Sandy, lições em avaliação de riscos

Várias lições mais uma vez podem ser tiradas, de como os estadunidenses e outros povos enfrentam os desastres naturais. Um furacão com o poder de destruição de um Sandy, ventos de até 80 milhas/h (130km/h), 1600km de diâmetro,  ganhando força na medida em que avança, juntando-se com massas polares frias e ainda ajudado pela lua cheia que ajuda a subir as marés, e temos ai um quadro de catástrofe apocalíptica. O que é que nós infimos seres humanos podemos fazer diante desta força toda da natureza? Contra o furacão, nada a ser feito, a marcha dele é irreversível e irrestível, não temos como nos contrapor a ele. 

725204 Mas, podemos nos prevenir, avaliando todos os riscos, e preparando planos de enfrentamento dos desastres que o Sandy poderia eventualmente causar. Indo para a área de gerenciamento de riscos em projetos, podemos tentar mitigação (tomar medidas para diminuir o impacto ou até impedir que algum desastre ocorra) ou então contingência (prevenir para que, uma vez ocorrido  o desastre, as perdas tenham  menores proporções). No caso do Sandy, a mitigação se verificou nos sacos de areia nas entradas de metrô, de túneis, de tábuas pregadas em janelas, portas, entradas de metrôs, etc. Mas, não havia muito mais a ser feito, era tomar essas providências e torcer para que o pior não acontecesse. Do ponto de vista de contingências, a coisa foi mais forte. Evacuação de grandes áreas para evitar  perdas de vidas humanas, tirar as pessoas das ruas, desligar energia elétrica em alguns casos, salvar em lugar seguro backup de dados e informações vitais, preparar hospitais e clínicas para atendimentos de emergência, deixar ambulâncias e carros de bombeiro prontos para sairem às ruas, preparar todos os recursos para garantir a volta à vida normal o mais cedo possivel, etc. Claro, tudo apoiado por um enorme sistema de identificação e monitoramento de ameaças naturais, que emitem os avisos muito tempo antes de qualquer problema acontecer, permitindo que as decisões e planos sejam colocados em ação. E um sistema também enorme, em rádios, TVs, comunicação nas comunidades, escolas, igrejas, etc. para fazer a informação chegar a todos. 

E aí sim, temos muito que aprender com os estadunidenses. A começar pela obediência às mensagens e sinais para estocar alimento, não sair às ruas, nem pensar em sair de carro, só telefonar para os bombeiros e policia (911) em caso de necessidade de fato, fechar portas e janelas, deixar baterias de celulares e notebooks carregadas, comprar lanternas e baterias. O treinamento para essas eventualidades começa na pré-escola (elementary school), as crianças são submetidas a simulações desde pequeninas, e aprendem desde cedo que essas ordens têm que ser obedecidas, sem questionamentos. Num caso de catástrofe como essa, as perdas materiais pouco importam, o foco é preservar vidas humanas que ficam no topo das prioridades. Para todo o resto, existem os seguros que são uma das formas de contingenciamento, transferindo o prejuizo para uma seguradora caso o problema ocorra (como fazemos com o seguro de carro, de residência, etc.). Para aumentar o contingente de pessoas que podem ajudar oficialmente nesses casos, eles ainda contam com voluntários: nos bombeiros, no atendimento a acidentados, em primeiros socorros, etc. Esses voluntários recebem treinamento especifico e ficam de prontidão na sede das corporações para eventualidades.

Além disto tudo, os dirigentes ainda podem ser julgados e condenados caso deixem de tomar alguma decisão para que mitigações e contingências tenham sucesso nesses casos. Coitado de algum prefeito, governador ou mesmo presidente que, mesmo diante de todos os avisos e sinais, deixe de tomar as devidas providências e usar os recursos disponiveis de maneira honesta e eficaz. Por lá, o relapso, lerdo, inescrupuloso ou desonesto é pego no ato, e o destino sumário é cadeia…

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Economia, Engenharia de Software, Tecnologia
Um comentário em “Sandy, lições em avaliação de riscos
  1. railer disse:

    Isso que você comentou de obediência às mensagens e sinais é muito importante e, verdade, tem que ser ensinado desde cedo. Gostei do texto.

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