Átomos e bits, cada vez mais próximos

A internet, todos concordam, foi o grande motor das mudanças nos negócios nos últimos 10 anos ou mais. Novas e enormes oportunidades, mudanças de valores, na administração dos negócios, na concorrência, na eficiência, na eficácia, e mais um monte de mudanças. Em alguns setores da economia, a pancada foi tão forte que fez sumir modelos de negócio já estabelecidos, e até hoje eles estão meio tontos, tentando se recuperar, entendendo o que aconteceu para voltar a aparecer com outro modelo mais adequado aos novos tempos. Foi o caso, por exemplo, da indústria fonográfica, atropelada pelos novos formatos eletrônicos de música e pela facilidade com que se consegue uma música na internet. Resultado: uma indústria fortemente baseada em comercializar átomos na forma de discos físicos de vinil, fitas  e posteriormente CDs, atropelada pela mudança no modelo de negócios, que não conseguiu acompanhar e naufragou fortemente. As gerações web dificilmente compram CDs de música, pois conseguem o que querem na web. A internet proporcionou independência e libertou bandas e grupos das amarras da indústria fonográfica, hoje as bandas tiram seu sustento muito mais dos shows e da eventual venda de uma ou outra música na internet, do que da venda de CDs de música. Um sinal dos novos tempos, é o Tecnobrega paraense, totalmente baseado em shows e promoção de bandas, os CDs de música são comercializados por camelôs na rua, ou então as músicas podem ser baixadas gratuitamente dos sitios das bandas. Os bits substituiram os átomos…

Também a indústria de fotografia fez cair grandes e poderosos. A Kodak, por exemplo, não acompanhou a tendência no rumo da fotografia digital, e quase entra em falência. Continuaram apostando na fotografia em papel, e somente em 2006 é que começaram a colocar no mercado as máquinas digitais, depois que toda a sua concorrência já tinha aderido. Só para testar, você leitor do blog já ouviu falar de máquina fotográfica digital da Kodak? (vejam aqui a noticia sobre o processamento do último rolo de Kodakchrome existente). Jornais impressos estão indo no mesmo caminho, cada vez imprimindo menos e cada vez mais acessados na web. Estão tentando mudar o modelo e vendendo assinaturas digitais, mas eu duvido que a mudança cole, pois na verdade estão mantendo o mesmo modelo de negócios da época do jornal impresso, quando na verdade é necessário reinventar todo o modelo. Quem precisa assinar conteúdo de jornal na web para ter acesso a noticias? Elas estão em toda parte… O mercado de livros impressos, por exemplo, mudou demais. A internet proporcionou enorme independência aos autores, que hoje podem editar e imprimir seus livros sob demanda em livrarias especializadas na web, como por exemplo a Lulu e a Xlibris. Publica-se de tudo, sem burocracia, e deixar o livro disponivel para download em formato de impressão já se tornou hábito. A lógica é a mesma do mercado fonográfico: os bits substituem os átomos.

Mosaic_WW2_Heer_Soldier Bom, mas será que parou ai? Claro que não, mudanças tecnológicas estão a caminho, tornando o mundo cada vez mais plano e dando total liberdade e independência a cada cidadão do mundo. Nivelando todo mundo, felizmente. A próxima onda vai ser a produção física de peças e artefatos, feita individualmente e de maneira independente. Assustou? Vejam como acontece: você faz seu projeto de seja lá o que for usando o computador (bits) e depois manda seu projeto para alguma empresa da China, que o transforma em produto (átomos), na escala em que você achar melhor. Por exemplo, vejam a LocalMotors, uma micro-fábrica de automóveis aberta, atuando exatamente no poderoso segmento econômico da produção de automóveis. Claro, sai um carro caro, mas é só por enquanto. Ou a BrickArms, que produz peças de Lego customizadas como essa da foto ao lado, uma empresa de um homem só. Quando a moda pegar, o custo tende a cair, aumenta a concorrência, outras fábricas vão surgir seguindo o mesmo conceito, em outras partes do mundo. E estão surgindo micro-fábricas em outros segmentos do mercado, em breve vai ser possível você ter tudo customizado, lançar sua própria linha de cadeiras ergométricas para computador, ou pares de tênis personalizadissimos. O conceito atual é do-it-yourself, DIY, ou faça-você-mesmo, próprio da independência das novas gerações.

E as impressoras 3D? já ouviram falar disso? Visitem o sitio da MakerBot, que está produzindo as primeiras versões comerciais, vocês vão se assustar. Ao invés de imprimir, as impressoras 3D produzem objetos físicos  a partir da modelagem em blocos ou fios de plástico ou outro material, esculpindo ou moldando neles a peça que está especificada num projeto. Novamente, transformando bits em átomos.  E não vai parar ai, uma evolução dessas impressoras já está nos testes, as impressoras por deposição, que ao invés de esculpirem a peça em blocos, constróem a peça por deposição de material (substituindo a tinta), que pode tanto ser um spray de plástico derretido, quando de partículas metálicas que vão sendo depositadas em camadas, até que a peça toda esteja pronta. A TechShop oferece toda a infraestrutura para produção individualizada, nesse novo conceito. O novo ciclo de produção será: Invenção, Projeto, Protótipo, Fabricação e Venda.

Enfim, estamos no meio de uma enorme revolução, que ainda vai derrubar ou pelo menos vai abalar muitos dos gigantes econômicos tradicionais. E os bancos, será que precisamos mesmo deles? seguindo o conceito de DIY, será que cada um não pode ser seu próprio banco, devidamente certificado? usariamos os bancos como existem hoje para que? o conceito de dinheiro vai mudar, dinheiro é apenas informação, em breve o dinheiro físico, átomo, vai ser substituido pelo dinheiro virtual, bit. Já está acontecendo… Aguardem, em breve resumos de bons livros sobre esses assuntos, aqui no blog.

(um artigo muito bom sobre a questão Átomos e bits está disponivel na revista Exame edição 962, de 24/2/2010, página 96. Recomendo a leitura)

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Carreira, Economia, Empreendedorismo
Um comentário em “Átomos e bits, cada vez mais próximos
  1. Fabrício Murta disse:

    Na info exame do mês passado, o INFOLAB deles testou uma impressora dessas. Ela imprimia itens de uma única cor (da cor da resina utilizada). Pra montar um objeto pode demorar horas. Mesmo assim, é algo que tende a chegar nas micro e pequenas empresas e quem sabe num médio prazo, em casa. Se não me engano, o modelo testado funciona por deposição de fragmentos, mas o preço era numa faixa de 10.000 reais. 🙂
    Pena que a info exame do mês de outubro não chegou em casa. Acho que vou cancelar a assinatura e fazer uma coletânea de RSS de sites interessantes pra substituir ela.

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