Trem noturno para Lisboa

Há mais ou menos um mês, num sábado, resolvi dar um pulo na livraria para procurar um livro para ler. Não sabia qual, nem o tipo, não sabia nada, a única restrição era que não ia ser um livro técnico, chega deles. Fiquei na livraria um tempão, e sai de la com o livro com esse titulo ai da postagem. Um romance premiado, com mais de 2 milhões de exemplares vendidos no mundo todo, autor Pascal Mercier, publicação original em alemão. Bom, o fato de ser um best-seller por si só não significa muita coisa, pois a unanimidade tende a ser burra, com já dizia Nélson Rodrigues. Claro, li alguns comentários, orelhas da capa e contra-capa, enfim, achei que o livro batia com o momento da minha busca, e trouxe para casa.

2789049 Li rápido, considero pouco um mês para ler um livro de quase 500 páginas, dado meu tempo extra curto durante a semana. Logo de cara, a estória do livro me agradou: “Raimund Gregorius é um homem culto, professor de línguas clássicas. Um dia se levanta durante uma aula e sai da sala. Assustado com a súbita consciência do tempo que se esvai, deixa para trás sua rotina bem organizada e pega o trem noturno para Lisboa. Na bagagem, leva um livro do português Amadeu de Prado, que caiu em suas mãos por acaso e que tece reflexões sobre as múltiplas experiências da vida: solidão, finitude e morte, amizade, amor e lealdade. Fascinado pelo livro, Gregorius tenta compreender o misterioso escritor. ”  Esse trecho que está na orelha da capa foi o decisivo para mim. Fiquei me imaginando fazendo uma coisa semelhante, no meu momento atual próximo da aposentadoria, ia ser um arraso por aqui, digno de noticia e de fofocas. Mas logo o Zé foi fazer uma coisa dessas? tão organizado, tão cumpridor de horários, dá conta de tudo, lê tudo, dá resposta rápida, rapou fora no meio de uma aula e ninguém sabe onde foi parar? E foi exatamente o que aconteceu com o Gregorius.

A estória, claro, não é sobre uma viagem de trem, é sobre outra viagem, no nivel da alma, como fica bem claro no trecho que transcrevi acima. Uma procura apaixonante, muito bem escrita, trechos lindissimos, pensamentos e visões fantásticas. Como por exemplo “quando o tempo de uma vida se torna raro, as regras passam a não valer mais”  e  “a vida não é aquilo que vivemos, é aquilo que imaginamos viver”. Fiquei com vontade de ler mais quando terminei o livro, me fez muito bem ter lido. Para mim, foi mais uma daquelas coincidências inexplicáveis da própria vida, que aparecem no momento certo, com as palavras certas… Sem sombra de dúvida, uma leitura que faz a alma crescer.  

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Dicas, Livros
2 comentários em “Trem noturno para Lisboa
  1. Agora já sabemos onde procurar quando o Zé sumir. Hehehehe. Me deu vontade de ler também. Vou procurar por aqui e ver se eu acho.

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