Bitcoin?

Bitcoin se transformou em termo de conhecimento obrigatório para quem gosta de tecnologia, e quer entender melhor para onde estamos indo. Uma brecha entre leituras da minha extensa fila, e eu baixei um livro no Kindle, Secret money: living on bitcoin on a real world, escrito por Kashmir Hill, articulista da Forbes,  a capa do livro ilustra esta postagem. Tem material à vontade na web, a entrada na wikipedia já é boa introdução.

41yoRO1ZeDL._SL160_PIsitb-sticker-arrow-dp,TopRight,12,-18_SH30_OU01_AA160_O livro é um relato da experiência da autora, de viver uma semana completa em abril de 2013,  usando apenas bitcoins em São Francisco, California. Não esperem encontrar no livro um detalhamento de “baixarias” sobre o bitcoin, como por exemplo detalhes do algoritmo de mineração da moeda, como bitcoin gera valor, uma análise do seu impacto na economia tradicional, etc. O livro fala apenas sobre o que interessa ou é importante para que o leitor entenda a experiência de viver uma semana sem usar dólares, gastando apenas bitcoins.  Acho que a caracterização a seguir é suficiente para entender o livro: “When you own a bitcoin, it means you’re assigned a value of “1” and you’re the only person who is able to transfer that value in the digital system to someone else, thanks to cryptographic keys that lock your value assignment down. Take away the technomagic sheen and you will see that Bitcoin is just a big ledger system.” É uma moeda virtual apenas, até o momento independente do sistema bancário da nossa economia tradicional, que tem valor de troca no mercado, é aceito em alguns estabelecimentos em alguns países, pode ser comprado de algumas instituições ficando armazenados em “carteiras digitais” identificadas e mantidas debaixo de enorme segurança, tudo criptografado, etc.

O interessante do livro não são os detalhes sobre o bitcoin propriamente dito, mas sim o  lado social aliado ao lado econômico, uma experiência real para responder à pergunta: dá para sobreviver somente com bitcoins? Não deixa de ser um relato de uma aventura, em que a autora deixou cartões de crédito e dinheiro físico (dólar) em casa e se mudou levando apenas 5 bitcoins adquiridos no mercado a US126.69 cada. O valor em dólares varia muito, e no relato o valor chegou a cair abaixo de 100 dólares em apenas uma semana. O livro prende muito a atenção dos interessados em tecnologia, pois a emergência do bitcoin e de outras moedas virtuais que vão certamente surgir significa muito tanto do ponto de vista da tecnologia, quanto do ponto de vista do sistema econômico tradicional, dominado pelos intermediários que são os bancos. O relato é cheio de altos e baixos, mostrando as dificuldades de conseguir se alimentar, pagar aluguel, alugar carro, alugar bike, pagar táxi, etc., muitas respostas do tipo “Bit what?”.

Se formos pensar bem, dinheiro como o conhecemos nada mais é que informação em última análise. Quando pagamos alguma coisa via web, ou via cheque (ainda existe?) ou via moeda física, o que de fato estamos fazendo é uma transferência de informação. Os bancos atuam como intermediários autorizados a dar credibilidade ao sistema, apenas isso. A nossa moeda atual é impessoal, facilmente transferível, etc.  O que um sistema virtual como o do bitcoin faz é subverter essa ordem, abalando o poder dos bancos, e repassando esse poder ao indivíduo que possui os bitcoins. Eu passo a ser meu próprio banco, a única autoridade intermediária que ainda existe é um tipo “cartório”  que mantém um livro caixa com o registro, em meu nome, de todos os bitcoins que eu possuo, identificados e associados comigo. Quando pago alguma coisa e transfiro a posse para outro indivíduo, a informação de troca de propriedade vai junto. Ou seja, é mais próximo de um sistema de troca de informações apenas, que corre paralelo ao sistema bancário tradicional. Com um detalhe:  o número máximo possivel de bitcoins foi estabelecido pelo seu criador e é respeitado pelos algoritmos oficiais de mineração. Se aumentar a procura por bitcoins, seu valor vai subir, e vice-versa, seguindo a lei de regulação da oferta-demanda da nossa economia. E por isso mesmo, levantou a ira do sistema tradicional, que se vê ameaçado pelas moedas virtuais, e que são gradativamente aceitas em estabelecimentos comerciais e países.

Para pensar: será esse o futuro? o sistema bancário como o conhecemos hoje, e de resto a economia do mundo, vão sucumbir aos bitcoins e assemelhados?

Atualização 17/05/2014 – A autora do livro, Kashmir Hill, repetiu a experiência relatada no livro, no início de 2014, para verificar se houve evolução no uso de bitcoins no periodo, na mesma região do Vale do Silício nos EUA. O relato dela está aqui, muito interessante, vale a leitura.

Atualização 22/04/2014 – 1-Milton Friedman, economista, em 1999 previu a emergência dos bitcoins, vejam aqui.  2-Kashmir Hill, autora do livro, em palestra sobre o livro, Surviving on bitcoin for a week.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (Viçosa, MG)

Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Economia, Inovação, Livros, Social, Tecnologia
4 comentários em “Bitcoin?
  1. railer disse:

    Muito bacana e interessante mesmo.

  2. Lissandra Lazzarotto disse:

    Será que essa será a moeda única mundial? Adorei o texto Zé. Lissandra

    • eu acho que é apenas a primeira tentativa, lissandra. outras vão surgir, nos mesmos moldes, até que a cultura se propague. eu acho que é inevitável, e vai acontecer em pouco tempo. abraço,

  3. Paulo Sales disse:

    Qualquer hora vou fazer um teste também hehe
    Abs.

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