Eleições municipais

Finalmente, amanhã realizam-se as tão esperadas eleições municipais. Tão esperadas pelos milhares de candidatos que finalmente vão saber se suas campanhas deram resultado, se seus partidos e aliados trabalharam bem. Tão esperadas por nós, eleitores, porque finalmente vamos ficar livres do barulho, da sujeira, da poluição provocada pelos cavaletes nas esquinas e tomando espaço nas calçadas, dos horários politicos gratuitos em rádio e TV e do besteirol que veiculam, dos candidatos que nunca vimos antes distribuindo santinho e pedindo voto na maior cara de pau, e mais o resto que vocês sabem tão bem quanto eu.

images No final das contas, é um jogo em que nem sempre ganha o melhor candidato. E também não há como saber se o que de fato achamos o melhor candidato, vai mesmo ter esse brilho todo quando estiver no poder. São muitas variáveis no jogo do poder, muito toma-lá-dá-cá, muita dependência entre partidos, muita negociação do tipo cargos-em-troca-de-apoio, etc. O eleitor, no final das contas, é apenas uma “massa de manobra” e parece que só tem importância na eleição mesmo. Passadas as eleições, um abraço, eleitor fica esquecido até na próxima eleição.

A composição das câmaras de vereadores, o legislativo municipal, deveria ser tão ou mais importante que a escolha do prefeito. A câmara deveria de fato direcionar o desenvolvimento, estabelecer planos de crescimento para cada município, normas para construção, para uso do espaço público, enfim, deveriam ter um planejamento estratégico pelo menos de médio prazo, para que as mudanças de prefeito não pudessem ter tanta influência assim no futuro dos municípios. E deveriam monitorar a aplicação desses planos, controlando e cobrando ações e correções de rumo, isso é básico em gerenciamento de projetos. O executivo (prefeito) deveria andar em cima da linha riscada pelo legislativo, com muito pouca liberdade para sair fazendo o que lhe der na cabeça fazer, deveria ser apenas o executor do planejamento.

Infelizmente, o que eu vejo não é nada disso. A esmagadora maioria dos candidatos a vereador nunca tiveram envolvimento nenhum com as comunidades que dizem representar, nunca botaram a mão na massa prá valer. Dentre esses, uma boa parte é lançada candidato pelos partidos com o único objetivo de ganhar votos e ajudar a eleger o candidato que realmente interessa ao partido. O que de vez em quando dá errado, temos vários exemplos recentes na Câmara Federal, e talvez tenhamos também aqui em Viçosa. Candidatos a prefeito sofrem a influência de “forças externas”, politicos que querem manter sua influência intacta no município, construtores que querem continuar colocando prédios em qualquer canto usando a máquina pública para aprovarem leis municipais que aliviem  e facilitem  seus empreendimentos. Nesse jogo ai vale tudo, até a nossa presidente afirmar publicamente que o governo federal tem muitos recursos para São Paulo, que serão liberados com mais benevolência se o candidato do partido dela ganhar a eleição para prefeito (parece que a ameaça não está ajudando).

Um comentário final: na minha concepção, o voto não deveria ser obrigatório. Aqui no Brasil, dizem que não é obrigatório, é facultativo: eu posso deixar de votar, mas tenho que justificar o fato, senão incorro em duras penas. Isso prá mim é ser obrigatório, concordam? Aí talvez tivéssemos outro tipo de campanha política, sem os votos de cabresto, eleitores conscientes que vão votar porque acham que é importante, leram e entenderam os programas dos candidatos, etc. Mas isso é querer demais…

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Reflexões, Social

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