Rádio: quem ainda escuta?

download Na minha época de garoto, não havia TV, apenas discos de vinil, LP  ou compactos e o rádio. Os discos eram de duas faces, 6 músicas de cada lado para os LPs, e uma ou duas músicas de cada lado, para os compactos. Também não tinha rádio FM, que apareceu quando eu já era adolescente, a gente ouvia mesmo as estações de  rádio nas OM – Ondas Médias, também conhecidas como rádios AM-Amplitude Modulada  ou então OC-Ondas Curtas, de maior alcance. A maioria das rádios locais eram OM, como a lendária rádio Mundial 860kHz do Rio de Janeiro, que tocava muita música e tinha o programa do Big Boy à noite, que a gente ouvia para ficar sabendo das novidades musicais. Outras rádios da época: Nacional e Jornal do Brasil no Rio de Janeiro; Cultura, Mineira (muita música), Inconfidência, Itatiaia em Belo Horizonte; Bandeirantes que acaba de completar 75 anos no ar, em São Paulo. Todas essas a gente conseguia captar aqui em Viçosa, ou nos aparelhos de rádio maiores ou nos carros. A Rádio Montanhesa de Viçosa transmite em OM, e várias outras do interior idem.

As estações de rádio que transmitiam em ondas curtas chegavam mais longe dependendo da potência dos transmissores. Ai o limite era o mundo, estações dos EUA como a Voice of America – VOA, a BBC – British Broadcasting Company, e mais estações da Espanha, Portugal, enfim, do mundo todo, até do Japão de vez em quando apareciam. Claro, várias estações nacionais também transmitiam (e ainda transmitem) em ondas curtas.

Escutava jogo do Fluminense (time do coração) no rádio, torcia e “via” o jogo na narrativa dos locutores, quando era um Fla x Flu então, passava as tardes de domingo pregado no rádio da vitrola (toca-discos e rádio conjugados em um único móvel de tamanho médio, vejam abaixo). Também ouvia algumas novelas (séries), como o Cavaleiro da Noite, O Anjo, Jerônimo o Herói do Sertão, uma emoção só (vejam aqui).  A imaginação voava baixo, para falar a verdade, eu até acho que minha imaginação era mais criativa que algumas novelas que vejo hoje na TV.

Hoje tudo isso parece brincadeira, dificil até explicar como era a nossa época, com tanta tecnologia disponivel hoje. Temos até as rádios na internet, um monte, que a gente ouve no computador sem ter trabalho nenhum, tem de todo tipo e prá todo gosto, desde as que transmitem streams de música até as dedicadas a noticias, esportes, etc. E descobri há pouco tempo, existem os aparelhos de rádio para internet, olhem aqui. São na verdade dispositivos com placa wifi e placa de som, que funcionam quando há internet wifi ou cabo disponiveis.

images Eu continuo fiel às rádios OM e OC,  e escuto regularmente, principalmente notícias. No Brasil há ótimas estações, como por exemplo a CBN – Central Brasileira de Noticias da Rede Globo, que transmite em OM, FM ou OC dependendo do local onde está localizada a estação. Eu gosto de ouvir a CBN-Rio, que transmite em OM exatamente na faixa de frequência onde antigamente a gente ouvia a rádio Mundial, 860kHz. Mas há várias outras, um mundo de distração noite e madrugada adentro. Os aparelhos de rádio continuam existindo, com boas opções. Esse da foto ai acima, por exemplo, é um Transglobe da Philco, uma jóia e uma raridade que na época do rádio era o supra, e eu ganhei um do meu pai recentemente, acho que eu fui o único filho que ouvia rádio prá valer, e usava esse rádio direto. Comprei também um menorzinho, há uns 15 anos, da Radio Shack estadunidense, olhem aqui os vários modelos atuais que eles comercializam. O meu aparelho é pequeno e muito valente, 11 faixas, 9 de ondas curtas, uma de OM e uma de FM, boa captação, dá prá divertir principalmente à noite e madrugada.  A foto ai do lado direito, é de uma vitrola da Phillips, que tinhamos em casa e onde eu ouvia as novelas e os jogos de futebol.

E ai a gente vai descobrindo que tem um monte de colegas que também curtem ouvir rádio principalmente ondas curtas, para ouvir o mundo dentro de casa. Aqui em Viçosa conheço vários, trocamos figurinhas de vez em quando. É mais divertido que internet, mas certamente muitos dos que estão lendo aqui devem achar que isso é coisa de maluco ou de velho saudosista. Mas, olhem bem, as estações de rádio são um enorme fator de integração nacional. O Brasil com esse território imenso, como é que faz para a cultura e a lingua brasileira chegarem lá no extremo norte ou noroeste, na divisa com a Colômbia por exemplo? Só mesmo com estações de rádio transmitindo em ondas curtas, não tem outro jeito, internet não vai até lá. E os aviões, como se comunicam? Vão pensando ai, é um mundo que está logo ali do lado, basta um receptor valentão.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Reflexões, Social, Tecnologia
4 comentários em “Rádio: quem ainda escuta?
  1. Luizinho Carneiro disse:

    Zé, eu também sou um grande apreciador do rádio. Me lembro dos dias de estudo aí na saudosa UFV embalado pelo som da Mundial. Um fato interessante que você não mencionou: o rádio era a única forma que nosso povo tinha para enviar notícias para parentes nos povoados distantes. Me lembro de um “causo” de um tio de minha esposa, que morava em São Paulo e que precisava de avisar aos parentes de Dores do Turvo que uma conterrânea havia morrido aqui em São Paulo. Ele mandou a seguinte notícia para a rádio, que foi lida e depois comentada : “Agostinho de Dores do Turvo, manda avisar aos familiares de Maria Ernestina, também de Dores, que ela faleceu. Mas, que agora está tudo bem!!! “. O comentarista leu, e depois comentou: como é que está tudo bem, se ela morreu!!!!!. São histórias deste nosso Brasil que foram contadas pelo rádio…
    Parabéns por mais este post.

  2. julio Cesar disse:

    E ai Zé?
    Eu ouço muita rádio ainda. Gosto de ouvir notícias em rádios, acho melhor que televisão.
    Bem, ouço mais radio FM ultimamente. Porém lembro de um Aparelho Polyvox que tinha(ele ainda existe e funciona), que conseguia ouvir rádio do Japão em OM, e sem antena ainda.(a noite) hehehe Muito doido…

    • esse é que é o desafio dos rádios tradicionais. pegar rádio de longe e ouvir gente falar do outro lado do mundo, sem precisar de computador e internet (porque ai não mais graça…). os ruidos do mundo moderno acabaram com a boa recepção, só mesmo de madrugada é que a coisa melhora um pouco. eu estou partindo para um rádio portátil SSB, que tem uma recepção muito melhor e sem interferências. mais 70 dólares investidos no hobby… abraço,

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