Steal like an artist (Austin Kleon)

Praticando um dos meus passatempos favoritos, que é entrar em livrarias e ficar rodando à procura de novidades, topei com este livro do Austin Kleon, que me chamou atenção pelo título completamente inusitado. Como assim, steal like an artist (roubar como um artista)? Bom, de curiosidade, peguei o livro para dar uma olhada, já de cara tem uma boa indicação: lista dos mais vendidos do New York Times. Pode não significar muita coisa, mas é uma indicação melhor do que comprar no escuro, sem saber. Com isso ai, o livro já estava mais da metade na cesta de compras, e ai olhei o preço, 11 dólares, e o livro foi definitivamente para a cesta de compras. O autor, Austin Kleon, é escritor e artista, de Austin-Texas.

steal-cover-3d-245x265Bom, quando li o sub-título do livro, melhorou a primeira impressão: 10 things nobody told you about being creative. Ai deu para perceber o contexto do título, e a leitura do livro foi pura diversão do começo ao fim. O que significa roubar, no contexto do livro? O reconhecimento de que nossa estrutura de conhecimento individual é  composta por influências e mais influências que sofremos ao longo da vida. Algumas mais, outras menos, e o fato é que quando chegamos ao ponto de produzir algo próprio, com nossa própria visão, esse algo vai impregnado por essas influências que colecionamos ao longo da vida. Escritores, artistas, atores, pintores, designers, família, amigos, coveiro, motorista de ônibus, filosofia de botequim, enfim, as contribuições vão aparecendo sem que a gente se dê conta de onde elas vieram, impossivel desagregar uma influência depois de algum tempo.

Ai é que vem o contexto de roubar, no título do livro: observar os outros, as obras dos outros, adotar modelos, etc. Mas, nunca significa simplesmente copiar as ideias e insights de outra pessoa, isso é outra coisa, isso é plágio, é desonesto. A ideia aqui é você entender a obra de outro artista a ponto de conseguir enxergar o mundo pelo menos com parte da visão dele, que passa a ficar incorporada na sua própria visão e modelo de mundo. Plagiar é muito fácil (muito fácil descobrir também), mas adquirir essa visão do outro, exige muito estudo de técnicas, análise da produção, biografia, vida e experiências, etc. E essa é uma prática mais comum entre os artistas, que estudam a obra e o processo criativo de vários artistas  na sua e em outras áreas. Com o tempo, a obra do artista passa a sofrer influência dos demais estudados. Por exemplo, no site MusicMap, é possivel visualizar as influências sofridas por um músico ou grupo musical, e as influências exercidas pelo grupo em outros grupos. Para ver o mapa referente aos  Beatles, por exemplo, clique aqui, é muito interessante. Claro, o mapa mostrado é apenas a influência visivel cujos dados estão disponiveis e registrados de alguma forma processável. Será que em algum momento no futuro vai ser possível ter um desenho de um mapa desses para cada um de nós?

O livro é curto e grosso, e dá para perceber nele a influência de outros autores de livros que já li. Por exemplo, percebe-se influência do excelente livro Where good ideas come from (Steven Johnson) em algumas partes. Costumo falar isso nas minhas aulas de engenharia de software: estudar as obras de outros artistas, outros projetos, faz parte do processo criativo dos artistas. Por exemplo, o arquiteto, uma vez definidos os requisitos de um projeto, tenta achar soluções já prontas para mostrar alternativas aos clientes, como se fossem protótipos para ajudarem no entendimento e melhoria dos requisitos. Por isso, revistas como Arquitetura e Construção, Casa Cláudia e outras fazem parte obrigatória do processo de projeto dos arquitetos. O projeto pode seguir um caminho com menos riscos, com maiores chances de satisfazer às expectativas do cliente. E ai fica a pergunta: porque em engenharia de software ainda não fazemos isso? Parte da resposta está no fato de que ainda não temos um corpo de conhecimento registrado sobre projetos e sua descrição. Na verdade, ainda não temos nem um padrão a ser seguido sobre como descrever projetos e suas partes, cada empresa adota uma linguagem que acha melhor ou mais fácil usar. Mas, padrões estão aparecendo, e sua adoção e vantagens em adotá-los estão começando a ser disseminados.

Recomendo demais o livro, muitos benefícios na leitura, vocês vão gostar. Tem um pouco cara de livro de preceitos, daqueles que ficam classificados nas prateleiras de auto-ajuda das livrarias. Mas não é nada disso, podem apostar, é apenas primeira impressão. E é o tipo de leitura que realmente puxa nossa mente e nos faz crescer, completamente fora da área técnica. São minhas leituras preferidas.

(comprei esse livro na loja do MOMA – Museum of Modern Arts, em NYC, 18 de abril de 2013)

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Jersey City, NJ)

Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Carreira, Inovação, Livros

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