Excesso de velocidade

Esse assunto estava em estado de wait há um bom tempo, esperando o momento certo. Natal, Ano Novo, férias de 2010, muitos acontecimentos me fizeram voltar com ele para a ponta, e lá vai a postagem…

Velocidade...

No tempo que passamos nos EUA, pudemos observar uma ação da polícia nas estradas que chama a atenção. Eles focam a fiscalização em um ponto forte: excesso de velocidade. A lógica é simples e certeira: se você está dirigindo em excesso de velocidade para o local, você está com algum problema e não deveria estar dirigindo, colocando a vida de terceiros em perigo, além da sua própria. Portanto, tem alguma coisa errada, e o motorista pode: estar fugindo de alguma coisa, estar sob efeito de bebida ou drogas, estar falando ao celular, estar recebendo ou enviando mensagens de texto, estar com alguém no carro passando mal, estar apertado para chegar em casa logo e ir ao banheiro, etc. Em qualquer situação dessas e milhares de outras, por mais que pareça natural o motorista estar na estrada dirigindo acima da velocidade permitida, a lei está sendo desrespeitada e, pior ainda, o motorista está colocando a vida de outros em sério risco. A ação da policia é imediata, o infrator é intimado a parar o veiculo e se não fizer isso, é perseguido como criminoso, pois ai já está fugindo da policia.

Se a policia das estradas focar “apenas” no excesso de velocidade, seguramente a esmagadora maioria dos acidentes e problemas causados por eles serão evitados. Agora, vejam as nossas estatísticas de acidentes nas estradas. O que aparece nos boletins de ocorrência e nos telejornais sempre é que o motorista não conseguiu controlar o veiculo e bateu nos veiculos que vinham do lado contrário, invadindo a outra pista. Ou o carro capotou atropelando pedestres, ou um monte de outras causas anotadas, mas a causa de fato é sempre a mesma: excesso de velocidade para o local. Lembram daquele acidente recente no anel rodoviário em Belo Horizonte, no bairro Betânia, aquele do caminhão com carroceria articulada que estava a 120km/h e que matou um monte de gente? O problema real foi excesso de velocidade, mas talvez a causa anotada tenha sido que o motorista perdeu o controle, ou os freios não funcionaram, ou o motorista tentou frear mas o caminhão andou de lado…  E  o motorista depois ainda vem prá TV dar entrevista, e se diz também uma vítima da péssima condição das nossas estradas.

Claro, as nossas estradas são péssimas, e a fiscalização do cumprimento da lei muito deficiente, mas isso não é justificativa para a lei ser desrespeitada. Ai entra a questão da nossa lei: nos acidentes com vitimas o motorista é indiciado por homicidio culposo, sem intenção de matar!!! Um motorista dirigindo uma carreta a 120km/h naquele local não tem intenção de matar? Isso é o mesmo que dizer que um cidadão que pega uma arma, entra num cinema e descarrega a arma na platéia matando várias  pessoas também não tem intenção de matar. Na minha opinião, em todo acidente de trânsito com vitimas, o motorista deveria ser processado por homicidio doloso (com intenção de matar), e depois o processo é que mostraria se de fato foi isso mesmo, ou se foi sem intenção.

O ser humano é dotado de livre arbítrio, que é o que nos distingue dos animais. A decisão de dirigir em excesso de velocidade é do motorista, e cada um tem que ser completamente responsável por suas decisões e atos, sem transferir responsabilidades para terceiros ou para a estrada, ou para o veiculo…

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Educação, Reflexões, Social
8 comentários em “Excesso de velocidade
  1. Joa0 g@zo||@ disse:

    Belo texto zeh… Falou td!
    Se tivessem feito FIS201 saberiam a mistura perigosa que eh massa x velocidade …

  2. Alexandre disse:

    Zé, aqui na cidade onde eu moro, Cachoeiro, bem como em sua vizinhança, também há o problema de veículos circulando em alta velocidade. Aliás, pessoas conduzindo em alta velocidade. Os acidentes são tão frequentes que nem chocam mais, à excessão dos familiares e amigos mais próximos dos que perdem a vida assim. Um amigo meu sobreviveu por pouco a um acidente desses no ano passado, e ainda hoje não recuperou um fêmur e perdeu o movimento do pé esquerdo. Ele foi vítima de um motorista em alta velocidade que invadiu a contramão, cometendo suicídio ao chocar-se com o carro do meu amigo. Mas o que mais se destaca por aqui é mesmo a imprudência dos motoqueiros e o comportamento das autoridades diante deles, fazendo vista grossa. A opção por usar motos para fazer várias pequenas entregas e percorrer longas distâncias dentro da cidade é perfeitamente válida, já que o consumo de combustível desses veículos é bem baixo (quanto à poluição, sei lá). Mas o que se vê é usarem motos para fazer entregas rápidas. Invadem frequentemente a faixa de sentido contrário e praticam altas velocidades, além de inúmeras outras infrações, como desrespeitar filas em semáforos. Ora, as regras para condução de veículos não são aplicadas às motos? Essas práticas abusivas não deveriam ser combatidas em nome da segurança? É fácil observar que o conformismo com essa situação tem um lado positivo (humor negro): os regitros mostram que, por ano, mais de 1000 motoqueiros são afastados do trânsito da nossa cidade devido a acidentes. Alguns voltam.

  3. Bruna Carolina disse:

    É Zé, mas, infelizmente, essa última parte, a de assumir a responsabilidade pelos próprios atos, é sempre a mais difícil. Acaba sendo mais fácil culpar os outros ou inventar desculpas, talvez seja pra consciência não ficar tão pesada. E essa regra não vale somente pra desastres no trânsito, acredito que pra tudo o que sai de errado na vida das pessoas. Porém, nesses casos, a velha mania de acharmos que nada de ruim acontecerá conosco ou com as pessoas que gostamos ainda permanece. A fiscalização pode ajudar, mas a consciência do risco de certas decisões é uma questão de educação, e essa começa dentro de casa.

  4. Marcio Molica disse:

    Zé, o problema é que a justiça tem um monte de brechas e os infratores acabam se safando. Parece que aquele jovem que bateu na contra mão na raja e ocasionou a morte do condutor do outro veiculo esta livre. Ele era reincidente. A justiça deveria ser mais rigorosa, quase ninguém é preso por crimes de trânsito.

  5. No Brasil o que prevalece é o nosso judiciário ultrapassado e onipotente. O motorista mata sob velocidade alta e sob efeito de álcool e/ou drogas e nunca é punido porque a legislação não permite…

  6. luisfbraga disse:

    Boa José! Concordo com os limites e a ação da justiça! Mas também acho que precisamos, TODOS, fazer a nossa pequena parte e respeitar os limites! Infelizmente, para respeitarmos limites, temos que ser punidos. Go figure!

    • O problema é o ser humano. Não importa onde, é tudo igual, só tem um jeito de melhorar: limites físicos para evitar que o ser humano faça merda. Por exemplo, o que eu ouvi numa entrevista com uma pesquisadora de tráfego e acidentes de uma universidade inglesa: colocar limite físico no meio da estrada, ao inves das faixas, um meio-fio, nos locais onde a ultrapassagem é proibida. É resultado de pesquisa séria de tráfego que eles desenvolvem. Não adianta a faixa, o limite virtual, infelizmente. Como também hoje não adiantam as placas, as estatisticas de acidentes, etc.

  7. railer disse:

    infelizmente as pessoas têm mania de achar que muitos de seus problemas estão nos outros.

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