Viçosa: chuva, frio, calor…

Viemos morar em Viçosa em 1961, quando meu pai veio para a UFV (na época UREMG – Universidade Rural do Estado de Minas Gerais). Lembro-me bem dessas épocas, fazia um frio do cão no inverno, a gente usava até luva de lã para aliviar as mãos nas idas para o Colégio de Viçosa para as aulas da 7 da manhã. Cerração fechada, frio a manhã toda, todo ano a mesma  coisa, e esse frio já começava na época da Semana Santa e durava até inicio de Setembro, com pequenas variações.

O mesmo eu observava com relação a chuvas. Nas nossas férias escolares, chovia toda tarde, chuva de verão, muitos raios e trovões. A gente ficava de olho nas nuvens, porque todo mundo queria ir para a piscina na UREMG ou na Praça de Esportes (VAC). Um monte de rios na região, íamos para Visconde do Rio Branco de Rural Willys, descendo por Monte Celeste até São Geraldo e, no pé da serra, tinha um rio (não me lembro o nome) que nos finais de ano era um perigo, a Rural atravessava na reduzida. Na região de Viçosa até rios com cachoeiras havia.

açude-secoO que eu consigo observar hoje, como leigo, é que os rios se transformaram em riachos, pouca água insuficiente para qualquer tipo de uso. O frio do inverno hoje pode ser encarado com uma blusa leve, nada de luvas, o frio não chega nem a incomodar. E a chuva? sumiu completamente, notoriamente em Viçosa, embora na região chova até muito. A gente fiscalizava a chuva no verão olhando para os lados de Paula Cândido, se tinha nuvens carregadas por lá, é porque ia fatalmente chover em Viçosa em pouco tempo, e não falhava. Hoje as nuvens escuras continuam se formando por lá, mas se espalham quando chegam mais perto daqui, passando de fininho sem colaborar com umas gotas de chuva para ajudar na secura. Em Dezembro/2012 fui a Juiz de Fora e, na volta, fim de tarde, choveu desde o Grama até Coimbra, e chovia muito. De Coimbra para cá começou a diminuir a chuva, e em Viçosa ela se transformou em garoa, daquelas que deixam o carro com cara de sujo quando misturada com a poeira da pintura. Cheguei até a comentar com o motorista: quer apostar que em Viçosa não vai estar chovendo, porque chuva não sobe a serra de jeito nenhum? Bazinga…

Sei, sei, aquecimento global e etc., o homem está destruindo a natureza, todo mundo já sabe. Mas e aqui na região? será que a enorme quantidade de construções, prédios, casas, condomínios está sendo suficiente para formar uma bolha quente na região, ajudando a afastar as ondas frias e chuvas? A água da região está sendo chupada pelas novas construções ajudando a minguar os rios, já vi estudos que dizem que a cidade não comporta (quer dizer, já não comportava há uns três anos) um crescimento de 20%. Mas quem é que está controlando e fiscalizando o uso da água? Deposição de lixo na periferia onde o serviço de coleta não chega, não está tudo indo para os rios já combalidos?

E vamos para o buraco, sem chuvas e sem água para movimentar a cidade cada dia mais lotada de gente, de carros, de gente que continua lavando calçadas sem fiscalização, de lava-rápido nos postos de gasolina e espalhados na cidade. Com minha visão pessimista (nesse caso, nem tanto assim, há muitas evidências…) em breve entraremos no racionamento de água. E ai vai surgir algum lider brilhante da região, que em época de eleição vai propor a solução milagrosa: a transposição do Rio Piranga! Anotem ai, aposto que vai acontecer…

Nota: a foto acima foi copiada de http://elsonribeiro.blogspot.com.br/

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

Marcado com:
Publicado em Reflexões, Saúde, Sustentabilidade
4 comentários em “Viçosa: chuva, frio, calor…
  1. Fabricio Luis disse:

    Concordo plenamente.
    E o pior de tudo é que isto é um problema mundial.
    Provavelmente alguma atitude só será tomada quando tivermos de comprar água a um custo elevado ou tivermos termperaturas acima de 48º.

  2. Marcelo Lobato disse:

    Não há dados confiáveis neste post que permita aferir uma conclusão minimamente racional. Não foi exibido dados históricos relacionados a temperatura média anual ou precipitação média anual. Isto eu chamo de papo de bêbado ou achismo.

    • Marcelo Lobato (UFMG?), se você leu a postagem de fato, está mesmo claro desde o inicio que se trata de opinião minha, achismo mesmo, e que eu que não sou da área. Portanto, não tem novidade alguma no seu comentário mal-educado. Obrigado por seu comentário, a gente sempre aprende alguma coisa…

  3. Heber disse:

    José Luis, eu me lembro que na década de 80 viçosa tinha um problema sério com entenxes, quando digo isso aos meus colegas ninguém acredita.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: