MVNO – Mobile Virtual Network Operator

Essa sigla bacana ai do título da postagem se refere às operadoras móveis virtuais, liberadas recentemente em resolucão da ANATEL para operarem no Brasil. Já existem há anos lá fora, mas por aqui tudo vem mais devagar e quando já não é mais novidade, ou quando o modelo de negócios já foi para o brejo e passou a ser pouco interessante.

Celulares

São empresas que oferecem serviços de telefonia móvel, sem terem licença própria para operarem no setor. Como é que funciona? Elas negociam e compram das operadoras oficiais como TIM, Claro, Vivo, Oi e outras, grandes volumes de tráfego de voz e dados e repassam como intermediários a seus clientes. Por exemplo, na Europa o Carrefour vende telefones celulares com o chip com a marca Carrefour por 20 Euros, e na verdade o serviço é prestado por uma operadora local. O mesmo acontece com a rede de supermercados Tesco, a Virgin Mobile (Richard Branson, o mesmo dono da Virgin Air, Virgin Records…), e vários outros. Qual a vantagem de um Carrefour ou um Tesco entrarem nesse segmento de mercado? Fidelidade do cliente, antes de mais nada. Eles convertem valor das compras em créditos para o celular da marca, fidelizando o cliente na mesma idéia dos programas de milhagem das companhias aéreas. Isso certamente vai gerar um ciclo virtuoso na economia, levando mais clientes para quem oferecer mais vantagens.

Aqui no Brasil, a Porto Seguro é pioneira no setor, com o lançamento da Porto Seguro Telecomunicações, que compra a banda da TIM, investindo até o momento 70 milhões de reais, e com a meta de chegar a um milhão de usuários em três anos. A tendência é esse mercado se expandir, os números do setor são de impressionar. No mundo todo, são 600 MVNOs em operação atualmente, com 68,9 milhões de usuários em 2006 e previsão de 121,2 milhões de usuários para 2011. A estimativa para o mercado brasileiro é de 15 milhões de usuários e um faturamento de 3,5 bilhões de reais para as operadoras em 2015.

A pergunta que fica é: o jogo é ganha-ganha? ganha a operadora MVNO, ganha o cliente, ganha a concessionária original de telefonia celular que vende a banda, ganham os usuários das concessionárias originais? Será que meu serviço na TIM vai ter perda de qualidade, porque eles vão vender mais banda para as MVNOs? Podem apostar que em algum lugar vai haver perda, partindo do pressuposto que a fiscalização oficial vai continuar sendo a mesma maravilha de sempre…

(dados extraidos da reportagem Com a rede dos outros, revista EXAME, 9/3/2011, página 98)

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Economia, Tecnologia
5 comentários em “MVNO – Mobile Virtual Network Operator
  1. railer disse:

    bacana. mas vamos ter que esperar pra ver.

  2. Matheus disse:

    Se uma MVNO resolver se diferenciar pela qualidade do atendimento vai ser um grande diferencial em relação às operadoras de verdade.

  3. Marcio Molica disse:

    Uma MVNO nada mais é do que uma outra forma de comercialização de serviços de uma operadora. É algo inevitável. Para a operadora pode ser bom ou ruim. Ela pode aumentar a sua receita associando-se a uma MVNO poderosa (por ex. Carrefour ou Clube Atético Mineiro ;-)) Certamente ela terá que prover serviços mais baratos para a MVNO revendê-los aos seus clientes a preço de mercado, mas isso é melhor do que ver a operadora concorrente se associar a uma MVNO poderosa e acabar perdendo clientes.
    Para o cliente não há diferença em relação a critérios técnicos pois a rede é a mesma da operadora. O que pode variar (e ai depende do modelo do MVNO) é quanto ao atendimento. Em alguns modelos a operadora MVNO pode assumir também o atendimento enquanto em outros ela repassa o atendimento para a operadora hospedeira.
    Até onde sei, não existe distinção entre uma chamada MVNO ou nativa da operadora dentro da rede da operadora.
    Acho que não se trata de ser algo bom ou ruim, acho que é algo inevitável que o mercado brasileiro pode ou não aceitar. Quem aqui gostaria de ter um celular do seu time do coração? Ou um celular que te dá descontos nas compras do supermerdado?

    • Bom, ai você está acreditando que vamos ter um ciclo virtuoso e que vai dar tudo certo. Mas, quem garante que a operadora não vai vender mais banda do que tem disponivel, só para fechar um bom negócio? o problema pode estar ai, com a fiscalização que temos no BR, a corda vai arrebentar em cima dos assinantes regulares. E você duvida que isso vai acontecer? estamos no Brasil…

  4. Marcio Molica disse:

    “Mas, quem garante que a operadora não vai vender mais banda do que tem disponivel, só para fechar um bom negócio?”
    Vc tem razão neste ponto, mas hoje isso já ocorre em relação a cobertura, banda, qualidade do sinal, etc. Hoje as operadoras, via de regra, desrespeitam os clientes nestes pontos. O MVNO não piora nem melhora isso, vai continuar sendo ruim. Pode melhorar/piorar a questão do atendimento (cobrança, reclamações, etc). A ANATEL deveria ser mais forte e atuante. O governo deveria investir pesadamente nas agências reguladoras (grana e legislação)

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