o uso do álcool é apenas um paliativo, uma solução temporária, que causa outros impactos sistêmicos no planeta. Incluidos ai, por exemplo, os impactos sociais da exploração da mão de obra dos cortadores de cana. 

Na minha visão, é necessária uma mudança radical de hábitos e na administração das cidades. Investimento no transporte coletivo de qualidade, integração de modais diferentes, vias exclusivas para transporte coletivo que possibilitem o aumento da velocidade média. O mundialmente respeitado arquiteto e urbanista brasileiro Jaime Lerner tem ótimas idéias, provadas e comprovadas em várias grandes cidades do mundo, sobre como fazer tudo isso acontecer (infelizmente, ele é mais valorizado lá fora do que aqui no Brasil). 

Questões ecológicas e de sustentabilidade do planeta não podem ser deixadas para depois, têm que ser encaradas radicalmente. 

(a foto acima foi extraida do sitio da NASA, image credit: NASA/JPL-Caltech/Dryden/USGS/UC Santa Barbara)

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Economia, Social, Sustentabilidade
5 comentários em “Petróleo no Golfo: o que vamos aprender com o desastre?
  1. Sensacional meu camarada ! Seu texto é sugestão de leitura para meus alunos do ensino médio. Semana passada fui indagado por um estudante sobre a minha opinião sobre o “futuro do planeta”. Postei no BLOG. Abraços.

  2. railer disse:

    bp virou sinônimo de big problem! acho que o problema é que muita gente pensa que vai morrer mesmo e daí nem se importa em deixar o planeta melhor pra quem vai ficar. imagino como é a casa dessas pessoas…

  3. Lais Nassau disse:

    SENSACIONAL seu texto! sou o aluna do Alessandro e como recomendado por ele, vim aqui ler! essa questão ecologica é o provavel tema da redação do enem!

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